Um dos cineastas favoritos do Keyzer Soze's Place completaria hoje 80 anos.
Para o recordar, e num sentido exercício de homenagem, esta segunda-feira será preenchida por excertos memoráveis e exemplificativos da carreira e talento de um dos fundadores da Nouvelle Vague.
Um dos cineastas favoritos do Keyzer Soze's Place completaria hoje 80 anos.
Para o recordar, e num sentido exercício de homenagem, esta segunda-feira será preenchida por excertos memoráveis e exemplificativos da carreira e talento de um dos fundadores da Nouvelle Vague.
Acossado por uma série de visões apocalípticas, Curtis (Michael Shannon) teme pela segurança da sua família e decide construir um bunker para protege-los de um futuro cataclismo... ou dele próprio.
De Sundance a Toronto, causou sensação em todos os festivais por onde passou, e esta tremenda metáfora ao espírito dos nossos tempos não merece outra avaliação que não seja a de magnífica obra de cinema. Mais do que o retrato da provável degeneração mental de um indivíduo, TAKE SHELTER coloca o protagonista como epíteto da Humanidade contemporânea: amedrontada, paranóica e confusa face às agressivas "manifestações" que a rodeia — e, no horizonte, tudo prenuncia a chegada de inimagináveis tempestades. Logo, não será por acaso que o próprio título do filme (numa tradução livre, significa "Procurem Abrigo") possua contornos de advertência...
Depois da sua auspiciosa estreia em HISTÓRIAS DE CAÇADEIRA (2007), Jeff Nichols volta a provar que é um dos nomes, a curto prazo, de menção obrigatória no que toca a complexas e poderosas narrativas sobre a condição humana. E aqui, conta novamente com um poderoso aliado chamado Michael Shannon (sempre extraordinário), numa composição que balança, admiravelmente, a pura contenção e o violento clamor. Na conjugação de um argumento que nunca se desmorona mesmo na iminência de enveredar por rumos emocionalmente arriscados, do seu pessimismo fundamentado e no uso de inteligentes efeitos visuais, TAKE SHELTER tem todos os factores para ser uma das principais obras a estrear, este ano, no nosso país. Obrigatório.
Laura (Stephanie Sigman), jovem rapariga oriunda de um bairro de lata, sonha em ganhar um concurso de beleza e representar, a nível nacional, a sua região. Inesperadamente, vê-se envolvida na guerra implacável do crime organizado do México.
Comprovando que o actual cinema mexicano não "vive" apenas de Iñarritu, Cuarón, Del Toro ou Reygadas, Gerardo Naranjo imprime a sua marca num retrato visceral e confiante dos problemas que o seu país enfrenta pela permanente luta entre cartéis de droga, com o twist de colocar moda e beleza no centro desta análise sócio-económica cinematográfica. Tecnicamente brilhante — realce para uma sequência de tiroteio, que não só é determinante para o argumento como exibe a proficiência dos planos-sequência de OS FILHOS DO HOMEM (2006, Alfonso Cuarón) —, a sua mise-en-scène equilibra momentos de intensa violência com outros de calma instável, concebendo uma atmosfera omnipresente de que o pior (e os piores) pode manifestar-se a qualquer momento.
MISS BALA é notável na abordagem que faz a um tema quase tabu para as sociedades centro e sul-americanas, construindo cinema de cariz mainstream focado em assuntos de intenso relevo social e traçando um lúcido paralelismo entre aquilo que uma pretendente a top model tem de ceder para singrar na indústria e os níveis de corrupção existentes no seio de quem deve aplicar as leis de combate ao tráfico de droga. Thriller explosivo descomprometido, com destaque para Stephanie Sigman (por cuja personagem é impossível não nutrir simpatia) num retumbante início de carreira.
Num futuro próximo, um projecto informático, denominado de Simulacron, é capaz de simular a realidade. Quando o líder da invenção falece subitamente, o seu sucessor Fred Stiller (Klaus Löwitsch) começa a experienciar estranhos fenómenos sensoriais.
Originalmente concebido para exibição televisiva, agora com versão restaurada e disponível em home cinema por intermédio da Criterion, revela-se um épico produto de ficção-científica (e esta "catalogação" poderá ser enganadora) do seu tempo e da sua circunstância geográfica, ecoando a agitação política e social da RFA dos anos 70. E mesmo que não se insira no ambiente de drama histórico (como em O CASAMENTO DE MARIA BRAUN, 1979) ou da sensibilidade passional (AS LÁGRIMAS DE PETRA VON KANT, 1972) de Fassbinder, os seus temas de alienação e hostilidade humanas são aqui imediatamente reconhecíveis.
