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domingo, outubro 31, 2010

5 Momentos Memoráveis

#13: 'Ok! That was disturbing'...



... ou as diversas nuances do horror/terror no Cinema. Um género que tem sido capaz de proporcionar alguns dos momentos mais inusitados da história do Cinema e de fertilidade criativa sem barreiras, encontra-se, infelizmente, em declínio no panorama actual de Hollywood (o filme mais recente desta lista data de 1998) pela repetição abundante de temas e por remakes de clássicos norte-americanos ou de produções estrangeiras — nomeadamente, de origem asiática, onde ainda é possível observar originalidade e vitalidade.

Como hoje celebra-se o Halloween (ou, para puristas da língua portuguesa, o Dia das Bruxas), eis a ocasião para recordar momentos que aterrorizaram e eriçaram os pelos de milhões de telespectadores. Sobretudo, aqueles que o conseguiram junto do Keyzer Soze's Place...

Os vídeos podem conter spoilers, revelações acerca dos argumentos dos filmes abaixo referidos. E também potenciadores de noites mal dormidas...

MENÇÃO HONROSA: A HORA DO LOBO (1968), de Ingmar Bergman



Resultado da convalescença de um esgotamento nervoso, foi a obra onde Ingmar Bergman mais se aproximou, gráfica e psicologicamente, do terror convencional. Também é das menos conhecidas do cineasta, apesar da admitida influência que exerce na nova vaga de thrillers suecos. Centrando-se nas estranhas figuras que assombram um pintor (Max von Sydow) sempre que a noite cai, A HORA DO LOBO culmina nesta assustadora e inesquecível metamorfose por parte de uma convidada do artista, que encontra uma forma original de se pôr à vontade na casa do seu anfitrião...



5. REPULSA (1965), de Roman Polanski



Exemplo supremo do sub-género terror psicológico, REPULSA é um fabuloso retrato de desmoronamento mental e físico. O seu preto-e-branco "sujo", oblíquos ângulos de câmara e o memorável desempenho de Catherine Deneuve incrementam, eficazmente, o nosso desconforto no momento em que a imaginação da protagonista cede perante os seus mais profundos recalcamentos e desejos. A partir daí, violência sexual, desleixo doméstico e paredes "traiçoeiras" deixam de ser simples alucinações...



4. RINGU (1998), de Hideo Nakata



Uma história que ficou registada na mente dos púbicos ocidentais em virtude do remake assinado por Gore Verbinski em 2002, o filme original permanece como o título que popularizou os temas e mecanismos, raramente repetitivos, do J-Horror. Capitalizando inteiramente na atmosfera em detrimento de 'cheap scares', RINGU deixou milhões de espectadores petrificados ao saberem da devastação que a "pequena" Sadako podia produzir... e, ao mesmo, apreensivos de qualquer cassete VHS com uma etiqueta pouco esclarecedora.



3. ALIEN — O 8º PASSAGEIRO (1979), de Ridley Scott



Introduziu no imaginário cinéfilo o extra-terrestre mais impiedoso de sempre, uma heroína das mais resistentes alguma vez capturadas em película e constitui, sem dúvida, a melhor fusão de ficção científica com terror. Sete tripulantes intergalácticos são forçados a pararem num planeta desconhecido e acabam por transportar para a nave-mãe uma criatura sem qualquer pejo de matar à primeira oportunidade. Um dos segredos do sucesso de ALIEN — O 8º PASSAGEIRO foi nunca conseguirmos ter um vislumbre detalhado do "monstro" — algo plenamente atestado neste brutal encontro do terceiro grau...



2. O EXORCISTA (1973), de William Friedkin



O melhor filme de terror de todos os tempos? Muito provavelmente (só não ocupa o primeiro lugar por esta ser uma lista de sequências). A imagem do puro mal encarnado em Regan, angélica menina de 12 anos que se transforma, progressivamente, num "compêndio" de indecência e obscenidade com propensão para cuspir pasta verde à cara de padres católicos. As audiências, em 1973, desfaleceram (literalmente) perante o arrojo narrativo e visual de O EXORCISTA. Conta a lenda que tais reacções só poderiam ser causadas por um demónio que se "apoderou" do filme. E ao vermos os primeiros sintomas de Regan, talvez a teoria não seja totalmente descartável...



