sexta-feira, novembro 30, 2007

New York Times Style Magazine

Breve (mas ilustrada) referência para a photo session de Natalie Portman, incluída no mais recente número do suplemento «Style» do New York Times.

Fotos de Raymond Meier:









Rápidos e Mortais (2003), de Robert Harmon



Robert Harmon dirigiu aquele que considero ser um dos filmes mais inquietantes da década de 80 e que, de forma incompreensível, nunca viu o seu mérito reconhecido globalmente. Falo-vos de TERROR NA AUTO-ESTRADA (THE HITCHER, 1986), com Rutger Hauer, C. Thomas Howell e uma bastante jovem Jennifer Jason Leigh.

Vi-o, pela primeira vez, em meados dos anos 90, numa emissão nocturna da RTP1 (ainda o possuo gravado em VHS) e ficou "cá dentro" marcado devido à inusitada secura e ritmo pausado do filme enquanto espécime de road movie, ao mesmo tempo que servia de perverso conto moral acerca da famosa recomendação de nunca dar boleia a estranhos. Infelizmente, TERROR NA AUTO-ESTRADA conheceu, há bem pouco tempo atrás, um remake totalmente descartável...



De qualquer forma, Robert Harmon andou, desde então, "perdido" na realização de vários projectos para televisão — ainda esteve à frente das operações de alguns episódios da excelente série BRIGADA DE HOMÍCIDIOS — mas nunca voltou a demonstrar, no grande ecrã, o virtuosismo de TERROR NA AUTO-ESTRADA... até 2003, com este RÁPIDOS E MORTAIS.

Mais uma vez, estão aqui presentes quase todos os ingredientes que possibilitaram a originalidade de TERROR NA AUTO-ESTRADA: a frieza narrativa que se estende aos sentimentos das personagens e a longos períodos de acção sem uma linha de diálogo; o ambiente da auto-estrada, rodeada pelo deserto norte-americano, como foco principal da sua cinematografia; um vilão psicopático, sem fundamentação para espalhar caos e terror... Para quem conhece o filme de 1986, a lista de comparações é interminável.

E, no entanto, a história não poderia ser mais simples: Rennie Cray (Jim Caviezel) persegue, há vários anos, o autor do atropelamento mortal da sua mulher — acto perpetrado por James Fargo (Colm Feore), assassino que elegeu este modus operandi como passatempo. Desta vez, a vítima escolhida é Molly (Rhona Mitra), a qual alia-se a Rennie para deter este condutor meticuloso e insensível.



Para além das óbvias comparações a TERROR NA AUTO-ESTRADA, este RÁPIDOS E MORTAIS evoca, a espaços, outro filme de contornos similares: o poderoso CRASH (1996), de David Cronenberg. O principal ponto de analogia encontra-se na demonstração de automóveis como veículo (passe a redundância) para explorar a tortuosa relação entre Homem e Máquina. Dominados como se fossem marionetas, numa decisão estética reminescente do simbólico conceito do "automóvel enquanto extensão do indíviduo", servem para obter prazer (neste caso, de natureza assassina e não sexual) e são causadores de deformação e mutação físicas que, em última instância, permitem mais poder do que limitação: duas ideias sobejamente referidas em CRASH.

Uma autêntica supresa merecedora da espreitadela, não obstante o facto de ter sofrido uma distribuição ténue a nível interno e de, em Portugal, encontrar-se perdido nessa máquina aglutinadora que é o mercado do DVD. Basta atentar ao terrível exercício de tradução do título...

quinta-feira, novembro 29, 2007

Movie Festivals 2008 #1

Foram anunciados ontem os filmes em competição do Festival de Sundance 2008, que decorrerá em Janeiro próximo.



Certamente que serão muitos os títulos que se evidenciarão durante o certame. No entanto, e do cartaz, saliento como títulos mais sonantes:

  • CHOKE, de Clark Gregg, a adaptação do romance de Chuck Palahniuk sobre toxicodependência e instabilidade mental, protagonizado por Sam Rockwell e Anjelica Huston;

  • PRETTY BIRD, de Paul Schneider, com Paul Giamatti;

  • SUGAR, de Anna Boden e Ryan Fleck, a dupla criativa responsável pelo aclamado HALF NELSON - ENCURRALADOS (2006).


