segunda-feira, julho 18, 2011

Agenda Cinematográfica

::: 9500 CINECLUBE DE PONTA DELGADA :::

BANKSY — PINTA A PAREDE!, de Banksy



Um francês radicado em Los Angeles decide filmar o mundo secreto dos "vândalos" dos graffiti para um documentário. Ao longo de mais de oito anos acompanha diferentes artistas pelos Estados Unidos e Europa, até que conhece Banksy e o rumo do seu projecto é completamente alterado.

O resultado é um filme de Banksy sobre esta história e sobre a arte do graffiti e a street culture.

Banksy diz que "basicamente, é a história de como um homem se decidiu a filmar o 'infilmável', e falhou", mas o filme vai mais longe, ao reflectir sobre o próprio conceito de arte e a sua natureza, validade e limitações.



Hoje, pelas 21h30, no Cine Solmar.

Críticas da Semana

Breve resumo dos principais filmes visualizados esta semana.

O CÓDIGO BASE (2011), de Duncan Jones



Numa missão que para ele era totalmente desconhecida, o Capitão Colter Stevens (Jake Gyllenhaal) apercebe-se de que faz parte de um programa experimental do governo, chamado O Código Base, que lhe vai permitir viver no corpo de outro homem durante os últimos oito minutos da sua vida.

No que será, provavelmente, um dos maiores retrocessos qualitativos dos últimos anos entre primeiro e segundo filmes, Duncan Jones (que em 2009 estreou-se com o muito interessante MOON — O OUTRO LADO DA LUA) assina aqui um thriller de ficção-científica cuja intrigante premissa — o início é tremendamente eficaz no estabelecimento de suspense — acaba por ficar enredada num protagonista a quem Gyllenhaal não empresta total convicção, em sub-plots pouco favoráveis ao ritmo e num terceiro acto que desafia as próprias ideias que o filme, a princípio, "designou" como temas. Ou um caso exemplar de como alguma ficção-científica, para seu bem, não deveria levar-se tanto a sério.

POST MORTEM (2010), de Pablo Larraín



Em 1973, durante os últimos dias da presidência de Salvador Allende, Mario (Alfredo Castro), empregado de uma morgue, apaixona-se por Nancy (Antonia Zegers), artista de cabaré. Quando as tropas de Pinochet tomam controlo do Chile, Mario perde o contacto com a mulher que ama, assiste em primeira mão às atrocidades cometidas sobre os opositores do novo regime e é chamado para registar oficialmente a autópsia do estadista deposto.

Outra fabulosa proposta recente e proveniente da América do Sul, onde o sufocante trabalho visual de Larraín sobrepõe-se ao rigoroso, frio e emocional retrato do povo chileno face aos acontecimentos que servem de cenário a POST MORTEM. Desde o primeiro plano — um engenhoso "ponto de vista" da parte inferior de um tanque a transitar por uma rua onde apenas se observam detritos — até à sua aterradora conclusão, somos testemunhas do esvaziar de alma do metafórico protagonista, como raramente o cinema conseguiu tornar tão palpável. Destaque obrigatório para Alfredo Castro, actor que preenche um ecrã apenas com o olhar. Muito recomendado.

RAPT (2009), de Lucas Belvaux



Stanislas Graff (Yvan Attal), poderoso e abastado homem de negócios, é raptado. Enquanto sucumbe à privação e ao sofrimento que lhe é imposto durante a sua prisão, sequestradores, polícia e administração da empresa por ele gerida negoceiam um resgate no valor de cinquenta milhões de euros.

Sólido mas não inteiramente exemplar, Belvaux concebe um thriller político com argumento bem construído, fotografia e montagem reminiscentes de uma obra de Costa Gravas e interpretações de qualidade — sobretudo Attal, que nos faz simpatizar por uma personagem de dúbio carácter e pela enorme personificação dos efeitos físicos e psicológicos causados por um cativeiro forçado — mas nunca o eleva aos patamares multifacetados que nomes como Hitchcock ou Polanski atingiriam com este material. Merece, no entanto, visualização.

