Spot publicitário, gráfico e perturbador, desenvolvido para a Helen Bamber Foundation, em cooperação com a Body Shop, de denúncia e alerta do tráfico de mulheres para fins sexuais.
É protagonizado pela sempre versátil Emma Thompson e merece destaque, não só pela mensagem veiculada, como para salientar o excelente registo cinematográfico que ostenta.
Chocante e eficaz:
quarta-feira, outubro 31, 2007
terça-feira, outubro 30, 2007
A Queda - Hitler e o Fim do Terceiro Reich (2005), de Oliver Hirschbiegel

Não deve existir tarefa mais delicada do que retratar, artísticamente, a figura de Adolf Hitler. Entendido como a maior encarnação do mal e de intolerância alguma vez registada na história da Humanidade, torna-se, logo à partida, intricado construir uma imagem do fundador do Nazismo sem ignorar todas as opiniões geradas a partir de 60 anos de (des)construção histórica da personalidade.
Uma das primeiras tentativas de o fazer foi num filme de 1973, com Alec Guiness como protagonista, intitulado HITLER - OS ÚLTIMOS DEZ DIAS. Considerado pela crítica como a melhor interpretação de Guiness, é também apontado como historicamente incorrecto, embora se esforce em mostrar Hitler como um ser humano, possuidor de emoções comuns a qualquer outro indivíduo.

Talvez pelo tom moderado que o Cinema sempre dispensou a Hitler, este A QUEDA revela-se um projecto ganho por esmiuçar, fria e incondicionalmente, não só a derrota de um líder, como a total decadência de um regime político. Incapaz de reconhecer a falência militar alemã face ao cerco a Berlim imposto pelo exército russo, rodeado de oficiais leais mas receosos, desertores e incrédulos numa reviravolta da situação e encarcerado num bunker mal iluminado, Bruno Ganz, no papel principal, executa um autêntico tour de force convencendo-nos de que Hitler era um indivíduo com visões e comportamentos realmente condenáveis, debilitado fisicamente, mas capaz de demonstrar afecto, apreço e misericórdia.
Baseado nos relatos de quem acompanhou, intimamente, os últimos dias de Hitler e sobreviveu para partilhar o que assistiu (nomeadamente, Traudl Junge, secretária pessoal do ditador e co-protagonista em A QUEDA), o filme demonstra todos os momentos debatidos e realçados pela História sobre aquela última semana do Nazismo, desde os lendários (a celebração do matrimónio entre Hitler e Eva Braun é um momento quase cómico) até aos melindrosos (o suicídio forçado dos filhos de Joseph Goebbels, induzidos pela própria mãe).

No cômputo geral, A QUEDA tem como mérito principal o facto de não querer fazer de Adolf Hitler um mero "boneco", a quem possamos colar rótulos ou adjectivos. Procurou-se, apenas, elaborar um retrato real de alguém que ultrapassa a nossa compreensão. Surgiram, na época da sua estreia, críticas negativas sobre o filme querer "humanizar" o ditador. Hitler era, para o bem ou para o mal, humano, e A QUEDA almeja extrair a aura de mitologia que (ainda) pende sobre ele.
A QUEDA é um filme de visualização recomendada, digno de projecção nas salas de aula de História e, para os mais indecisos, a ser encarado como um documentário histórico.
segunda-feira, outubro 29, 2007
O Fiel Jardineiro (2005), de Fernando Meirelles

O FIEL JARDINEIRO é uma experiência cinematográfica bastante satisfatória pelo facto de, entre todos os seus principais intervenientes, não existirem decepções. O argumento respeita os ambientes de intriga política dos romances de John Le Carré, o realizador Fernando Meirelles (responsável pelo fantástico A CIDADE DE DEUS) cumpre a sua quota parte de virtuosismo e os desempenhos de Ralph Fiennes e Rachel Weisz, nos papéis principais, são dos mais sólidos que 2005 nos proporcionou.
Justin Quayle (Fiennes), diplomata britânico com apetência para a jardinagem mais complexa, apaixona-se por Tessa (Weisz), inconsciente do intenso trabalho activista da sua esposa, a qual dedica forças e recursos para expôr publicamente uma poderosa farmacêutica empenhada em testar ilegalmente, no Quénia, medicação contra a tuberculose sem garantias do fármaco ser eficaz. Tessa suspeita que estas experiências poderão estar a causar milhares de vítimas, e a sua recusa em abandonar o seu empreendimento provoca a sua morte por homícidio.
É a morte de Tessa que impele Justin a descobrir todos os contornos sórdidos daquela investigação, conduzindo-o aos meandros da África em profunda crise humanitária e descobrindo

