... segundo as palavras do derradeiro participante desta iniciativa — a saber, o ArmPauloFer, do blog Ecos Imprevistos:
Fazer uma escolha dos 10 filmes da minha vida não é uma tarefa assim tão simples quanto parecia. Perante tal dilema, decidi que os 10 filmes teriam de representar a evolução de quem sou e com isso serem escolhas irrevogáveis. Escolhas que, apesar de subjectivas, não mudem nem hoje nem daqui a 40 anos e por isso intensamente profundas para mim.
. SUPER-HOMEM
(1978, Superman, Richard Donner)
Ser criança, ler comics, ter o Super no top dos preferidos, tentar fazer desenhos dele... e um dia ver em imagem real que este homem realmente voa, segura um helicóptero com uma mão e faz de linha férrea para impedir o descarrilar dum comboio (e muito mais no mesmo decorrer de filme), com tudo tão bem feito, com uma icónica banda-sonora tão imponente que ainda hoje me arrepia (verídico)... foi memorável até hoje. Exibido numa Quarta-feira, na "Lotação Esgotada" da RTP1, fez com que na primária não se falasse de mais nada nos dias seguintes (o mesmo sucedeu com o Rambo...).
Em casa, andei muitas vezes com uma toalha pelas costas a fazer de capa, a desenhar montes de Superman e especialmente o "S" com obsessão. Ainda hoje o faço...
O verdadeiro primeiro filme da minha vida, pelo impacto que teve (as repercussões chegam até à minha profissão — artes gráficas) e um que relembro constantemente ao longo dos anos.
Ao lado deste e com igual impacto, o primeiro BATMAN de Tim Burton... ambos são inabaláveis.
. REGRESSO AO FUTURO
(1985, Back to the Future, Robert Zemeckis)
Este filme representa a primeira vez que fui ao cinema e a sair da sala totalmente maravilhado. Já tinha ido antes mas eu queria era mais maravilhamento, coisa que o MÚSICA NO CORAÇÃO não foi suficiente.
O Michael J.Fox no skate, a canção do Huey Lewis, as portas do carro que abriam para cima, que na verdade é uma máquina do tempo que deixa trilhos de fogo quando parte, um cientista maluco espectacular, paradoxos temporais e existenciais, diversas linhas temporais, uma grande aventura... isto era magia pura!!!
Era um puto de 10 anos em êxtase e o título do filme até serviu de razão para o professor de inglês, na preparatória, evidenciar as diferenças do inglês americano para o de Londres. A utilidade pedagógica do cinema...
. A LISTA DE SCHINDLER
(1993, Schindler's List, Steven Spielberg)
Com este filme Spielberg reúne tudo o que de melhor sabe e para mim ergue talvez mesmo a sua obra-prima de sempre. Não só é um belíssimo tributo a Schindler e ao legado deixado, como serve de visao personalizada da guerra, do holocausto nazi, da recessão, da fome, etc... como também por nos colocar junto das vitimas desafortunadas e sobretudo da tremenda luta que Schindler travou pelos "seus" judeus.
A "magia" visual de Spielberg também foi aplicada nesta obra ao preto-e-branco, pois o quanto nos marca e intriga os vislumbres da criança a cores...
Avassalador!
. PULP FICTION
(1994, Pulp Fiction, Quentin Tarantino)
Tinha ficado impressionado com o CÃES DANADOS numa exibição no Fantasporto e lá fui ver este, que até despertava curiosidade em ver como se safava a portuguesa Maria de Medeiros num filme americano. Quando saí da sala de cinema (o extinto Lumiere -Porto), estava de sorriso largo. Encheu-me as medidas este tremendo filme puzzle sem perder de vista a "pop culture" e mais que isso, que inesquecível banda-sonora!
Não foi à toa que foi o primeiro CD de uma OST que adquiri e também o meu primeiro DVD (nem leitor tinha sequer).
É para mim a obra-prima absoluta de Quentin Tarantino. Incontornável!
. TOY STORY: OS RIVAIS
(1995, Toy Story, John Lasseter)
Quando saiu fui ver e... naquele momento percebi claramente que esta animação era especial sob qualquer perspectiva. Um filme singular e sem igual, acima de tudo pela novidade de ser gerado inteiramente por computador e, apesar de todo o artificio técnico, sabia contar uma história com sub-textos de interpretação e sem esquecer o encantamento duma boa fantasia muito bem pensada. Revolucionário inquestionável!
Depois deste filme o nome Pixar ficou logo assimilado.
