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sábado, maio 05, 2012

IndieLisboa 2012 — os vencedores:



Foram anunciados, hoje à noite, os vencedores do Festival IndieLisboa 2012.

DE JUEVES A DOMINGO, da chilena Dominga Sottomayor, é o vencedor desta edição.

Os principais prémios atribuídos foram:

. GRANDE PRÉMIO DE LONGA-METRAGEM "Cidade de Lisboa"

DE JUEVES A DOMINGO, de Dominga Sotomayor



. PRÉMIO MELHOR LONGA-METRAGEM PORTUGUESA

JESUS POR UM DIA, de Helena Inverno e Verónica Castro



. PRÉMIO TAP — MELHOR LONGA-METRAGEM PORTUGUESA DE FICÇÃO

POR AQUI TUDO BEM, de Pocas Pascoal



. PRÉMIO TAP — MELHOR DOCUMENTÁRIO DE LONGA-METRAGEM PORTUGUÊS

A VOSSA CASA, de João Mário Grilo



.PRÉMIO DO PÚBLICO PARA MELHOR LONGA-METRAGEM

WHORE'S GLORY, de Michael Glawogger



A lista completa dos vencedores pode ser consultada aqui.

quarta-feira, maio 02, 2012

Fernando Lopes (1935 — 2012)



"Sou um cineasta improvável."

Nome cimeiro do Cinema Novo Português, Fernando Lopes assinou um dos percursos mais notáveis na cinematografia nacional como realizador de BELARMINO (1964), o (ainda hoje!) impressionante e sufocante UMA ABELHA NA CHUVA (1971), NÓS POR CÁ TODOS BEM (1978), CRÓNICA DOS BONS MALANDROS (1984) e O DELFIM (2002).

Faleceu hoje, em Lisboa, vítima de doença prolongada.

[Foto: Ângela Camila Castelo-Branco.]

terça-feira, abril 24, 2012

Agenda Cinematográfica

:: 9500 CINECLUBE DE PONTA DELGADA ::

LINHA VERMELHA (2011), de José Filipe Costa



Em 1975, a equipa de Thomas Harlan filmou a ocupação da herdade da Torre Bela, no centro de Portugal.

Três décadas e meia depois, LINHA VERMELHA revisita esse filme emblemático do período revolucionário português: de que maneira Harlan interveio nos acontecimentos que parecem desenrolar-se naturalmente frente à câmara? Qual foi o impacto do filme na vida dos ocupantes e na memória sobre esse período?



[Hoje, pelas 21h30, no auditório do Teatro Micaelense.]

quarta-feira, março 28, 2012

Antestreia da Semana



Uma idosa temperamental, a sua empregada cabo-verdiana e uma vizinha dedicada a causas sociais partilham o andar num prédio em Lisboa. Quando a primeira morre, as outras duas passam a conhecer um episódio do seu passado: uma história de amor e crime passada numa África de filme de aventuras.

Título sensação no recente (e de boa memória para o cinema português) Festival de Berlim, onde arrecadou os Prémios Alfred Bauer, da Crítica e do Júri FIPRESCI, o primeiro trailer de TABU evidencia, desde logo, o formalismo "obsoleto" adoptado (filmado em 16 e 35mm, onde o grão e o tremeluzir da película são imediatamente reconhecíveis, e no formato 1:37) e o mistério de um argumento que confundiu e seduziu a crítica internacional.

Miguel Gomes retorna às origens do Cinema para expôr a sua visão de um "paraíso perdido". Estamos ansiosos por conhecê-lo.



Com Teresa Madruga, Laura Soveral, Ana Moreira, Henrique Espírito Santo e Carloto Cotta no elenco, a sua estreia nas salas portuguesas está agendada para 5 de Abril.

quinta-feira, março 01, 2012

Agenda Cinematográfica

:: 9500 CINECLUBE DE PONTA DELGADA ::

SAUDADE BURRA DE FERNANDO ASSIS PACHECO (2012), de Margarida Moura e Paulo Galvão



Documentário da autoria de Nuno Costa Santos sobre o escritor e jornalista Fernando Assis Pacheco, figura da vida intelectual portuguesa que, prematuramente, nos deixou no dia 1 de Novembro de 1995.

Apaixonado pela vida e por algumas das coisas que a vida tem de melhor: os lugares, os amores, as paixões, os amigos, os livros, as comidas. "Sou o Fernando Assis Pacheco, 41 anos, um pasmado sem cura. Tudo me espanta, gramo a vida, quero morrer mais lá para o Verão".



