sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Hollywood Buzz #41

O que se diz lá fora acerca de THE INTERNATIONAL:



«I enjoyed THE INTERNATIONAL. Clive Owen makes a semi-believable hero, not performing too many feats that are physically unlikely.»
Roger Ebert, Chicago Sun-Times.

«THE INTERNATIONAL is so self-assured, so assertive in its devotion to craftsmanship, that it proves Tykwer is continually building on his promise as a filmmaker, not squandering it.»
Stephanie Zacharek, Salon.com.

«THE INTERNATIONAL scampers all over the place, but it's alternately frantic and a little slack, with a hole in the middle where some interesting characters ought to be.»
Todd McCarthy, Variety.

«OK, it doesn't tell you much about the role of banks in the current economic free-fall. But if you want to know, it's a humdinger of a stimulus package.»
Peter Travers, Rolling Stone.

«It's got some effective moments and aspects, but the film goes in and out of plausibility, and its elements never manage to unify into a coherent whole.»
Kenneth Turan, Los Angeles Times.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Estreia da Semana



Baseado num romance, escrito em 1961, por Richard Yates, conta a história de um casal (Frank e April Wheeler) desiludido com o esplendor do "American Dream" dos anos 50, cujas intenções de fuga à sociedade superficial em que vivem são, constantemente, goradas pelas circunstâncias que os rodeiam. Os conflitos e mentiras matrimoniais culminam num retrato sinuoso de sonhos defraudados e tragédia iminente.

Recebido de forma morna pela crítica e público norte-americanos, REVOLUTIONARY ROAD assinala o reencontro de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, o par romântico de TITANIC (1997), mas desta vez o enlace entre os dois é marcado por amarguras e ressentimentos, num filme de poderosa carga emocional.

Já tive a possibilidade de ver este REVOLUTIONARY ROAD, e atrevo-me a confessar o quão superior considero ser em relação a THE READER, o filme que, provavelmente, consagrará Kate Winslet com o Óscar de Melhor Actriz no próximo dia 22. Para além do excelente desempenho de Winslet (esposa do realizador Sam Mendes, que assina esta película), destaque para a maturidade do desempenho de Leonardo DiCaprio e, sobretudo, para o scene stealing de Michael Shannon, justamente nomeado para Melhor Actor Secundário.



Em exibição na Sala 1 do Cinema Castello Lopes.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

VALSA COM BASHIR (2008), de Ari Folman



Assumindo-se como protagonista, o realizador Ari Folman escuta o pesadelo recorrente de um seu velho amigo, no qual é perseguído por 26 cães raivosos. Todas as noites, sempre o mesmo número de "feras". Durante a conversa, os dois concluem que o pesadelo está, de alguma forma, ligado à sua participação, enquanto membros do exército Israelita, durante a Guerra do Líbano em 1982. Ari, intrigado pelo facto de não possuir qualquer recordação daquela fase da sua vida, calcorreia meio mundo para conversar com antigos companheiros do batalhão que integrou, numa tentativa de encontrar um fio de memória e que explique o seu papel no que ficou conhecido como O Massacre de Sabra e Shatila, onde foram assassinados centenas de refugiados palestinianos.



Uma espécie de "docudrama animado", Folman utiliza em VALSA COM BASHIR várias fontes de inspiração (desde o grafismo das graphic novels até APOCALYPSE NOW), criando um produto final imbuído de frescura cinematográfica, recriando os acontecimentos como se de imagens de arquivo se tratassem. O apelo à imagem animada permite — para além da óbvia poupança de recursos — a visão descomprometida, com surrealismo e pitadas de humor irónico, de uma página pouco agradável e quase desconhecida da História de Israel. Tal como um documentário, as entrevistas e flashbacks narram pormenores diversos do conflito, culminando na descrição da barbárie que é, afinal de contas, o âmago da película.

Para quem não está a par do que sucedeu em Sabra e Shatila — e eu encontrava-me nessa "fatia" — a compreensão dos factos surge como um murro no estômago. Tal ocorre antes mesmo do segmento final de VALSA COM BASHIR, composto por imagens reais (as únicas do filme) da cobertura jornalística efectuada na altura. Tal opção evidencia-se demasiado forçada e colocada quase "de empurrão", para que não escapemos à reflexão perante a insensatez daquela tragédia. Caro Ari Folman, não se preocupe: a intenção já havia sido totalmente notificada.

domingo, fevereiro 08, 2009

British Academy of Film and Television Arts 2008: os vencedores



Foram revelados, há poucas horas atrás, os laureados pela Academia Britânica de Cinema e Televisão, mais conhecidos na indústria como os BAFTA.