É, também, importante referir a amostra de cinema documental que vai estar patente durante o Festival, onde se destacam obras dedicadas a Hunter S. Thompson, Roman Polanski e Patti Smith (GONZO: THE LIFE AND WORK OF DR. HUNTER S. THOMPSON, ROMAN POLANSKI: WANTED AND DESIRED e PATTI SMITH: DREAM OF LIFE, respectivamente) e alguns olhares críticos a realidades da situação política e social norte-americana [NERAKHOON (THE BETRAYAL), sobre o envolvimento da CIA durante a Guerra do Vietname ou I.O.U.S.A. que prenuncia o colapso fiscal nos Estados Unidos].

Em altura apropriada, divulgarei os vencedores e vencidos merecedores de notoriedade.

terça-feira, novembro 27, 2007

A contagem decrescente...

...chegou ao fim, e eis Heath Ledger encarnando Joker, em toda a sua "esplendorosa" deformidade e perversidade:



Tal como era previsto, esta enigmática imagem vai ser capa da Empire de Janeiro, e mal posso esperar para observar o novo passo desta magnífica (não me canso de o dizer) campanha de marketing.

E em jeito de post-scriptum, que grande edição vai ser esta! Atentem nos subtítulos que recheiam a capa...

Contagem decrescente

Para aqueles que ainda estão indecisos em escolher a melhor campanha de marketing cinematográfica do momento, aqui fica mais um argumento em prol do que tem sido alcançado com a promoção de THE DARK KNIGHT, a sequela de BATMAN — O INÍCIO (2005).

O site da revista Empire disponibiliza um cativante countdown para a plena exibição do aspecto de Heath Ledger no papel de Joker.
All will be revealed...



Estejam atentos.

Mais notícias...

...de SWEENEY TODD: THE DEMON BARBER OF FLEET STREET, sem dúvida a estreia mais antecipada para o Natal que se avizinha.

Apreciem a maravilha dos novos posters agora divulgados, cortesia do site JoBlo:





Filhos de Um Deus Maior #11

Spot televisivo, invocativo dos ambientes de 2001 — ODISSEIA NO ESPAÇO (1968) e SUNSHINE - MISSÃO SOLAR (2007), concebido pela Beattie McGuinness Bungay para a Carling:



segunda-feira, novembro 26, 2007

Desabafo

Normalmente, reservo os posts deste espaço para dissertar acerca dos filmes que vejo, partilhar o material promocional das estreias por que mais anseio ou destacar notícias relacionadas com a Sétima Arte. Nunca o utilizei para desabafar ou, como é este o caso, reclamar sobre temas que não me "encham as medidas". Na blogosfera em que me insiro (ou seja, a açoriana) existem muitos locais, uns melhores que outros, para tais actividades. Que os visitantes nacionais deste blog me perdoem um desabafo que pouco ou nada lhes dirá...

Contudo, nenhum "português insular" deveria ficar sereno e no desconhecimento de que, para a maioria dos sites de vendas on-line de DVD, os Açores e a Madeira praticamente não existem enquanto potenciais alvos para angariação de consumidores.

O exemplo mais pragmático desta situação é o do site DVDGO.com. Sediado em Espanha e com um dos maiores conjuntos de ofertas em matéria de home cinema, é o paraíso de qualquer ávido cinéfilo em busca daquele título tão difícil de encontrar nos escaparates lusitanos. Para além da extensa oferta cinematográfica que dispõe, os artigos nunca foram visionados ou manuseados por terceiros (ao contrário do Amazon, por exemplo).



A somar à qualidade de serviço, os métodos de pagamento e envio são extremamente simples, credíveis e atraentes, para além de ser impossível não salientar a extensa lista de destinos cobertos pelo site.

