segunda-feira, janeiro 23, 2012

Agenda Cinematográfica

:: 9500 CINECLUBE DE PONTA DELGADA ::

ZEITGEIST: MOVING FORWARD (2011), de Peter Joseph



Os três temas centrais deste trabalho são Comportamento Humano, Economia Monetária e Ciências Aplicadas. Resumidamente, este trabalho cria um modelo de compreensão do actual paradigma social e do motivo pelo qual é fundamental sair do mesmo — juntamente com uma nova abordagem social, que apesar de radical, é ainda assim, prática. Abordagem esta que é baseada em conhecimento avançado e resolveria os actuais problemas sociais que afligem o mundo.

Uma das características únicas deste trabalho, que o distingue em termos de estilo da maioria dos documentários, é que tem uma temática dramática/cinematográfica paralela, com actores notáveis, que interpretam várias emoções e gestos relacionados com a mensagem geral do filme, ainda que de forma abstracta. Adicionalmente, este trabalho emprega vigorosamente inúmeros resumos visuais e animações 2D e 3D, mantendo como referência a orientação do documentário tradicional.



Hoje, pelas 21h30, no Cine Solmar. Entrada livre.

domingo, janeiro 22, 2012

Críticas da Semana

Breve resumo dos principais filmes visualizados esta semana:

. ONCE UPON A TIME IN ANATOLIA
. KILL LIST
. A TOUPEIRA
. MORRER COMO UM HOMEM

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. ONCE UPON A TIME IN ANATOLIA (2011), de Nuri Bilge Ceylan



Um grupo de polícias, oficiais públicos e militares são conduzidos através do deserto negro turco por um homem acusado de homicídio, em busca do cadáver da vítima. Enquanto a noite decorre, todos terão de confrontar os seus fantasmas pessoais.



Vencedor do Grande Prémio do Júri no último Festival de Cannes, ANATOLIA é um policial impressionista — destaque imediato para a sua fabulosa fotografia nocturna — que nos confronta com uma investigação policial que mais não é do que um "pretexto" (poder-se-à chamar-lhe de red herring?) para a análise dos dramas pessoais de cada interveniente.

Se o existencialismo do argumento e o ritmo vagaroso do filme constituem-se como enormes testes à "paciência" do espectador, a câmara de Bilge Ceylan (interrogativa e abstracta, algo inovador para o realizador de OS TRÊS MACACOS) trata de o capturar através da exibição da natureza, simultaneamente irreal e mundana, em que o filme se contextualiza e na subtil "explicação" das personagens de ANATOLIA — que, na sua conclusão, substitui o cariz mítico da morte pelas suas consequências físicas e sociais, deixando-nos com a tarefa de definir onde reside a "eternidade" destes indivíduos. Obrigatório, sendo quase um escândalo não estar pré-seleccionado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.

. KILL LIST (2011), de Ben Wheatley



Um ano depois de uma missão falhada em Kiev, um assassino profissional (Neil Maskell) aceita uma oferta monetária generosa para assassinar três alvos. Mas o que, a princípio, se afigura como tarefa fácil, cedo resvala numa viagem pelo lado mais negro da Humanidade.



Bem-vindos ao neo-noir de horror britânico, onde a crítica às "enfermidades" das sociedades contemporâneas é personificada por dois assassinos profissionais com passado obscuro, encarregues de abaterem alvos simplesmente identificados como Padre, Bibliotecário e Membro do Parlamento — indubitavelmente, três metáforas aos principais poderes institucionais — e que enfrentam, no visceral terceiro acto, forças reminiscentes de THE WICKER MAN (1973, Robin Hardy).

Como é simples de depreender, não estamos perante um filme de terror no sentido convencional do termo: a estrutura narrativa elíptica, a sua aparente incoerência e um argumento que, teimosamente, não providencia respostas, fazem com que o irascível e surpreendente clímax de KILL LIST potencie a sua "candidatura" a filme de culto. Sem moralidades políticas nem pendões estéticos claramente reconhecíveis, Ben Wheatley concebe uma obra que tanto pode ser o perfeito midnight movie para Halloweens vindouros como (perigoso?) objecto de análise junto das falanges de apoio ao Movimento Occupy Wall Street. E, como diria um colega meu da blogosfera, é brain-movie por excelência.