ATTENBERG (2010), de Athina Rachel Tsangari



Numa pequena cidade industrial do litoral, Marina (Ariane Labed) mantém uma relação próxima com o pai (Vangelis Mourikis), a padecer de um cancro em fase terminal. As suas únicas experiências sexuais foram adquiridas com a amiga Bella (Evangelia Randou) e encontra nos documentários de David Attenborough uma forma de compreender a vida.

Comparar ATTENBERG ao magnífico CANINO (2010) é tentador e, pela sua proximidade geográfica, formal e temática, quase obrigatório. Contudo, Rachel Tsangari destaca-se de qualquer outra semelhança ao título supracitado pela irresistível atmosfera criada, na forma como filma os cenários urbanos e naturais deste particular "microcosmos" e, acima de tudo, pelos contornos filosóficos — a dualidade sexo versus morte e os dilemas da condição humana predominam — inerentes a este conto de amadurecimento pessoal. Concluímos que se assiste a um fenomenal e excitante renascimento do Cinema Grego (afinal, não vive só de Theo Angelopoulos...) e é motivo de regozijo que a crise naquele país seja "apenas" financeira e não criativa.

sexta-feira, julho 15, 2011

Add To Cart #15





Hollywood Buzz #132

O que se diz lá fora sobre TABLOID, de Errol Morris:



«It is a spellbinding enigma, and one of the damnedest films Morris has ever made.»
Roger Ebert, Chicago Sun-Times.

«The sheer heterogeneity of human experience is one of his (Morris) enduring preoccupations, and he has found, once again, an impossible and perfect embodiment of just how curious our species can be.»
A.O. Scott, New York Times.

«Errol Morris' TABLOID is bonkers in all the best possible ways -- a welcome return to perverse portraiture after a lengthy sojourn in the realm of more serious-minded subjects.»
Peter Debruge, Variety.

«At 88 minutes, TABLOID is short and sweet (it's pure movie candy), but by the end we've forged an emotional connection to Joyce McKinney at the deep core of her unapologetic fearless/nutty valor. And that's what really makes a great tabloid story: It's a vortex that's also a mirror.»
Owen Gleiberman, Entertainment Weekly.

«Morris clearly invested so much time and energy in McKinney's story because he saw her as emblematic of our crazed times. Others might wonder whether the sad saga deserves quite this much attention, but there's no denying the film's morbid fascination.»
Stephen Farber, The Hollywood Reporter.

quarta-feira, julho 13, 2011

#17



... segundo o David Martins, do blog Cine31:

Desde a infância os meus temas favoritos sempre envolveram o reino do fantástico e da ficção cientifica (esses géneros tão subestimados), o que explica grande parte dos filmes que revejo ou sinto vontade de rever mais vezes:

O SENHOR DOS ANÉIS — A IRMANDADE DO ANEL
(2001, The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring, Peter Jackson)



Um épico fruto do amor pela obra escrita, renascido no grande ecrã.

MATRIX
(1999, The Matrix, Larry e Andy Wachowski)



A revolução no modo de encenar a acção cinematográfica.

CINEMA PARAÍSO
(1988, Nuovo Cinema Paradiso, Giuseppe Tornatore)



Uma visão romântica e cruel da devoção de vidas ao cinema.

DUNA
(1984, Dune, David Lynch)



Um filme de ficção atípico e subvalorizado.

A GUERRA DAS ESTRELAS
(1977, Star Wars: Episode IV — A New Hope, George Lucas)



Até ao momento, o filme que já vi mais vezes. Não me perguntem quantas, que já perdi a conta.

STAR TREK — O CAMINHO DAS ESTRELAS
(1979, Star Trek: The Motion Picture, Robert Wise)



Um filme lento, mas deslumbrante.

O TIGRE E O DRAGÃO
(2000, Wo hu cang long, Ang Lee)



Uma mistura única de poesia e artes marciais.

KILL BILL — A VINGANÇA
(2003, Kill Bill: Vol. 1, Quentin Tarantino)



Uma montanha de referências culturais que pariu um filme monumentalmente delicioso.

CONTACTO
(1997, Contact, Robert Zemeckis)



Uma inteligente hipótese sobre a próxima fronteira da espécie humana.