1. SUSPIRIA (1977), de Dario Argento



Já aqui se falou da importância de uma atmosfera bem concebida como caminho para experiências de puro terror em Cinema. Nesse âmbito, Dario Argento é um dos principais nomes a ter em conta, e SUSPIRIA a sua obra seminal. Este é um momento memorável de horror em catadupa ("o homicídio mais perverso de sempre", segundo a Entertainment Weekly) a que ninguém consegue ficar indiferente pela conjugação brilhante de susto, gore e poder de sugestão — os ingredientes básicos do terror enquanto género cinematográfico.



segunda-feira, julho 19, 2010

O ESCRITOR FANTASMA (2010), de Roman Polanski



Se há mérito que ninguém pode retirar a Roman Polanski, é a sua capacidade de relegar para segundo plano os intermináveis tumultos com a Justiça que vai alimentando através de filmes que, rapidamente, se posicionam entre os melhores do seu ano de estreia. E este O ESCRITOR FANTASMA não é excepção: um thriller como já não se produz nos dias que correm, onde o suspense advém não do choque nem de intensas sequências de acção, mas apenas daquele "ingrediente" básico chamado expectativa.

Colmatando a ausência de explosões ou sustos, Roman Polanski constrói a sua "ameaçante imagem de marca" apostando na contenção de personagens e ambiências, ao mesmo tempo que aborda alguns dos títulos da sua carreira. Em duas horas de metragem, O ESCRITOR FANTASMA invoca desde a ilha quase deserta de CUL-DE-SAC — O BECO até à atmosfera noir de contornos políticos de CHINATOWN.



O protagonista (Ewan McGregor), cujo nome permanecerá sempre desconhecido, é um talentoso escritor fantasma — mas, subentende-se, um romancista falhado — que aceita o trabalho de completar a desinteressante autobiografia de um ex-Primeiro-Ministro Britânico no prazo estabelecido para a sua publicação. O livro foi iniciado por um anterior escritor fantasma, que morreu afogado perto da ilha onde o político, Adam Lang (Pierce Brosnan), vive com a sua brilhante e frustrada esposa Ruth (Olivia Williams). O Fantasma (chamemos-lhe assim) embarca no desafio por não resistir à oferta de um cheque de 250 mil dólares. Mas trata-se de uma bela com um grande senão — na verdade enorme, já que vê-se rapidamente preso no pântano de intrigas políticas e matrimoniais de Lang.

Encerrado na moderna e atraente casa de praia do seu anfitrião, procura concentrar-se na composição final da autobiografia. Mas o Fantasma não ficará alheio aos escândalos, suspeitas de crimes contra a humanidade e diversos pedidos de extradição (quem pretender encontrar uma analogia com a vida de Polanski sairá frustrado) que recaem sobre Lang, assim como ao passado diplomático obscuro de Lang que a pesquisa do escritor vai desenterrando.



Revelar mais pormenores das sucessivas intrigas e reviravoltas (nunca cansativas) que se desenvolvem a partir deste contexto é um risco ao pleno usufruto de O ESCRITOR FANTASMA da parte de quem ainda não o viu. Apesar das críticas que têm sido lançadas ao ritmo pausado da acção, tal elemento permite a devida apreensão de todos os elementos próprios do cineasta. No meio de estranhas coincidências, pressentimentos de ameaça e humor mordaz, Polanski forja um peculiar ambiente hostil em torno do protagonista como poucos conseguem fazer. Nem a Natureza é apaziguadora, já que o céu surge permanentemente cinzento e a chuva transforma a paisagem em neblina claustrofóbica.

