Nova Iorque, num futuro não muito distante. Eric Parker, um milionário de 28 anos, sonha em viver numa civilização à frente da nossa e observa uma núvem negra a formar-se por cima de Wall Street.
Enquanto é conduzido através de Manhattan para cortar o cabelo na velha barbearia do seu pai, o olhar ansioso de Eric fixa-se no câmbio da moeda chinesa: está a subir contra todas as expectativas e contra a sua aposta em como tal não iria suceder. Eric Parker está a perder o seu império a cada segundo que passa.
Yaron faz parte de um grupo de polícias de elite, que faz parte da unidade Anti-terrorismo de Israel. Ele e os seus colegas são a arma; a pistola que o Estado aponta aos seus inimigos, o "inimigo árabe".
Yaron venera a sua unidade, a camaradagem, o seu corpo viril, a sua beleza. Ele está entusiasmado, a sua mulher espera um bebé em breve; pode ser pai a qualquer minuto. Um encontro com um grupo radical vai fazê-lo confrontar-se com o confronto de classes em Israel bem como com uma guerra que existe dentro de si próprio.
O mais lendário filme de Jean Renoir. Sem personagem principal, com nada menos do que oito protagonistas, "sem história", implacável e demencial, objecto de tanta ira como de admiração, A REGRA DO JOGO é, para muitos, a obra máxima de Renoir, mostrando-nos uma coreografia em que a câmara acompanha as fugas e jogos de amor das personagens, numa mansão senhorial. Enquanto dançam sobre o vulcão, a Europa e o mundo caminham para a guerra.
[Devido a problemas técnicos relacionados com o sistema de som da sala, a sessão de ontem foi cancelada.
Resolvido que está o problema verificado, exibiremos o filme hoje (dia 26) pelas 21h30.
A todos os que ontem se deslocaram ao Cineclube um pedido de desculpas e um agradecimento pela compreensão. Até logo.]
O QUE HÁ DE NOVO NO AMOR? (2011), de Hugo Alves, Hugo Martins, Mónica Santana Baptista, Patrícia Raposo, Rui Santos e Tiago Nunes.
Seis histórias de amor — cada uma realizada por um realizador diferente — de seis amigos que têm uma banda e todas as noites se encontram numa cave para fazer música.
O João faz canções, a Rita escreve letras e toca baixo, o Marco toca guitarra, o Edu toca bateria, o Samuel toca órgão e a Inês é a vocalista. Mas se à noite na garagem é possível ensaiar cada canção as vezes sem fim, durante o dia, na vida, não há ensaios. Cada tentativa deixa marcas.
Tomás e Sofia são casados há cinco anos. Ele é cartoonista no jornal local. Ela trabalha num hotel.
Tomás tem o sonho de ser artista plástico, mas falta-lhe a força interior para sê-lo. Raul, o seu melhor amigo e "anjo-da-guarda", insiste na qualidade maior das suas pinturas. Mas quando tudo parece renascer, Tomás entra numa crise emocional que o afasta de Sofia, a ponto de ela não o reconhecer.
3 POEMAS FÍLMICOS (1977/1978/1985), de Barbara Spielmann
. LA SUBSTANTIFIQUE
Cantos gregorianos, catedral de Milão. Da necessidade de chegar à medula, à substância, à essência da substância (la substantifique moëlle) segundo Rabelais.
. AUTODAPHNÉ
Perseguida por Apolo, a ninfa Daphné, atemorizada, transfigurou-se num loureiro.
. ANDACHT
Do alemão. Postura interior. Recolhimento, meditação, atenção permanente (vigilância).
(Baseado na apresentação de Carlos Fernandes para a Tertúlia Cinéfila: Filmes de Barbara Spielmann)
O mundo de Fernando Lemos é um mundo ferozmente despojado de qualquer lógica externa, dizia Jorge de Sena. O seu multifacetado gesto artístico confunde-se com a própria existência onde o princípio poético está antes de tudo.
Este filme é uma aventura, uma jornada surrealista que se realiza no acaso da procura de uma mulher numa fotografia tirada há 50 anos ou numa divertida partida de cartas onde se pratica o prazer do jogo sobre a identidade de se ser português e brasileiro.
