Se fazer uma lista é sempre complicado, escolher os 10 filmes da nossa vida é ainda mais difícil, é como escolher o nosso filho preferido. Esta lista, como todas as listas, está incompleta e não numerada e não espelha verdadeiramente os meus 10 filmes preferidos, porque isso são coisas que mudam diariamente. Depende de tantos factores que é impossível ser uma verdade absoluta. Escolhi aqueles que numa altura ou outra me surpreenderam e fizeram repensar as minhas prioridades cinematográficas.
. O FESTIM NU (1991, Naked Lunch, David Cronenberg)
Quando o vi pela primeira vez era jovem (e inexperiente) e a minha noção de cinema ainda rodava em volta de Hollywood. Com Naked Lunch percebi que havia muito cinema além daquele que nos é imposto. Basta procurar em vez de ser procurado.
. CLERKS (1994, Clerks, Kevin Smith)
Talvez o meu filme preferido. Devaneio ultra-low-budget com aquele que considero o melhor guião de sempre.
Quem ler a sinopse deste filme percebe imediatamente que, para o bem ou para o mal, tem que o ver. Extravagância coreana de um realizador que pinta com luz.
. 2001: ODISSEIA NO ESPAÇO (1968, 2001: A Space Odyssey, Stanley Kubrick)
Meu Deus, 2001. It’s full of stars. Uma vez por ano, pelo menos, tem que ser revisto.
. OS TENENBAUMS — UMA COMÉDIA GENIAL (2001, The Royal Tenenbaums, Wes Anderson)
Um dos melhores realizadores de sempre, o rei da estética e da câmara fixa. De entre todos os seus geniais filmes, este é o melhor.
. O HERÓI DO ANO 2000 + BANANAS (1973, Sleeper + 1971, Bananas, Woody Allen)
Não consigo fazer uma lista destas sem inserir Woody Allen. Gosto de todos, melhores ou menores, adoro! Prefiro a fase inicial, mas não desgosto das outras. Os meus preferidos terão mesmo que ser Sleeper e Bananas, curiosamente suas obras mais Slapstick. O que querem que vos diga? Sou um eterno parolo.
De fora fica tanta coisa que será certamente incluída na segunda volta quando o Samuel propuser a lista "10 filmes que te esqueceste aquando da elaboração da primeira lista de 10 filmes da tua vida".
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Obrigado, Pedro, pela tua participação! E a tua sugestão será devidamente ponderada :)
Antes de passar a esta "embaraçosa" listagem two-in-one (uma estreia na rubrica dos 'Momentos Memoráveis'), é preciso compreender a definição de 'guilty pleasure' em Cinema: basicamente, são aqueles títulos detentores de um lugar especial no nosso "coração cinéfilo" mas que, pela fraca recepção crítica e pública que obtiveram ou pelos seus inferiores valores artísticos (à luz dos critérios que elevam um filme à controversa denominação «de qualidade»), dificilmente admitimos essa afeição junto de outrem.
Assim, aos leitores deste blogue me confesso e partilho cenas memoráveis dos cinco (e adequada menção honrosa) 'guilty pleasures' da minha vida:
Menção Honrosa:VANILLA SKY (2001), de Cameron Crowe
Se o conceito de um remake de ABRE LOS OJOS (1997, Alejandro Amenabar) não fosse afronta suficiente, reproduzir uma das obras europeias de ficção científica mais geniais dos anos 90 com Tom Cruise, Cameron Diaz e Penélope Cruz (reencarnando exactamente o mesmo papel que desempenhara no título original) e inundá-la de referências culturais Pop norte-americanas foi a gota de água para a crítica especializada, que não tardou em arrasar este VANILLA SKY aquando da sua estreia. Até o público o abominou — lembro-me bem da ruidosa desilusão demonstrada pelos espectadores que estavam comigo na sala quando vi o filme...
Mas VANILLA SKY suscitou em mim um enorme parecer positivo. Não só fui revê-lo no dia seguinte, como adquiri tanto a respectiva banda sonora e o VHS que preservei até aos dias de hoje. Não senti qualquer pena do público nem da crítica que esperavam mais desta obra de Cameron Crowe (afinal de contas, o cineasta ainda desfrutava do sucesso, no ano anterior, de QUASE FAMOSOS), como também "censurei" a premeditação de que um filme com este elenco só poderia ser uma comédia romântica e pouco exigente para células cinzentas humanas.
E a sequência abaixo destacada, extraída dos primeiros minutos do filme, constitui um dos melhores indicadores por mim observados de que VANILLA SKY iria "romper" com uma ou outra norma de comédias românticas...