O MUNDO NO ARAME deixa muito por explicar, e até poder-se-ia falar num exagero de "meditações filosóficas" que sacrifica o desenrolar do argumento. Todavia, o seu ritmo sereno fornece ao espectador saborear a virtuosidade e audácia da câmara de Fassbinder, a opulência intemporal dos cenários e uma alma sci-fi que antecipa, em vários anos, aquilo que muitos espectadores só encontrariam, anos depois, em títulos como BLADE RUNNER — PERIGO IMINENTE (1982, Ridley Scott), MATRIX (1999, Wachowski) ou eXistenZ (1999, David Cronenberg). Obra visionária, em todos sentidos, à qual se recomenda urgente e firme descoberta.
São raras as expressões artísticas que detêm um carácter tão "plástico" como o Cinema. Enquanto existir material filmado, previamente descartado na sala de montagem mas disponível para visualização, será sempre possível observar as diferentes nuances de uma sequência sobejamente conhecida, descobrir momentos cinematográficos que se tornariam inesquecíveis ou absorver significados totalmente diferentes nos filmes que amamos.
A revitalização de sequências cortadas ganhou impulso com os director's cut (prática popularizada por Ridley Scott no seu BLADE RUNNER — PERIGO IMINENTE) de vários títulos, transformando a sua visualização em algo de emocionante para qualquer cinéfilo. Os momentos memoráveis também são feitos de sequências que, durante algum tempo, estiveram afastadas do olhar do grande público. Assim, aqui ficam cinco exemplos, acompanhados da habitual menção honrosa, de como "filme acabado" pode ser termo bastante enganador...
Um dos aspectos mais brilhantes de ALIEN — O 8º PASSAGEIRO é a sua sonoplastia, que desde o genérico coloca o espectador em permanente sentido de alerta, muito antes da revelação dos horrores que se abatem sobre a tripulação da Nostromo (e convém recordar que tal só sucede a partir da hora de filme...).
Resignados, por intermédio do computador de bordo, a investigar um sinal acústico de origem desconhecida, cedo se procede à sua descodificação. E caso esta sequência estivesse incluída na montagem final, a natureza agressiva do som assumir-se-ia como um dos primeiros grandes "sustos" do filme.
A semântica e grandiloquência das palestras de "auto-motivação masculina", promovidas por Frank 'TJ' Mackey (Tom Cruise), constituem um dos momentos altos do impressionante filme-mosaico que é MAGNOLIA. Contudo, observar o próprio Mackey a colocar em prática os seus "ensinamentos" oferece toda uma nova dimensão, não só à própria personagem, como também ao contexto dramático em que se insere.
Continuo a achar que Tom Cruise deveria ter sido o recipiente do Óscar de Melhor Actor Secundário daquele ano. Para além da convicção com que proferiu frases como "Respect the cock!" ou "Fucking Denise! Denise the Piece!", eis aqui mais alguns argumentos para apoiar esta opinião...
Neste que é, para mim, o "rei" de todos os mockumentaries, o processo de montagem foi tudo menos nobre. Embora os motivos que justificaram o corte de sequências como esta, ou desta também, permaneçam em mistério, há que agradecer aos deuses da preservação cinematográfica pelo quarto lugar da presente lista.
Bruno Kirby, no papel do motorista dos Spinal Tap, descobre, da forma mais hilariante possível, os surpreendentes efeitos de substâncias psicotrópicas — e somos brindados com uma preciosa amostra do talento de Kirby, actor a quem falta prestar devido reconhecimento mediático.
Neste tour de force cuja duração excede os 190 minutos, excisar-lhe uma sequência de dez minutos que encena uma reunião pouco amistosa entre Richard Nixon e Richard Helms, naquela altura director da CIA, afigurou-se como decisão lógica e nada prejudicial para a compreensão integral deste magnífico e subvalorizado biopic.
Embora se limite a reforçar temas sobre a vida de Nixon que o filme já explora em vários momentos-chave — as memórias traumáticas da sua infância, o passado político obscuro, os caminhos sinuosos que a sua Administração percorreu, etc. —, merece destaque nesta lista por provar que é possível haver dinâmica num "simples" confronto de palavras e ideias, enriquecida pelo (saudoso) estilo de montagem histórico-intelectual de Oliver Stone e ainda nos proporciona uma fabulosa declamação do poema The Second Coming, de W.B. Yeats. Electrizante.