No entanto, é aqui que surge o busílis. Para um comprador português, a única forma de receber uma encomenda proveniente daquele sítio é residindo em território continental (ou "peninsular", como o site declara). As ilhas portuguesas, pura e simplesmente, não estão abrangidas pela rede de distribuição da DVDGO.com. Por outras palavras, os habitantes de locais tão distantes como as Ilhas Fiji ou Timor Oriental possuem pleno acesso, enquanto que os "ilhéus do Atlântico" não figuram, nem remotamente, como potenciais destinos de vendas. Esta realidade não vos parece estranha? Sinceramente?

Já tive a oportunidade de confrontar o serviço de clientes da DVDGO.com, e a resposta que obtive deixou-me ainda menos descansado. Segundo a empresa, os arquipélagos dos Açores e da Madeira não estão contemplados pela «impossibilidade de se chegar, localmente, a acordo de parceria comercial com uma empresa de distribuição postal». Perante isto, e como sou um indivíduo extremamente curioso, perfilam-se diversas questões: não chegam a acordo porque ninguém, nos Açores e na Madeira, quis confrontar-se com a temível equação "investimento vs. recompensa"? Terá a DVDGO.com considerado os serviços das empresas (correios, alfândegas, transitários, etc.) locais como pouco fiáveis e descontextualizadas dos parâmetros de qualidade enumerados pela própria? Existirá, nas ilhas portuguesas, um número insuficiente de potenciais clientes?

Para além do inconveniente de não poder usufruir deste serviço, ainda fico com estas dúvidas a "martelarem-me" o orgulho cinéfilo. Contudo, deixo o manifesto: existirão por aí, nem que seja só em São Miguel, "almas caridosas" dispostas a exigir um simples direito que nós, supostos consumidores de uma União Europeia sem fronteiras, deveríamos encarar como garantido?

Aguardo, com elevada expectativa, algum reflexo de iniciativa...

quinta-feira, novembro 22, 2007

Estreia da Semana



O REINO, já apelidado por alguma crítica como SYRIANA para adolescentes, destaca-se como estreia da semana por, entre outros motivos, ser um dos poucos filmes de acção, nos tempos recentes, a causar tanto incómodo de natureza política e social — quase o mesmo género de controvérsia emanado de um documentário de Michael Moore...

Um ataque terrorista atinge uma comunidade de trabalhadores norte-americanos sediada na Arábia Saudita, vitimando cerca de uma centena de pessoas. Enquanto o FBI se desdobra em sensibilidades diplomatas e incapaz de enviar agentes para investigar o local, o Agente Especial Fleury (Jamie Foxx) assume, sozinho, a responsabilidade de liderar uma equipa especial de investidadores até ao coração de um ambiente hostil.

Não sobraram muitas dúvidas, logo desde a divulgação das suas primeiras imagens, que O REINO é um filme de acção pura, encapotada por um sentimento político e de semi-denúncia sobre a posição norte-americana relativamente aos movimentos fundamentalistas do Islão. Contudo, as sequências mais dinâmicas são realmente emocionantes e o elenco, de primeira linha, promete proporcionar um momento de Cinema digno do preço dum bilhete.



quarta-feira, novembro 21, 2007

Filhos de Um Deus Maior #10

Paciente concepção. Spot televisivo concebido pela BBH para o modelo R8 da Audi:



segunda-feira, novembro 19, 2007

Trailer de Cloverfield — It's on!!!

E como o prometido é devido, eis o trailer oficial de CLOVERFIELD (cliquem no link para uma visualização de excelente qualidade).



Após o ter visionado três ou quatro vezes seguidas, não é difícil concluir que foram lançadas mais dúvidas do que certezas acerca da ameaça que destrói e aterroriza Nova Iorque — afinal de contas, nem a Estátua da Liberdade escapa...

Para quem não tem acompanhado a cobertura efectuada pelo Keyzer Soze's Place a este título, deixo-vos com mais um atalho para um olhar mais detalhado e exclusivo, da autoria da revista Empire.