Mais do que um manifesto sobre a condição sócio-económica de alguns países da África Subsaariana — e houve quem o criticasse por não ser —, O FIEL JARDINEIRO é, acima de tudo, um thriller político, repleto de espionagem e conspiração ao mais alto nível governamental, sem menosprezar o motor central da narrativa, ou seja, a natureza do romance entre as personagens principais. O registo visual impresso por Meirelles ao filme (e pelo seu director de fotografia, César Charlone, que acompanha o realizador brasileiro desde A CIDADE DE DEUS) denota esta constatação: a iluminação idílica das sequências de paixão entre Justin e Tessa; a utilização de filtros azuis, nas cenas em Nairobi, apontam para as incertezas que grassam a cidade; e o calor do deserto africano é captado em todo o seu esplendor de amarelos abrasadores.
É impossível não realçar o desempenho oscarizado de Rachel Weisz neste O FIEL JARDINEIRO — provavelmente, estamos perante o post-mortem mais conseguido em Cinema desde o de Kevin Spacey em BELEZA AMERICANA (1999). Acredito fielmente que o simples voz-off da actriz, numa das sequências finais do filme, lhe valeu os prémios que arrecadou. Embora não tenha uma presença dominante, é a "sombra" de Tessa que influencia tudo e todos.

Contudo, o maior mérito de O FIEL JARDINEIRO pertence a Fernando Meirelles, um realizador que, cada vez mais, ocupa um lugar no "meu pódio" de cineastas predilectos. O recurso à narrativa não-linear é sempre um risco — basta recordar o quão denegrido foi BABEL por causa disso — mas, neste caso, não poderia haver melhor forma de apresentar esta história. Essa opção estética, aliada ao inquietante trabalho de câmara móvel, acrescenta inquietação e insegurança, impedindo a mínima presença de tédio no espectador.
quinta-feira, outubro 25, 2007
Antestreia da Semana

O novo e já aclamado filme dos irmãos Coen promete ser o regresso do duo às ambiências noir de SANGUE POR SANGUE (1984) e HISTÓRIAS DE GANGSTERS (1990).
Baseado no romance de Cormac McCarthy (premiado com um Pulitzer), NO COUNTRY FOR OLD MEN segue a história de Llewelyn Moss (John Brolin) que lucra, por acaso, de um negócio de droga que deu para o torto. A situação torna-se perigosa quando vários assassinos a soldo chegam à localidade de Rio Grande com intenções de eliminar todas as provas (e pessoas) que sobraram do referido negócio...
Para além de Brolin, o filme conta com as presenças de Tommy Lee Jones, Woody Harrelson e Javier Bardem, ao qual calha a responsabilidade de incarnar a típica personagem excêntrica e a roçar o psicopata tão "querida" ao universo de Joel e Ethan Coen.
Atenção especial para a banda sonora composta por Carter Burwell, colaborador habitual dos cineastas. No site oficial é possível escutar uma amostra, e aparenta ser bombástica.
quarta-feira, outubro 24, 2007
Marie Antoinette (2006), de Sofia Coppola

A História está repleta de nomes que, irremediavelmente, viveram na época errada e, mesmo assim, deixaram uma marca indelével para os anos vindouros. Marie Antoinette, soberana no período que antecedeu à Revolução Francesa, é um desses casos. E MARIE ANTOINETTE, o filme, não esconde a pretensão de explorar o fenómeno da "inadaptação histórica". Não espanta que, para uma narrativa relativa ao século XVIII, a banda sonora seja composta do mais puro new wave musical dos anos 80, como «I Want Candy», dos Bow Wow Wow, ou «Plainsong», dos The Cure.
Kirsten Dunst personifica a típica adolescente desejosa de evasão e gozo. Aos 14 anos, casa-se com o também jovem e futuro rei Luís XVI (Jason Schwartzman), na que se tornou a "cláusula fundamental" de uma aliança política entre as famílias reais francesa e austríaca. Não tarda a submissão à pressão de mudar-se para um país e cultura diferentes — nem o cãozinho de estimação tem permissão para atravessar a fronteira —, assim como a cedência a longos rituais monárquicos e a obrigatória (mas polémica) concepção de um herdeiro ao trono francês.