Hoje, pelas 21h30, no Cine Solmar, com a presença de Nuno Costa Santos. Entrada livre.

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Agenda Cinematográfica

:: 2º ANIVERSÁRIO DO 9500 CINECLUBE DE PONTA DELGADA ::



3 FILMES DE TERESA VILLAVERDE

. TRÊS IRMÃOS (1994)



"Maria é o centro da nossa história. Tem vinte anos, mas não consegue comportar-se como a maioria das pessoas da sua idade. Quase nunca diz o que pensa, nem pede o que quer. Quase nunca diz a verdade embora nunca minta. Mata e não diz que matou. Sofre e não diz que sofreu. Não quer estar sozinha, mas não pede companhia. Ama, mas não sabe quem ama. Nasceu em Lisboa e nunca foi nem irá a outra cidade. Maria quer estar sempre com os seus irmãos, mas não pode, porque o mundo não foi organizado assim. Maria quer aguentar tudo sozinha. Quer ser forte, tomar conta de todos. Guardar todos os segredos, os seus e os dos outros. Não é capaz, a dor é muito grande e ela não aguenta. Tem a polícia atrás dela, deixou de ter emprego. Tem de tomar conta do pai, alguém morreu e ela guardou segredo e tratou de tudo sozinha. No fim Maria toma uma decisão. É uma decisão brutal e definitiva.

Não é alegre esta história, mas às vezes a vida também é assim.
"

[24 de Fevereiro, 21h30]

. OS MUTANTES (1998)



"Um filme chocante sobre adolescentes problemáticos.

Andreia foge constantemente de centros de reinserção social e vagueia por Lisboa à procura do rapaz que a engravidou. Pedro e Ricardo, em situação semelhante, fazem tudo para sobreviver nas ruas, incluindo pequenos furtos e posar para câmaras de vídeo de holandeses pervertidos.
"

[25 de Fevereiro, 21h30]

. CISNE (2011)



"Vera é uma cantora que volta a Lisboa para encerrar uma série de concertos. Pablo é o seu acompanhante que ela escolhe através de um questionário e que a ajuda nas noites de insónia. Na casa de Vera, longe de tudo está Sam, o homem que ela ama. A casa é dela, ele aparece para ficar, pede-lhe que saia da sua própria casa onde diz precisar ficar sozinho perto das coisas dela, mas sem ela. Uma criança protegida de Pablo comete um acto irreversível e Vera envolve-se, tentando proteger a criança debaixo da sua asa.

Haverá salvação?
"

[26 de Fevereiro, 18h30]

[com a presença da realizadora.]

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Agenda Cinematográfica

:: 9500 CINECLUBE DE PONTA DELGADA ::

TRABALHO DE ACTRIZ, TRABALHO DE ACTOR (2011), de João Canijo



Ao longo de um ano de trabalho, um grupo de dez actores e um realizador de cinema vão trabalhar em conjunto na criação das personagens e da estrutura do argumento do que virá a ser um novo filme. Em longas sessões de discussão, e depois de ensaios e sucessivas repetições, as cenas mais importantes dessa narrativa vão sendo desenvolvidas, até chegarem à sua forma definitiva, no filme que resultará deste trabalho.



Hoje, pelas 21h30, no Cine Solmar.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Agenda Cinematográfica

:: 9500 CINECLUBE DE PONTA DELGADA ::

5+2 FILMES DA UNIVERSIDADE LUSÓFONA

Uma seleção de diversas curtas-metragens de ficção (5) e documentários (2) produzidas no cursos de Licenciatura e Mestrado da Universidade Lusófona.

. MUTTER, Tony Costa e Rafael Martins - Ficção (2011)
. A DANÇA DE SÍSIFO, André Lourenço e Paulo Valente - Ficção (2011)
. A ESTRELA MAIS BRILHANTE, André Matos e Joana Santos - Ficção (2011)
. QUADRO BRANCO, Tatiana Saavedra e Carolina Catrola - Ficção (2011)
. A ESPIRAL DA MORTE DOS OPERÁRIOS-FORMIGA, Ana Cabaça e Francisca Marvão - Ficção (2011)

+

. O MUNDO AO CONTRÁRIO, Sara Barros Mendes - Documentário (2010)
. A ALDEIA DO MITO, André Tadeu, Sandra Fernandes, Joana B. Mendes Documentário (2011)

Hoje, pelas 21h30, no Cine Solmar.

segunda-feira, janeiro 30, 2012

Agenda Cinematográfica

:: 9500 CINECLUBE DE PONTA DELGADA ::

JOANA VASCONCELOS — CORAÇÃO INDEPENDENTE (2008), de Joana Cunha Ferreira



Joana Vasconcelos é uma das mais reconhecidas e mediáticas artistas portuguesa da sua geração. Com um percurso nacional e internacional impressionante para a sua idade, as suas obras são frequentemente apontadas pela sua dimensão kitsch e espalhafatosa. Mas são também um reflexo mordaz de uma parte deste mundo.