E a ponta do véu começa a levantar-se...

Há mais e novas razões para continuar a salivar (nem que seja de curiosidade...) por CLOVERFIELD, o filme de J.J. Abrams que tem investido e abusado do marketing viral para espicaçar a atenção de todos os moviegoers.

E o passado fim-de-semana foi, de facto, rico em novidades. Não só foram divulgadas imagens, plenas em terror e caos, do filme (que abaixo reproduzo, cortesia da Empire), como está anunciado, PARA HOJE, a estreia do trailer definitivo de CLOVERFIELD.





Como é certo e sabido, assim que o trailer sair, irei disponibilizá-lo neste recanto.

Estejam atentos.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Hollywood Buzz #7

O que se diz lá fora acerca de SOUTHLAND TALES:



«Neither disaster nor masterpiece, Southland Tales again confirms that Mr. Kelly, who made a startling feature debut with Donnie Darko, is one of the bright lights of his filmmaking generation.»
A.O. Scott, New York Times.

«Southland Tales has a mood unlike anything I've seen: dread that morphs into kitsch and then back again. It's a film that tried my patience, and one I couldn't shake off.»
Owen Gleiberman, Entertainment Weekly.

«This wannabe visionary epic may find cult believers among gullible undergrads ready to embrace anything that projects the worst paranoid notions about America. But the fiasco at hand will be evident to everyone else, making commercial prospects exceedingly dicey.»
Todd McCarthy, Variety.

«But the tone of Southland Tales is never remotely clear, and a lot of it is simply muddled, static and boring. Is it an elegy for a dying planet? A kitsch-riddled spoof? An attempt to infuse the action movie with the deadpan pop nihilism of Godard? I really have no idea.»
Andrew O'Hehir, Salon.com.

«In its willful, self-involved eccentricity, Southland Tales is really something else. Kelly's movie may not be entirely coherent, but that's because there's so much it wants to say.»
J. Hoberman, Village Voice.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Movie Moments #6

Dedicado aos que me questionaram acerca do motivo porque referi a intro inesquecível de PLANETA TERROR, retribuo as perguntas com a explosiva lap dance de Rose McGowan, ao som de um tema composto pelo próprio Robert Rodriguez:



Planeta Terror (2007), de Robert Rodriguez



No conjunto da homenagem aos filmes de série B dos anos 60 e 70 que é o projecto GRINDHOUSE, foi possível observar duas facetas distintas do género, as quais reflectem, em última instância, as duas visões peculiares e inconfundíveis do duo de cineastas envolvidos.

À PROVA DE MORTE atestou a fluida verborreia de Quentin Tarantino, comprovando simultaneamente a sua cultura geral acerca deste estilo semi-amador que alimentou a sua cinefilia pré-fama. E depois temos PLANETA TERROR, mais do que objecto de revisionismo cinematográfico, o veículo apropriado para Rodriguez desenvolver a sua característica história de «sangue, suor e lágrimas» sob a égide de um cenário desolador, servida em película riscada e saltitante, com uma banda sonora imediatamente aditiva, e a inconveniência da "bobina desaparecida na sala de projecção" não retira nenhum do gozo aqui garantido.



Tal como tem sido hábito nos produtos de Robert Rodriguez, a lógica do argumento é sempre o elo mais fraco: PLANETA TERROR é acção e atmosfera constantes. Cherry Darling (a fenomenal Rose McGowan, interveniente na intro mais poderosa do corrente ano), bailarina sensual num bar manhoso, decide abandonar a profissão e dar um novo rumo à sua vida. Atitude louvável, mas que ocorre na pior das circunstâncias. Devido a uma intriga de contornos militares, todos os habitantes daquela pequena cidade são expostos a um gás químico que os transforma, na melhor das descrições, em zombies sequiosos por carne humana.