. A TOUPEIRA (2011), de Tomas Alfredson



Durante a Guerra Fria, o agente secreto George Smiley (Gary Oldman) é obrigado a sair da reforma para investigar a possibilidade de haver um agente soviético — ou uma "toupeira" — infiltrado no topo da hierarquia dos serviços secretos britânicos.



Baseado no romance de John le Carré, A TOUPEIRA poderá distanciar o espectador pouco interessado/familiarizado em "intrigas internacionais" da Guerra Fria, mas conquista-o através da irrepreensível atmosfera de medo, paranóia e traição aqui formada. E no seio da sua fotografia dominada por um constante sépia invernal, pelas acções vislumbradas através de superfícies vidradas e por interiores impregnados de fumo, destaca-se Gary Oldman — motivo suficiente para atribuir ao filme as quatro estrelas — que constrói um minimalista e assombroso Smiley, cujos silêncios revelam-se tão significativos quanto as suas palavras.

As adaptações ao grande ecrã de romances de espionagem nunca foram fáceis nem livres de defeitos — por exemplo, sou um dos que prefere O ESPIÃO QUE VEIO DO FRIO (1965, Martin Ritt) ou CAÇA AO OUTUBRO VERMELHO (1990, John McTierman) enquanto objectos exclusivamente cinematográficos —, e A TOUPEIRA não alterará esse paradigma. Contudo, pela direcção firme de Alfredson, a mestria de Carré não só é revitalizada como apresentada a toda uma nova audiência. Recomendado.

. MORRER COMO UM HOMEM (2009), de João Pedro Rodrigues



Tonia (Fernando Santos), uma veterana do espectáculo de travesti lisboeta, vê desabar o mundo à sua volta: o seu estrelato é ameaçado pela concorrência das artistas mais novas, submete-se a uma operação de mudança de sexo por pressão do seu jovem namorado, e o o filho que ela tinha abandonado em criança, agora um soldado desertor, vem à sua procura.



A ambiguidade sexual e o surrealismo do quotidiano sempre fizeram parte da obra de João Pedro Rodrigues, algo plenamente vísivel em O FANTASMA (2000) e ODETE (2005). Esses elementos estão, aqui, bem presentes, mas acompanhados de um pretensiosismo a abismar o banal que desconhecíamos no cineasta.

O percurso de Tonia (fabuloso Fernando Santos, numa multifacetada e exaustiva interpretação) talvez merecesse uma abordagem que não investisse tanto em sequências psicadélicas ao som de Baby Dee ou em insondáveis citações de Paul Celan, e que capitalizasse mais nas motivações e envolvimentos dramáticos do protagonista. Algo que a última meia hora de filme almeja conceber, não deixando dúvidas que MORRER COMO UM HOMEM teria funcionado substancialmente melhor como drama humano puro. Mesmo que arriscasse atingir níveis consideráveis de cinema depressivo, não nos importaríamos de ver esse hipotético resultado final mais satisfatório.

sábado, janeiro 21, 2012

5 Momentos Memoráveis

#15: No Subtitles Required

O ARTISTA (estreia prevista, em Portugal, para 2 de Fevereiro), de Michel Hazanavicius, é um dos títulos do momento: para além de assumir largo favoritismo na corrida ao Óscar de Melhor Filme, comprova que crítica e plateias contemporâneas ainda são capazes de se renderem a uma história sobre a era do cinema mudo filmada ao estilo daquela mesma época: silencioso (apenas possui acompanhamento musical), a preto e branco e registado no aspect ratio dos anos 20.



Embora a produção cinematográfica nas últimas oito décadas tenha sido dominada pelo sonoro, é possível encontrar, nesse espaço de tempo, inúmeros e óptimos exemplos do quão dispensável os diálogos podem ser num filme. Os cinco momentos abaixo destacados (acompanhados da sempre obrigatória menção honrosa) revelam e partilham com o espectador factos e emoções sem recorrerem a qualquer oratória — e provam que o Cinema foi, é e será, primordialmente, uma arte visual.