. ADEUS, PAI
(1996, Adeus, Pai, Luís Filipe Rocha)
Não foi o primeiro filme português que me levou ao cinema mas foi aquele que mais me impressionou e marcou. Um filme onde o termo "E se?" perdurou sempre na minha mente. No fundo, é uma criança que quer mais do seu pai... e o seu pai o atende mas tem um "adeus" no horizonte. Enternecedor, muito bom o exercício, magico e marcante. E surpreende com um final onde é o espectador que leva consigo a missão de aprender algo com esta história. Grande cinema moderno português!
. A MULHER QUE VIVEU DUAS VEZES
(1958, Vertigo, Alfred Hitchcock)
A semente cinéfila desenvolveu-se imenso nesta fase, desde as conversas com outros estudantes. Foi sobretudo, quando o grande cinefilo-critico Bénard da Costa, conduzia os seus programas cinéfilos na RTP2, gradualmente apresentando obras para a descoberta acontecer no espectador com entusiasmo.
Naquela altura, aqueles programas foram autênticas aulas de cinema, funcionavam por ciclos semanais e passando por diversos nomes importantes por semana, do Orson Welles a todos os outros, mas o desfile Hitchcock foi tão forte que parava ali quieto para nada perder, sendo o culminar a forma apaixonada como Bénard da Costa apresentou VERTIGO, onde primeiro contextualizou o que iríamos ver e depois de exibido regressaria para o debater, dando ênfase aos pontos chaves desta magnifico filme de Hitchcock. Gigantes: filme, realizador e o critico-didáctico.
. O QUARTO MANDAMENTO
(1942, The Magnificent Ambersons, Orson Welles)
nesquecível. Este é o filme de Welles que mais me impressionou, especialmente pela narrativa. Tenho a impressão que ficou sempre na sombra do CITIZEN KANE mas deixou-me encantado totalmente. Welles trata esta obra sobre a ascensão e queda de uma família, como um verdadeiro épico, que atravessa os tempos pontuado pela voz-off do realizador. Considero-o uma obra-prima!
. MATRIX
(1999, The Matrix, Andy e Larry Wachowski)
"What is the matrix?" era esta a pergunta que nos entregava o marketing, que de uma assentada só colocava o cerne da intriga na mente do ansioso espectador. E eu era um desses ansiosos em 1999. Digo, da minha apreciação que me significou imenso, maravilhou-me a todos os níveis a pontos de ser um pessoal standard cinéfilo de entretenimento de acção que atravessa tantos outros géneros com brilhantismo, tudo isto numa narrativa muito elaborada e com imensos sub-textos dignos de reflexão.
. DISPONÍVEL PARA AMAR
(2000, Fa yeung nin wa, Wong Kar Wai)
Tenho um fascínio tremendo por esta obra. A dolência da imagem, o apuro visual, a precisão da banda-sonora, o design de produção, o vestuário e toda a classe que emana num historia marcante onde a honra e princípios sociais retiram o poder de entrega física a duas pessoas que sabem terem sido traídas pelos cônjuges e acabam ambos descobrindo um verdadeiro amor mútuo... mas impedem-se de consumar tão forte amor. Magnífico!
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Obrigado, Armindo, pela tua participação!
Obrigado Samuel por tudo (especialmente a paciência).
ResponderEliminarEspero que apreciem e entendam a minha lista... na verdade ela foi desenvolvida como uma sólida timeline com paragem em 2001 mas, e tal como nos filmes, até poderia ter uma sequela e espero que muitos mais filmes me marquem a vida.
Não espero impressionar ninguém mas sim mostrar uma faceta pessoal traduzida por filmes... os da minha vida!
Obrigado eu, Armindo!
ResponderEliminarEssa sempre foi a intenção desta iniciativa: uma "expressão pessoal" de cada blogger a partir dos 10 filmes que mais o marcaram.
Em 34 participações, julgo que essa vontade foi cumprida.
Cumps cinéfilos.
Bela lista sem dúvida, e à parte de serem pessoais e demarcantes de uma evolução, tem filmes de altíssima qualidade. Retenho Matrix e Disponível para Amar também como objectos da minha mais profunda admiração.
ResponderEliminarAs tuas palavras vão certamente apressar a minha visualização de The Magnificent Ambersons (o qual já tinha e que está há imenso tempo para ser visto).
abraço
Continuo a achar que o The Magnificent Ambersons é o melhor Welles ;)
ResponderEliminarJorge e Narrador Subjectivo: Muito obrigado pelas palavras de apoio, que muito apreciei.
ResponderEliminarO segundo filme de Orson Welles foi sempre aquele que mais me fascinou, apesar de admitir que ele terá obras melhores. Mas "The Magnificent Ambersons" é um drama que me deslumbrou com total admiração.
Dizem que é uma das melhores adaptações de sempre de uma obra literária... e só soube disso há pouco tempo. Welles sabia bem o que fazia!
Samuel: mais uma vez agradeço a honra da minha participação no teu espaço.