Neste contexto, tudo é permitido em PLANETA TERROR: uma cantora famosa é triturada até ao cérebro; a protagonista perde a perna à dentada e a prótese utilizada é uma metralhadora, embora permaneça o mistério em saber como é premido o gatilho; médicos excêntricos na sua ética deontológica, antes e depois de infectados; e a insinuação de que a captura de Bin Laden, à mão dos americanos, teve um papel nefasto e preponderante na matança a que assistimos, é de uma subtil genialidade.



Rapidamente se conclui que é a ausência de lógica a responsável pela agradável experiência de contemplar PLANETA TERROR. Robert Rodriguez utiliza os timings na perfeição, alternando acção, comédia e suspense em doses adequadas para deliciar o espectador do primeiro ao último minuto. E é nesse exacto pormenor que o realizador mexicano se distancia da parcela a cargo de Quentin Tarantino: enquanto este cobriu o seu filme de uma elegância suportada em diálogos complexos e quase enciclopédicos, Rodriguez opta por uma abordagem à loucura que o Cinema, seja ele de grande ou baixo orçamento, é capaz de facultar.

São duas versões de um estilo sui generis mas extinto, cada qual com a sua quota parte de profunda submissão e respeito pelas intenções a que se propuseram atingir. Agora que Portugal pôde observar GRINDHOUSE na sua plenitude, não restam dúvidas de que a estreia das duas histórias em datas diferentes foi a melhor opção para o sucesso deste projecto na Europa. E fico a salivar pelo rumor de que a sua continuação conheça luz verde, nomeadamente através da realização do fake trailer que antecede PLANETA TERROR, intitulado MACHETE: só a sua premissa, descrita em minuto e meio, foi capaz de me arrancar as primeiras gargalhadas da sessão.

sexta-feira, novembro 09, 2007

Hollywood Buzz #6

O que se diz lá fora acerca de NO COUNTRY FOR OLD MEN:



«For formalists — those moviegoers sent into raptures by tight editing, nimble camera work and faultless sound design — NO COUNTRY FOR OLD MEN is pure heaven.»
A.O. Scott, New York Times.

«The most ambitious and impressive Coen film in at least a decade, featuring a flat, sun-blasted landscapes of west Texas and an eerily memorable performance by Javier Bardem.»
Andrew O'Hehir, Salon.com.

«A scorching blast of tense genre filmmaking shot through with rich veins of melancholy, down-home philosophy and dark, dark humor.»
Todd McCarthy, Variety.

«This measured yet excitingly tense, violent yet maturely sorrowful thriller marks the first time the filmmakers have faithfully adapted somebody else's work to their own specifications and considerable strengths.»
Lisa Schwarzbaum, Entertainment Weekly.

«The ending is so lame it made me feverish. Then I remembered the perfection that came before it, and concluded that this is, without question, the best movie ever made by the eccentric Coen Brothers.»
Rex Reed, New York Observer.

terça-feira, novembro 06, 2007

Antestreia da Semana



Por tudo o que tem sido divulgado e falado acerca de THE DARK KNIGHT, a sequela de BATMAN - O INÍCIO (2005), é impossível não o destacar como uma das estreias que mais anseio em 2008.



Para além do teaser que acima publico, THE DARK KNIGHT tem desenvolvido, paralelamente, uma intensa campanha de marketing viral cingida ao ingrediente que mais curiosidade tem suscitado junto da comunidade cinematográfica mundial: a personagem do Joker, personificada por Heath Ledger.

Desde a maquilhagem, passando pelo perfil psicológico atribuido ao vilão, até ao trabalho de composição levado a cabo pelo actor, todas as atenções têm sido viradas para o ressurgimento do arqui-inimigo de Batman. A propósito disso, Heath Ledger, numa entrevista concedida ao New York Times a propósito da sua presença em I'M NOT THERE, levantou uma ponta do véu sobre aquilo que iremos assistir em 2008. Com jovialidade, ele refere que o seu Joker é "um palhaço assassino, psicopata e esquizofrénico sem uma gota de simpatia", confessando tratar-se de um papel física e psicologicamente extenuante: "Na última semana, devo ter dormido cerca de uma ou duas horas", salienta.

