terça-feira, setembro 27, 2005

"THERE ARE NO HOLIDAYS IN THE FIGHT AGAINST EVIL"



No passado dia 25 do corrente mês, faleceu, em Los Angeles, aquele que foi, para mim, o melhor actor cómico dos anos 60, Don Adams.

O principal responsável pelo sucesso da série OLHO VIVO (GET SMART, no original), o seu Maxwell Smart pertence ao colectivo de personagens capazes de me deixarem agarrado ao televisor, sempre ansioso por descobrir quais os novos gadgets que iriam estar ao seu dispôr, sempre desejoso de saber qual o maléfico plano que a KAOS tinha para destruir o mundo e sempre pronto para contar quantas vezes iria o Agente 86 (ou seja, Smart) escapar duma situação de perigo através da sua inépcia e notória falta de jeito.

Um adeus eterno, Maxwell Smart.

segunda-feira, setembro 26, 2005

DIVAS (SEMI-)ESQUECIDAS DO CINEMA

Post dedicado às actrizes que representaram em filmes de grande orçamento, visibilidade e/ou de culto que ficaram "esquecidas" de produtores e realizadores em geral. Em alguns casos, colaboraram em obras de notoriedade menor, noutros surgiram com menos frequência. Mas, para mim, são divas...


  • Rosamund Pike



Tornou-se famosa pelo seu papel de Miranda Frost, em 007 - DIA ANOTHER DAY e, desde então, não participou em mais nenhum título de relevo [à excepção, talvez, da versão mais recente de PRIDE & PREJUDICE (2005), de Jane Austen].
Da sua interpretação no último volume das aventuras de James Bond, causou impressão o seu charme, uma fria sexyness (que muito agradaria a Hitchcock) e a aparente certeza de um futuro promissor no cinema mainstream. Rosamund Pike ainda só celebrou 26 primaveras, mas...


  • Chiaki Kuriyama



A (quase) imortal Gogo, de KILL BILL - A VINGANÇA, deu um passo de gigante pela sua participação na obra de Tarantino, e muitos profetizaram que esta seria o trampolim da actriz para uma carreira no Ocidente. Pura ilusão.
Kuriyama ainda surgiu em algumas revistas de moda americanas e europeias, mas conseguiu resistir à tentação de receber ordenado em dólares, preferindo auferir em ienes, sobretudo de produções televisivas made in Japan. Contudo, o agressivo e sensual baloiçar da sua maça deixou-nos muitas saudades...


  • Mania Akbari



Esta compreendo que seja um verdadeiro mistério para a maioria dos leitores, mas a verdade é que se trata de uma actriz que deixou uma impressão indelével em DEZ (2002), de Abbas Kiarostami. A sua composição no título supracitado demonstra que esta iraniana, realizadora e produtora nos tempos livres, tem alma e talento para trabalhar mais assiduamente, merecendo honras de reconhecimento internacional. Um nome a não perder de vista.


  • Rie Rasmussen



Famosa, no mundo da 7ª Arte, pelo seu papel de vítima em FEMME FATALE, de Brian de Palma, esta "bomba" dinamarquesa seria a figura ideal para desempenhar, em sublime perfeição, o tipo de personagem que Rebecca Romjin-Stamos desempenha na obra referida. Por enquanto, Rie continua a dedicar-se mais às passarelles, mas não ficaram dúvidas quanto ao seu potencial cinematográfico...
(Em jeito de conclusão, fala-se que Rie Rasmussen está a estudar para se tornar realizadora de cinema).


  • Sean Young



Ganhou estatuto de diva com a eterna Rachel, de BLADE RUNNER. Desde então, desperdiçou o direito de pertencer a esse pedestal com obras indigestas e polémicas para tablóides cor-de-rosa. Ainda deu um ar da sua graça em 1987, com WALL STREET e ALTA TRAIÇÃO, mas nada mais.
Para mim, será sempre a replicant que se apaixona por Harrison Ford e questiona os motivos do seu interrogatório. Nas suas palavras, "Is this testing whether I'm a replicant or a lesbian, Mr. Deckard?".

P.S.: esta lista poderia ser muito maior e, desta forma, a vossa colaboração seria preciosa. Deixem as vossas sugestões e prometo voltar a abordar este tema num futuro post.

quarta-feira, setembro 21, 2005

INSTINTO FATAL (1992), de Paul Verhoeven



A SIC deu a muitos cinéfilos portugueses, esta madrugada, o privilégio de recordar aquele que é, de longe, o melhor thriller erótico alguma vez produzido por um grande estúdio norte-americano. Amplamente menosprezado pela crítica e agraciado pelos espectadores devido às cenas de sexo e ao antológico (des)cruzar de pernas de Sharon Stone, os principais valores deste filme recaem, na minha opinião, na eficácia da realização e subtis piscadelas de olho do argumento às vicissitudes da eterna guerra dos sexos.

Paul Verhoeven transforma o espectador, logo desde a sequência inicial, em voyeurs: o comportamento despretensioso e gelado das personagens, numa cena de sexo e dominação estimulantes, é o mote perfeito para as constantes contradições e reviravoltas a que a audiência está sujeita. De forma alguma se escondem as referências a Hitchcock (nomeadamente, os jogos do gato e do rato entre os protagonistas), sobretudo se tivermos em conta as figuras de Sharon Stone (loira, a transpirar sexualidade por todos os poros, distante, manipuladora e, por fim, a mais frágil das personagens) e de Michael Douglas (o detective arrastado para uma partida de enganos e transparências, plenamente atestado de testosterona e, no fim, o herói).