Outro remake a figurar nesta lista, O ÚLTIMO A CAIR é vagamente baseado no clássico YOJIMBO, O INVENCÍVEL de Akira Kurosawa (que já havia sido reinterpretado por Sergio Leone em POR UM PUNHADO DE DÓLARES). Enquanto que a história original abordava temáticas como a honra e a paz, Walter Hill apostou num 'western do puro e do duro', ofegantemente dominado pela poeira tórrida do deserto norte-americano e a apatia expressiva de Bruce Willis no papel de um solitário que decide, pelo mero prazer de sentir a combustão da pólvora em revólveres, terminar com a luta entre os grupos rivais que avassala a cidade texana de Jericho.
A acção é súbita, explosiva, violenta e quase caricata — uma visão típica dos westerns produzidos nos anos 90 e são exemplos disso RÁPIDA E MORTAL (1995, Sam Raimi) ou HOMEM MORTO (1995, Jim Jarmusch) — e a sequência que destaco de O ÚLTIMO A CAIR demonstra essas características. Se somarmos que o vilão principal é interpretado por Christopher Walken (nenhum actor consegue entrar tão facilmente em "modo automático" de antagonia como ele), estão reunidas todas as condições para um dos 'guilty pleasures' que revejo com mais frequência e admito, muitas vezes, encará-lo como uma referência para o renascimento contemporâneo do género «Oeste Selvagem».
Antes de Terry Gilliam conceber a sua adaptação ao grande ecrã, já eu conhecia e prezava o livro de Hunter S. Thompson, considerando-o como uma daquelas obras totalmente "infilmáveis". Pois bem, o ex-Monty Python provou o contrário ao escolher Johnny Depp (Raoul Duke, um caricatural sósia do romancista) e Benicio Del Toro (no papel de Dr. Gonzo, o inflado advogado do protagonista) para conceber uma das películas mais curiosas e representativas sobre acid trips e excessos característicos de Las Vegas.
DELÍRIO EM LAS VEGAS é inteiramente filmado no estilo que a sequência abaixo demonstra: constantes e surpreendentes representações de alucinações e esquizofrénicos close-ups registados com lentes angulares transformam as personagens em desenhos animados, transmitindo-nos a sensação de que a película decorre num País das Maravilhas adequado para "Alices" sem pavor de caírem na toca do coelho. Para além disso, o filme é povoado pelo mais interessante elenco de cameos de que há memória, com fugazes aparições de Tobey Maguire, Gary Busey, Ellen Barkin, Christina Ricci, Cameron Diaz, Harry Dean Stanton e o próprio Hunter S. Thompson.
No final, tanto o livro como o filme parecem ser uvas da mesma casta...
Antes de qualquer consideração, atentemos ao estado da carreira de Demi Moore na época em que G.I. JANE — ATÉ AO LIMITE estreou. Era a actriz mais bem paga e rainha da controvérsia de Hollywood. "Fresca" do sucesso e (sobretudo) polémica que STRIPTEASE gerara, Moore embarcou neste drama militar, sobre as hipóteses do factor girl power no seio do universo machista dos Fuzileiros norte-americanos, disposta a tudo: rapou o cabelo (acto que lhe "engordou" o salário), aumentou a sua musculatura e vociferou algumas das linhas de diálogo mais improváveis para uma actriz do seu estatuto — sendo "Master Chief... suck my dick!" a mais infame de todas.
Mas G.I. JANE — ATÉ AO LIMITE não é um 'guilty pleasure' apenas pela presença de Demi Moore. Ridley Scott aposta sempre muito no visual dos seus filmes, tornando-os atraentes até para os tecnicamente mais leigos, e o filme demonstrou a emergência do talento de um actor escandinavo-americano chamado Viggo Mortensen, que viria a afirmar-se na trilogia de Peter Jackson O SENHOR DOS ANÉIS (2001, 2002 e 2003). Encarnando o sargento de instrução mais duro desde NASCIDO PARA MATAR (1987, Stanley Kubrick), a sua primeira aparição não se consubstancia num chorrilho de humilhantes agressões verbais aos recrutas, mas através da declamação de um dos poemas mais tocantes sobre a fragilidade da natureza humana alguma vez escritos. É essa sequência que agora destaco.
(O poema é de D.H. Lawrence e reza assim: "I never saw a wild thing sorry for itself. A bird will fall frozen dead from a bough without ever having felt sorry for itself.")
