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quinta-feira, maio 23, 2013

O Cinema dos Anos 2000: Mystic River, de Clint Eastwood




A cidade como que vive e sobrevive na sua quietude e paciência eternas. As pessoas caminham e se cruzam entre si, preenchendo as ruas, o espaço e os vazios da temporalidade. Na sombra está o rio, o Mystic, que corre sem pressas e sem problemas, sistematicamente, qual cenário belo e fixo. Contempla calmamente o panorama citadino e a vida dos intervenientes da sociedade em que se envolve. Circulando e assistindo ao dia-a-dia, o rio é, porventura, a única testemunha de algumas situações e acontecimentos graves ou preponderantes na charneira que por vezes se desenha à sua frente, incauta e despropositadamente. O rio sabe os segredos mais obscuros, mais esquecidos, e portanto, sabe quase sempre mais que nós, transeuntes e meros peões numa malha que por si só se perde e se emaranha na complexidade da vida.

É neste cenário e sobre este prisma que a história deste filme se desenrola. Divide-se, desde logo, em duas — a primeira, na infância e na inocência própria desta fase. As brincadeiras são muitas, as traquinices ainda mais, e, logo, não será de estranhar que um mero encontro despoletará a mais vil recordação e, infelizmente, a fractura decisiva. Acaso ou não, a situação mudará para sempre a vida dos três amigos, os três protagonistas do filme, à data parceiros inseparáveis. Na segunda parte da história, e transportados anos mais tarde, constatamos que a amizade antes inquebrável se situa agora no limiar entre a memória e o simples reconhecimento. A vida concede voltas, e o seu curso toma direcções díspares, pelo que os três amigos, ainda que vivendo sob o mesmo tecto urbano, assumem posturas e profissões sociais distintas. Os cruzamentos pelo bairro e pela vizinhança revelam apenas e só lembranças e (des)apreço mútuo. A reter, por isso, estará nesta fase, e inequivocamente, a família e o quotidiano que se adensa, pelo que a infância reflecte única e exclusivamente uma nostalgia do passado, vivido sob a alçada do bairro e do rio transversalmente atento.

Entretanto, outro acontecimento se dá, e, uma vez mais, o Mystic é testemunha. Evocando certas memórias, é a partir deste ponto que começará então o mistério e o drama profundamente enraizados e escondidos de há muito. A suspeita, o medo e a incerteza modelam o espaço e, sobretudo, o subconsciente. Como se aquele fatídico dia e o acontecimento consequente nunca pudesse cair no total e absoluto esquecimento. De facto, é evidente, certos traumas permanecem e se demarcam, definindo e construindo identidades e amizades socialmente precipitadas, ao ponto de a confiança dar lugar à acusação e ao desrespeito quando é conveniente. É triste, mas no fim de contas verdadeiro e humano, por mais atroz e cruel que isso possa parecer.

No fundo, três amigos, três adultos e três casais formam a estrutura e a evolução do próprio filme (e da própria vida), sem retorno e sem emenda. Particularmente, determinam a história e o drama presente, que entrelaçado na vivência e na actividade de cada um se desenhará segundo os contornos da personalidade e da crença individuais. Nada resiste à mudança e ao tempo, pelo que o crescimento é inevitável, no bom e no mau sentido, e o que antes era duvidoso e desconfortável, agora pode-se revelar certo e determinante. Ou não, quem sabe?! Aqui, apenas o rio, o Mystic, que é o elo entre as recordações e os acontecimentos presentes, é como que a metáfora das alegrias e das mágoas, as quais aparente e temporariamente ficam submersas, mas que face a actuais tragédias regressam à margem e à superfície com uma brutalidade e crueldade inesperadas. Resta o discernimento, a ponderação e a calma, tão difíceis nestes momentos.

Clint Eastwood, apoiado por uma excelente fotografia e por uma grande banda-sonora, filma o drama numa cadência sombria e policial, e com uma contenção e uma intensidade notáveis. Retrata e explora tanto as nuances psicológicas dos seus personagens, quanto a normalidade e a frieza do quotidiano de um bairro, onde todos se conhecem e onde todos estão, intimamente, prontos a apontar o dedo. Travellings sobre o rio acentuam a sua tal presença assídua, os planos fixos, sinceros e solidários com o argumento demonstram uma opção certa, tal como ainda os ligeiros movimentos de câmera denunciam particulares sequências e momentos fracturantes. A título de exemplo, a cena da revelação da morte de uma personagem e da consequente tomada de conhecimento paternal é tremendamente reveladora deste aspecto. Arrepiante. Grande cena, e a propósito, grande Sean Penn.

MYSTIC RIVER se assume assim, qual rio profundo, como um dos mais ocultos e intensos dramas da década transacta. De emoções fortes e com uma densidade e profundidade destacáveis, é nas personagens, as tais seis pessoas (em sublimes interpretações), que verdadeiramente se define, ainda que, e sempre, a contenção e a respiração que Eastwood é capaz de sustentar o abrilhante ainda mais. Por tudo isto, resta-nos somente mergulhar na realidade, por mais cinzenta e violenta que ela seja.

por Jorge Teixeira (Caminho Largo).

