domingo, abril 08, 2012

O Síndroma do Vinagre



«Mal causado pela formação de ácido acético (o ácido do vinagre), em resultado da exposição da película a níveis de temperatura e humidade inadequados.»

Assim se apresenta e posiciona o novo projecto on-line aliado do Keyzer Soze's Place, o qual nunca escondeu o seu fascínio e preocupação pelo estado actual da película enquanto suporte de produção e ferramenta de exibição cinematográficas e que, com esta página dedicada à actualidade e reflexão sobre preservação, restauração e exibição de Cinema em película de 35mm, procurará assumir uma pequena voz de "revolta" perante o avassalador domínio dos formatos digitais na produção e distribuição da Sétima Arte.

O Síndroma do Vinagre está assim inaugurado. E aguarda a vossa visita.

Vogue



Jessica Chastain, provavelmente a actriz norte-americana mais solicitada da actualidade, arranjou tempo na sua agenda para deslumbrar através desta sessão fotográfica (da autoria de Michelangelo di Battista) para a Vogue italiana de Abril.

Imagens de sensualidade contemporânea e panorama old school, através da actriz que melhor canaliza, em Hollywood, essas duas características:











[Fonte: The Improper.]

sexta-feira, abril 06, 2012

Hollywood Buzz #163

O que se diz lá fora sobre KEYHOLE, de Guy Maddin:



«Maddin's singular humor and fabulous black-and-white mise-en-scene can't sustain this fever dream beyond its initial fascination, making for an intriguing transitional work unlikely to broaden his audience.»
Justin Chang, Variety.

«To a die-hard Maddinite this may be a little disappointing, but for that reason KEYHOLE may also be a perfect gateway into the bizarre and fertile world of a unique film artist.»
A.O. Scott, The New York Times.

«An exercise in opaque supernatural storytelling that's as frustrating as it is beguiling.»
David Rooney, The Hollywood Reporter.

«KEYHOLE's flashes of actual B-movie coherence are enough to make longtime Maddin-watchers wonder if he could've played this material straighter, with more of a plot and fewer reveries.»
Noel Murray, The A.V. Club.

«KEYHOLE never comes together, but that's part of Maddin's creed. He makes movies about movies to express his love for movies, which is to say he makes movies about himself.»
Eric Kohn, indieWIRE.

quinta-feira, abril 05, 2012

Antestreia da Semana



Pot growers Ben and Chon face off against the Mexican drug cartel who kidnapped their shared girlfriend.

À primeira vista, não parece indiciar o regresso de Oliver Stone enquanto cineasta, temática e visualmente, provocador e mordaz. Contudo, e pelas primeiras imagens desta adaptação do romance homónimo de Don Winslow, SAVAGES descortina uma atmosfera de filme de acção dos anos 90 e um conjunto de personagens over-the-top (sobretudo, as de John Travolta e Salma Hayek) suficiente interessantes para mantermos o filme sob o nosso "radar" durante os próximos meses.

No elenco, contam-se também os nomes de Blake Lively, Taylor Kitsch, Emile Hirsch, Uma Thurman, Benicio Del Toro e Aaron Johnson.



Estreia prevista, em Portugal, para 04 de Outubro de 2012.

terça-feira, abril 03, 2012

Jukebox #27

(«Jukebox»: boa música e os videoclips mais criativos do ponto de vista cinematográfico).

. David Lynch, «Crazy Clown Time»



«It's the party we wish we were always at. It got babes with their boobs out, a dude with his mohawk on fire, and the place is so trashed you could do whatever you want and no-one would notice. It's genius». Ou como Noisey, vice-presidente do canal de música do YouTube, resume o videoclip que David Lynch assinou para o single que dá nome ao seu próprio e mais recente trabalho musical.

Estamos em puro território lynchiano, com direito à "etiqueta" de vídeo para maiores de 16 anos. Motivo mais que suficiente para se vislumbrar sete minutos desregrados, dementes e burlescos ao som do falsete de Lynch:



segunda-feira, abril 02, 2012

Agenda Cinematográfica

:: 9500 CINECLUBE DE PONTA DELGADA ::

DERSU UZALA — A ÁGUIA DAS ESTEPES (1975), de Akira Kurosawa



A acção do filme decorre nas Estepes da Sibéria, no limiar do séc. XX, e aborda a relação entre um jovem oficial czarista (Yuri Solomin) que chefia uma expedição cartográfica e um velho lenhador (Maksim Munzuk) de uma tribo local, contratado como guia da missão. Originários de universos totalmente diferentes, os dois homens acabam por partilhar fraternalmente os mesmos perigos e emoções, cimentando uma profunda amizade nascida da sua vivência, vulnerabilidade e resistência ante uma natureza adversa e imensa.

Vencedor do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.



Hoje, pelas 21h30, no Cine Solmar.

domingo, abril 01, 2012

Antecipando o guilty pleasure #4



Não é realizado por Paul Verhoeven, nem lista Arnold Schwarzenegger e Sharon Stone no elenco, e não aparenta possuir a atmosfera kitsch do original de 1990. Ainda por cima, trata-se de um remake.

Ou, de acordo com os produtores, uma reinterpretação da short story "We Can Remember It For You Wholesale" de Philip K. Dick. A qual, e a julgar pelas primeiras imagens proporcionadas no trailer divulgado hoje, será graficamente mais estilizada, infundida do ritmo 'shoot 'em up característico de Len Wiseman e promete uma luta repleta de "estardalhaço" entre Kate Beckinsale e Jessica Biel.

Sim, estão reunidos aqui alguns ingredientes para que TOTAL RECALL, versão 2012, se converta num guilty pleasure deste estaminé...