Ao nível do conceito, Sofia Coppola cria uma obra com imagens sumptuosas mas mais interessada na observação do íntimo das personagens, intercalando sequências de monólogos interiores e descrição de cartas escritas pelos intervenientes históricos do contexto de MARIE ANTOINETTE. Nem mesmo a recriação da coroação de Luís XVI ou dos bailes reais se sobrepõe ao poder das emoções humanas.
Apesar do toque de modernismo impresso ao filme, tanto na abordagem ao tema como na escolha da banda sonora — e saliente-se a curiosa e deliberada inserção, numa cena, de um par de sapatilhas Converse —, não existe aqui a intenção de elaborar comparações sociais entre aquela e a nossa época. Se estivessemos inclinados para relacionar o formato de MARIE ANTOINETTE com alguma expressão cinéfila contemporânea, rapidamente invocaria os filmes de adolescentes. Esta é a história de uma rapariga, rebelde e inadaptada, em busca de felicidade e pouco mais se poderá absorver deste título.

Requinte e anacronismos à parte, o aspecto menos satisfatório em MARIE ANTOINETTE será, provavelmente, o seu argumento. Um dos episódios dominantes no filme é a descrição do impacto, na corte francesa, do atraso dos jovens reis em consumar o casamento. A certa altura, fica-se com a sensação de que esse é o plot point do filme. A sua resolução mostra-se igualmente decepcionante. A inépcia sexual do casal desaparece com a intervenção de José I da Áustria, para a qual recorre a uma singular comparação entre o acto carnal e mecanismos de fechaduras — infelizmente, não nos é permitido ouvir o diálogo, no que bem poderia ter sido o momento mais espirituoso do filme.
Por isso, a intenção de "biografia" resume-se à apresentação episódica da vida de uma figura histórica — e evitam-se os mais icónicos, tais como a decapitação de Marie Antoinette. O filme é bonito, fluente e alegre, mas sempre incapaz de tornar a protagonista num emblema de sobrevivência ou referência para a juventude dos nossos dias. Reitero: é o retrato de alguém que nunca se adaptou à realidade que assistiu.
terça-feira, outubro 23, 2007
Há expressões que dizem tudo...
...e a face de Daniel Day-Lewis no novo poster de THERE WILL BE BLOOD é um belo exemplo dessa afirmação.

Num filme que tem investido parcamente na figura do protagonista, este será, até ao momento, o melhor vislumbre que temos de Day-Lewis...

Num filme que tem investido parcamente na figura do protagonista, este será, até ao momento, o melhor vislumbre que temos de Day-Lewis...
sexta-feira, outubro 19, 2007
Exterminador Implacável 4?
Têm surgido rumores, com alguma insistência entre a imprensa cinematográfica nos EUA, sobre a possível estreia em 2009 de uma nova trilogia da saga Exterminador Implacável.
Até que ponto este boato poderá ser credível, é uma questão que entra na categoria de segredo dos deuses. Contudo, através do site Ain't It Cool News, fala-se na eventual presença de McG (realizador dos filmes OS ANJOS DE CHARLIE) à frente das rodagens e de, como protagonista, nem mais nem menos que Vin Diesel.

Visto que tudo não passa, afinal, de um rumor, prometo estar atento a qualquer desenvolvimento. Certo é a execução de HANNIBAL THE CONQUEROR, onde para além de o protagonizar, ainda acumula funções de realizador e produtor.
Até que ponto este boato poderá ser credível, é uma questão que entra na categoria de segredo dos deuses. Contudo, através do site Ain't It Cool News, fala-se na eventual presença de McG (realizador dos filmes OS ANJOS DE CHARLIE) à frente das rodagens e de, como protagonista, nem mais nem menos que Vin Diesel.
Visto que tudo não passa, afinal, de um rumor, prometo estar atento a qualquer desenvolvimento. Certo é a execução de HANNIBAL THE CONQUEROR, onde para além de o protagonizar, ainda acumula funções de realizador e produtor.
Ali (2001), de Michael Mann
De toda a filmografia de Michael Mann, o aspecto que mais rapidamente salta à vista é o seu gosto pelo preciosismo visual dos filmes que concebe. Não me refiro a truques de imagem espalhafatosos, mas sim ao vislumbre de um look único e quase imperceptível que, quando observado com maior atenção, é capaz de provocar aquele arrepiozinho na espinha do cinéfilo mais empedrenido — como eu.
Não admira, portanto, que este ALI permita uma interessante leitura cinematográfica subjacente ao tema histórico que aborda, ou seja, é o cuidadoso trabalho de composição visual do filme que narra a vida do boxeur norte-americano mais carismático e fleumático dos últimos 40 anos, personificado pela fabulosa interpretação de Will Smith, o qual se entregou, de corpo e alma, ao personagem.