Elenco
. Sean Penn (Jimmy Markum), Tim Robbins (Dave Boyle), Kevin Bacon (Detective Sean Devine), Marcia Gay Harden (Celeste Boyle), Laura Linney (Annabeth Markum), Laurence Fishburne (Detective Sergeant Whitey Powers), Tom Guiry (Brendan Harris), Spencer Treat Clark (Ray Jr. "Silent Ray" Harris), Emmy Rossum (Katie Markum)


Palmarés
. Oscars da Academia: Melhor Actor (Sean Penn), Melhor Actor Secundário (Tim Robbins)
. Globos de Ouro: Melhor Actor — Drama (Sean Penn), Melhor Actor Secundário (Tim Robbins)
. Césares: Melhor Filme Estrangeiro (Clint Eastwood)
. Festival de Cannes: Prémio Golden Coach (Clint Eastwood)
. Prémios Sant Jordi: Melhor Filme Estrangeiro (Clint Eastwood)
. Fotogramas de Plata: Melhor Filme Estrangeiro (Clint Eastwood)
. Satellite Awards: Melhor Actor — Drama (Sean Penn), Melhor Argumento Adaptado (Brian Helgeland)
. National Board of Review: Melhor Filme, Melhor Actor (Sean Penn)
. Screen Actors Guild: Melhor Actor Secundário (Tim Robbins)


Sobre Sean Penn

Bad boy, activista social, realizador (O LADO SELVAGEM, 2007) e um dos actores mais proeminentes da sua geração, despontou para as atenções do mundo com o protagonismo em A ÚLTIMA CAMINHADA (1995, Tim Robbins), numa carreira que soma interpretações determinantes para o seu actual estatuto de grande aclamação crítica: PERSEGUIDO PELO PASSADO (1993, de Brian De Palma), A BARREIRA INVISÍVEL (1998, de Terrence Malick), 21 GRAMAS (2003, de Alejandro González Iñárritu) e MILK (2008, de Gus Van Sant, pelo qual recebeu o segundo Oscar da Academia) são alguns dos títulos que o demarcou dos seus pares.



sexta-feira, janeiro 11, 2013

Hollywood Buzz #193

O que se diz lá fora sobre GANGSTER SQUAD, de Ruben Fleischer:



«To be fair, this tawdry dose of pulp fiction ("inspired by real events") is not a complete waste of time. It offers the marginal pleasure of an all-star cast slumming their way through a thicket of routine plotting, almost laughable dialogue and the constant blaze of tommy guns.»
Roger Ebert, Chicago Sun-Times.

«Too self-serious to succeed as pastiche, it has no reason for being beyond the parasitic urge to feed on the memories of other, better movies.»
A.O. Scott, The New York Times.

«The cops play things as dirty as the crooks in GANGSTER SQUAD, an impressively pulpy underworld-plunger that embellishes on a 1949 showdown between a dedicated team of LAPD officers and Mob-connected Mickey Cohen (Sean Penn) for control of the city.»
Peter Debruge, Variety.

«Made up of synthetics rather than whole cloth, this lurid concoction superficially gets by thanks to a strong cast and jazzy period detail, but its cartoonish contrivances fail to convince and lack any of the depth, feeling or atmosphere of genre stand-bearers like L.A. CONFIDENTIAL.»
Todd McCarthy, The Hollywood Reporter.

«Brolin and Gosling are both supposed to be playing World War II veterans who bring their knowledge of battle into the tough turf of the streets, but that's just a concept that the sketchy, half-baked script tosses out there.»
Owen Gleiberman, Entertainment Weekly.

sábado, novembro 10, 2012

quinta-feira, maio 05, 2011

#9



... segundo a opinião do Roberto Simões, do blog Cineroad — A Estrada do Cinema:

1. TRILOGIA O SENHOR DOS ANÉIS
(2001, 2002 e 2003, The Lord of the Rings, Peter Jackson)



2. CLUBE DE COMBATE
(1999, Fight Club, David Fincher)



3. THE FOUNTAIN — O ÚLTIMO CAPÍTULO
(2006, The Fountain, Darren Aronofsky)



4. TITANIC
(1997, Titanic, James Cameron)



5. UM SONHO ENCANTADO
(2006, The Fall, Tarsem Singh)



6. O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE
(2001, Le fabuleux Destin d'Amélie Poulain, Jean-Pierre Jeunet)



7. 2001: ODISSEIA NO ESPAÇO
(1968, 2001: A Space Odyssey, Stanley Kubrick)



8. O LADO SELVAGEM
(2007, Into the Wild, Sean Penn)



9. MAGNÓLIA
(1999, Magnolia, Paul Thomas Anderson)



10. REINO DOS CÉUS — VERSÃO DO REALIZADOR
(2005, Kingdom of Heaven, Ridley Scott)



--//--

Obrigado, Roberto, pela tua participação!

