quinta-feira, janeiro 15, 2009

Ricardo Montalban (1920 - 2009)



Soube, há poucos minutos, do falecimento deste actor com prolífera carreira em televisão (com destaque para a sua participação na série A ILHA DA AVENTURA) e que conheceu um ressurgimento público na Sétima Arte, durante os anos 80, com interessantes papéis em títulos como STAR TREK II: A IRA DE KHAN (1982) ou ONDE PÁRA A POLÍCIA? (1988).

O seu desaparecimento poderá contribuir para uma futura e necessária retrospectiva da sua extensa mas, para muitos, desconhecida carreira.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

O que é feito do sucesso de...

Philip Kaufman?



A carreira do cineasta Philip Kaufman preenche quatro décadas, composta por 12 longas-metragens e algum trabalho como argumentista em projectos de grande orçamento (por exemplo, foi ele quem engendrou o plot point de OS SALTEADORES DA ARCA PERDIDA).

No entanto, e apesar de nunca ter visto GOLDSTEIN (1965), a obra de estreia deste realizador nascido em Chicago e pela qual foi galardoado com um Prémio da Crítica em Cannes, nutro a "humilde" opinião de que o auge da sua criatividade se resume a três filmes, curiosamente estreados sequencialmente:

OS ELEITOS (1983)


Adaptado do épico histórico, sobre os primórdios da conquista do Espaço, por Tom Wolfe, debruça-se sobre a vida e obra dos homens cuja coragem permitiu esse grande feito da Humanidade. Nomeadamente, Chuck Yeager (interpretado por Sam Shepard), o primeiro indivíduo a voar mais rápido que o som, e os sete membros do Programa Mercury.



Kaufman alcança em OS ELEITOS uma corrente de feitos que, em mais de cem anos de Sétima Arte, poucos conseguiram repetir: construir um filme de três horas que decorre num ápice; dar uma lição de História sem nos apercebermos disso; e conceber algumas das sequências mais icónicas e plagiadas de sempre: a marcha, em câmara lenta, dos primeiros sete astronautas norte-americanos.

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER (1988)


Um dos meus filmes de eleição da década de 80, Kaufman constrói uma narrativa psicologicamente delicada e de leve erotismo a partir de um romance considerado por muitos, incluindo o próprio Milan Kundera, como "infilmável". Aliado à profundidade das interpretações do trio de protagonistas (Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin) e com a magnífica direcção de fotografia assumida por Sven Nykvist (um colaborador regular de Ingmar Bergman e Woody Allen), este é um épico íntimo repleto de sagacidade e irrepreensível emoção.



A sensualidade aplicada por Kaufman a esta história de amor em tempos políticos conturbados - nomeadamente, a repressão soviética ao movimento que ficou conhecido como Primavera de Praga - serviu, sem dúvida, de tubo de ensaio ao estilo aplicado no seu filme seguinte...

HENRY & JUNE (1990)


Vagamente adaptado do diário da francesa Anaïs Nin, esta será, sem dúvida, a obra mais polémica na filmografia de Kaufman.



Para além do franco e directo erotismo de HENRY & JUNE, o seu conteúdo foi severamente criticado pela representação da própria Anaïs (encarnada pela "nossa" Maria de Medeiros), com direito a carta publicada no New York Times! Apesar disso, é impossível não ficarmos subjugados pelo ritmo intenso e metafórico de um triângulo amoroso enquadrado pela delicada paleta de Philippe Rousselot garantem uma experiência cinematográfica única.

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Desde então, Kaufman só voltou a aproximar-se da qualidade dos três projectos acima mencionados em QUILLS - AS PENAS DO DESEJO (2000), um jocoso e satírico retrato da vida do Marquês de Sade (interpretado por Geoffrey Rush, nomeado ao Óscar por este desempenho), que arrancou boas interpretações de Kate Winslet e Michael Caine.

Nos últimos tempos, o realizador "perdeu-se" numa tentativa de thriller policial chamado TWISTED - HOMICÍDIOS OCULTOS (2003), com Andy Garcia, Ashley Judd e Samuel L. Jackson e tem planeada a estreia, para o presente ano, de INTERRUPTED, um biopic do cineasta Nicholas Ray.

Eu sei que o talento reside em Philip Kaufman. Resta descobrir se o cineasta conseguirá retomar a qualidade que caracterizou uma parte significativa da sua carreira...

Ainda sobre o aniversário do Keyzer Soze's Place...

... não posso deixar de partilhar convosco este "presente" que recebi do Additional Camera:



O bolo de aniversário, com as devidas cinco velinhas...

Obrigado, Filipe! A Marylin ficou linda!