NAUSICAÄ OF THE VALLEY OF THE WIND
(1984, Kaze no tani no Naushika, Hayao Miyazaki)



Uma das primeiras obras-primas de Miyazaki.

--//--

Obrigado, David, pela tua participação!

segunda-feira, julho 11, 2011

Críticas da Semana

Breve resumo dos principais filmes visualizados esta semana.

WELCOME TO THE DOLLHOUSE (1995), de Todd Solondz

Welcome-To-The-Dollhouse

Dawn (Heather Matarazzo) tem onze anos e sente-se absolutamente incompreendida tanto na escola como na sua própria casa. Feia, descuidada e sem nenhuma perspectiva romântica, a adolescente tenta sobreviver num ambiente, por si só, inflamado e hostil.

Na sua primeira longa-metragem para cinema, Todd Solondz demonstra todo o seu favoritismo pelo estilhaçar do american way of life (que atingiu níveis de "sadismo" em obras posteriores, como HAPPINESS — FELICIDADE), desconstruindo a ilusão de que tudo é mais simples e mais larga na adolescência... sobretudo, se a mesma for vivida nos subúrbios dos EUA, que aqui representam, indiscutivelmente, o alvo favorito do cineasta. Com a poderosa interpretação de Heather Matarazzo (actriz que merece maior reconhecimento) e o seu argumento mordaz, hilariante e incondicional, esta é uma autêntica jóia do cinema independente norte-americano dos anos 90. Muito recomendado.

VALHALLA RISING — DESTINO DE SANGUE (2009), de Nicolas Winding Refn

valhalla-rising-2010-movie-poster1

Durante anos, um temível e silencioso guerreiro (Mads Mikkelsen) foi mantido prisioneiro e usado para combates a dinheiro por uma tribo celta pagã. Um dia, consegue escapar e decide acompanhar um exército de cristãos determinado a juntar-se às Cruzadas. Contudo, essa viagem fa-lo-à descobrir não só um Novo Mundo, mas também mais sobre si próprio.

No seu estilo brutal, etéreo e alucinatório, VALHALLA RISING será, pessoalmente, um dos melhores filmes que estreou nas salas portuguesas este ano: foge a qualquer género específico, recupera um certo soturno medieval próprio de Ingmar Bergman, Werner Herzog ou Vincent Ward, demonstra impecável trabalho formal (da fotografia à sonoplastia) e até se permite a exibir um descarado revisionismo histórico. Um filme que, apesar de escasso na caracterização das personagens ou em mensagens (se é que pretende transmitir alguma) relevantes, nem tão cedo sairá da memória do espectador. Cinema impressionante e de grande qualidade.

CARANCHO — ABUTRES (2010), de Pablo Trapero

carancho_ver2

Na Argentina, mais de 8000 pessoas morrem, todos os anos, vítimas de acidentes de viação. Por trás dessa estatística, floresce um negócio de apólices de seguro ilegais e constantes explorações de "buracos" legais. Sosa (Ricardo Darín) é um advogado que trabalha para uma dessas empresas, cujo destino alterar-se-à por completo quando conhece e apaixona-se por Luján (Martina Gusman), uma paramédica de Buenos Aires.

Drama violento e frontal na denúncia aos sistemas legal e de saúde argentinos, vive da forma estupenda como a atmosfera é encenada — CARANCHO desenrola-se, quase inteiramente, em claustrofóbicas cenas nocturnas — mas falha no lado humano do seu argumento. Não nos é permitido motivações, para além das imediatamente reveladas, que nos faça identificar com as personagens: a distância emocional é omnipresente e o final, frio e narrativamente económico, adivinha-se a meio. No entanto, esta é mais uma prova da vitalidade contemporânea do cinema argentino (lembram-se de O SEGREDO DOS SEUS OLHOS, no qual Darín também era protagonista?), fenómeno que merece toda a atenção.

TRANSFORMERS 3 (2011), de Michael Bay

transformers_dark_of_the_moon_ver5

Com o curso universitário terminado, Sam (Shia LaBeouf) tenta encontrar um emprego. No entanto, essa tarefa é subitamente interrompida pelos Autobots, que voltam a precisar da sua ajuda para salvar a Terra dos diabólicos planos dos Decepticons, desta vez liderados por Shockwave, um dos maiores aliados de Megatron.