O filme olha de perto para o processo de trabalho da artista e da sua equipa, que vemos em acção no seu atelier, mas é principalmente um retrato de Joana Vasconcelos, da sua força, vontade e dedicação ao trabalho.

Hoje, pelas 21h30, no Cine Solmar.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Agenda Cinematográfica

:: 9500 CINECLUBE DE PONTA DELGADA ::

FLEURETTE (2002), de Sérgio Tréfaut



Será que conhecemos as pessoas que nos são próximas? Será que as queremos conhecer?
E elas, quererão que as cheguemos a conhecer? O filho procura compreender o passado atribulado da mãe e Fleurette aos 79 anos ainda coloca obstáculos a qualquer inquérito sobre o seu passado. Mas vai ao longo do filme, pouco a pouco, desvendando acontecimentos secretos e revelando uma outra vida.

É um filme de difícil delimitação em termos de género: formalmente um documentário autobiográfico, em que o realizador interroga os pais e o irmão, em complexa estratégia de auto-descoberta, acaba por passar as fronteiras da ficção, lançando um belíssimo olhar sobre uma história de família. Porque se atravessa grande parte do séc. XX, da França dos anos 40, com fragmentos de história de amor e desamor, de colaboracionismo e neutralidade, ao Portugal da Revolução de Abril, é também a inscrição de uma narrativa comovida e terna sobre as contradições da estrutura familiar, no quadro mais vasto da história recente.

[Com a presença do realizador.]

Hoje, pelas 21h30, no Cine Solmar.

segunda-feira, novembro 28, 2011

Agenda Cinematográfica

:: 9500 CINECLUBE DE PONTA DELGADA ::

CORRE EMANUEL, CORRE (2011), de Emanuel Macedo e Bruno Correia + 6=0 HOMEOSTÉTICA (2009), de Bruno de Almeida



CORRE EMANUEL, CORRE é uma viagem de aproximação ao universo criativo de Maria Emanuel Albergaria. Baseado / inspirado na exposição / instalação "Uma Casa na Floresta", este filme convida à fruição sensorial de uma geometria de sentimentos.

Co-Produção do 9500 Cineclube que recebeu o Prémio do Público no Festival de Cinema dos Açores — Faial Fimes Fest 2011.

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Documentário sobre o movimento Homeostética, que surgiu em Lisboa nos anos 80 e foi constituído pelos artistas Fernando Brito, Ivo, Pedro Portugal, Pedro Proença, Manuel João Vieira e Xana.

Utilizando o humor como estratégia de demarcação crítica, a Homeostética manteve sempre uma posição marginal de fortes influências Dadaistas e desenvolveu uma intensa produção que resultou em exposições, textos, manifestos, filmes, concertos e outras performances colectivas. Discretos nas suas realizações e desprezando olimpicamente a sua própria glorificação, os homeostéticos perderam em visibilidade externa o que vieram a ganhar em modo de existência. Para eles o sentido da vida encontrava-se na criação artística e a criação artística, por sua vez, permitia-lhes inventar novas possibilidades de vida.



Hoje, pelas 21h30, no Cine Solmar.

segunda-feira, novembro 07, 2011

Agenda Cinematográfica

:: 9500 CINECLUBE DE PONTA DELGADA ::

. FANTASIA LUSITANA (2010), de João Canijo



FANTASIA LUSITANA é um documentário que explora a relação do povo português com os estrangeiros refugiados da II Guerra Mundial, a forma como a sua estadia no nosso país influenciou (ou não) o nosso olhar sobre a guerra, e uma procura pela herança cultural deixada (ou não) pela sua passagem.

Uma leitura interpelante da história portuguesa do século XX construída inteiramente a partir de imagens de arquivo e da leitura de testemunhos desses refugiados nas vozes de Hanna Schygulla, Rudiger Vogler e Christian Patey.