Para uma melhor compreensão da crueldade do Joker de Heath Ledger, aconselho este link, onde melhor se vislumbra o aspecto da "criatura" (e até podemos participar em concursos muito sui generis!):



Inevitavelmente, mais notícias se seguirão, ou não fosse a minha ansiedade por isto tão grande...

segunda-feira, novembro 05, 2007

Primeiras imagens...

...das filmagens de VALKYRIE, drama histórico baseado em factos reais, nomeadamente a conspiração para assassinar Hitler nos inícios da Segunda Guerra Mundial, encabeçada pelo Coronel Claus von Stauffenberg — ou seja, Tom Cruise.

O site IFilm disponibilizou um interessante (e legendado!) promo sobre as rodagens a cargo de Bryan Singer:



A estreia mundial está agendada para o Verão de 2008.

sábado, novembro 03, 2007

Sunshine — Missão Solar (2007), de Danny Boyle



Um conto de suspense psicológico e ficção científica como pretexto para a análise da resistência humana num ambiente limitado é, por si só, uma premissa demasiado sedutora para descartar a espreitadela. SUNSHINE é a concretização desta sinopse e o regresso definitivo ao fulgor criativo de Danny Boyle, autor de dois títulos obrigatórios dos anos 90: PEQUENOS CRIMES ENTRE AMIGOS (1994) e TRAINSPOTTING (1996).

Sem especificar o contexto temporal da narrativa — conseguimos, apenas, perceber que decorre numa época de avançada exploração espacial —, nove cientistas formam a tripulação da Icarus II, com a missão de evitar o processo de decomposição do Sol, através de uma descarga explosiva apontada ao seu núcleo, evitando, assim, a extinção da Humanidade. Um empreendimento anterior, ou seja, a Icarus I, fracassou por motivos desconhecidos, o que reforça a insegurança entre os membros da nova operação. Receios totalmente justificados quando uma série de acidentes — avarias, erros humanos inesperados, mortes — colocam em risco o sucesso da missão, ao mesmo tempo que uma descoberta surpreendente esclarece os erros da primeira viagem.



Intransigente na minha vontade de não revelar pormenores sobre a "descoberta" supracitada, apenas direi que o surgimento deste elemento providencia a súbita transição do tom do filme. Quando julgávamos que apenas iríamos observar a ânsia de sobrevivência de nove indivíduos no centro do sistema solar, a ameaça para a missão torna-se palpável, imprimindo, a partir desse momento, ambiências evocativas de ALIEN - O 8º PASSAGEIRO (1979). E respondo não a quem julgar que vida extra-terrestre no Sol é um dos temas em SUNSHINE.

Para além do complexo mas intenso argumento de Alex Garland (colaborador habitual de Danny Boyle), o destaque de SUNSHINE pertence, indubitavelmente, à concepção visual claustrofóbica do filme. Apesar da reportada pesquisa efectuada junto de sumidades em navegação espacial, como a NASA, as referências a outros títulos é forçosa: desde o já referido ALIEN, passando por SOLARIS e 2001 - ODISSEIA NO ESPAÇO até a DAS BOOT, os cenários apertados e metálicos criam um efeitos de clausura sobre as personagens e a história, abrindo o caminho para a divagação acerca do progresso científico, ética e limites da racionalidade.



Danny Boyle sempre foi um realizador com as armas apontadas ao entretenimento do espectador, "vendendo o seu produto" fluidamente. É um artista que facilmente desenvolve um filme capaz de suscitar reacções físicas e evitando, nesse processo, cair em enormes ondas de emoções. Este SUNSHINE é um excelente exemplo dessa característica: a introdução do tal elemento ameaçador, bem perto do final, tem mais utilidade enquanto ingrediente de terror do que contribuição para os temas filosóficos em que o filme insistia.