No campo do blockbuster, admito que já vi muito pior (o segundo filme desta saga é um exemplo acabado disso mesmo). TRANSFORMERS 3 até possui um início auspicioso, que criativamente aborda a teoria da conspiração e o revisionismo acerca dos principais feitos da exploração espacial. Contudo, enceta numa estética de metal retorcido e explosões em catadupa — tecnicamente está irrepreensível, mas este título já entrou no meu "manifesto anti-3D" — repetitiva e tremendamente cansativa, numa história que nem clímax tem.

ENRON: THE SMARTEST GUYS IN THE ROOM (2005), de Alex Gibney

ENRONm Onesheet2q5

O retrato íntimo de um dos maiores escândalos financeiros de todos os tempos, no qual a Enron, então a sétima maior empresa dos EUA, efectivou durante anos práticas corruptas e fraudulentas, os seus executivos lucraram milhões de dólares e culminou na falência dos seus investidores e empregados.

Mais do que um documentário explicativo e cronológico, ENRON apresenta-se como "drama da vida real", destacando as fragilidades humanas dos intervenientes para provar que foram estas a causar a ruína de um contexto empresarial que tinha tudo para ser venturoso sem recurso a práticas criminosas. Com narração do sempre eficaz Peter Coyote e uma ilustrativa banda sonora (que vai desde o politicamente correcto "Capitalism" dos Oingo Boingo até ao irascível "God's Away On Business" de Tom Waits), é mais um título para a compreensão do actual estado de coisas. Como só o cinema documental consegue proporcionar.

sábado, julho 09, 2011

Curiosidade da Semana

Com 31 anos de idade, Stanley Kubrick manifestou a sua admiração por Ingmar Bergman através de uma carta, recentemente divulgada pela Cinemateca Alemã, a qual constitui um dos objectos de memorabilia cinematográfica mais interessantes da História da Sétima Arte.

Fala por si...



9 de Fevereiro, 1960

Caro Sr. Bergman,

Muito provavelmente, já terá obtido tanto reconhecimento e sucesso mundial que uma nota como esta é quase supérflua. Mesmo que ela seja de pouco valor, gostaria de lhe expressar o meu louvor e gratidão, enquanto colega realizador, pelo sublime e brilhante contributo que deu ao mundo através dos seus filmes (nunca visitei a Suécia e por isso não tive o prazer de ver a sua produção teatral). A sua visão da vida comoveu-me intensamente, muito mais do que me comovi com outros filmes. Acredito que é o maior cineasta do nosso tempo. Para além disso, não existe ninguém como vós na criação de estados de espíritos e atmosfera, na subtileza das interpretações, no evitar do óbvio, na veracidade e plenitude das caracterizações. A isto devo também acrescentar tudo aquilo que a realização de um filme exige. Acredito que foi abençoado com actores maravilhosos. Max von Sydow e Ingrid Thulin residem vividamente na minha memória, assim como outros actores da sua companhia cujos nomes agora me escapam. Desejo a si e a todos os eles as maiores felicidades, e espero com muita ansiedade pelos seus próximos filmes.

Melhores cumprimentos,

Stanley Kubrick.


[Fonte: FilmmakerIQ.]
[Agradecimento: Filipe Coutinho, por me ter chamado a atenção para esta fantástica curiosidade.]

sexta-feira, julho 08, 2011

Harper's Bazaar



Entre todas as inúmeras presenças, durante 2011, de Mia Wasikowska nas capas das revistas de moda, cabe à Harper's Bazaar australiana de Agosto captar a imagem que a maioria nutre acerca da actriz: juventude enérgica mas sensata, semblante contemporâneo e intemporal e alegria numa carreira que se prevê bastante frutuosa — é já em Setembro que o mundo conhecerá RESTLESS, onde a actriz trabalha às ordens de Gus Van Sant.

Entretanto, resta-nos celebrar a jovialidade de Wasikowska...











[Fotos: Mia Wasikowska Online]