quinta-feira, maio 18, 2006

O CÓDIGO DA VINCI #2: O MISTÉRIO DAS CRÍTICAS DEPRECIATIVAS



E o filme mais esperado do ano, adaptado do maior best-seller dos tempos modernos, foi recebido assim pela crítica:

— Todd McCarthy, Variety:
"Part of the quick deflation is due to a palpable lack of chemistry between Hanks and Tautou, an odd thing in itself given their genial accessibility in many previous roles. Howard, normally a generous director of actors, makes them both look stiff, pasty and inexpressive in material that provides them little opportunity to express basic human nature; unlike in the book, they are never allowed to even suggest their fatigue after a full night and day of non-stop running, nor to say anything that doesn't relate directly to narrative forward movement. It's a film so overloaded with plot that there's no room for anything else, from emotion to stylistic grace notes."

— Edward Douglas, Comingsoon.net:
"It's just not that the movie is way too long and duller than watching Da Vinci's paint dry, but it takes away any of the book's little credibility and makes the flaws in it that much more obvious." [...]"It wouldn't be so bad if the film were cinematically interesting, but it lacks the style of other recent films, including most of Ron Howard's."

— Matt Pais, Metromix.com:
"For people who insist that the movie is never as good as the book, your case just got stronger."

— A.O. Scott, New York Times:
"«The Da Vinci Code», which opened the Cannes Film Festival on Wednesday, is one of the few screen versions of a book that may take longer to watch than to read."

Apesar de toda esta "maldicência", os críticos têm sido unânimes num aspecto, o qual poderá bem ser o melhor da versão cinematográfica de O CÓDIGO DA VINCI: a interpretação de Ian McKellen, sem dúvida aquele que melhor apreendeu o que é, do princípio ao fim, a narrativa de Dan Brown: um excelente thriller.



Agora, só falta mesmo ir ver o filme, que estreia hoje e em 76 salas do país.

terça-feira, maio 16, 2006

O CÓDIGO DA VINCI: O MISTÉRIO DAS ANTE-ESTREIAS DESAPARECIDAS



Um interessante artigo do New York Times sobre a peculiar campanha de marketing do quase a estrear O CÓDIGO DA VINCI, de Ron Howard. Na íntegra e em exclusivo, aqui.

quarta-feira, maio 10, 2006

HOSTEL (2006), de Eli Roth



É sem dúvida um dos filmes mais perturbadores do ano e, de certa forma, um dos mais originais no que toca à delineação da sua principal ideia. Perturbador por dissecar, sem pudores nem preconceitos, os perfis mais obscuros e perversos da mente humana, pertencendo aquele conjunto restrito de obras (a par das obras mais extremas de David Cronenberg, mas sem o primor pela tecnologia) com o rótulo de ou se ama ou se odeia. Original por incluir no imaginário cinematográfico uma lenda urbana, de contornos estílisticos bem definidos mas sempre enigmática na origem, apoiando-se numa já rotineira eficaz estratégia de marketing, ou seja, "Baseado em factos reais".

HOSTEL gira em torno de três estudantes (dois americanos e um islandês) que chegam a Amsterdão com o propósito de experienciar uma das mais prolíferas indústrias de sexo da Europa. Lá, conhecem um jovem que lhes indica a morada de uma pensão (ou o hostel do título), na Eslováquia, onde as mulheres locais estão dispostas a terem sexo com estrangeiros por pouco dinheiro. No entanto, uma perspectiva tão "cor-de-rosa" nunca se apresentou tão negra. Rapidamente, os três amigos tornam-se em vítimas de um submundo onde se paga para torturar, abusar e matar estrangeiros pelo preço certo...



Após algumas críticas negativas, HOSTEL, na minha opinião, até nem é um flop cinematográfico. Encontramos aqui os ingredientes necessários para o eficaz filme gore: sangue, sexo, suor e, acima de tudo, respira-se sofrimento tanto nas personagens como no espectador. Só falha num pormenor (que por pouco não arruina toda a produção), isto é, a realização. E não me refiro apenas a clichés em direcção de fotografia — que por acaso abundam em HOSTEL. Nota-se uma certa ingenuidade, à falta de melhor expressão, na concepção das sequências, sejam elas de calma aparente ou de profundo terror. E quando um filme de horror não consegue prender, visualmente falando, quem o assiste, então algo de grave se passa.