Concluindo, e a moral em SUNSHINE? Poderemos sentir-nos incomodados por saber que esta reside na assumpção de que estas personagens estão mais interessadas em obter o êxito da missão do que na salvação das próprias vidas. "Serias capaz de cortar a garganta a alguém em prol da Humanidade?", questiona-se, temerosamente, a certo momento mas, no entanto, não existiria outro meio de colocar este filme entre os mais interessantes de 2007.

sexta-feira, novembro 02, 2007

THE FOUNTAIN - O ÚLTIMO CAPÍTULO (2006), de Darren Aronofsky



Com apenas três filmes em carteira, o realizador Darren Aronofsky atestou a sua capacidade de desconstruir as mais básicas regras de cinematografia, encenando mundos decadentes mas fascinantes e provando que é um dos cineastas de maior qualidade a trabalhar actualmente. Valores impressionantes para um indivíduo que, paralelamente ao Cinema, formou-se em Antropologia.

Talvez seja o rigor científico a que essa disciplina obriga o segredo para Aronofsky engendrar as histórias tão singulares que constituem a sua filmografia: PI (1998) lidava com o poder dos números em decifrar todos os mistérios que rodeiam o Homem; A VIDA NÃO É UM SONHO (2000) foi o título mais marcante, pela abordagem radical e virtuosa a um tema delicado como é o das dependências físicas e psicológicas; e este THE FOUNTAIN, sem dúvida uma obra de catalogação impossível e um ensaio arrojado acerca de eterna aflição humana face à morte.



THE FOUNTAIN apresenta-nos três cenários temporalmente distintos, cujo elo comum é servido pelo protagonismo de Hugh Jackman e Rachel Weisz: na Espanha do séc. XVI, onde Tomas, conquistador ao serviço da Rainha Isabel, é enviado à América Central para descobrir a localização de uma árvore, cuja seiva poderá encerrar a fórmula da imortalidade; na era presente, Tommy Creo, investigador no ramo dos tumores cerebrais, não busca a cura para o cancro pela glória profissional, estando mais interessado em ajudar a esposa Izzi, progressivamente consumida por essa doença; e, por fim, num futuro distante, onírico e sem data definida, o astronauta Tom transporta, numa espécie de nave espacial orgânica, a mencionada Árvore da Vida Eterna até ao local da sua origem, situada nos antípodas do Universo, sendo assombrado pelo espírito de Izzi que o impele a concluir um romance com reminiscências à vida de todas as personagens apresentadas no filme.

Sempre que me deparo com uma obra repleta de surrealismo como é este THE FOUNTAIN, é praticamente impossível não o comparar a 2001 — ODISSEIA NO ESPAÇO (1968). Afinal de contas, ambos os filmes decorrem em contextos diferentes, ostentando poderosos conteúdos filosóficos enquanto motores narrativos e apostando, sem receios, num esboço de imagens fulgurantes. Desse modo, nutri, a partir do momento em que tomei conhecimento deste filme pela primeira vez, uma simpatia instantânea pelo presente empreendimento de Aronofsky.



E a sua visualização não me decepcionou. Embora esteja infundido por um sufocante espírito depressivo e lânguido na sua exposição, a narrativa não-linear de THE FOUNTAIN, decorada com a omnipresente intimidade da banda sonora interpretada pelo Kronos Quartet, constitui um acérrimo desafio para qualquer espectador, correndo sérios riscos de ser considerado pretensioso, mas duvido que haja alguém incapaz de sucumbir à pujância da beleza das imagens concebidas pela mente analítica de Aronofsky. De facto, os efeitos visuais são um dos pormenores mais cativantes do filme, sobretudo pelo seu processo de fabrico: nas sequências futuristas, os truques de luz foram produzidos através do registo filmado de reacções químicas, escusando o habitual recurso à informática.

É, também, marcante a miscelânea de emoções que o filme suscita. Desde o romantismo e desespero das sequências decorridas no capítulo contemporâneo, passando pela imagética religiosa do passado e futuro (as referências incluem conceitos cristãos, budistas e até conceitos Maias), culminando num orgiástico clímax de imagem e som, THE FOUNTAIN acaba por ser uma reflexão acerca da fragilidade e resignação humana perante as suas emoções e inevitável morte.

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