segunda-feira, janeiro 12, 2004

ANIME (de volta) NA TV PORTUGUESA



Uma das minhas grandes paixões, relativamente a cinema, sempre foi a animação. Lembro-me que a primeira longa-metragem de animação que vi foi o BAMBI, e confesso que chorei baba e ranho quando a mãe do pequeno veado morre. Todavia, ao longo dos anos, fui demonstrando um contínuo interesse pelos desenhos animados que se iam fazendo no outro lado do mundo, sobretudo os nipónicos.
Paralelamente a esta atracção pela Anime (nome que se utiliza para designar a animação japonesa), conviveu uma certa desilusão devido ao facto de as televisões portuguesas nunca terem dado um bom tratamento às séries produzidas em massa no país do Sol Nascente. Passavam-nas quando o rei fazia anos, e a ordem dos episódios raramente era respeitada. Eram óasis num deserto composto por grãos de areia "produzida" nos EUA e na Itália. Apesar disso, por vezes sou surpreendido.
É exemplo o que aconteceu hoje, quando instintivamente liguei a TV na Sic Radical. Foi com imenso gáudio e palavras de louvor que verifiquei que a secção BANZAI está de volta ao canal, agora apresentando a série de culto BUBBLEGUM CRISIS - uma história passada em 2040, onde uma equipa de mercenárias tenta livrar Tóquio das forças bélicas duma empresa super-corrupta, a Genom. Embora não saiba os nomes das personagens (porém, já pude constatar que duas delas chamam-se Priss e Leon, óbvia referência a BLADE RUNNER) nem o contexto do argumento sem antes ter feito uma pesquisa, devo referir dois aspectos:
1º - a série está legendada e as vozes são as originais (ou seja, os "bonecos" falam em japonês e não naquelas dobragens irritantes!);
2º - BUBBLEGUM CRISIS é um excelente ponto de partida para quem quer começar a ganhar o gosto pela Anime. Não é subversivamente violenta (existem confrontos, mas a violência apresentada é tão surreal que não consegue ser levada a sério), não há litros de sangue e nem sexo nem mulheres nuas. Para além disso, estão presentes todas as marcas que compõem o estilo Anime - desde a pluralidade de temas aos sinais físicos que caracterizam os seus personagens.
E agora uma sugestão: e se continuassem o bom trabalho, transmitindo por exemplo o COWBOY BEBOP ou BLUE SUBMARINE 6? Seria oiro sob azul...

P.S.: BUBBLEGUM CRISIS na Sic Radical, todas as segundas feiras às 08:30 e 19:30!



domingo, janeiro 11, 2004

LISTA DOS 5 FILMES MAIS INJUSTIÇADOS DA HISTÓRIA

Por ordem decrescente:

5º OPERAÇÃO SWORDFISH (2001), por razões óbvias: o atentado ao WTC foi determinante para o fraco resultado de bilheteiras nos EUA. Compreendo que há sequências que fazem lembrar a tragédia, o tema fulcral é o terrorismo, mas afinal qual foi a nação que durante anos exportou filmes com atentados bombistas, ataques alienígenas arrasadores e vilões armados até aos dentes com bombas atómicas? Acho que não preciso de responder...

4º REVELAÇÃO (1994), por estar adiantado ao seu tempo. Creio que as mulheres (na altura, as principais detractoras da película) deviam ter orgulho neste filme. Afinal, quantas vezes uma personagem já foi demonstrada com tanta força como neste filme? Talvez a Sigourney Weaver, no ALIENS (1986)...

3º OS OLHOS DA SERPENTE (1998), por ser o mais palmaniano dos filmes de Brian DePalma. Quem tiver dois dedos de testa e perceber de cinema, saberá que os temas principais da sua filmografia sempre foram a (cada vez mais) constante vigilância das nossas vidas, a ameaça omnipresente das câmaras de segurança, as barreiras à nossa liberdade. Estão todos aqui, é só saber procurar bem.

2º O JOGO (1997), pelo argumento mais original e ousado desde SCARFACE. É verdade que a história poderá parecer um bocado recambolesca, mas também é verdade que gostamos de ser surpreendidos (pelo menos, eu gosto!). Ou será enganados pelo poder das imagens?

E o 1º lugar vai para: O ÚLTIMO GRANDE HERÓI (1993), pela maior sentido de auto-ironia dum actor da História do Cinema. Concordo que as habilidades de performance de Schwarzenegger estão muito aquém dum Denzel Washington, mas é de louvar a coragem duma celebridade ao parodiar a sua imagem e os seus filmes numa obra assinada por um dos realizadores que ajudaram a criar o estatuto de mega-star que Arnold detém na actualidade: falamos de John McTierman, que o dirigiu em PREDADOR. Hilariante a referência a Shakespeare, que pertence à minha galeria de melhores momentos cómicos de sempre.