Só com o argumento de que "abrandaria o ritmo" do filme se pode explicar a omissão desta hilariante sequência. Reveladora do lado mais bipolar e diabólico de Sam Quint (Robert Shaw) que só testemunhamos na última meia hora de filme, vemo-lo aqui entretido a atormentar os esforços de um jovem clarinetista durante uma interpretação da Nona Sinfonia de Beethoven.
Sendo tarefa quase impossível determinar o seu contexto no filme de Spielberg, atesta que Quint será, muito provavelmente, a primeira personagem da história do Cinema a merecer um filme só seu — fosse ele prequela ou spin-off...
Cameron Crowe afirmou que, caso soubesse que lhe seria vedada permissão para incluir esta sequência na montagem final, muito provavelmente nunca faria QUASE FAMOSOS. À última da hora, a produção não conseguiu assegurar os direitos de «Stairway to Heaven», dos Led Zeppelin, e observando a cena, percebe-se como não faria qualquer sentido utilizar outro tema que não esse para o jovem protagonista (Patrick Fugit) demonstrar à sua mãe (Frances McDormand), reticente em deixar o filho adolescente acompanhar uma tournée de um grupo musical, o poder do rock'n'roll.
Dez fabulosos minutos de Cinema, recheados de elementos visuais e sonoros que nenhum cinéfilo se deveria privar de assistir.
"I turned down so many movies because I was idealistic. I was so pure. I didn't really take advantage of the opportunities. If I had the same chances today I would take them all because you never know where it will lead."
Um dos principais discípulos de Lee Strasberg no Actor's Studio, detentor de intensidade e carisma inigualáveis e com presenças assíduas tanto no grande ecrã como em palco, a carreira de Ben Gazzara no Cinema ficou indelevelmente associada à do icónico John Cassavetes, para quem protagonizou MARIDOS (1970), A MORTE DE UM APOSTADOR CHINÊS (1976) e NOITE DE ESTREIA (1977).
«Not since young Hutter arrived at Orlok's castle in NOSFERATU has a journey to a dreaded house been more fearsome than the one in THE WOMAN IN BLACK.» Roger Ebert, Chicago Sun-Times.
«Helmer James Watkins (EDEN LAKE) and scripter Jane Goldman judiciously combine moves from the classic scare-'em-ups with new tricks from recent J-horror pictures to retell Susan Hill's oft-adapted Victorian gothic pastiche.» Leslie Felperin, Variety.
«Less gore is more here, and what a relief. THE WOMAN IN BLACK isn't especially scary, but it keeps you on edge, and without the usual vivisectionist imagery» Manohla Dargis, The New York Times.
«An old-fashioned, tastefully constrained supernatural thriller, THE WOMAN IN BLACK embraces the elements of gothic horror movies with pleasing seriousness.» Lisa Schwarzbaum, Entertainment Weekly.
«The pleasures of the period ghost story THE WOMAN IN BLACK are something like the creepy shiver of delight you get from Edward Gorey's illustrated poem "The Gashlycrumb Tinies."» Stephanie Zacharek, Movieline.
A "urna" está fechada, eis o momento de divulgar os resultados!
Uma vez mais, os índices de participação bateram o registado nas edições anteriores — cada item ultrapassou os setenta votos e houve "disputa" renhida mesmo até ao último dia.
Assim, aqui ficam os vencedores (e, digamos, os "vice-campeões") da 4ª edição dos «Óscares de Marketing Cinematográfico», iniciativa do Keyzer Soze's Place apresentada no início de Janeiro:
A) Melhor Poster de 2011
MEIA-NOITE EM PARIS
2º lugar: SUPER 8
B) Melhor Trailer de 2011
CISNE NEGRO
2º lugar: ROAD TO NOWHERE — SEM DESTINO
C) Melhor Site Oficial de 2011
A ÁRVORE DA VIDA
2º lugar: A TOUPEIRA
D) Melhor Campanha Publicitária de 2011
SUPER 8
2º lugar: SUCKER PUNCH — MUNDO SURREAL
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Os vencedores coincidem com as vossas escolhas? Ou com os runner-ups? Seja ou não esse o caso, apresento a todos os que participaram, comentaram e visitaram a iniciativa, e da mesma forma, o meu profundo obrigado!
Keyzer Soze é um personagem do filme de 1995, OS SUSPEITOS DO COSTUME.
Soze era o líder de uma secreta organização criminosa; a sua impiedosa personalidade e obscura influência granjeou-lhe um estatuto quase mítico entre agentes da lei e gangsters.
O seu papel no supreendente twist final do filme tornou-se num dos ícones da cultura popular dos anos 90.