Globos de Ouro 2008: vencedores e conclusões

Não me recordo de uma noite tão surpreendente e electrizante em matéria de entrega de Globos de Ouro: vencedores inesperados, momentos de comoção, insólitos derrotados e a certeza, cada vez maior, de que SLUMDOG MILLIONAIRE será considerado o Filme do Ano:


A equipa técnica e elenco de SLUMDOG MILLIONAIRE.


A película de Danny Boyle arrecadou quatro estatuetas para o mesmo número de nomeações (Filme - Drama; Realizador; Argumento e Banda Sonora), deixando de mãos vazias títulos com sérias hipóteses de granjearem Globos. A saber, O ESTRANHO CASO DE BENJAMIM BUTTON, DÚVIDA e FROST/NIXON.

Na categoria de Melhor Filme - Comédia/Musical, a Associação de Crítica Estrangeira decidiu premiar Woody Allen e a sua comédia em terras espanholas chamada VICKY CRISTINA BARCELONA.


Os produtores de VICKY CRISTINA BARCELONA.


Nas categorias de interpretação, dois nomes ficaram na memória de todos: Kate Winslet e Heath Ledger. A actriz britânica triunfou nas suas duas nomeações, nomeadamente Melhor Actriz - Drama, por REVOLUTIONARY ROAD e Melhor Actriz Secundária, por THE READER:


Uma elegante e feérica Kate Winslet exibe os dois Globos de Ouro que conquistou esta madrugada.


Heath Ledger arrecadou o (quase) esperado galardão póstumo por Melhor Actor Secundário, aumentando, assim, as hipóteses de conquistar o Óscar pela sua versão do arqui-inimigo de Batman em THE DARK KNIGHT - O CAVALEIRO DAS TREVAS:


O realizador Christopher Nolan representou o malogrado Ledger e elogiou, pesaroso, o actor australiano.


Mickey Rourke também viu premiada a sua fabulosa interpretação em THE WRESTLER:


O look excêntrico de Rourke atraiu mais atenções do que o seu discurso de vitória.


Na categoria de Melhor Actor - Comédia/Musical, Colin Farrell causou uma semi-sensação ao arrecadar o Globo de Ouro pelo seu trabalho em EM BRUGES:


Colin Farrell e o seu imprevisto Globo de Ouro.


A Melhor Actriz - Comédia/Musical foi para Sally Hawkins por HAPPY-GO-LUCKY, catapultando-a para o primeiro lugar das candidatas ao Óscar de Leading Role feminina:


Sally Hawkins, emocionada, agradece o prémio e reforça as suas hipóteses para Fevereiro.


Para a consulta de uma lista completa dos vencedores, é só seguir este link.

Globos de Ouro 2008 (Live Coverage #16)

... que vai para SLUMDOG MILLIONAIRE!!!



Fantástica noite para Danny Boyle, que com uma produção semi-independente arrecadou todos os prémios (mais precisamente, quatro) para os quais se encontrava nomeado.

Não resisto em afirmar: houve um "cheiro" a Bollywood no coração de Hollywood!

Globos de Ouro 2008 (Live Coverage #15)

Melhor Actor - Drama, um prémio repleto de vigor, vai para...



Mickey Rourke, por THE WRESTLER.

É, definitivamente, a ressurreição do actor de 8 SEMANAS E MEIA!

Não tarda o anúncio do MELHOR FILME - DRAMA de 2008...

Globos de Ouro 2008 (Live Coverage #14)

A Melhor Actriz - Drama de 2008 é...



Kate Winslet, por REVOLUTIONARY ROAD.

Ora bem: ano de "vacas gordas" para a actriz britânica, após muitos anos de derrotas. E mais uma grande surpresa na presente edição dos Globos de Ouro!

É, no entanto, impossível não utilizar o epíteto de "justo" a esta vitória. A dona-de-casa frustrada, física e psicologicamente, que representa no filme de Sam Mendes constitui um sério case study para a arte da representação. Justíssimo!

Globos de Ouro 2008 (Live Coverage #13)

E o prémio de Melhor Filme - Comédia/Musical vai para...


VICKY CRISTINA BARCELONA.

Surpresa da noite (ou talvez não)! É um regresso em grande aos prémios para Woody Allen, que para além de ter concebido uma deliciosa comédia romântica, ainda "brindou" o público cinéfilo com a cena mais "quente" do ano - sim, aquela entre Scarlett Johansson e Penélope Cruz.

Por falar em Penélope Cruz, não cheguei a referir o "choque" que representou a sua derrota na categoria de Melhor Actriz Secundária, tendo em conta o invencível percurso que calcorreou em todas as associações de crítica...