O Espaço Nimas, incontornável na cultura cinéfila da cidade de Lisboa, tem primado pela abertura das suas portas a novas iniciativas e programações, fomentando uma relação criativa e permanente com o quotidiano da cidade. Desta vez, o Espaço Nimas associa-se às FESTAS DE LISBOA 2012 para uma programação especial que destaca o apelo cinematográfico que a capital portuguesa exerceu ao longo dos anos junto dos realizadores nacionais e internacionais.
Percorrendo filmes de autores como José Fonseca e Costa, João César Monteiro, Fernando Lopes, Alain Tanner, Raúl Ruiz ou Wim Wenders, este ciclo imperdível inicia-se a 1 de Junho e prolonga-se durante três fins-de-semana até 17 de Junho.
Baseado na novela homónima de Branquinho da Fonseca e no conto "O Involuntário", do mesmo autor, O BARÃO retrata a vida de um barão, ditador e caciquista, arrogante e controlador, misógino e cruel, uma personagem draculesca raramente vista no cinema português.
«Tão simples e, ao mesmo tempo, tão diferente do que se pode esperar. Um argumento que nos faz recuar para os tempos da ditadura; diálogos simples, mas sempre com um duplo sentido, recheados de um humor subtil e mordaz; frases que ficam na cabeça ("Aqui quem manda sou eu", "A vida é devorar"...), tudo isto, O Barão tem.» Inês Moreira Santos, inEspalha Factos.
Uma idosa temperamental, a sua empregada cabo-verdiana e uma vizinha dedicada a causas sociais partilham o andar num prédio em Lisboa. Quando a primeira morre, as outras duas passam a conhecer um episódio do seu passado: uma história de amor e crime passada numa África de filme de aventuras.
Às seis da manhã, Rafa descobre que a mãe está detida pela Polícia. Na mota de um amigo, cruza a ponte e vai a uma esquadra no centro de Lisboa para visitá-la e esperar pela sua libertação. As horas passam. E Rafa não quer voltar para casa sozinho.
Urso de Ouro (Curta-Metragem), Festival de Berlim 2012.
Nana tem quatro anos e vive numa casa de pedra perto da floresta. Um dia, ao regressar da escola, encontra apenas silêncio em casa. Uma viagem à noite da sua infância. O mundo à sua altura.
Hoje, dia 10 de Maio, celebra-se o Dia Internacional do Público e do Cineclubismo.
O 9500 Cineclube não podia alhear-se da data que celebra os dois aspectos mais importantes do cinema: um público e um filme. Sem um, o outro não faria sentido.
É uma verdade que se aplica tanto a uma sala comercial como a uma projecção particular ou a um cineclube. A importância da celebração baseia-se no que há de particular neste meio de estar e mostrar cinema, o cineclube, e o seu particular dinamismo através da interacção com o seu público.
O movimento cineclubista nasceu em França nos anos 20 do passado século e aos poucos foi-se espalhando por todo o lado em que existisse um público disposto a olhar para mais longe que a distribuição comercial permitia. O caso português é paradigmático. Hipólito de Carvalho funda o Cine-clube do Porto, em 1945, que servirá de modelo para os posteriores cineclubes. Contudo, o grande nome do cineclubismo português foi o de Ernesto de Sousa, homem de múltiplos talentos, a cuja acção tanto deve o chamado novo cinema português que nos anos 60 começa a tomar forma.
O cineclube mostra cinema, promove, discute, debate, publica, ensina e aprende, serve de resistência a uma ditadura avessa a tudo o que fosse novo e lhe fugisse da alçada estranguladora. Hoje, felizmente, os cineclubes já não são objecto da polícia política mas continuam a ter um papel relevante na dinamização cultural. Bem-hajam.
O filme escolhido para a comemoração é um filme-homenagem a um dos grandes criadores portugueses, Fernando Lopes, que morreu no passado dia 2, facto que não queríamos deixar de assinalar. Também a sua experiência no cinema começa no encontro com o cineclubismo e sua marca notável para o cinema português está em filmes como BELARMINO e UMA ABELHA NA CHUVA, entre outros. Mas não se deve reduzir a sua notável presença apenas ao cinema. Na RTP 2 criou um verdadeiro canal alternativo que o poder tratou de destruir. É de realçar ainda o seu papel como professor na Escola Superior de Cinema.
