sexta-feira, outubro 14, 2011

Hollywood Buzz #141

O que se diz lá fora sobre TEXAS KILLING FIELDS, de Ami Canaan Mann:



«Ms. Mann (Michael's daughter) does stage a bracing car chase, and Mr. Morgan makes an impression despite a story that's sometimes hard to follow.»
Neil Genzlinger, New York Times.

«Script by former DEA officer Don Ferrarone isn't that bad in itself, but matters aren't helped by the mumbled performances and poor sound, which make it hard to hear what anyone's saying, while sloppy editing wreaks havoc on the story.»
Leslie Felperin, Variety.

«Despite the presence of some notable names at the top of the cast including the currently ubiquitous Jessica Chastain, the steadily-paced drama looks more of a small-screen proposition.»
Neil Young, The Hollywood Reporter.

«The younger Mann goes through the motions of a gritty murder mystery with plenty of technical proficiency but only a modicum of soul. The Mann touch is not only in the DNA of the director but in her movie, which inadvertently makes the case that atmosphere is more hereditary than innovation.»
Eric Kohn, indieWIRE.

«On more than one occasion, scenes just don't seem to fit right, as if an editing-room scuffle had left some crucial connective tissue on the floor.»
Nick Schager, Slant Magazine.

quarta-feira, outubro 12, 2011

#25



... segundo as palavras da Ana Cardoso, que embora não sendo blogger de cinema, nunca escondeu a sua paixão pela Sétima Arte:

Antes de apresentar as minhas escolhas, queria apenas dizer que estas foram baseadas no apelo pessoal de cada filme. Ou seja, não me vão ver a justificar as minhas opiniões com base na técnica ou no facto de o filme ser um clássico ou não. São filmes tiveram determinado impacto em mim devido à minha idade quando os vi e à altura quando os vi.

Os filmes não estão organizados por ordem alfabética, e não por ordem de preferência.


. ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
(1951, Alice in Wonderland, Clyde Geronimi, Wilfred Jackson e Hamilton Luske)



Este é o meu filme de animação favorito da Disney. Eu sempre gostei muito de histórias, principalmente mirabolantes, e este filme tinha tudo: comida que fazia crescer, bebidas que faziam encolher, flores que cantavam, exércitos de baralhos de cartas, uma "festa de chá" muito sui generis... Todo aquele absurdo era apelativo para mim e é, sem dúvida, o filme da Disney que mais vezes vi. Até já perdi a conta.

. A BELA E O MONSTRO
(1991, Beauty and the Beast, Gary Trousdale e Kirk Wise)



Mais um filme de animação (e não fico por aqui). A história é um clássico, a heroína é um bom exemplo para pessoas de todas as idades, há objectos que falam, uma batalha na torre de um palácio e tem aquela que, na minha opinião, é a melhor música da Disney: Beauty and the Beast. Mas a versão da Angela Lansbury, não a da Celine Dion.

É sempre bonito mencionar o facto de este ter sido o primeiro filme de animação a ser nomeado para o Oscar de Melhor Filme. Mas eu quando me apaixonei pelo filme ainda não sabia isso. Aliás, acho que aos 4 anos nem sabia o que eram os Oscars.


. EDUARDO MÃOS-DE-TESOURA
(1990, Edward Scissorhands, Tim Burton)



A primeira vez que vi este filme ainda não sabia ler, portanto não conseguia perceber as legendas. A minha prima estava ao meu lado e ia tentando explicar a história. É claro que o meu cérebro de 3 anos não conseguiu reter muita coisa dessa primeira visualização, mas ficou o essencial: 1. era um conto de fadas 2. era um conto de fadas mirabolante. Foi o que bastou. Depois de crescer e de mais umas tantas visualizações, ficou retido o seguinte: 1. era um conto de fadas 2. era um conto de fadas mirabolante 3. era um conto de fadas mirabolante com o Vincent Price. E para mim chega.

. GLADIADOR
(2000, Gladiator, Ridley Scott)



O Gladiator está nesta lista, porque marcou a minha transição entre ver filmes e ver filmes com atenção. Quando o vi pela primeira tinha cerca de 11/12 anos e foi o primeiro filme em que, realmente, comecei a prestar atenção a coisas como interpretação, cenários, iluminação... Foi como que um despertar, por assim dizer. E a partir daí comecei a ver filmes com outros olhos.