E não poderia ter havido cerimónia mais previsível do que esta. Qualquer aposta pelo "seguro" foi, totalmente, recompensada. Senão vejamos:

. QUEM QUER SER BILIONÁRIO? foi o grande vencedor da noite, arrecadando sete estatuetas, incluindo Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Argumento Adaptado;

. nas categorias de interpretação, os vencedores foram os "quatro-fabulosos" de 2008: Mickey Rourke, Kate Winslet (por THE READER), Heath Ledger e Penélope Cruz;

. WALL-E prossegue imparável, obtendo mais reconhecimento como Melhor Filme Animado;

. na ausência de uma categoria para Melhor Documentário, HOMEM NO ARAME foi, todavia, galardoado por Melhor Filme Britânico;

. as únicas "surpresas" ocorreram nas categorias de Melhor Argumento Original (EM BRUGES) e Melhor Filme de Língua Não-Inglesa (o francês I'VE LOVED YOU SO LONG).

A consulta detalhada dos vencedores pode ser efectuada neste endereço.

FOME (2008), de Steve McQueen



O grande problema da estreia tardia (ou inexistente) de alguns títulos no circuito das salas de cinema portuguesas é sofrermos com a perca de obras de inegável mérito e criatividade, numa época em que estes dois substantivos rareiam. É óbvio que sempre se pode recorrer à moralmente ambígua opção da pirataria informática ou, se o nosso (cada vez mais escasso) orçamento mensal permitir, encomendar um DVD de Região 1 pela Internet. Assim, quando fosse altura de elaborar a "obrigatória" lista dos «Dez Melhores Filmes» do ano, não seria possível deixar de frisar aquela produção que mexeu com o nosso interior aquando da sua visualização e afectou o nosso exterior durante dias a fio.

Serve este intróito para referir a pena que nutro por não ter visto FOME antes do término de 2008. Caso contrário, teria figurado no meu Top 10 referente aquele ano, figurando certamente entre os lugares cimeiros.



Um retrato intimo do espírito selvagem de Bobby Sands, membro do IRA que, em 1981, liderou as greves de fome dos prisioneiros de County Down, perecendo, ao fim de seis semanas, pelas consequências desta enfurecida forma de protesto. A sua vida nunca encontrou conforto, nem a religião lhe serviu de panaceia. Tal como é observado num longo plano-sequência de 17 minutos (aparentemente, um recorde) em que Sands debate com um padre visitante os méritos de uma greve de fome auto-induzida; rejeitando os argumentos do sacerdote, Sands debita - para lá de qualquer simpatia política ou religiosa - a abstracta História do sofrimento físico. Na verdade, FOME enceta numa exploração do corpo humano enquanto veículo de protesto: os prisioneiros entornam a sua urina para o corredor da prisão, onde enormes poças fundem-se quase por magia; homens em robustos uniformes policiais desancam presidiários nus até ao estado de carne viva; a comida, ignorada durante dias, apodrece ao ponto de criar larvas.

No seu destemido compromisso pelo realismo da vida prisional, Steve McQueen "oferece-nos" um estudo individual de vidas despedaçadas pelo rigor dos papéis institucionais, observando como o hiato entre guardas e prisioneiros acaba por se dissolver, repetidamente, numa violência cerimonial. O cineasta não recua perante os modos mais chocantes de transmitir a sua mensagem, elevando este FOME (premiado com o Camera d’Or no Festival de Cannes de 2008) ao estatuto de filme que nos faz acreditar que ainda não vimos tudo em Cinema.

Teste



Só a referência ao Borda D'Água destoa nesta conclusão...

Hollywood Buzz #40

O que se diz lá fora acerca de CORALINE, de Henry Selick:



«CORALINE lingers in an atmosphere that is creepy, wonderfully strange and full of feeling.»
A.O. Scott, New York Times.

«I admire the film mostly because it is good to look at.»
Roger Ebert, Chicago Sun-Times.

«It's not just the 3-D glasses that add an extra dimension to the horror and hilarity of CORALINE.»
Peter Travers, Rolling Stone.

«This thrilling stop-motion animated adventure is a high point in [Henry] Selick's career of creating handcrafted wonderlands of beauty blended with deep, disconcerting creepiness.»
Lisa Schwarzbaum, Entertainment Weekly.

«The 3-D effects aren't overdone but are used intelligently to make this world come brilliantly to life.»
Kirk Honeycutt, Hollywood Reporter.

Writers Guild of America



Foram anunciados, ontem à noite, os vencedores do Writers Guild of America, prestigiado galardão atribuído e votado pelos argumentistas vinculados a esta associação.

Sem quebrar a "rotina", QUEM QUER SER BILIONÁRIO? volta a arrecadar um dos prémios fulcrais da cerimónia: Simon Beaufoy venceu pela categoria de Melhor Argumento Adaptado.

O Argumento Original foi concedido a Dustin Lance Black, por MILK, e o de Documentário foi para Ari Folman, pelo fantástico VALSA COM BASHIR.

A lista completa dos vencedores, incluindo os prémios de Televisão, pode ser consultada aqui.