Por outras palavras, não é possível vislumbrar em HOSTEL uma única amostra criativa de realização. E é aqui que o filme começa a roçar o paradoxo. Se foi grande o investimento no campo dos efeitos de make-up, porque não utilizá-lo com mais "estilo"? A opção pela abordagem "pura e dura" à violência é aceitável, mas sempre apoio quando alguém nos "assalta" os sentidos com alguma supresa visual inovadora.



Eli Roth, apesar de tudo, triunfou no argumento — se procurarmos um sentido metafórico para HOSTEL, este poderá encontrar a sua alma gémea enquanto peça de cariz anti-americana (e Roth admitiu-o numa entrevista). O filme é perturbador e original, as infames sequências de tortura são mesmo repulsivas e inesquecíveis e, por isso, recomendo a espreitadela. É um daqueles filmes que, numa escala de 0 a 10, concedo um 5.

terça-feira, maio 09, 2006

MISTERIOSA OBSESSÃO (2004), de Joseph Ruben



Sempre que tento esboçar uma crítica cinematográfica, tenho como principal fio condutor o esforço em encontrar os pontos positivos do filme e, a partir daí, construir o texto. O que fazer, então, quando não é possível descriminar uma única centelha digna de realce?

É o que sucede com este MISTERIOSA OBSESSÃO, que só agora tive oportunidade de ver. Recordo-me, por altura da sua estreia, de observar o trailer. Embora fosse plenamente visível que não se estava perante um peso-pesado de suspense, também nunca me passou pela cabeça que o filme fosse o desastre que é. A história de Telly (Julianne Moore), ainda enlutada pela morte do seu único filho num acidente de aviação, há 14 meses atrás, sofre um repentino volte-face quando todos em seu redor (marido, amigos, vizinhos, o seu próprio psiquiatra) começam a afirmar que a criança nunca existiu, que tudo não passa de uma alucinação provocada pelo desgosto de um parto mal sucedido. Na verdade, tudo é mais sinistro do que a princípio se pensa — a realidade está escondida por uma entidade superior à nossa imaginação...



Visto o filme e apreciado o mau argumento — tão insípido que a sua duração nem chega à hora e meia —, é de bradar o que foi tão mal alcançado, sobretudo se nos lembrarmos dos recursos e talentos envolvidos. De notar pela negativa, o "vilão" mais perguiçoso e incompetente de que há memória, e a heroína cujas "capacidades acima da média" representa a pior resolução de uma película a que assisti em toda a minha vida. O título original é THE FORGOTTEN (traduzindo à letra, OS ESQUECIDOS). Pois bem, o ponto final deste texto assinala a minha total amnésia em relação a MISTERIOSA OBSESSÃO.

sexta-feira, maio 05, 2006

ANTESTREIA DA SEMANA



É o regresso de Pedro Almodóvar e suas mujeres: nomeadamente, Penélope Cruz, Carmen Maura e Lola Dueñas. VOLVER — já estreado em Espanha, mas ainda sem data anunciada para as salas nacionais — tem sido recebido com um misto de boas e más críticas, mas ninguém se atreve a negar que se trata de puro Almodóvar, narrativa como esteticamente.

E uma especial chamada de atenção para Penélope Cruz: segundo alguns artigos, esta será a melhor performance da espanhola até à data.



quinta-feira, maio 04, 2006

SITE RECOMENDADO - EM PROL DOS MELHORES MOMENTOS DE TERROR

O RetroCrush, denominado como o maior espaço on-line dedicado à cultura popular, apresentou recentemente uma lista dos 100 Scariest Movie Scenes.

Segundo o seu autor, estamos perante um genuíno "trabalho de amor". Aposto que sim, e aproveito para dizer que vale bem a pena a visita.

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