Críticas da Semana

Breve resumo dos principais filmes visualizados esta semana:

. FAUST
. POLISSIA
. VERGONHA
. CORIOLANO

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. FAUST (2011), de Aleksandr Sokurov



Um médico (Johannes Zeiler) vende a sua alma ao diabo em troca de conhecimento.



Leão de Ouro no último Festival de Veneza e filme de árdua categorização, FAUST é, indubitavelmente, produto exclusivo da visão de Sokurov: aqui, apenas se encontram resquícios de Goethe e Mann e privilegia-se as idiossincrasias do cineasta russo. A obra poderá sofrer tematicamente, através do seu existencialismo filosófico e dedicado aos efeitos nocivos do poder na natureza humana (refira-se que FAUST é a conclusão de uma tetralogia sobre essa tese, da qual constam MOLOKH, TELETS e SOLNTSE), mas em contrapartida é-nos servido um colorido "tratado" sobre excesso e a imperiosa necessidade do meio termo na nossa vida.

Misterioso mas opiáceo, simultaneamente profano e sagrado, quase inacessível mas surpreendentemente divertido, surreal mas de reconstituição histórica verosímil, FAUST desenrola-se, apesar da magnífica fotografia que invoca Vermeer ou Herri Bles, na sombra dos seus predicados ideológicos e da excentricidade visual do realizador sem atingir um equilíbrio narrativo e de imagética constante. No entanto, e por consentir variedade interpretativa, é de visualização muito recomendada.

. POLISSIA (2011), de Maïwenn Le Besco



A rotina diária dos polícias da Unidade de Protecção a Crianças face à busca de equilíbrio entre as suas vidas pessoais e a realidade que enfrentam todos os dias.



Se existem títulos cujo reconhecimento generalizado acaba por nos surpreender pela negativa, este será definitivamente um dos melhores exemplos recentes — e até lhe tem associado um Prémio do Júri de Cannes. Numa mistura de cinema vérité e Grande Reportagem da TVI, apresenta um conjunto de vinhetas supostamente pungentes — e intercruzadas, por um débil exercício de montagem, com a vida pessoal dos membros daquela brigada — que possui o único condão de banalizar os assuntos abordados.

O interesse em POLISSIA acontece, somente, durante a exposição dos contornos da hipotética ausência de ética profissional e sensibilidade/empatia humana no seio de uma das vertentes mais melindrosos da investigação policial. São os melhores momentos forjados por Maïwenn Le Besco mas, perante a restante inépcia demonstrada, fica no ar a dúvida se essa intenção no filme alguma vez existiu...

. VERGONHA (2011), de Steve McQueen



Brandon (Michael Fassbender) é um jovem de sucesso em Nova Iorque. Para se distrair da monotonia do dia-a-dia, seduz mulheres, embrenhando-se numa série de casos de uma só noite. No entanto, o seu estilo de vida entra em colapso quando a sua irmã Sissy (Carey Mulligan), uma jovem rebelde e conturbada, aparece inesperadamente.



Exemplo fulgurante e incondicional de filme que "entranha mas nunca se estranha", mesmo perante a sordidez das suas imagens e circunstâncias, VERGONHA confirma o seu estatuto de proeza cinematográfica do ano transacto não só pelo retrato humanamente sombrio, de um hedonismo camuflado de sex addiction — a obsessão pelo prazer imediato e egoísta aqui detalhada poderia muito bem aplicar-se a um heroinómano ou viciado no jogo — e da alienação social do seu protagonista, como também pela "geometria" dos corpos, rostos e espaços (num registo frio e absolutamente anti-erótico) de Steve McQueen, que não concede, nem por um minuto, conforto ao espectador.

Se tematicamente estamos perante algo de complexo, inexorável e emocionalmente devastador, VERGONHA transporta essas características também para a problemática relação fraternal de Brandon e Sissy, num excelente trabalho de química confrontacional entre Fassbender e Mulligan. Obrigatório, cuja visualização nunca deverá ficar tolhida por puritanismos nem conservadorismos.

. CORIOLANO (2011), de Ralph Fiennes



Caius Martius Coriolano (Ralph Fiennes), um reverenciado e temido general romano, mostra-se relutante em insinuar-se junto das massas, cujos votos necessita para assegurar o cargo de Cônsul. Quando o povo se recusa a apoiá-lo, a raiva de Coriolano gera um motim que culmina na sua expulsão de Roma. O herói banido alia-se então ao seu jurado inimigo Tullus Aufidius (Gerald Butler) para se vingar da cidade.



Para lá de todo o revisionismo histórico da primeira experiência de Fiennes na cadeira de realizador, preserva-se a atmosfera shakespeariana de lealdade familiar, intriga política e traição pessoal, assim como a virilidade das personagens e acontecimentos de CORIOLANO — até Volumnia (uma fulgurante Vanessa Redgrave), mãe do herói do título, tem a determinação própria de um líder romano —, ao mesmo tempo que o interessante ensaio de paralelismo com os nossos tempos (sentido de dever público no exercício de cargos políticos, austeridade económica, inquietação e manipulação populares, etc.) comprovam como a actualidade não está tão diferente da do bardo de Stratford-upon-Avon.

Embora a modernização cinematográfica de tragédias de Shakespeare não seja um fenómeno novo — basta lembrarmo-nos de ROMEU + JULIETA (1996, Baz Luhrmann) ou TITUS (1999, Julie Taymor) —, o facto de esta ser supervisionada por esse "animal de palco shakespeariano" chamado Ralph Fiennes é motivo suficiente para se apoiar todas as decisões estéticas que a sustentam, incluindo a (para alguns) polémica manutenção do arcaísmo dos diálogos. Muito recomendado.