Hoje, pelas 21h30, no Cine Solmar.

segunda-feira, outubro 31, 2011

A "Polémica" do Mês #5

Como a blogosfera cinéfila nacional divergiu, este mês, sobre SANGUE DO MEU SANGUE, de João Canijo.





«Uma obra-prima, o melhor filme de João Canijo, um dos grandes filmes portugueses de sempre.»
Tiago Ramos, Split Screen.



«Não saí da sala de cinema rendido. Saí satisfeito, contente pelo investimento num bilhete de cinema (cada vez mais caro!) para um filme português, mas não saí fascinado e extasiado como a grande maioria dos críticos de cinema em Portugal.»
João Samuel Neves, Dial P For Popcorn.



«Nota-se tanto o esforço interpretativo que chega a irritar esse perfeccionismo num filme sobre o amor incondicional, cenas de humilhação e violência.»
Daniel Curval, Num Filme de Godard.

domingo, outubro 16, 2011

Críticas da Semana

Breve resumo dos principais filmes visualizados esta semana:

. SANGUE DO MEU SANGUE
. MEIA-NOITE EM PARIS
. WHORES' GLORY
. É NA TERRA NÃO É NA LUA

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. SANGUE DO MEU SANGUE (2011), de João Canijo

Uma família de classe média, residente no Bairro Padre Cruz em Lisboa, vê a serenidade do seu quotidiano abalada, obrigando ao amor incondicional, sacrifício e redenção entre mãe (Rita Blanco), irmã (Anabela Moreira) e filha (Cleia Almeida).



Sem expor um argumento inteiramente original (há aqui muito de, por exemplo, Pedro Almodóvar ou Mike Leigh) nem desejando formular qualquer tipo de denúncia económico-social, Canijo consolida o seu estatuto de formidável inovador na observação de hábitos e costumes lusos. Apostando no realismo de cenários e personagens, a artificialidade encontra-se nos minuciosos planos-sequência do filme e num espantoso trabalho de sonoplastia que, muitas vezes, apresenta ao espectador três situações — naquilo que não resisto em apelidar de "tridimensionalidade de som" — a decorrer, em simultâneo, na mesma meia dúzia de metros quadrados.

SANGUE DO MEU SANGUE pertence, brilhante e irremediavelmente, às suas actrizes: impecáveis Rita Blanco (numa versão emancipada da sua Margarida Lopes na série televisiva CONTA-ME COMO FOI), Anabela Moreira e Cleia Almeida, sem temor do reconhecimento de culpa nem da humilhação perante um elenco masculino muito eficaz na composição de homens com "h" pequeno...

É o melhor filme português de 2011 — e pelo contexto temporal, dificilmente será destronado desse título.

. MEIA-NOITE EM PARIS (2011), de Woody Allen

Um casal (Owen Wilson e Rachel McAdams), prestes a casar, viaja para Paris e encontrará um conjunto de experiências que lhes muda a vida: ela reencontra um antigo professor (Michael Sheen); ele descobrirá a magia da capital francesa quando soa a meia-noite.



É o filme do "regresso" para Woody Allen. Não à sua nativa e querida Nova Iorque, mas ao brilhantismo na concepção de situações e diálogos como há muito não o víamos fazer. Desde a acutilante observação histórica de BALAS SOBRE A BROADWAY (1994), passando pelo surrealismo quase imperceptível de AS FACES DE HARRY (1998), até aos constantes dilemas da criação artística, expostos num argumento simples e sem pretensões de não ser mais do que uma comédia romântica.

O seu maior atractivo reside, sem dúvida, nos episódicos encontros do protagonista com figuras históricas que povoaram Paris durante os anos 20 — Hemingway, Dali, Fitzgerald —, os quais elevam o filme da mediania e tornam-no absolutamente inesquecível. Para rever.

. WHORES' GLORY (2011), de Michael Glawogger

Um tríptico cinematográfico sobre prostituição: três países (Tailândia, Bangladesh, México), três idiomas, três religiões, três realidades díspares onde o acto humano mais íntimo se transformou num objecto comercial... sujeito a negociação.



Poder-se-à falar de "documentário atmosférico"? Pois é essa a maior conclusão que se depreende de WHORES' GLORY. Não menosprezando os — corajosos e, portanto, impressionantes — testemunhos de quem exerce "a profissão mais velha do mundo", a realização de Glawogger concentra-se em demonstrar visualmente a complexidade e espírito de sacrifício inerentes à prostituição.