Mohammad Ali, nascido Cassius Clay, é um defensor da liberdade de expressão, lutador pela igualdade de oportunidades entre raças e credos e um impecável atleta. Paralelamente, trata-se de um indivíduo que nunca escondeu as suas emoções perante a vida e a Humanidade — nas relações com as várias mulheres que cruzaram o seu caminho, com os amigos mais íntimos, com os seus principais rivais no ringue, com os media. Em todos estes casos, a sua personalidade permaneceu no centro das atenções.
E é deste espírito que o filme se alimenta. ALI descreve, visualmente, o seu protagonista e os diversos altos e baixos que viveu. O contexto político em que se envolveu também não escapa ao escrutínio de Mann, narrando a importância que personalidades como Malcolm X e Martin Luther King tiveram no desenvolvimento da sua vida.
Apesar da meticulosa retrospectiva histórica, ALI não é uma obra cansativa. As sequências dos combates mais mediáticos do boxeur respiram uma vitalidade — por vezes, transportam-nos para o centro dos lutadores — e o segmento da visita de Ali ao Zaire reveste-se, por alguns momentos, de contornos épicos, culminando no histórico duelo com George Foreman, sem dúvida o clímax do filme.

Contudo, mesmo nesta parte final, não escapamos ao simbolismo visual tão querido a Michael Mann, a qual é composta pela encenação verbatim dos registos fotográficos da altura.
O grande destaque desta perfeição visual vai para o director de fotografia Emmanuel Lubezki (responsável pela construção cinematográfica de títulos como A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA e OS FILHOS DO HOMEM), respeitando a tradição de Mann em escolher, para os seus filmes, profissionais na área oriundos da Europa e América Latina. Lubezki infunde ALI de tons azuis metálicos e amarelos abrasadores, close-ups dramáticos e focagens inquietantes.
A palavra final terá que pertencer, inevitavelmente, a Will Smith, num desempenho infalível.
quinta-feira, outubro 18, 2007
quarta-feira, outubro 17, 2007
Notícia
Nunca um investimento altamente criativo, para uma edição especial em DVD, veio tão a propósito.
Deitem bem os olhos sobre esta obra de arte que é o 2-disc set do filme TRANSFORMERS, cortesia do blog Films Z-c:
.jpg)








Basicamente, o DVD é um Transformer!!!
Não encontro previsões desta maravilha chegar aos "estaminés" de Portugal. Mas se essa ideia, algum dia, acontecesse, não hesitaria em abrir os cordões à bolsa...
Deitem bem os olhos sobre esta obra de arte que é o 2-disc set do filme TRANSFORMERS, cortesia do blog Films Z-c:
.jpg)








Basicamente, o DVD é um Transformer!!!
Não encontro previsões desta maravilha chegar aos "estaminés" de Portugal. Mas se essa ideia, algum dia, acontecesse, não hesitaria em abrir os cordões à bolsa...
segunda-feira, outubro 15, 2007
Hollywood Buzz #5
O que se diz lá fora acerca de ELIZABETH: THE GOLDEN AGE:

«The Golden Age has sweep and momentum and almost as many mood shifts and genre notes as the queen has dresses. It’s intentionally playful and an inadvertent giggle, an overripe melodrama that’s by turns a bodice-ripper, a cloak-and-dagger thriller and a serious-minded historical drama with dubious contemporary overtones.»
Manohla Dargis, New York Times
«The Golden Age is frustrating because Kapur does seem to have a taste for nutball pageantry - he just won't let himself go all the way it with.»
Stephanie Zacharek, Salon.com
«Cate Blanchett can do anything, even play Bob Dylan, but she can't save this creaky sequel to her star-making 1998 biopic of Elizabeth I.»
Peter Travers, Rolling Stone
«We are left choking in the billows and folds of Queen Elizabeth I's fabulous finery without a single insight into the woman among them, let alone the most celebrated period in English history.»
Desson Thomson, Washington Post
«By putting Elizabeth's unpursuable attraction to Walter Raleigh, and the feelings of frustration and frailty that go with it, at the core, the queen is strangely diminished and made more common, not more human.»
Todd McCarthy, Variety