Dos filmes cujos percursos ficaram imediatamente afectados pelo 11 de Setembro de 2001, OPERAÇÃO SWORDFISH foi o que mais "danos colaterais" registou. A seu favor, tinha produção de Joel Silver, "mago" das super-produções de Hollywood, um elenco de alto calibre (John Travolta, Hugh Jackman, Don Cheadle e, sobretudo, Halle Berry a ocupar a vaga de femme fatale com pouca ou nenhuma roupa), diálogos que podiam muito bem ter sido dactilografados por Quentin Tarantino e sequências de acção quase "orgiásticas" nos seus índices de devastação urbana.
Com todos estes ingredientes, o que poderia falhar? Obviamente, o contexto temporal da sua estreia não foi o mais favorável à sugestão de planos ultra-secretos para derrubar estados que acolhem terroristas como refugiados políticos ou visões de prédios a explodir com contornos demasiado semelhantes aos observados nas Torres Gémeas em 2001 — como resultado, OPERAÇÃO SWORDFISH "desapareceu" rapidamente de circulação. Deste modo, privou-se uma franja considerável de espectadores de um dos actioners que mais empreendeu na difícil tarefa de aliar um argumento coerente com a pura adrenalina ilógica das suas sequências de acção.
E esses mesmos espectadores não puderam escutar a personagem de John Travolta, logo nos minutos iniciais, queixando-se da ausência de realismo que caracteriza a maioria do cinema mainstream norte-americano. Um monólogo que, neste contexto, reveste-se de fabulosa ironia e é o principal factor para a sua classificação de 'guilty pleasure' pessoal.
Ridicularizado, menosprezado e esquecido até à medula: foi este o saldo de O ÚLTIMO GRANDE HERÓI aquando da sua estreia e estes sinónimos tornaram-se num rótulo do qual o filme nunca se descolou. Contudo, foi conquistando, ao longo dos anos, um considerável número de fãs (incluindo eu) que se rendeu às suas cenas memoráveis e desenfreado sentido de auto-ironia. Arnold Schwarzenegger troçando da sua própria imagem? O Cinema de grande orçamento made in Hollywood a fazer pouco de si mesmo? A propositada abundância de clichés narrativos e erros de continuidade de uma ponta à outra do filme? Não serão motivos suficientes para se encarar O ÚLTIMO GRANDE HERÓI como algo de único e especial?
Tendo em conta a quantidade de produções menores que, actualmente, obtêm sucesso imediato sem reservas, continua a espantar-me o falhanço crítico e comercial deste filme. Com John McTierman, um dos melhores realizadores de acção (CAÇA AO OUTUBRO VERMELHO, 1990), ao leme das operações, uma irrepreensível interpretação de Charles Dance e Ian McKellen a surgir num divertido cameo como a personagem da Morte de O SÉTIMO SELO (1957, Ingmar Bergman) que emerge literalmente do ecrã de uma sala de cinema, poderia ocupar todo este espaço com as razões para admirar O ÚLTIMO GRANDE HERÓI.
Mas o seu ponto alto é, sem dúvida, a visão do actual Governador da Califórnia, na imaginação do jovem protagonista Danny Madigan (Austin O'Brien), encarnando Hamlet numa adaptação cinematográfica bastante "livre" do clássico texto de William Shakespeare. Poderia ver e rever esta sequência vezes sem conta e nunca me cansar daquele lacónico "Not to be!" que Schwarzenegger murmura antes de acender outro charuto...
Oito anos depois de ter arrecadado o Grande Prémio do Júri com INTERVENÇÃO DIVINA, o palestiniano Elia Suleiman regressa a Cannes com o semi-biográfico THE TIME THAT REMAINS, uma história familiar que "debate" a criação do estado de Israel, desde 1948 até aos nossos dias.
Habitualmente comparado com Jacques Tati ou Buster Keaton (e alguma imprensa portuguesa retomou, hoje mesmo, esse pressuposto), Suleiman é também referido como um 'cineasta político', estatuto que o próprio não ocultou durante a conferência de imprensa. «THE TIME THAT REMAINS fala do estado actual do mundo, não de uma perspectiva política per se, mas através dum ponto de vista muito pessoal». Quanto à crítica, está rendida à qualidade do filme.
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Depois da polémica que Lars Von Trier criou, no passado Domingo, com ANTICHRIST, hoje foi a vez de outro enfant terrible entrar em acção. ENTER THE VOID assinala o reencontro de Cannes com Gaspar Noé, autor do 'infame' IRREVERSÍVEL, o filme-choque de 2002 e que, segundo rezam as crónicas, provocou uma debandada de espectadores aquando da sua projecção no certame daquele ano.