Filmado num estilo semelhante ao de um filme de ficção (nomeadamente, e na parte final, a completa e explícita interacção entre uma prostituta e o seu cliente que quase parece encenada), rejeitando qualquer tipo de solidariedade social e comparando, de modo pertinente, prostituição aos vícios da globalização, este revela-se como um dos documentários mais audaciosos, provocantes e verdadeiramente mind changing dos últimos anos. Muito recomendado.

. É NA TERRA NÃO É NA LUA (2011), de Gonçalo Tocha

Em 2007, um engenheiro de som e um cameraman chegam ao Corvo, a ilha mais pequena do arquipélago dos Açores. Gradualmente, são aceites pela população e descobrem 500 anos de civilização, cuja História é praticamente indecifrável e/ou inexistente.



Narrado a duas vozes, inefáveis em partilhar os momentos mais curiosos da sua rodagem, é uma obra singular e de constante descoberta, sem precipitar a revelação — os 180 minutos de duração comprovam-no... — das vidas e costumes dos 450 habitantes do Corvo, tão obscuros e distantes quanto a sua localização geográfica.

Apenas se lamenta que Gonçalo Tocha não tenha resistido em compor tantos postais turísticos da ilha do Corvo. Por mais bonitas que sejam, essas imagens revelam-se, a partir de certa altura, repetitivas e cansativas: e num filme com esta metragem, eis um pormenor deveras importante para a maioria dos espectadores. O interesse de É NA TERRA NÃO NA LUA encontra-se, isso sim, nos rostos, no português cerrado e na felicidade latente dos corvinos. Não poderia haver melhor pretexto para se querer visitar o Corvo.

segunda-feira, outubro 10, 2011

Agenda Cinematográfica

:: 9500 CINECLUBE DE PONTA DELGADA ::

. SANGUE DO MEU SANGUE (2011), de João Canijo



É um filme sobre o amor incondicional, o amor de uma mãe pela sua filha, o amor de uma tia pelo seu sobrinho. E de como elas estão dispostas a sacrificar tudo para os salvar...

Márcia é mãe solteira de dois filhos, trabalha como cozinheira e partilha a sua casa num bairro municipal com a irmã, Ivete, cabeleireira de centro comercial. Um dia, Cláudia, a filha, que estuda enfermagem e trabalha como caixa num supermercado, conta à mãe que se apaixonou por um homem mais velho e casado. Quando Márcia o conhece, percebe que uma ameaça gravíssima pesa sobre a sua família. Joca, o filho, é um pequeno traficante no bairro até que decide dar um golpe ao seu dealer, mas é apanhado e a sua tia Ivete terá que se sacrificar por ele para o salvar.



Hoje, pelas 21h30, no Cine Solmar.

sexta-feira, setembro 09, 2011

JOSÉ E PILAR é o candidato português aos Óscares



O Instituto do Cinema e Audiovisual comunicou hoje, através de comunicado, a escolha de JOSÉ E PILAR, documentário de Miguel Gonçalves Mendes sobre a vida íntima do Nobel da Literatura José Saramago, como candidato português ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.

sábado, julho 02, 2011

Petição Pública: JOSÉ E PILAR aos Óscares



Criada pelo blog Split Screen, pretende esta petição sensibilizar o Instituto de Cinema e Audiovisual a ponderar submeter à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas o documentário JOSÉ E PILAR, de Miguel Gonçalves Mendes, ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Segundo as palavras dos signatários da petição, «[e]ste é um movimento independente, de fãs e admiradores do filme, que têm particular confiança e respeito pelo seu potencial, que se sente verdadeiramente comovido pela sua imensa força emocional, humanista, motivadora».

Estas e outras pertinentes razões que podem ser lidas no texto da petição, disponível para assinatura aqui.

terça-feira, junho 21, 2011

Ciclo Especial: Manuel Mozos

[Texto elaborado a propósito da retrospectiva parcial à carreira do realizador português Manuel Mozos, promovido pelo 9500 Cineclube de Ponta Delgada]

A ficção de Manuel Mozos possui sempre uma atenção particular ao passado das personagens com o prenúncio de um futuro melhor (não é a esperança uma das promessas básicas da Sétima Arte?), através de histórias emotivas e melancólicas que nunca resvalam em excessos de pesar nem de lacrimejar — não obstante o facto de, pelo menos num dos filmes exibidos durante esta retrospectiva, haver quem não escondesse as lágrimas no final...