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Antestreia da Semana



O primeiro trailer do muito aguardado (e muito adiado) novo filme de Terrence Malick, THE TREE OF LIFE, já está disponível na Internet.

O filme narra a história de um rapaz criado pelos pais (Brad Pitt e Jessica Chastain) numa pequena cidade no interior dos EUA durante os anos 50. Sean Penn interpreta o jovem que, em adulto, ainda procura reconciliar-se com o passado.



Pelas primeiras imagens, prevê-se uma obra que continua o estilo formal explanado por Malick em A BARREIRA INVISÍVEL (1998) e O NOVO MUNDO (2005): uma fotografia de tirar a respiração, os monólogos interiores das personagens e a contínua reflexão existencialista.

A estreia de THE TREE OF LIFE está prevista, nos EUA, para 27 de Maio, existindo a hipótese de conhecer exibição no próximo Festival de Berlim ou em Cannes.

quinta-feira, maio 20, 2010

Festival de Cannes 2010 — Dia 9



O único título norte-americano em Competição, FAIR GAME, de Doug Liman, baseia-se no caso verdadeiro de Valerie Plame, uma ex-operacional da CIA que, em 2005, viu a sua "identidade secreta" exposta publicamente numa retaliação, por parte da Administração Bush, ao artigo do New York Times, assinado pelo marido de Plame, que denunciava a negligência norte-americana face ao tráfico de urânio entre a Nigéria e o Iraque:



Numa sessão "acidentada" (constatou-se, poucos minutos antes da projecção, a inexistência de legendagem em francês do filme, o que enraiveceu alguns espectadores), Liman apresentou um filme no mesmo estilo hiper-cinético que caracterizou IDENTIDADE DESCONHECIDA (2002), cujos «contornos políticos são de acessível compreensão» e muito apoiado na química entre o duo protagonista, Sean Penn (ausente da Croisette por motivos pessoais) e Naomi Watts. A actriz australiana, na conferência de imprensa, confessou ter sido importante «compreender quem é Valerie Plame. Embora conhecesse a sua história, necessitava de pesquisar mais e de contactá-la. Trocamos e-mails, jantamos juntas, e consegui perceber que esta extraordinária mulher ainda guarda muitos segredos. Apesar de delicada e feminina, possui um lado negro na sua personalidade».

Naomi Watts, 'pretty in pink'

A equipa (quase completa) de FAIR GAME

De modo a realçar o esforço que tem sido efectuado, nos últimos anos, na restauração de clássicos mundiais da Sétima Arte, a organização do 63º Festival de Cannes levou a cabo uma programação especial apropriadamente baptizada de «Cannes Classics». E hoje assinalou-se o término desta secção que desde dia 13, e entre outros títulos, passou:

LA BATAILLE DU RAIL, de René Clément, Prémio do Júri em 1946.


BOUDU QUERIDO, de Jean Renoir.


TRISTANA, de Luis Buñuel.


O LEOPARDO, de Luchino Visconti, Palma de Ouro em 1963.


O TAMBOR, de Volker Schlöndorff, Palma de Ouro em 1979.


LA 317E SECTION, de Pierre Schoendoerffer, Melhor Argumento em 1965.


A RAINHA AFRICANA, de John Huston.


PSICO, de Alfred Hitchcock.


O BEIJO DA MULHER-ARANHA, de Hector Babenco, Melhor Actor (William Hurt) em 1985.


segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Oscares 2008 Live Coverage #16

A Academia entrega o Óscar de Melhor Actor Principal a



Sean Penn, por MILK! Até senti um arrepio de surpresa!

quinta-feira, março 20, 2008

Estreia da Semana



Sean Penn, para além de ser um dos principais actores da sua geração, tem demonstrado uma interessante sensibilidade enquanto realizador. A prová-lo, temos obras como UNIÃO DE SANGUE (1991) ou ACERTO FINAL, dois filmes de cariz independente mas repletos de pormenores capazes de agarrar cinéfilos de todos os calibres.

Esta semana, o destaque de estreias vai para a mais recente película de Sean Penn: O LADO SELVAGEM é o relato da história verídica de Christopher McCandless que, apesar do seu futuro brilhante enquanto estudante e atleta, decide embarcar numa "odisseia" pelas planícies agrestes e geladas do Alasca, num exercício espiritual para fugir de todo o mal e ódio da cultura ocidental.

Sobrevivência e existencialismo andam de mãos dadas neste O LADO SELVAGEM, um filme que gerou a unanimidade de críticas positivas por onde estreou. Destaque, igualmente, para a interpretação de Emile Hirsch, jovem actor que vai despontar para o sucesso global com o eminente SPEED RACER.



Em exibição na Sala 1 do Cine Sol-Mar.