MENÇÃO HONROSA: DUCK SOUP — OS GRANDES ALDRABÕES (1933), de Leo McCarey



Leo McCarey foi um dos poucos cineastas que soube trabalhar e elevar o talento cómico dos Irmãos Marx. E esta sequência, onde Harpo tenta esconder a sua identidade de Groucho imitando o reflexo deste num espelho, será das mais pragmáticas para a compreensão daquela colaboração. Em jeito de curiosidade, note-se que Harpo Marx recriou este número, anos mais tarde e com Lucille Ball, na série televisiva I LOVE LUCY.



5. 2001: ODISSEIA NO ESPAÇO (1968), de Stanley Kubrick



Célebre pela sua frugalidade de diálogos, a ficção-científica de Stanley Kubrick utiliza música, efeitos sonoros, imagética experimental e um fabuloso trabalho de montagem para unir as "pontas" de uma história sobre tecnologia, inteligência artificial e evolução humana. E, nesse âmbito, não haverá cena mais emblemática do que esta: a condensação de milhões de anos no espaço de um simples piscar de olhos...



4. THE PARTY (1968), de Blake Edwards



Peter Sellers tem lugar cativo no "panteão" que reúne o génio pantomímico de Charles Chaplin, Buster Keaton, Stan Laurel e Oliver Hardy. O melhor exemplo disso será esta sequência, de uma peculiar colaboração entre Sellers e Blake Edwards, onde um actor de origem indiana é capaz de transportar o "problema técnico" de um autoclismo até proporções inimagináveis. E sem murmurar uma única palavra...



3. DU RIFIFI CHEZ LES HOMMES (1955), de Jules Dassin



Neste clássico do cinema noir francês, Dassin dedica um quarto da sua duração a uma das sequências de assalto, do ponto de vista técnico, mais ambiciosas e brilhantes da história do Cinema — e fá-lo em quase absoluto silêncio. Pela ausência de elementos familiares como diálogo e/ou música, o suspense no espectador não só é intensificado como atinge níveis eficazes de desconforto. Brian DePalma, o "imitador" por excelência, homenagearia, quarenta anos depois, esta sequência em MISSÃO: IMPOSSÍVEL.





2. A MULHER QUE VIVEU DUAS VEZES (1958), de Alfred Hitchcock



No seu âmago, esta obra-prima de Hitchcock é uma história de obsessão, patente na face do detective Scottie (James Stewart) assim que observa, pela primeira vez, Madeleine (Kim Novak). O estilo visual desta sequência — pelos seus esquema cromático, movimentos de câmara e rigorosos enquadramentos, revela-se um prodígio de fotografia — antevê a "vertigem passional" do protagonista pela mulher de que ele está encarregue de seguir e vigiar pelas ruas de São Francisco. Puro cinema em minuto e meio de metragem.



1. BLOW-UP — HISTÓRIA DE UM FOTÓGRAFO (1966), de Michelangelo Antonioni



Ousada peça de cinema: uma sequência composta por nada mais do que um fotógrafo a ampliar secções de fotografias já de si ampliadas e a posterior descoberta de que a sua câmara registou mais do que um simples encontro amoroso, apenas ilustrada pela audição do vento a "suspirar" entre a folhagem do jardim em que as imagens foram tiradas. Embora o espectador seja guiado para o que deve encontrar, Antonioni exibe aqui (juntamente com a cena final de BLOW-UP) um dos momentos seminais no que toca ao poder da narração exclusivamente visual do Cinema.





sexta-feira, janeiro 20, 2012

Hollywood Buzz #153

O que se diz lá fora sobre CORIOLANUS, de Ralph Fiennes:



«Ralph Fiennes directs and stars in CORIOLANUS as William Shakespeare's Rambo in a production that delivers heavyweight screen acting at its best.»
Ray Bennett, The Hollywood Reporter.

«Then too there's the sheer pleasure of hearing these words spoken by an actor like Mr. Fiennes, whose phrasing is so brilliant, you might be tempted to close your eyes if his physical performance weren't equally mesmerizing.»
Manohla Dargis, The New York Times.

«With its warring factions, citizen uprisings, guerrilla insurgencies, political intrigue, bloody warfare, family tensions, and homoerotic subtext, CORIOLANUS is one of the year's best political thrillers.»
Lisa Schwarzbaum, Entertainment Weekly.

«Fiennes' crackerjack CORIOLANUS stays true to the clever, almost mean-spirited twists and turns of the story, and preserves the authentic flavor and texture of the language.»
Andrew O'Hehir, Salon.com.

