domingo, novembro 27, 2005

POST SCRIPTUM...



Ainda a propósito de boas películas a que eu ainda não tinha tido o privilégio de assistir, a SIC RADICAL, ontem à noite, brindou o público português com O HOMEM ELEFANTE (1980), a obra que lançou David Lynch, com a confiança e patrocínio de Mel Brooks, para o panteão dos melhores realizadores norte-americanos da actualidade.

Já muito havia lido (e bem) sobre O HOMEM ELEFANTE, e as expectativas que nutria não me foram defraudadas. As interpretações são das melhores que já observei — sobretudo John Hurt, plenamente capaz de transmitir emoções apesar da forte maquilhagem que lhe cobria o rosto —, mas o que mais ficou "preso" na minha retina durante o visionamento é a brilhante direcção de fotografia de Freddie Francis, cuja aposta nos jogos de chiaroescuro transporta-nos para a Inglaterra do séc. XIX, ao mesmo tempo que infunde as imagens com uma certa aura de filme de terror.

Indispensável.

sexta-feira, novembro 25, 2005

OS MELHORES FILMES QUE EU NUNCA VI

A produção cinematográfica, felizmente, é imensa. Por mais que queiramos tornar respeitável o nosso conhecimento cinéfilo, há sempre aquela meia dúzia de títulos que "fogem" ao nosso visionamento.

Assim, apresento aqui uma breve lista das obras pelas quais anseio uma espreitadela o mais depressa possível, mas que ainda não tive a chance de o fazer...

GREED (1924, Erich Von Stroheim);


FANTASIA (1940, Walt Disney);


O ACOSSADO (1960, À Bout de Souffle, Jean-Luc Godard);


BONECA DE LUXO (1961, Breakfast at Tiffany's, Blake Edwards);


LAST YEAR AT MARIENBAD (1961, Alain Resnais);


DOUTOR JIVAGO (1965, Doctor Zhivago, David Lean);


O CASAMENTO DE MARIA BRAUN (1978, Die Ehe der Maria Braun, Rainer Werner Fassbinder);


O TOURO ENRAIVECIDO (1980, Raging Bull, Martin Scorsese);


A ODISSEIA DO SUBMARINO 96 (1981, Das Boot, Wolfgang Petersen);


O BEIJO DA MULHER-ARANHA (1985, Kiss of the Spider Woman, Hector Babenco);



HENRY & JUNE (1989, Henry & June, Philip Kaufman);


TOUCHING THE VOID - UMA HISTÓRIA DE SOBREVIVÊNCIA (2003, Touching the Void, Kevin Macdonald).


P.S.: já agora, que tal partilharem connosco a vossa "lista negra"?

domingo, novembro 20, 2005

TERROR A PARTIR DE ELEMENTOS QUOTIDIANOS

Aqui lista-se os filmes que mais medo e suspense geraram a partir de objectos e ocupações do nosso dia-a-dia. Depois da estreia destes títulos, nada foi outra vez igual...

PSICO (1960), de Alfred Hitchcock


Entre. Relaxe. Desfrute das vantagens de um bom duche de água quente. No Bates Motel, a palavra "repouso" ganha novo sentido...


A SEMENTE DO DIABO (1968), de Roman Polanski


Na vida de qualquer casal, a ansiedade do nascimento de um filho pode ser a experiência mais recompensadora da sua vida. Polanski, trabalhando a partir do best-seller de Ira Levin, interpretou essa sensação de forma "ligeiramente" diferente.

TUBARÃO (1975), de Steven Spielberg


Depois de um extenuante ano de trabalho, nada melhor do que o merecido mês de férias numa praia onde o sol brilha, o mar é calmo e perto de uma hospitaleira comunidade vizinha. Tudo isto era real, até ao momento em que Spielberg mostrou a sua versão de "temporada de veraneio".


O PROJECTO BLAIR WITCH (1999), de Daniel Myrick e Eduardo Sánchez


Não existe melhor forma de confraternização entre os jovens do que o acampamento de Verão. No entanto, tenham muita atenção ao local onde decidem montar as tendas...


