A primeira sequência de um filme não só enceta o tom da narrativa, como tem proporcionado algumas das imagens mais criativas e inesquecíveis da Sétima Arte.
Partilho convosco seis convincentes exemplos de como se cativa, em poucos minutos, o espectador para uma película inteira.
Antes de arrecadar prémios atrás de prémios com as emoções de um milionário oriundo dos bairros de lata indianos, Danny Boyle começou a dar nas vistas com duas histórias sobre as peculiaridades dos subúrbios de Edimburgo: PEQUENOS CRIMES ENTRE AMIGOS (1994) e este TRAINSPOTTING. Irreverente e criativo, é um filme que nos tira o fôlego pelo seu humor negro e drama implacável. E o seu início constitui o tónico perfeito para o que TRAINSPOTTING nos proporciona durante hora e meia.
Ninguém é tão eficaz a criar ambientes opressivos como David Lynch. Nesta que é considerada, por muitos, como a sua «obra maior», o realizador transporta-nos da visão idílica de uma pequena cidade onde abunda o providencialismo e o belo american way of life para o pesadelo de violência e destruição que se desenvolve "debaixo dos nossos pés" — uma metáfora para o submundo perverso e sujo que o protagonista Jeffrey Beaumont (Kyle MacLachlan) irá enfrentar...
Enquanto escutamos 'Music for the Funeral of Queen Mary' interpretado num sintetizador, o protagonista Alex debita um dos monólogos iniciais mais famosos do Cinema: «There was me, that is Alex, and my three droogs, that is Pete, Georgie, and Dim, and we sat in the Korova Milkbar trying to make up our rassoodocks what to do with the evening. The Korova milkbar sold milk-plus, milk plus vellocet or synthemesc or drencrom, which is what we were drinking. This would sharpen you up and make you ready for a bit of the old ultra-violence».
Em apenas seis minutos, somos brindados com todos os traços que elevaram Sergio Leone ao estatuto de "mestre" do Western Spaghetti: o ritmo ditado pelos efeitos sonoros, close-ups intensos, a aridez dos cenários e "desperados" no cerne da narrativa. Um crescendo de tensão que culmina no mais repentino e arrebatador tiroteio.
Um dos filmes de culto mais célebres dos anos 60, os seus constantes double entendres de natureza sexual são "lançados" ao espectador logo no genérico, onde Jane Fonda (catapultada para o estatuto de sex symbol com este filme) despe o fato espacial num ambiente de gravidade zero e as letras ocultam, furtivamente, a sua nudez. Um exemplo clássico da união entre humor e erotismo.
Quando o realizador mais famoso do mundo se afasta da mágica e confortável fantasia que caracteriza a maioria dos seus filmes, o resultado é uma fulgurante abordagem ao realismo mais cruel e detalhado que se pode imaginar. A LISTA DE SCHINDLER (1993) foi o primeiro passo, mas poucos anteveriam o pesadelo que Spielberg proporcionaria quando decidiu recriar, com exactidão histórica, a invasão da Normandia pelas tropas norte-americanas...
Keyzer Soze é um personagem do filme de 1995, OS SUSPEITOS DO COSTUME.
Soze era o líder de uma secreta organização criminosa; a sua impiedosa personalidade e obscura influência granjeou-lhe um estatuto quase mítico entre agentes da lei e gangsters.
O seu papel no supreendente twist final do filme tornou-se num dos ícones da cultura popular dos anos 90.