«The Golden Age has sweep and momentum and almost as many mood shifts and genre notes as the queen has dresses. It’s intentionally playful and an inadvertent giggle, an overripe melodrama that’s by turns a bodice-ripper, a cloak-and-dagger thriller and a serious-minded historical drama with dubious contemporary overtones.»
Manohla Dargis, New York Times
«The Golden Age is frustrating because Kapur does seem to have a taste for nutball pageantry - he just won't let himself go all the way it with.»
Stephanie Zacharek, Salon.com
«Cate Blanchett can do anything, even play Bob Dylan, but she can't save this creaky sequel to her star-making 1998 biopic of Elizabeth I.»
Peter Travers, Rolling Stone
«We are left choking in the billows and folds of Queen Elizabeth I's fabulous finery without a single insight into the woman among them, let alone the most celebrated period in English history.»
Desson Thomson, Washington Post
«By putting Elizabeth's unpursuable attraction to Walter Raleigh, and the feelings of frustration and frailty that go with it, at the core, the queen is strangely diminished and made more common, not more human.»
Todd McCarthy, Variety
sábado, outubro 13, 2007
Filhos de Um Deus Maior #7 — actualização
Criou-se algum debate (mais a nível "pessoal" do que propriamente na caixa reservada aos comentários...) sobre quem deu a voz ao spot publicitário por mim referenciado no post anterior.
Para satisfazer a curiosidade manifestada por alguns, trata-se, nem mais nem menos, de Jeff Bridges, (re)encarnando a sua personagem do "Dude", em O GRANDE LEBOWSKI (1998), dos irmãos Coen:

Se ainda ficaram com dúvidas, revejam o filme e consultem o link que vos disponibilizo com a memória descritiva desta campanha da Hyundai:
Creativity Online
Para satisfazer a curiosidade manifestada por alguns, trata-se, nem mais nem menos, de Jeff Bridges, (re)encarnando a sua personagem do "Dude", em O GRANDE LEBOWSKI (1998), dos irmãos Coen:

Se ainda ficaram com dúvidas, revejam o filme e consultem o link que vos disponibilizo com a memória descritiva desta campanha da Hyundai:
Creativity Online
quarta-feira, outubro 10, 2007
Filhos de Um Deus Maior #7
Spot televisivo concebido para a Hyundai, intitulado «Commitment». Direcção criativa da Goodby, Silverstein & Partners:
Em jeito de "passatempo", desafio-vos a descobrirem quem dá a voz ao anúncio...
Em jeito de "passatempo", desafio-vos a descobrirem quem dá a voz ao anúncio...
terça-feira, outubro 09, 2007
Filhos de Um Deus Maior #6
Seguindo uma interessante linha criativa, na qual é dado destaque à definição e qualidade dos seus televisores, a Sony apresenta o seu novo spot televisivo, dirigido pela Fallon:
É cada vez mais difícil saber qual o melhor dos já concebidos para a série do modelo Bravia...
É cada vez mais difícil saber qual o melhor dos já concebidos para a série do modelo Bravia...
segunda-feira, outubro 08, 2007
Monster's Ball — Depois do Ódio (2001), de Marc Forster

Uma história sobre ódio, intolerância, perda, contraste social e comportamento humano atípico, MONSTER'S BALL atinge a proeza de também ser um filme dedicado a duas almas gémeas que se unem no seio do contexto mais improvável: Hank (Billy Bob Thornton) e Leticia (Halle Berry). Ele é o chefe dos guardas do "Corredor da Morte" de uma penitenciária na Georgia, ocupado com os procedimentos da execução, por electrocussão, de Lawrence (Sean Combs); ela é a esposa do condenado Lawrence, uma mulher alcóolica, afogada em dívidas, mãe de uma criança padecente de obesidade mórbida e constante lutadora num cenário social pouco favorável a cidadãos de cor.
O caminho dos dois cruza-se quando o filho de Leticia é gravemente ferido por um atropelamento. O destino reserva que seja Hank, não obstante o racismo que herdou do pai (Peter Boyle), a transportar a criança para o hospital, a qual não sobreviverá, mais tarde, aos ferimentos. Este evento não deixa de encontrar ressonância na vida de Hank, cujo filho (Heath Ledger) comete suicídio em plena sala de estar da sua casa. Aparentemente imperturbável — afinal de contas, Hank confessa o ódio que sempre sentiu pelo filho antes de este premir o gatilho sobre si —, a personagem de Thornton demite-se do emprego, adquire uma estação de serviço e inicia um caso amoroso com Leticia.