A somar à polémica de INSTINTO FATAL, encontramos o argumento de Joe Eszterhas, cujas técnicas de encobrimento da verdade duram até ao final da película; nem por um momento, o véu da desconfiança é erguido perante o espectador. O jogo de contrariedades começou na sua pena, onde os papéis de quem domina e de quem é dominado torna-se, ao fim de uma hora de filme, no "sangue nas veias" desta história.

Passados que estão 13 anos desde a estreia deste filme, ainda se registam hoje as mesmas reacções da altura, ao mesmo tempo que estamos prestes a assistir a um "renascimento" desta obra, agora que se anuncia uma sequela (Basic Instinct 2: Risk Addiction), novamente com Sharon Stone.

P.S.: encontra-se disponível, no mercado português, uma edição especial de 2 discos de INSTINTO FATAL, distribuída pela Universal Pictures Portugal. O melhor do menu de extras é, sem sombra de dúvida, o comentário audio do filme a cargo de Camille Paglia, colunista feminina com extenso trabalho dedicado ao que a própria apelida de "o lado obscuro da sexualidade humana". Se acrescentar que a referida edição até está a um preço acessível (€12.50 em alguns revendedores), é mesmo motivo para dizer «A Não Perder».

segunda-feira, setembro 19, 2005

O ABISMO - Crítica à Edição Especial



Foi lançada, recentemente, a Edição Especial em DVD do clássico de ficção-científica de James Cameron, O ABISMO. Concebida pela 20th Century-Fox Home Entertainment e distribuída no nosso país pela LNK Vídeo, o produto final deixa, tal como o filme, algum traço azedo na boca após a sua total exploração.

Uma edição que inclui a versão de cinema e a versão especial com 28 minutos de cenas adicionais, o DVD seduz imediatamente pelo extenso material extra, sobretudo um documentário de 60 minutos, intitulado "Under Pressure: Making-The-Abyss", no qual se descreve com profundo detalhe as (badaladas) dificuldades vividas por equipa técnica e actores durante as rodagens, e também pelo preço que a revendedora por mim escolhida para adquirir o produto aplicou: €6,99(!).

No entanto, e apesar de todas estas vantagens, é com algum desagrado que notei que nenhuns dos extras estão legendados, nem sequer em Inglês (esta já é uma situação habitual nas edições especiais da LNK, como foi o flagrante e vergonhoso caso de ALIEN QUADRILOGY), e o "Livrete Coleccionável de 12 Páginas" anunciado no verso do DVD, pura e simplesmente, não existe. De 0 a 10, nota 7.

Quanto ao filme, a versão especial concebida para esta edição vale pela explicação detalhada da sua conclusão, a qual, quanto estreou em 1989, revelava, explicitamente, que faltava ali "qualquer coisa".

No cômputo geral, é um bom DVD, recomendado para quem possuir bons conhecimentos da língua inglesa e for amante dedicado de ficção científica.

quinta-feira, setembro 15, 2005

CONTAGEM DECRESCENTE PARA OS ÓSCARES



A secção de cinema do New York Times já começa a lançar títulos e nomes que poderão estar em destaque para a próxima cerimónia dos Óscares, agendada para Fevereiro de 2006.



Entre os filmes mais badalados do momento, encontram-se os inevitáveis CINDERELLA MAN, COLISÃO e, com maior incidência, THE CONSTANT GARDENER, obra já referida neste blog. Para além destes, têm sido credenciados como favoritos THE NEW WORLD (o regresso de Terrence Malick, com Colin Farrell), CAPOTE (sobre o escritor Truman Capote, com Philip Seymour Hoffman), WALK THE LINE (um biopic do cantor Johnny Cash) e NORTH COUNTRY (o relato do primeiro caso julgado de assédio sexual nos EUA).



No que diz respeito a outsiders, muito se tem falado de THE PRODUCERS, MUNICH (o novo de Spielberg), ELIZABETHTOWN de Cameron Crowe, MATCH POINT (um regresso em força da genialidade de Woody Allen), BROKEN FLOWERS (de Jim Jarmusch, grande vencedor em Cannes) e A INTÉRPRETE. A contribuir para o provável toque de exotismo na cerimónia está THUMBSUCKER, o filme-sensação da última edição do Festival de Sundance.

Nas interpretações, para lá da (quase certa) nomeação de Russell Crowe por CINDERELLA MAN, têm sido referidos, com regularidade, Tom Hollander (PRIDE AND PREJUDICE), Damian Lewis (KEANE), Joaquin Phoenix, Robert Patrick e Reese Whiterspoon (WALK THE LINE), Emily Mortimer (MATCH POINT), a desconhecida Dina Korzun (por 40 SHADES OF BLUE, grande vencedor em Sundance), Philip Seymour Hoffman e Clifton Collins, Jr. (CAPOTE) e Charlize Theron (NORTH COUNTRY).

Como é óbvio, todos os títulos e nomes acima referidos são apenas previsões. Ainda vai surgir muito mais cinema "oscarizável" até ao fim do presente ano. Estarei atento.

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