CINEMA vs. CONTROVÉRSIA

Se há coisa que sempre me causou grande impressão é a polémica de que se rodeia certos filmes, mesmo quando os mesmos não têm nenhuma mensagem abertamente controversa. E, salvo raras excepções, essa polémica provem dos sítios mais improváveis, fora do âmbito da produção da película em causa.
Todos estão ao corrente do que aconteceu a filmes como FIGHT CLUB ou SWORDFISH, títulos altamente marcados pelo selo da polémica. O primeiro viu a sua estreia adiada devido ao massacre no colégio de Columbine (EUA), em 1999; o segundo estreou uma semana antes do atentado ao WTC, sendo obrigado a "retirar-se" das salas em que estava em exibição. As razões foram nobres, disso não haja dúvidas. Contudo, os senhores que tomaram essa decisão esqueceram-se duma coisa: são obras de ficção! Ou terão tido receio de que o público se aperceba da realidade que o envolve?
Bom, mas não é por aí que vou entrar (senão, ainda vão pensar que é mesmo o Keyser Soze o webmaster deste blog!). Serve esta introdução para apresentar-vos a polémica que já está a marcar o novo filme de animação da Dreamworks, a estrear em Outubro, SHARK TALE (www.sharktale.com). Acerca deste título, ainda pouco se sabe - é uma história da Mafia subaquática com uma constelação de estrelas do cinema moderno (De Niro, Will Smith, Angelina Jolie,...). Contudo, as vozes de discórdia são muitas.
Durante uma das minhas (habituais) rondas pelo IMDB, encontrei por acaso um fórum de discussão com o título: "Boicote planeado para SHARK TALE da Associação de Italo-Americanos". Aí, a associação critica a imagem que Hollywood dá àquela comunidade, amíudemente associada ao crime organizado. Como se fosse uma grandiosa conspiração, o autor desse fórum dispara em todas as direcções, tentando-nos convencer de que se trata duma versão d'Os Sopranos para crianças. Tive logo vontade de refutar, de gritar que era tudo um disparate, mas conti-me. Que diabo! O filme só estreia em Outubro, ainda não há UM único trailer disponível e já se diz que um filme de animação vai influenciar negativamente o público infantil!
É por este tipo de influências que obras como as que citei no primeiro parágrafo foram tão injustiçadas, crítica e financeiramente. O repto que lanço hoje é que se deixe de confundir ficção com realidade. Por mais que esta doa ou seja penosa de assistir, considero que a magia do cinema devia estar imune às polémicas que se desenrolam fora dos ecrãs. Devia haver uma lei que o proibísse! Já pensaram no que podia ser se deixassemos de comparar a(s) nossa(s) vida(s) com a que passam nos filmes? Pensem nisso...

P.S. - se estiverem interessados em acompanhar a "discussão", aki vai o link:http://www.imdb.com/title/tt0307453/board/nest/4500121


Para mim, falar e debater sobre cinema começou por ser uma actividade verbal, sobretudo com o meu avô, responsável pela minha paixão pela 7ª Arte. Eram diálogos bastante pacíficos (do género:"poça avô, já disse que não gosto do Cantinflas!") e frutíferos (do tipo: "poça rapaz, agora com essa conversa não percebi porque caiu o actor!"). Contudo, sempre fomos grandes companheiros no que tocava a ver um filme na sala de estar.
Mais tarde, aprendi a escrever e o papel transformou-se na primeira cobaia da "minha crítica cinematográfica". Sobretudo, desenhava aquele pormenor que mais me seduzira num dos desenhos animados que vira no fim-de-semana anterior.
Com a adolescência veio a maturidade, a maturidade influenciou o despoletar do gosto pela imprensa dedicada ao assunto, com a imprensa veio a consulta de obras dedicadas ao Cinema, com as obras literárias surgiu as minhas primeiras críticas dignas desse nome - críticas essas que seriam "publicadas" num dossier que, para mal dos meus pecados, se perdeu nas brumas do tempo.
Pouco tempo depois, surgiram nos meus horizontes o Microsoft Word e o Microsoft Publisher, software o qual permitiu durante uns tempos ver as minhas críticas em formato de publicação. Não era uma publicação nem diária, nem mensal (nem sequer anual), mas sim irregular - fazia-as quando havia tempo e força de vontade!
Finalmente, chegou a hora de verificar se tenho talento ou não para a arte de falar e debater sobre Cinema - realidade tornada possível graças à Internet. Em formato de Blog, irei abrir alas ao meu desejo de reflectir sobre todas as ordens e classes que constituem a 7ª Arte, aceitando de bom grado toda e qualquer opinião sobre o que escrevo. Opiniões mesmo acerca da qualidade do texto, se não for pedir demais.
Concluindo, o Mundo ganha mais um crítico de cinema. Se é bom ou não, só o tempo e as reacções do "público" o dirão. Mas que é uma paixão, ai isso é...


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