O único ponto fraco poderá residir na sua conclusão, que tem tanto de genial como de descarada "economia" narrativa. Perante um twist final (sim, O ESCRITOR FANTASMA também o tem) de contornos quase retumbantes, os últimos fotogramas parecem exprimir, literalmente, a velha frase «palavras levam-nas o vento». Um sentimento similar poderá inundar o espectador, a quem é — no mínimo — abruptamente retirado o desejo de rever o filme sob a égide de nova perspectiva.



Palavra final para uma das melhores direcções de actores do presente ano. Ewan McGregor segura, com pujança, todas as rédeas deste thriller; Pierce Brosnan parece estar, finalmente, a anos-luz da imagem de James Bond, compondo um político com demasiados esqueletos no armário nitidamente inspirado em Tony Blair de forma jocosa e brilhante; Olivia Williams é tremenda enquanto mulher que passou demasiado tempo na sombra do sucesso do marido; e até Kim Cattrall (no papel da assistente pessoal e amante de Adam Lang), apesar da menor dimensão da sua personagem à qual se acrescenta o falhado sotaque britânico, é bastante aprazível, até pela nítida constatação de que nela a inexorável passagem do tempo não encontra lugar para "assentar".

O ESCRITOR FANTASMA já está no meu top ten de 2010. Não apenas por ser um filme de Roman Polanski (por quem já confessei predilecção), mas sobretudo por nos fazer crer que a formalidade do Estilo Clássico — e Polanski mostra-se, a cada novo filme, menos "frenético" — ainda encontra espaço nesta época de constante evolução e dinamismo técnicos.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Hollywood Buzz #74

O que se diz lá fora sobre THE GHOST WRITER, de Roman Polanski:



«Polanski at 76 provides a reminder of directors of the past who were raised on craft, not gimmicks, and depended on a deliberate rhythm of editing rather than mindless quick cutting.»
Roger Ebert, Chicago Sun-Times.

«Mr. Polanski’s work with his performers is consistently subtle even when the performances seem anything but, which is true of this very fine film from welcome start to finish.»
Manohla Dargis, New York Times.

«A tight, taut, witty and highly theatrical entertainment, shot in shades of wintry gray, that will keep you guessing right through its final fadeout.»
Andrew O'Hehir, Salon.com.

«Shows Polanski in brilliant command of a political thriller that ties you up in knots of tension while zinging politics and showbiz like two sides of the same toxic coin.»
Peter Travers, Rolling Stone.

«A well-made, sleekly retaliatory, pleasurably paranoid tale...»
Lisa Schwarzbaum, Entertainment Weekly.

sábado, outubro 31, 2009

Bruxas, Vampiros, Fantasmas e Monstros


Para celebrar o Dia das Bruxas, nada melhor como a listagem dos dez filmes de terror e/ou horror, acompanhados dos fantásticos trailers concebidos para os mesmos, que marcaram a minha vida.

Assim, e por ordem crescente, os meus favoritos são:

10. AS DIABÓLICAS (1955), de Henri-Georges Clouzot





9. O PROJECTO BLAIR WITCH (1999), de Daniel Myrick e Eduardo Sánchez





8. SUSPIRIA (1977), de Dario Argento





7. PESADELO EM ELM STREET (1984), de Wes Craven





6. CARRIE (1976), de Brian de Palma





5. A PANTERA (1942), de Jacques Tourneur





4. RINGU (1998), de Hideo Nakata





3. ALIEN — O 8º PASSAGEIRO (1979), de Ridley Scott

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2. REPULSA (1965), de Roman Polanski





1. O EXORCISTA (1973), de William Friedkin





sexta-feira, abril 17, 2009

5 Momentos Memoráveis

#4: "IT'S ALL IN YOUR HEAD..."

Representar onirismo num filme será, para muitos realizadores, uma tentação irresistível. É um desafio, uma tarefa exigente do ponto de vista técnico e plenamente satisfatória (para criadores e espectadores) quando o produto final salda-se numa sublime experiência cinematográfica.

Aqui ficam cinco sequências, acompanhas de uma merecida citação honrosa, que exploram os estados mais surrealistas da nossa mente. Umas mais perturbadoras, outras jocosas, todas inesquecíveis.