O Keyzer Soze terá o prazer de fazer uma breve apresentação ao filme, recordando os títulos e os temas que preencheram a rica carreira deste cineasta português.
Um longo mergulho no mar transforma-se numa intensa travessia pela vida de Santiago e pelas suas relações. A paixão por Constança. O casamento com Laurence. A cumplicidade do amigo Salvador. O filme do realizador Fernando Lopes abre-nos a porta para uma intrincada teia de relacionamentos. Ao inevitável "quem eu sou?", as personagens de EM CÂMARA LENTA respondem com "não sei quem tu és."
Roberto é um dandy! É um ser impassível, indecifrável e daí, enigmático. Goza do prazer aristocrático de causar espanto. Das mulheres, que conhece em todas as variedades da sua espécie e raça, já nada o pode espantar. A verdade é que Roberto sente o profundo tédio de quem esgotou todos os prazeres e encantos desta vida. No entanto...
Uma certa noite, deixa-se tentar por uma mulher que o intriga e lhe lembra alguém... Nessa noite, de descida aos céus e de subida aos infernos, essa mulher escancara-lhe o suplício da vida que é agora a sua. E, no meio de terríveis prazeres, Roberto entrevê o sublime do horror em que, obstinadamente, aquela mulher mergulhou. Sai dali fechado sobre si mesmo, marcado pela visão de um certo amor que, afinal de contas, ele nunca chegou a viver.
Em forma de documentário, HISTÓRIAS DE SHANGAI — QUEM ME DERA SABER põe em frente à câmara dezoito habitantes dos milhões que vivem em Shanghai. Em comum têm histórias para contar: das suas vidas, de um passado marcado por inúmeras dificuldades, das complicações trazidas pela Revolução Cultural. As escolhas que cada um fez — entre ficar ou partir, durante a época comunista — mudaram o seu destino, mas também o rumo dos acontecimentos. À medida que olham para trás, percebem que nada poderia ficar como dantes.
Uma reflexão sobre a influência que um passado marcado pelo comunismo ainda exerce na China, assinada por Jia Zhang Ke.
Em 1975, a equipa de Thomas Harlan filmou a ocupação da herdade da Torre Bela, no centro de Portugal.
Três décadas e meia depois, LINHA VERMELHA revisita esse filme emblemático do período revolucionário português: de que maneira Harlan interveio nos acontecimentos que parecem desenrolar-se naturalmente frente à câmara? Qual foi o impacto do filme na vida dos ocupantes e na memória sobre esse período?
[Hoje, pelas 21h30, no auditório do Teatro Micaelense.]
Numa aldeia remota da Turquia vive o pequeno Yusuf, de seis anos. O pai é apicultor e é na floresta que encontra o sustento da família. Mas as abelhas escasseiam, obrigando-o a afastar-se cada vez mais de casa.
Uma noite, o pai não regressa. E Yusuf deixa de conseguir expressar-se por palavras.
Inaugurado na década de 50, o CRAZY HORSE converteu-se num lugar imperdível da noite parisiense, quase tão icónico na capital francesa como a Torre Eiffel ou o Louvre.
Durante 10 semanas, o aclamado cineasta FREDERICK WISEMAN teve acesso aos bastidores do CRAZY HORSE e é através do seu olhar que nos atrevemos a entrar neste intrigante mundo e a descobrir o que está por detrás do sucesso deste cabaret, no momento em que se desvenda um novo espectáculo.
A sedução, a elegância, o perfeccionismo, um horário exigente (com dois espectáculos por dia, três ao sábado, todos os dias da semana)...
Como se vê o documentário português? Como se vê a si próprio por quem o faz, onde se vê e de que forma, por quem é visto, e que consequências tem o ver no fazer. Numa época de poucas certezas e muitas possibilidades quanto à maneira como o cinema é visto hoje em dia, o PANORAMA volta a ser um espaço de reflexão, acompanhando os caminhos para onde vai e por onde se move o documentário português.
Keyzer Soze é um personagem do filme de 1995, OS SUSPEITOS DO COSTUME.
Soze era o líder de uma secreta organização criminosa; a sua impiedosa personalidade e obscura influência granjeou-lhe um estatuto quase mítico entre agentes da lei e gangsters.
O seu papel no supreendente twist final do filme tornou-se num dos ícones da cultura popular dos anos 90.