O relacionamento entre os dois protagonistas é o motor de MONSTER'S BALL, num confronto de personalidades intrincadas que tornam a visualização deste filme numa experiência igualmente difícil. O crédito vai, sobretudo, para o ritmo bonançoso imposto pelo realizador Marc Forster (mais tarde, aclamado pelo seu À PROCURA DO TERRA DO NUNCA) e intenso trabalho de (des)focagem do director de fotografia Robert Schaefer, os quais criam um ambiente tenso e latente constituído por remorsos, raiva e medo.
No final, o filme pertence aos actores, nomeadamente Billy Bob Thornton e Halle Berry (galardoada, em 2002, com o Oscar de Melhor Actriz por este título), mas também para o largo elenco secundário, com destaque para Sean Combs (ou Puff Daddy, como é mais conhecido), Heath Ledger e a estrela de hip-hop Mos Def.

As personagens, e os laços que se desenvolvem entre elas, são demasiado complexas para serem descritas por palavras, e os argumentistas de MONSTER'S BALL utilizam-nas parcamente. Esta economia e a eloquência de Forster em criar imagens de beleza reprimida dão ao filme uma densidade só vista na vida real. A intimidade crua de algumas sequências — sejam as que decorrem num restaurante, na penitenciária ou num quarto — é impressionante, mesmo para os padrões do cinema independente norte-americano.
Este realismo sugere a raridade da qualidade desta obra, a qual, em duas ou três ocasiões, sugere que estamos a testemunhar existências verdadeiras e não a ver um argumento filmado. A tão badalada "cena tórrida" entre Thornton e Berry é exemplo disto mesmo, cuja composição transmite emoções tão díspares como sofrimento e desejo, ao mesmo tempo que transforma o espectador num inesperado voyeur. A sequência mereceu toda a atenção que lhe dedicaram na altura — é, simultaneamente, o ponto de viragem e o clímax de MONSTER'S BALL.
sexta-feira, outubro 05, 2007
Primeiras imagens...
...em formato de trailer de SWEENEY TODD: THE DEMON BARBER OF FLEET STREET, o próximo filme de Tim Burton:
Haverá melhor notícia para que este feriado saiba ainda melhor?
Haverá melhor notícia para que este feriado saiba ainda melhor?
quinta-feira, outubro 04, 2007
Hollywood Buzz #4
O que se diz lá fora acerca de MICHAEL CLAYTON:

«[A] lack of fireworks makes Michael Clayton refreshing in a sense, eschewing traditional white hats and black hats for more realistic shades of gray.»
Brian Lowry, Variety
«Confident but overwrought...»
Stephanie Zacharek, Salon.com
«Deliberate, demanding and character-driven, Michael Clayton flies in the face of what sells at the multiplex.»
Peter Travers, Rolling Stone
«As with the Bourne films, Gilroy has a knack for creating strong characters and situations that resonate with tension.»
Kirk Honeycutt, Hollywood Reporter
«When critics complain about the dumbing down of movies into franchise popcorn, what we've really doing is yearning for a terrifically engrossing, tethered-to-the-real-world drama like Michael Clayton.»
Owen Gleiberman, Entertainment Weekly

«[A] lack of fireworks makes Michael Clayton refreshing in a sense, eschewing traditional white hats and black hats for more realistic shades of gray.»
Brian Lowry, Variety
«Confident but overwrought...»
Stephanie Zacharek, Salon.com
«Deliberate, demanding and character-driven, Michael Clayton flies in the face of what sells at the multiplex.»
Peter Travers, Rolling Stone
«As with the Bourne films, Gilroy has a knack for creating strong characters and situations that resonate with tension.»
Kirk Honeycutt, Hollywood Reporter
«When critics complain about the dumbing down of movies into franchise popcorn, what we've really doing is yearning for a terrifically engrossing, tethered-to-the-real-world drama like Michael Clayton.»
Owen Gleiberman, Entertainment Weekly
Primeiras imagens...
...de 10,000 BC, a nova super-produção orquestrada por Roland Emmerich, o responsável de, entre outros títulos, DIA DA INDEPENDÊNCIA (1996) e O DIA DEPOIS DO AMANHÃ (2004).
Tanto o trailer, já divulgado entre os media há alguns meses, como o primeiro poster oficial agora disponibilizado, revelam a escala épica deste filme:

