quarta-feira, agosto 31, 2005

ANTECIPAÇÃO DA SEMANA



É, segundo a crítica especializada, o melhor thriller da temporada. Baseado num best-seller de John LeCarré, THE CONSTANT GARDENER, realizado por Fernando Meirelles (o génio por detrás das câmaras de CIDADE DE DEUS) e protagonizado por Ralph Fiennes, Rachel Weisz e Pete Postlethwaite, revela-nos uma conspiração farmacêutica global, um conto de David contra Golias tendo como pano de fundo o deserto árido do Quénia.

Segundo alguns registos, THE CONSTANT GARDENER é já olhado como um dos grandes favoritos para a próxima cerimónia dos Óscares, podendo arrecadar, no mínimo, as nomeações para as categorias de representação.

O trailer pode ser visto aqui.

domingo, agosto 28, 2005

O "ESTILO" EM CINEMA - A propósito de «MAN ON FIRE»


Para quem dedica algum do seu tempo a ler e/ou a formular críticas cinematográficas, é muito usual reflectir-se sobre o termo "estilo" aplicado a um actor, realizador ou tipo de cinema em questão. Contudo, sou da opinião que não se deve descurar o uso do vocábulo só e apenas para um determinado título.

Exemplo disto mesmo é «MAN ON FIRE», de Tony Scott. Trata-se de um realizador que, tal como o seu irmão Ridley, é detentor duma forma muito própria (e, diga-se de passagem, muito sui generis) de filmar. Contudo, nesta película em particular, Scott foi ainda mais longe na tentativa de criar uma ambiência que definiu e permitiu a automática identificação, num primeiro visionamento, deste filme.

Passo a enumerar:
- do uso alternado de diversos planos e respectiva montagem veloz, à semelhança de um videoclip, até a sequências longas de diálogos com câmara fixa;
- a utilização de diversas técnicas de montagem (visual e sonora);
- a proliferação de modelos de tratamento fotográfico (cor, saturação de cor, preto e branco...);
- o estabelecimento de mise-en-scènes imaginativos;
- apesar de todo o seu rigor técnico, Scott ainda permitiu a si próprio o luxo de incluir uma sequência entre Denzel Washington e Dakota Fanning de pura improvisação...



Ame-se ou deteste-se, o que importa reter é que «MAN ON FIRE» é uma película de estilo singular. Apesar de ter sido recebida friamente pela crítica, a qual censurou o filme exactamente pelo seu excessivo estetismo, o que é certo é que não passou despercebido. A sua influência tem vindo a ser notada, sobretudo no circuito do cinema experimental, com excelentes resultados.



Por enquanto, e para finalizar, pretendo reforçar a minha convicção de que o cinema é, acima de tudo, uma arte visual, e que se recomenda vivamente qualquer realizador, conhecido ou desconhecido, que tenha a coragem de experimentar, numa era em que o Cinema parece ter aderido aos três R's do século XXI: reciclar, reutilizar e reinventar.

NB: para quem puder ter acesso à edição especial, de dois discos, lançada no nosso país pela LNK, recomendo que veja o extra "Cenas Cortadas", nos quais é possível assistir outros recursos estílisticos utilizados por Tony Scott nas sequências que ficaram no chão da sala de montagem...

terça-feira, agosto 23, 2005

O ASSASSÍNIO DE RICHARD NIXON



Acima de qualquer qualidade técnica ou narrativa, esta primeira obra do norte-americano Niels Mueller destaca (novamente) uma realidade de que poucos amantes do cinema devem discordar: Sean Penn é o melhor actor americano da sua geração, merecedor de todos e mais alguns louvores que lhe queiram prestar.

Inspirado na história verdadeira do homem que, em meados dos anos 70, planeou o desvio de um avião para o fazer embater contra a Casa Branca, assassinando o Presidente Nixon no processo, O ASSASSÍNIO DE RICHARD NIXON é, sobretudo, um estudo da insatisfação da "grande maioria silenciosa" do país mais poderoso do Mundo. Uma insatisfação notória tanto em 1974 como em 2005, originada pelos mesmos motivos: a guerra, a recessão económica, o desemprego, a burocracia, o racismo, etc.

Alternando sequências de extrema emoção com pitadas de tragicomédia, a força do filme provém do sociopata construído por Sean Penn, muito longe dos seus registos em A ÚLTIMA CAMINHADA (1995) e MYSTIC RIVER (2003), onde o denominador comum reside na capacidade da sua representação nos agarrar à história e às acções da personagem, cuja queda em espiral para a depressão, raiva e, por fim, criminalidade, é susceptível de provocar todo o tipo de sentimentos no espectador: incredulidade, confusão, ressentimento, aflição, compaixão e, na penosa sequência final da película, redenção.

Apesar de ter passado quase despercebido, O ASSASSÍNIO DE RICHARD NIXON é um filme a não perder, onde para além de Sean Penn, ressalvam-se os desempenhos de Naomi Watts, Don Cheadle e Jack Johnson, actor habituado a papéis de homem da lei, aqui convertido em patrão capitalista e impassível - o tipo de adjectivos que serviram de rastilho para a "bomba" que é o protagonista deste filme, numa luta inglória contra os poderes instalados que comandam as vidas dos Zé Ninguéns da sociedade.

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