O "ESTILO" EM CINEMA - A propósito de «MAN ON FIRE»

Para quem dedica algum do seu tempo a ler e/ou a formular críticas cinematográficas, é muito usual reflectir-se sobre o termo "estilo" aplicado a um actor, realizador ou tipo de cinema em questão. Contudo, sou da opinião que não se deve descurar o uso do vocábulo só e apenas para um determinado título.
Exemplo disto mesmo é
«MAN ON FIRE», de Tony Scott. Trata-se de um realizador que, tal como o seu irmão Ridley, é detentor duma forma muito própria (e, diga-se de passagem, muito
sui generis) de filmar. Contudo, nesta película em particular, Scott foi ainda mais longe na tentativa de criar uma ambiência que definiu e permitiu a automática identificação, num primeiro visionamento, deste filme.
Passo a enumerar:
- do uso alternado de diversos planos e respectiva montagem veloz, à semelhança de um
videoclip, até a sequências longas de diálogos com câmara fixa;
- a utilização de diversas técnicas de montagem (visual e sonora);
- a proliferação de modelos de tratamento fotográfico (cor, saturação de cor, preto e branco...);
- o estabelecimento de
mise-en-scènes imaginativos;
- apesar de todo o seu rigor técnico, Scott ainda permitiu a si próprio o luxo de incluir uma sequência entre Denzel Washington e Dakota Fanning de pura improvisação...

Ame-se ou deteste-se, o que importa reter é que «MAN ON FIRE» é uma película de estilo singular. Apesar de ter sido recebida friamente pela crítica, a qual censurou o filme
exactamente pelo seu excessivo estetismo, o que é certo é que não passou despercebido. A sua influência tem vindo a ser notada, sobretudo no circuito do cinema experimental, com excelentes resultados.

Por enquanto, e para finalizar, pretendo reforçar a minha convicção de que o cinema é, acima de tudo, uma
arte visual, e que se recomenda vivamente qualquer realizador, conhecido ou desconhecido, que tenha a coragem de experimentar, numa era em que o Cinema parece ter aderido aos três R's do século XXI: reciclar, reutilizar e reinventar.
NB: para quem puder ter acesso à
edição especial, de dois discos, lançada no nosso país pela LNK, recomendo que veja o extra "Cenas Cortadas", nos quais é possível assistir outros recursos estílisticos utilizados por Tony Scott nas sequências que ficaram no chão da sala de montagem...