Uma espécie de documentário do Discovery Channel cruzado com o melhor do CGI? Fica lançada a questão...
Tanto o trailer, já divulgado entre os media há alguns meses, como o primeiro poster oficial agora disponibilizado, revelam a escala épica deste filme:

Uma espécie de documentário do Discovery Channel cruzado com o melhor do CGI? Fica lançada a questão...
quarta-feira, outubro 03, 2007
Filhos de Um Deus Maior #5
Após o êxito do premiado filme publicitário "Evolution", a Dove prossegue com a sua campanha pela beleza real com uma frenética visão sobre o crescimento feminino:
Spot desenvolvido pela Ogilvy & Mather.
Spot desenvolvido pela Ogilvy & Mather.
terça-feira, outubro 02, 2007
Antestreia da Semana

THE OXFORD MURDERS é primeiro filme em Inglês de Álex de la Iglesia (realizador de 800 BALAS e CRIME FERPEITO) e conta com as presenças de Elijah Wood, John Hurt e Leonor Watling (lembram-se da comatosa Alicia de FALA COM ELA?).
Uma obra de suspense, que envolve homicidas e álgebra: um professor da Universidade de Oxford (Hurt) junta-se a um aluno seu (Wood) para resolverem e deterem um assassino cujos crimes envolve simbólos matemáticos.
O primeiro teaser, em espanhol, permite descortinar o ambiente que este THE OXFORD MURDERS nos reserva:
New York Film Festival

Nunca conheceu grande tradição, aqui no Keyzer Soze's Place, a referência aos Festivais de Cinema que se vão realizando no nosso país e pelo mundo fora.
Para quebrar a rotina, assinalo a presente realização do New York Film Festival, a decorrer desde o passado dia 28 de Setembro.
A abrir o certame, destaque para a estreia, por enquanto restrita, do novo filme de Wes Anderson, THE DARJEELING LIMITED.

Do programa, há a salientar os seguintes títulos em competição/exibição:
- a versão definitiva, por Ridley Scott, de BLADE RUNNER - PERIGO IMINENTE, sem dúvida O acontecimento da presente edição do Festival: para além da exibição do filme, será promovida uma série de debates dedicados à influência e méritos desta obra seminal da ficção-científica;
- nota especial para as estreias de:
— BEFORE THE DEVIL KNOWS YOU'RE DEAD, de Sidney Lumet e referenciado há poucos dias neste blogue;
— LE SCAPHANDRE ET LE PAPILLON, de Julian Schnabel;
— LA FILLE COUPÉE EN DEUX, de Claude Chabrol;
— GO GO TALES, de Abel Ferrara;
— NO COUNTRY FOR OLD MEN, dos irmãos Coen;
— PARANOID PARK, de Gus Van Sant;
— REDACTED, de Brian De Palma;
— e LES AMOURS D'ASTREÉ ET DE CÉLADON, de Eric Rohmer; - entre os eventos especiais programados, encontramos uma série de retrospectivas do Cinema Clássico americano, com destaque para as de DRUMS ALONG THE MOHAWK e LEAVE HER TO HEAVEN, ambas apresentadas por Martin Scorsese;
- por fim, destaque inevitável para o próximo dia 13 de Outubro, no qual vai ser exibido o documentário luso-espanhol, FADOS.




Um autêntico manancial de Cinema.
segunda-feira, outubro 01, 2007
Hollywood Buzz #3
O que se diz lá fora acerca de THE KINGDOM:

«A slick, brutishly effective genre movie: Syriana for dummies.»
A.O. Scott, New York Times
«It wants us to feel as if we're watching something relevant when what's really going on is a slick excuse for efficient mayhem that's not half as smart as it would like to be.»
Kenneth Turan, Los Angeles Times
«[Director] Berg stages every ambush, gun battle and car chase as if his life depends on it. The Kingdom could have been a jingoistic CSI: Riyadh, and sometimes it is.»
Peter Travers, Rolling Stone
«The picture is made with a degree of care, and what's surprising about it is the way [director] Berg actually resists making rah-rah jingoistic proclamations instead of relying on them.»
Stephanie Zacharek, Salon.com
«Although burdened by far more procedure than plot, this Jamie Foxx vehicle -- which owes a great deal to the high-caliber style of its co-producer, Michael Mann -- is quietly jingoistic, in a way guaranteed to sell auds on the idea that what's truly American is about more than disputed foreign policy.»
John Anderson, Variety