Totalmente humanistas, repletos de gente simples com trato simples e onde um certo sentido de "portugalidade" é quase palpável, ...QUANDO TROVEJA (1999) e XAVIER (1992) são um sério modelo para quem anseia fazer cinema no nosso país: ambos permitem o célere "apelo popular" mas, tanto pela sua composição formal como por apresentarem mecanismos narrativos a princípio "impenetráveis" (sobretudo, o realismo mágico de ...QUANDO TROVEJA), dificilmente se encaixam na lógica do filme dito comercial.



...QUANDO TROVEJA, a primeira longa-metragem concluída por Mozos, obra curiosa e modesta sobre a peculiar "dor de corno" de António (Miguel Guilherme), um lisboeta com apetência pela bebida, a partilhar residência com uma divorciada enferma e que ainda não recuperou de a ex-namorada o ter trocado por outro. Cenário desolador, sem dúvida, mas que não apela a fáceis e artificiais sentimentalismos, sobretudo pela presença do fantástico materializado nos dois seres habitantes de um bosque que, de vez em quando, provocam distúrbios na vida da ex-companheira de António. Uma história repleta de humor sobre corações partidos, solidões afogadas em imperiais, anjos da guarda com imperfeições físicas e um filme que merece, da parte dos espectadores portugueses, muita atenção.



XAVIER, película que conheceu uma longa gestação (12 anos!?) e que João Mário Grilo considerou estar «à descoberta de uma nova poética portuguesa», também aborda relações cortadas — neste caso, entre filho (Pedro Hestnes) e mãe (Isabel Ruth) — por circunstâncias mais fortes que os desejos das personagens e possui o brilho próprio de uma primeira obra onde persiste, indelevelmente, o amor profundo ao Cinema. Na sua simplicidade, revela-se emocional e cinematograficamente puro.



Todas as características (humanidade, inquietação, identidade portuguesa) acima enumeradas podem ser associadas ao documentário RUÍNAS (2009), terceiro filme exibido nesta retrospectiva. Trata-se de um olhar poético, saudosista e fragmentado sobre edificações que já conheceram melhores dias — casas abandonadas, sanatórios e hotéis desactivados, inclusivamente o "fantasma" do Parque Mayer —, confere-nos uma perspectiva diferente sobre o passado de Portugal, diferenciando-se de filmes semelhantes pela original narração que, através da leitura de correspondências, relatórios médicos ou receitas gastronómicas, invoca vivências, relações e costumes há muito perdidos. "Peca" por ter apenas sessenta minutos de duração...

Foram três dias de excelente Cinema Português — duvido que, a curto prazo, Ponta Delgada conheça oportunidade semelhante — e de reflexão acerca do trabalho de Manuel Mozos, um dos realizadores mais interessantes e, paradoxalmente, ignorados no panorama nacional.

segunda-feira, junho 20, 2011

Pedro Hestnes (1962 — 2011)



«Ao fim de 20 anos já não somos nós próprios.»

Estreou-se como actor em teatro no início dos anos 1980. No Cinema, surgiu nos últimos anos dessa mesma década e foi dirigido por João Canijo, João Botelho, Jorge Silva Melo, Pedro Costa, Manuel Mozos, José Fonseca e Costa, Teresa Villaverde, António da Cunha Telles e Margarida Gil.

Actor importante do cinema português onde foi presença regular nas décadas de 80 e 90, Pedro Hestnes é indissociável de O SANGUE (1989), longa-metragem de estreia de Pedro Costa, onde interpretou a personagem de Vicente, e de XAVIER (1992), o filme de Mozos de que foi protagonista. Tinha acabado de rodar EM SEGUNDA MÃO, de Catarina Ruivo, que está ainda na fase de montagem.

Faleceu hoje, em Lisboa, vítima de doença prolongada.

segunda-feira, junho 06, 2011

Agenda Cinematográfica

::: 9500 CINECLUBE DE PONTA DELGADA :::



No ãmbito do Ciclo Saudades da Terra, dedicado a filmes rodados, inteira ou parcialmente, nos Açores, o 9500 Cineclube apresenta hoje, pelas 21h30, no Cine Solmar ADRIANA (2004), que contará com a presença da realizadora, Margarida Gil.



SINOPSE: Numa ilha remota onde se instalou o luto um homem decreta que nunca mais haverá sexo nem filhos...
A ilha vai ficando deserta e ele decide enviar a sua filha, Adriana, para o continente "constituir família por métodos naturais". Acompanharemos as aventuras de Adriana à procura de um homem que a faça procriar um filho e assim garantir a descendência na ilha.