. SAGA HARRY POTTER
(2001, 2002, 2004, 2005, 2007, 2009, 2010, 2011, Harry Potter and the Philosopher's Stone, Harry Potter and the Chamber of Secrets, Harry Potter and the Prisoner of Azkaban, Harry Potter and the Goblet of Fire, Harry Potter and the Order of the Phoenix, Harry Potter and the Half-Blood Prince, Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1, Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2, Chris Columbus, Alfonso Cuarón, Mike Newell, David Yates)



Já que me foi permitido a pequena "batota" de pôr filmes relacionados na mesma posição, aqui ficam oito de uma vez.

A razão de os filmes do Harry Potter aqui estarem... Não sei bem como lhe chamar.
Geekness? Talvez. Adoro os livros. Foram dez anos a lê-los, a história do Harry e dos amigos é, sinceramente, uma das coisas mais bonitas que já tive o prazer de ler e os filmes estão aqui por causa disso. Porque são a manifestação cinematográfica de sete livros que mais prazer me deram de ler.

. A PRINCESA MONONOKE
(1997, Mononoke-hime, Hayao Miyazaki)



Foi complicado escolher só um do Miyazaki. Muito complicado. São todos maravilhosos. E, sinceramente, nem sei explicar porque escolhi este. Só tinha espaço para um e foi algo um bocado à sorte. O Miyazaki é um génio da animação e do storytelling.

. A PEQUENA SEREIA
(1989, The Little Mermaid, Ron Clements e John Musker)



Adoro a impulsividade e a rebeldia da Ariel, a personalidade do Sebastião e a fabulosa vilã que é a Úrsula. É também o filme que marca o começo da Disney Renaissance e que nos deu alguns dos melhores filmes produzidos pelo estúdio, incluindo os chamados Fabulous Four.

. MÚSICA NO CORAÇÃO
(1965, The Sound of Music, Robert Wise)



Ainda não sabia falar inglês e já sabia cantar as músicas deste filme. Não fazia ideia do que estava a dizer, mas os sons que eu imitava eram bonitos. Este é mesmo um dos melhores exemplos de algo que me marcou na infância e que me acompanhou enquanto crescia. Continuo a saber as músicas de cor e não me canso de ver este filme.

. TRILOGIA TOY STORY
(1995, 1999, 2010, Toy Story, Toy Story 2, Toy Story 3, John Lasseter, Ash Brannon, Lee Unkrich)



Adoro a Pixar. Adoro ao ponto da cegueira. Consigo admitir que alguns filmes podem ter defeitos, mas facilmente consigo ignorar esse facto. E de entre os filmes da Pixar, os que mais adoro são os do Toy Story, principalmente o Toy Story 3. Era miúda quando saíram os dois primeiros e quando o último saiu o ano passado não pude deixar de me identificar com o Andy. Mesmo apesar da minha "cegueira", tento avaliar objectivamente o Toy Story 3 ao dizer que é perfeito. A história prende ao ecrã, os brinquedos fazem rir, dão pena, fazem chorar... E nem são pessoas. São brinquedos. Intangíveis, ainda por cima.

. QUE TERIA ACONTECIDO A BABY JANE?
(1962, What Ever Happened to Baby Jane?, Robert Aldrich)



A interpretação da Bette Davis neste filme é absolutamente fabulosa. Ou assombrosa, melhor dizendo. Vi o filme pela primeira vez há alguns anos e fiquei deslumbrada com ela. E desde então, já voltei a ver o filme muitas vezes e mais. E a sensação de deslumbre é sempre intensa.

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Obrigado, Ana, pela tua participação!

terça-feira, outubro 11, 2011

Add To Cart #19



I stir the blood. I quicken the pulses. I encourage the imagination, I stimulate the young. I comfort and I solace the old and sorrowing...

I show more of travel than all the books penned by all the writers of the world. I preach sermons to congregations, greater than the combined flocks of the pulpits of all lands...

I am history, written for generations to come in a tongue that every race and sect and creed can understand. I preserve heroes for posterity. I give centuries more of life to the arts and sciences. I am man's greates and noblest invention.

I am the Motion Picture.


Arthur James, num panfleto distribuído pelas salas de exibição dos EUA durante a Primavera de 1916.


segunda-feira, outubro 10, 2011

Agenda Cinematográfica

:: 9500 CINECLUBE DE PONTA DELGADA ::

. SANGUE DO MEU SANGUE (2011), de João Canijo



É um filme sobre o amor incondicional, o amor de uma mãe pela sua filha, o amor de uma tia pelo seu sobrinho. E de como elas estão dispostas a sacrificar tudo para os salvar...