«A slick, brutishly effective genre movie: Syriana for dummies.»
A.O. Scott, New York Times
«It wants us to feel as if we're watching something relevant when what's really going on is a slick excuse for efficient mayhem that's not half as smart as it would like to be.»
Kenneth Turan, Los Angeles Times
«[Director] Berg stages every ambush, gun battle and car chase as if his life depends on it. The Kingdom could have been a jingoistic CSI: Riyadh, and sometimes it is.»
Peter Travers, Rolling Stone
«The picture is made with a degree of care, and what's surprising about it is the way [director] Berg actually resists making rah-rah jingoistic proclamations instead of relying on them.»
Stephanie Zacharek, Salon.com
«Although burdened by far more procedure than plot, this Jamie Foxx vehicle -- which owes a great deal to the high-caliber style of its co-producer, Michael Mann -- is quietly jingoistic, in a way guaranteed to sell auds on the idea that what's truly American is about more than disputed foreign policy.»
John Anderson, Variety
Carne Fresca, Procura-se (2003), de Anders Thomas Jensen

Numa pequena vila dinamarquesa, Svend (Mads Mikkelsen) e Bjarne (Nikolaj Lie Kaas) decidem escapar aos tentáculos do seu abusivo e arrogante patrão enveredando por uma carreira no ramo da charcutaria. Não obtendo sucesso com a desejada rapidez — as expectativas pessoais e económicas de ambos assim o exigem —, a acidental morte de um electricista, por congelamento na própria arca frigorífica do talho, permite-lhes descobrir a receita para o êxito: . A secreta comercialização de carne humana possibilita o cumprimento das encomendas solicitadas à Svend & Cª, como consegue atrair clientes, comunicação social e alguma curiosidade menos desejada. A partir daí, reside a questão: conseguirão eles manter oculto tão macabra estratégia comercial?
É tentador considerar o argumento de CARNE FRESCA, PROCURA-SE como uma sarcástica alegoria do contemporâneo mundo empresarial, cujo ambiente extremamente competitivo obriga o ser humano a ignorar qualquer regra ou moral. Mesmo que o realizador Anders Jensen não o admita, algumas das suas opções estéticas apontam, irremediavelmente, nesse sentido. A utilização de tons verdes, cor associada à ganância e decadência, predomina em toda a obra, estendendo-se até aos mais pequenos pormenores: por exemplo, os aventais envergados pelos protagonistas.

Anders Thomas Jensen, autor oriundo do movimento Dogma 95, não poupa recursos na construção de uma comédia negra e artificial, indo totalmente contra o movimento que defendeu. A violência, embora latente, consegue ser sempre horrenda e, ao mesmo tempo, burlesca.
Entre cutelos e marinadas, um dos principais motivos de interesse de CARNE FRESCA, PROCURA-SE é a interpretação de Mads Mikkelsen, mais conhecido por ter encarnado o vilão de CASINO ROYALE. O "seu" Svend é um prodígio de concepção física e psicológica: constantemente banhado em suor e de cabelo rapado até ao princípio da nuca, são as subtis alterações corporais e tiques faciais do personagem que caracterizam a qualidade da representação de Mikkelsen, demonstrando estarmos perante o maior caso de sucesso, em termos de performance cinematográfica, vindo da Dinamarca.
Não obstante os seus diversos atractivos, CARNE FRESCA, PROCURA-SE não é um filme perfeito. É visível alguma indecisão no seu registo, não havendo uma clara definição se houve a pretensão de conceber uma comédia negra ou drama alegórico. Se somarmos a isto o canibalismo subjacente, poder-se-ia afirmar que não é um título para todos os gostos. Contudo, se nos deixarmos enredar pelo jogo de Anders Thomas Jensen, descobrimos que o abandono de qualquer réstia de bom senso é o ingrediente secreto para uma compensadora visualização deste filme.
No mínimo, não dei o meu tempo como mal empregado...
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