Menção Honrosa: QUERES SER JOHN MALKOVICH? (1999), de Spike Jonze



Para além da sua fabulosa originalidade, este filme destaca-se pela coragem de John Malkovich, um dos meus actores favoritos e possuidor de versatilidade parcamente vista nos dias que correm, em alinhar nesta auto-paródia da sua figura pessoal e profissional.
O momento em que Malkovich apercebe-se da existência de um "portal" que dá acesso à sua própria mente, proporciona um momento bizarro e prodigioso como poucas vezes o Cinema nos permitiu conhecer.



5. REPULSA (1965), de Roman Polanski



Uma alegoria de horror sobre os medos da sociedade e repressão sexual, Polanski recorreu, nesta obra, a uma miríade de técnicas em que sonhos, imaginação e realidade quotidiana surgem na mesma "dimensão".
Aqui, observamos a vertiginosa ruína psicológica de Carol (Catherine Deneuve), onde tudo e todos são vistos como ameaça. Até as paredes do seu apartamento conseguem ganhar vida...



4. JULIETA DOS ESPÍRITOS (1965), de Federico Fellini



Também recorrendo a um tema mundano - neste caso, a frustração matrimonial - para um eficaz "show" de alucinações em grande ecrã, Fellini utiliza a cor (JULIETA DOS ESPÍRITOS assinala a primeira experiência do cineasta com o Technicolor) e uma extravagante banda sonora de Nino Rota, para compor as visões da protagonista em luta com a sua educação religiosa opressiva e a liberdade que tanto busca.
Fellini admitiu, anos mais tarde, o consumo de LSD durante a preparação das cenas abaixo reproduzidas. Ou a prova de que, por vezes, o brilhantismo surge pelos caminhos mais "suspeitos"...







3. VIAGENS ALUCINANTES (1980), de Ken Russell



As drogas são mesmo uma coisa tramada. E William Hurt, no primeiro filme da sua carreira, sentiu na pele (e, claro, na consciência) os efeitos de uma "trip" mal digerida.
Ken Russell sempre foi um realizador interessado na exploração de estados mentais fora do comum (THE DEVILS ou TOMMY atestam-no), mas em VIAGENS ALUCINANTES essa preferência foi levada ao máximo numa sequência de (permitam-me um apropriado adjectivo relativo a estupefacientes) viciante observação.



2. A QUIMERA DO OURO (1925), de Charles Chaplin



Poucos foram os cineastas, em 100 anos de Cinema, que almejaram bom gosto na concepção de humor acerca dos dramas humanos. Charles Chaplin demonstrou a total posse desta capacidade neste filme, ao "satirizar", sem ofender, as precárias condições de muitos prospectores durante a corrida ao ouro do Alasca, em 1898. A fome (e, no seu panorama mais extremo, o canibalismo) foi um dos aspectos mais dramáticos daquela era.
Quando o Vagabundo é obrigado a partilhar uma cabana, isolada pela neve, com o possante e ameaçador prospector Big Jim, e sem uma grama de comida à vista, tudo pode acontecer: desde o singelo "banquete" de uma bota até às mais estranhas visões de "animais" comestíveis nas montanhas rochosas do Alasca...



1. O FESTIM NU (1991), de David Cronenberg



O complexo livro de William S. Burroughs é, sem dúvida, material feito à medida da visão iconoclasta do mundo de David Cronenberg. Esta união, apelidada por muitos como «made in heaven», saldou-se num filme fascinante, repugnante q.b. e totalmente alucinante.
A Interzone, para onde William Lee (um alter ego do próprio Burroughs) é enviado com a tarefa de compor "relatórios", é um local onde pulula todo o género de criaturas - até uma peculiar máquina de escrever dita as frases mais apropriadas para o trabalho do protagonista. Esta será, provavelmente, a cena mais perturbante entre as que destaco, mas não é um facto que Cronenberg nunca foi um realizador de filmes "confortáveis"?