Márcia é mãe solteira de dois filhos, trabalha como cozinheira e partilha a sua casa num bairro municipal com a irmã, Ivete, cabeleireira de centro comercial. Um dia, Cláudia, a filha, que estuda enfermagem e trabalha como caixa num supermercado, conta à mãe que se apaixonou por um homem mais velho e casado. Quando Márcia o conhece, percebe que uma ameaça gravíssima pesa sobre a sua família. Joca, o filho, é um pequeno traficante no bairro até que decide dar um golpe ao seu dealer, mas é apanhado e a sua tia Ivete terá que se sacrificar por ele para o salvar.



Hoje, pelas 21h30, no Cine Solmar.

domingo, outubro 09, 2011

Críticas da Semana

Breve resumo dos principais filmes visualizados esta semana:

. EM INGLÊS, S.F.F.
. RED STATE
. COLOMBIANA
. LIFE DURING WARTIME

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. EM INGLÊS, S.F.F. (2009), de Armando Iannucci

O Presidente dos EUA e o Primeiro-Ministro Britânico desejam guerra no Médio Oriente. Mas nem todos concordam que um conflito armado será a melhor opção...



Naquela que é a melhor comédia britânica desde OU TUDO OU NADA (1997), as "baterias" da total sátira política estão apontadas às duas nações que colocaram Afeganistão e Iraque a ferro e fogo militar: os decisores são caricaturas de poder, os secretários de estado pró e anti-guerra possuem a mesma dose de cinismo e incompetência, os assessores políticos movem-se ao sabor do vento e o verdadeiro marionetista é o inconveniente, obsceno e desbocado director de comunicações do Primeiro-Ministro Britânico (fabuloso Peter Capaldi, a quem o filme pertence do início ao fim).

EM INGLÊS, S.F.F. (a propósito, que péssima tradução...) não é uma comédia negra que, no fim, deixe o espectador a remoer qualquer lição de moral — excepto se esta for a compreensão de que os destinos mundiais estão na mão de autênticos dementes. Mas, apesar do exagero das situações e num estilo tipicamente BBC, poucos serão os que não acreditam ser assim, na grande maioria das vezes, que as decisões são tomadas na "mais alta esfera política". De visualização obrigatória.

. RED STATE (2011), de Kevin Smith

Numa pequena cidade dos EUA, três adolescentes (Michael Angarano, Nicholas Braun e Ronnie Connell) recebem um convite para sexo sem compromissos com uma mulher mais velha (Melissa Leo). Mas, em vez disso, deparam-se com um grupo de fundamentalistas que alimenta intenções sinistras.



Os padrões da moralidade conservadora norte-americana continuam a afigurar-se, para nós europeus, como um autêntico mistério. E Kevin Smith atreve-se (e bem) a subverter tanto essas noções como as de sexo, dever moral e crime sem castigo na fabulosa primeira hora de RED STATE, sem receios de acelerar o plot point e provando que Michael Parks (assombroso no papel de um carismático e homofóbico líder religioso) já merece reconhecimento para além do estatuto de regular presença nas mais estranhas produções indie.

Reinventando-se como cineasta, Smith concebe uma realista atmosfera de medo e carnificina, sem pejo de abusar da snorricam ou de uma eficaz montagem dinâmica. No entanto, lamenta-se que, existindo enorme potencial para, por exemplo, arquitectar uma visão satírica das tragédias de Jonestown ou de Waco, prefere uma solução simplista e desastrada de paranóia e inconsciência política. Mas tal não minora os aspectos positivos do filme. A ver descomprometidamente.

. COLOMBIANA (2011), de Olivier Megaton

Com apenas nove anos, Cataleya (Zoe Saldana) assiste ao assassinato dos seus pais. Depois de jurar vingança, vai viver para os EUA com a única família que lhe resta: o seu tio Emilio Restrepo (Cliff Curtis), um homem ligado ao submundo do crime e que lhe proporcionará o treino necessário para que se transforme numa assassina a soldo.



Muito inspirado em obras como NIKITA — DURA DE MATAR (1990) e LÉON, O PROFISSIONAL (1994) — ou não fosse o argumento co-assinado por Luc Besson —, COLOMBIANA não traz novidades significativas ao género da vingança no feminino. A visão de Zoe Saldana em trajes menores, armada ao nível de forças armadas e com uma sagacidade que até lhe permite (literalmente) nadar entre tubarões, é interessante visualmente mas não almeja obter os requisitos mínimos em termos de ligação com o espectador.

