quarta-feira, setembro 21, 2005

INSTINTO FATAL (1992), de Paul Verhoeven



A SIC deu a muitos cinéfilos portugueses, esta madrugada, o privilégio de recordar aquele que é, de longe, o melhor thriller erótico alguma vez produzido por um grande estúdio norte-americano. Amplamente menosprezado pela crítica e agraciado pelos espectadores devido às cenas de sexo e ao antológico (des)cruzar de pernas de Sharon Stone, os principais valores deste filme recaem, na minha opinião, na eficácia da realização e subtis piscadelas de olho do argumento às vicissitudes da eterna guerra dos sexos.

Paul Verhoeven transforma o espectador, logo desde a sequência inicial, em voyeurs: o comportamento despretensioso e gelado das personagens, numa cena de sexo e dominação estimulantes, é o mote perfeito para as constantes contradições e reviravoltas a que a audiência está sujeita. De forma alguma se escondem as referências a Hitchcock (nomeadamente, os jogos do gato e do rato entre os protagonistas), sobretudo se tivermos em conta as figuras de Sharon Stone (loira, a transpirar sexualidade por todos os poros, distante, manipuladora e, por fim, a mais frágil das personagens) e de Michael Douglas (o detective arrastado para uma partida de enganos e transparências, plenamente atestado de testosterona e, no fim, o herói).



A somar à polémica de INSTINTO FATAL, encontramos o argumento de Joe Eszterhas, cujas técnicas de encobrimento da verdade duram até ao final da película; nem por um momento, o véu da desconfiança é erguido perante o espectador. O jogo de contrariedades começou na sua pena, onde os papéis de quem domina e de quem é dominado torna-se, ao fim de uma hora de filme, no "sangue nas veias" desta história.

Passados que estão 13 anos desde a estreia deste filme, ainda se registam hoje as mesmas reacções da altura, ao mesmo tempo que estamos prestes a assistir a um "renascimento" desta obra, agora que se anuncia uma sequela (Basic Instinct 2: Risk Addiction), novamente com Sharon Stone.

P.S.: encontra-se disponível, no mercado português, uma edição especial de 2 discos de INSTINTO FATAL, distribuída pela Universal Pictures Portugal. O melhor do menu de extras é, sem sombra de dúvida, o comentário audio do filme a cargo de Camille Paglia, colunista feminina com extenso trabalho dedicado ao que a própria apelida de "o lado obscuro da sexualidade humana". Se acrescentar que a referida edição até está a um preço acessível (€12.50 em alguns revendedores), é mesmo motivo para dizer «A Não Perder».

7 comentários:

André Batista disse...

Simplesmente um clássico do cinema!

S0LO disse...

É de facto, o melhor melhor thriller erótico que já tive oportunidade de ver. E aquele final que nos deixa a pensar? Muito bom :)!

Cumps. cinéfilos

brain-mixer disse...

Verhoeven no seu melhor! Eu adoro este realizador.

Francisco Mendes disse...

Como diz o Edgar, trata-se de Paul Verhoeven em grande forma. Muito bom thriller!

Anónimo disse...

o filme está muito bonito, sem sombra de duvidas, mas ainda assim prefiro o spot da William Lawson... lolololol... fika bem.

Anónimo disse...

ops, eskeci-me... lolol... sou eu, a lilia...lolol. jokas

Miguel Andrade disse...

Que bacana! E vc tem esta edição especial em DVD?