«CORIOLANUS has the earmarks of a passion project, to be certain, but it also has the hallmarks of an assured film from an actor who nonetheless clearly demonstrates he knows that it takes more than just the art of acting to create a work of cinematic art.»
James Rocchi, IndieWIRE.

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Filhos de Um Deus Maior #70



Aparentemente, um utilizador da Vodafone não requererá a sapiência Jedi de Yoda para a actualização de dados do seu equipamento.

Eis a "prova":



O Yoda gosta de sushi? Nunca imaginaria...

[Fonte: ComicBookMovie]

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Sobre os Globos de Ouro...



... pouco tenho a referir.

Sobretudo, porque não me posso pronunciar acerca da justiça das vitórias de THE DESCENDANTS para Melhor Filme Drama e Melhor Actor Drama (George Clooney) e de THE ARTIST para Melhor Filme Comédia ou Musical e Melhor Actor Comédia ou Musical (Jean Dujardin), visto serem dois títulos cuja visualização teima em escapar-me.





Para além de partilhar convosco a lista completa dos vencedores, de constatar que, aparentemente, ando a perder excelentes propostas televisivas (com DOWNTON ABBEY, HOMELAND e ENLIGHTENED em destaque) e de confirmar que Kate Winslet é humanamente incapaz de não ser estonteante numa passadeira vermelha...



... apenas tenho uma questão: como é que, no espaço de um ano, o anfitrião Ricky Gervais passou disto...



... para um desempenho em que só a breve presença de Johnny Depp, no final, poderia salvar?



[Crédito de imagens: IFC, ABC, e National Confidential.]

Agenda Cinematográfica

:: 9500 CINECLUBE DE PONTA DELGADA ::

O ANJO EXTERMINADOR (1962), de Luis Buñuel



Depois de um jantar de cerimónia, um grupo de respeitáveis burgueses fica retido em casa de um deles. Por uma razão qualquer, só os criados conseguem atravessar a porta da sala de jantar.

Depressa se resignam ao enclausuramento e, pouco a pouco, vão-se submetendo a uma promiscuidade completamente estranha aos seus hábitos. O ambiente deteriora-se e a selvajaria aparece.



Hoje, pelas 21h30, no Cine Solmar. Entrada livre.

domingo, janeiro 15, 2012

Globos de Ouro 2012 — Previsões



Já faltam poucas horas para descobrirmos quais serão os eleitos, pela Hollywood Foreign Press Association, como vencedores da 69ª edição dos Globos de Ouro.

Num ano em que parece não existir vencedor(es) anunciado(s) para formular apostas seguras — e, para piorar, o Keyzer Soze ainda não teve a oportunidade de ver muitos dos nomeados —, afigura-se, portanto, tarefa melindrosa esboçar os prognósticos abaixo descritos, relativos às nomeações nas principais categorias de Cinema, para esta noite. Como "inspiração", tive apenas os veredictos das diversas associações de crítica norte-americanas.

Amanhã, confirmaremos o quão perto ou distante da realidade estou.
(títulos em Português indicam filmes já estreados ou com data de estreia anunciada no nosso país)

Melhor Filme — Drama
. A INVENÇÃO DE HUGO

Melhor Filme — Comédia ou Musical
. O ARTISTA

Melhor Actor — Drama
. George Clooney, por OS DESCENDENTES

Melhor Actriz — Drama
. Viola Davis, por AS SERVIÇAIS

Melhor Actor — Comédia ou Musical
. Jean Dujardin, por O ARTISTA

Melhor Actriz — Comédia ou Musical
. Michelle Williams, por A MINHA SEMANA COM MARILYN

Melhor Actor Secundário
. Christopher Plummer, por ASSIM É O AMOR

Melhor Actriz Secundária
. Shailene Woodley, por OS DESCENDENTES

Melhor Realizador
. Martin Scorsese, por A INVENÇÃO DE HUGO

Melhor Argumento
. Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash, por OS DESCENDENTES

Melhor Filme Animação
. RANGO

Melhor Filme Estrangeiro
. UMA SEPARAÇÃO (Irão)

P.S.: e sim: tirem o "açaime" a Ricky Gervais esta noite!