Estamos perante um competente filme de acção (o mesmo adjectivo pode-se aplicar à realização de Megaton), onde o relativo entusiasmo só surge nos últimos quinze minutos e permanece a sensação de que a aposta numa estética B movie ter-lhe-ia sido tremendamente favorável. Forte candidato a exibição futura, durante as tardes de fim-de-semana, num canal generalista perto de si.

. LIFE DURING WARTIME (2009), de Todd Solondz

Amigos, familiares e amantes lutam em busca de amor, perdão e sentido num mundo conturbado.



O cinema de Todd Solondz é composto de um ataque implacável às fundações da classe média americana, povoado por personagens dominados pela frustração, ansiedade e uma incapacidade de comunicação pacífica. Nesta sequela (quase) não oficial do brilhante e estarrecedor HAPPINESS — FELICIDADE (1998), estes temas predilectos são retomados em todo o seu fulgor e constituirão, sem dúvida, uma óptima surpresa para o espectador desconhecedor da obra de Solondz.

Contudo, para os mais "informados", HAPPINESS — FELICIDADE e LIFE DURING WARTIME são, tematicamente, o mesmo filme — excepto com actores diferentes, no que aqui se revela como a decisão criativa mais interessante, "obrigando-nos" a rever o título de 1998 e oferecendo interessantes transformações em algumas das personagens (mais notavelmente Allen, que do WASP obeso interpretado por Philip Seymour Hoffman surge agora representado pelo negro Michael Kenneth Williams, ou o Andy de Jon Lovitz na figura de um fantasmagórico Paul Reubens). Nuances que tornam o filme mais decepcionante de Todd Solondz merecedor de visualização.

sábado, outubro 08, 2011

Cinefilamente Açoriano #2



No seguimento de uma matinée-dançante, organizada a 1 de Julho de 1928 no Coliseu Avenida (na foto, hoje Coliseu Micaelense), a gerência da casa de espectáculos decidiu realizar no edifício importantes obras de remodelação.

Os trabalhos foram pormenorizadamente explicados no artigo abaixo citado, incluindo a remodelação da cabine de projecção. "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades"... Porque, honestamente, qual foi a última vez que leram acerca de detalhes técnicos de cabines de projecção num jornal?

«A cabine cinematografica foi tambem dotada de nova instalação para energia e iluminação eléctricas, á qual presidiu a alta competencia do distintissimo Engenheiro Deodato Silva. Acha-se tambem já ali instalada uma nova máquina de projecção da fábrica AEG com arco de espelho e dupla obturação, alimentado por corrente continua por transformação da corrente alterna operada um conversor motor-dinamo dos mesmos fabricantes, o que permite uma projecção mais fixa e nitida, dando ás figuras e aos quadros da tela mais relevo e perfeição.»

in O Açoriano Oriental, 23 de Junho de 1928, n.º4831, p.6


sexta-feira, outubro 07, 2011

Antecipando o guilty pleasure #3



Edgar Allan Poe, reputado autor e poeta gótico norte-americano do Século XIX, no papel de um detective privado em part-time? Sim, é esta a sinopse de THE RAVEN, realizado por James McTeigue (V DE VINGANÇA, 2006) e protagonizado por John Cusack.

À primeira vista, o look gótico apresenta-se como principal motivo de interesse, num trailer que, potenciando as sequências de acção, referências subtis à obra literária de Poe e a notoriedade de John Cusack (que não parece convencer neste lead role...), atrairá a minha atenção até à sua estreia, nos EUA, em Março de 2012.



Hollywood Buzz #140

O que se diz lá fora sobre THE IDES OF MARCH, de George Clooney:



«The movie's strength is in the acting, with Gosling once again playing a character with an insistent presence.»
Roger Ebert, Chicago Sun-Times.

«Intriguing but overly portentous drama, which seems far more taken with its own cynicism than most viewers will be.»
Justin Chang, Variety.

«Classy and professional throughout, the technical work gracefully holds all the threads together.»
Deborah Young, The Hollywood Reporter.

«Clooney certainly brings out the best in his actors, but his driving trait as a filmmaker is that he knows what plays - he has an uncanny sense of how to uncork a scene and let it bubble and flow.»
Owen Gleiberman, Entertainment Weekly.

«The title suggests a dramatic Shakespearean twist, but Clooney's aims are much simpler. As he builds to a western showdown divorced from political specificity, the Manchurian-like manipulation turns IDES OF MARCH into an allegorical monster movie in which everyone's competing for the role of the monster and most people can't see it.»
Eric Kohn, indieWIRE.