E não é desta que Noé apazigua a (má) imagem que detém em Cannes: ENTER THE VOID "arrasta-se" em 163 minutos de imagética psicotrópica e chocante, totalmente adequada para os fãs acérrimos do cineasta mas de complicada comercialização. O franco-argentino, durante a conferência de imprensa, não se intimidou pelas reacções adversas, explicando a natureza das condições em que trabalhou: «Desde que não ultrapassasse o orçamento definido, encorajaram-me a fazer o filme mais estranho que conseguisse. Esse género de incentivo é do mais excitante que há!»
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Uma romântica homenagem à arte do "faz-de-conta", THE IMAGINARIUM OF DOCTOR PARNASSUS é a mais recente amostra da imaginação delirante de Terry Gilliam. Com um elenco all-star (Heath Ledger, Johnny Depp, Christopher Plummer, Colin Farrell, Jude Law, Tom Waits,...), é um título merecedor da expectativa que tem criado.
Sobretudo, porque não havia mesmo volta a dar: THE IMAGINARIUM OF DOCTOR PARNASSUS, exibido fora de competição, chegou a este Festival de Cannes rotulado como "o" filme em que Heath Ledger trabalhava aquando do seu falecimento. E de tal marca não escapou. Para mais, o argumento suscitou confusão na plateia e desagradou a crítica, que chegou a descrever o filme como «uma fraca despedida do estimado actor». Aos jornalistas, inevitavelmente, Gilliam recordou a experiência de trabalhar com Ledger: «É uma obra de tom positivo, uma celebração a Heath».
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O principal representante lusitano em Cannes, MORRER COMO UM HOMEM, foi exibido hoje no âmbito da secção Un Certain Regard.
O filme de João Pedro Rodrigues (o qual já foi galardoado pelo júri de Cannes, com uma menção especial por ODETE) conta a história de Tonia, um travesti lisboeta, que abandonou a sua identidade dupla e iniciou uma série de intervenções de cirurgia plástica que o transformaram numa mulher.
Foram apresentados hoje de manhã, em conferência de imprensa, os títulos que marcarão a 62ª edição do Festival de Cannes.
Convido-vos à análise mais profunda da programação, dividida pelas respectivas secções em que os filmes estão inscritos. Os vencedores só serão conhecidos no dia 24 de Maio mas, até lá, há a certeza de que qualidade não estará ausente do certame:
Filmado ao estilo film noir dos anos 50, o novo filme de Almodóvar é narrado por Lluís Omar, um homem que escreve, vive e ama na obscuridade, sofrendo ainda com a morte de Lena (Penélope Cruz), a mulher da sua vida, num brutal acidente de viação há catorze anos atrás.
Drama baseado na relação amorosa entre o poeta inglês John Keats (Ben Whishaw) e Fanny Brawne, interrompida abruptamente pelo falecimento de Keats aos 25 anos. O regresso de Jane Campion (vencedora da Palma de Ouro, em 1993, por O PIANO) aos filmes situados no Séc. XIX.
Em 1913, estranhos acontecimentos têm perturbado a vida quotidiana de uma escola rural na Alemanha, no que aparenta ser um sistema de punição ritual. De que forma estes acontecimentos prejudicarão a existência daquela comunidade? Haneke e os seus "territórios perigosos" regressam a Cannes.
Baseado numa autobiografia de James Schamus (que também assina o argumento), é a história de Elliot Tiber (Demetri Martin), um aspirante a designer de interiores que se debate com a sua homossexualidade escondida e dependência de drogas durante o mais famoso festival musical dos anos 60. Ang Lee coloca, uma vez mais, a sua versatilidade à prova do mundo cinéfilo.
Um adepto fervoroso de futebol (Matthew McNulty) procura sair das crises que afectam a sua vida. Entre as várias ajudas que se lhe deparam, é brindado pelo life coaching do filosófico ex-futebolista Eric Cantona. Uma sinopse que adivinha um projecto de curiosa natureza.
A história de Oscar que, após a morte brutal dos seus pais, promete à irmã mais nova que nunca a abandonará. Embora pouco tenha sido divulgado, a reputação de Gaspar Noé (IRREVERSÍVEL) nunca augura películas de simples visualização.
Uma experiência médica desastrosa transforma um padre (Song Kang-ho) num vampiro. Convicto em não sucumbir às exigências "nutricionais", começa a roubar sangue para transfusões e, apesar de inibido de sensações humanas, apaixona-se por Tae-ju (Kim Ok-bin), uma mulher infeliz com a sua própria vida.
Na França ocupada pelas tropas nazis, durante a Segunda Guerra Mundial, o Tenente Aldo Raine (Brad Pitt) organiza uma milícia de soldados judeus motivados por um desejo de retribuição da violência racial praticada pela Alemanha.
Um assassino profissional Francês (Johnny Hallyday) viaja para Hong Kong para vingar o homicídio da sua família. Para tal, assume o disfarce de um chef de culinária.
Um casal (Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg) decide recuperar da morte do filho numa cabana localizada nas profundezas de uma floresta. Aí, descobrem que Satanás ganhou forma e controla o Mundo. As primeiras imagens comprovam a expectativa que rodeia este filme, sendo o terror psicológico — em todas as suas formas — um dos talentos mais visíveis de Lars Von Trier.
Anteriormente denominado Push: Based on the Novel by Sapphire, é já um dos fenómenos cinematográficos de 2009. Vencedor do Grande Prémio do Júri no último Festival de Sundance, é um retrato social de uma adolescente que reside em Harlem.
Denunciado, sob argumentos falsos, de um crime que não cometeu, uma mãe (Bin Won) recorrerá a todos os meios para provar a inocência do próprio filho (Ku Jin). Um novo desafio proporcionado pelo realizador de THE HOST — A CRIATURA.
Situado nos anos 80, retrata as angústias da adolescente Filipa (Laura Leto) que viaja para uma estância balnear com os seus pais (Vincent Cassel e Débora Bloch), cujo casamento está em plena destruição. Neste cenário, Filipa descobre questões como a infidelidade, a intolerância e a morte.
Assinalando a presença portuguesa mais sonante da presente edição, conta a história de Tonia, um travesti lisboeta, que abandonou a sua identidade dupla e iniciou uma série de intervenções de cirurgia plástica que a transformaram, socialmente, numa mulher.
Carl Fredricksen (Edward Asner), um reformado vendedor de balões com 78 anos, decide cumprir o sonho da malograda esposa em conhecer a América do Sul. Equipando a sua própria casa com inúmeros balões, transforma-a num objecto de voo controlado. Mas Carl terá a companhia inesperada de Russell, um bonacheirão escuteiro de 8 anos...
Épico histórico centrado na relação da astróloga Hipátia de Alexandria ( Rachel Weisz) com o seu escravo Davus (Max Minghella), o qual divide-se entre o amor que nutre pela sua amante e a liberdade que o crescente movimento do Cristianismo poderá conceder-lhe.
O Doutor Parnassus (Christopher Plummer), indivíduo imortal que conta 1000 anos de existência, lidera um grupo itinerante de artistas de teatro que oferece ao seu público a possibilidade de viajar através de um espelho mágico. Um filme em destaque por tratar-se do último trabalho de Heath Ledger.
Quando Christine (Alison Lohman) desaprova a extensão de um benefício (como forma de provar ao seu superior que é capaz de tomar decisões delicadas) a uma cliente idosa, a furiosa decana roga-lhe uma maldição que ameaça a jovem profissional de seguros a um destino eterno no Inferno. Sam Raimi despega-se do franchising HOMEM-ARANHA e regressa às ambiências de terror que o celebrizou.
Paris, 1913. Coco Chanel (Anna Mouglalis) deixa-se seduzir pelo ballet «A Sagração da Primavera», de Igor Stravinsky (Mads Mikkelsen) e logo nasce uma relação dominada pela moda, música e paixão. Primeiro biopic de 2009 sobre a estilista francesa, estando já preparado COCO AVANT CHANEL, protagonizado por Audrey Tautou.
N.B.: A lista detalhada dos filmes a exibir em Cannes pode ser consultada aqui.
2009 fica, desde já, marcado pelo desaparecimento de Maurice Jarre, um dos mais prolíferos compositores de Hollywood e pai do músico Jean-Michel Jarre. Entre os seus trabalhos mais reconhecidos, para além de LAWRENCE DA ARÁBIA (que abaixo destaco), foi responsável, entre outros, pela música de DR. JIVAGO e GHOST - O ESPÍRITO DO AMOR. Tinha 85 anos.
Cannes 2009 - façam as vossas apostas:
Certo que a antestreia mundial de INGLORIOUS BASTERDS (a Variety confirma-o), de Quentin Tarantino, decorrerá na próxima edição do Festival de Cannes, são várias as especulações acerca de outros títulos a serem exibidos durante o certame.
Keyzer Soze é um personagem do filme de 1995, OS SUSPEITOS DO COSTUME.
Soze era o líder de uma secreta organização criminosa; a sua impiedosa personalidade e obscura influência granjeou-lhe um estatuto quase mítico entre agentes da lei e gangsters.
O seu papel no supreendente twist final do filme tornou-se num dos ícones da cultura popular dos anos 90.