PHONE BOOTH (2002), de Joel Schumacher


Se existe algum elemento urbano mais inofensivo, só pode mesmo ser a singela cabine telefónica. É pena que Colin Farrell não possa dizer o mesmo.

sábado, novembro 19, 2005

SENHOR DA GUERRA (2005), de Andrew Niccol



Se todos os críticos e público americanos fossem justos e conseguissem fechar os olhos às implicações políticas do filme, este venceria tudo, desde prémios da crítica até aos Óscares. Não por causa das implicações políticas, mas sim porque realmente merece enquanto peça de cinema. Que melhor forma de resumir um filme do que com esta introdução?

Acompanhamos a ascensão e queda de Yuri Orlov (Nicolas Cage), um ucraniano erradicado em Brooklyn, desde o momento em que, acidentalmente, se infiltra no submundo dos gangs de rua, passando pelos negócios de milhões efectuados com a venda clandestina de armas a regimes ditatoriais e sedentos de sangue, culminando com a constatação pessoal de que a sua profissão não pactua com valores familiares ou éticos.



Na verdade, durante o visionamento deste SENHOR DA GUERRA, é possível criar um paralelismo com outra obra: SCARFACE - A FACE DO PODER (1983, Brian de Palma). Enquanto que, neste exemplo, lidávamos com as vicissitudes do mundo do tráfico de droga, aqui a venda de espingardas, lança-foguetes, granadas e veículos bélicos serve de "gatilho" para uma espiral de reflexões sobre as causas e efeitos da condução e comercialização cegas de material de guerra para as zonas mais paupérrimas do mundo, onde a morte e a corrupção espreitam em cada esquina, o seu impacto no delinear de governos e fronteiras e o aproveitamento que as potências mundiais fazem desta realidade. Curioso como ambos os filmes surgem em períodos "quentes" da política americana: em 1983, a troca de armas por reféns ao Irão pela administração Reagan; em 2005, a guerra do Iraque...

Apesar do poder quase confrangedor que a abordagem a este tema provoca no espectador, provavelmente o maior feito de SENHOR DA GUERRA é, sem dúvida, o seu protagonista. Embora seja apresentado como o detentor da ocupação mais atroz do mundo, somos capazes de sentir simpatia por Orlov. Rimo-nos pela forma ambígua como enriquece — o fim da Guerra Fria e subsequente desvalorização do preço das armas é celebrada efusivamente, ofuscando a alegria doméstica dos primeiros passos do seu filho bebé —, orgulhamo-nos da sua capacidade de flanquear as investidas da Interpol e quase choramos com a sua falência individual, enquanto irmão, filho, marido e pai. Falo, evidentemente, de mais uma brilhante e complexa interpretação de Nicolas Cage, sem dúvida o único actor da actualidade com talento para conceber personagens ao mesmo tempo empáticas e repulsivas — basta recordar MORRER EM LAS VEGAS (1995, Mike Figgis)...



A nível técnico, há que realçar o trabalho em prol do simbolismo do filme por parte dos directores de fotografia (Amir M. Mokri, excelente na recriação de épocas e locais) e de montagem (Zach Staenberg, que aplica o dinamismo necessário à história), os quais apresentam, eficientemente, os conflitos bélicos e interiores das personagens.

Apesar da agenda política do filme, cujo texto conclusivo não esconde esta intenção, ao afirmar que «os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU são também os principais exportadores mundiais de armas», é imperativo reter o facto de que estamos perante um filme de entretenimento puro, embora a sua vertente "cerebral" não o demonstre imediatamente.

A não perder, seja pela busca de diversão, seja pela reflexão que o final de SENHOR DA GUERRA permite ao espectador.

domingo, novembro 13, 2005

OS IRMÃOS GRIMM (2005), de Terry Gilliam



Após anos de travessia no deserto da frustração e de projectos cancelados, será que Terry Gilliam encontrou o seu "oásis" na obra mais comercial da sua carreira? Devo acrescentar, porém, que a interrogação anterior não é, de forma alguma, um comentário depreciativo a OS IRMÃOS GRIMM, a mais recente entrada na filmografia do único Monty Python americano.

Encontramo-nos em território familiar para os fãs de Gilliam: uma história fabulista, onde o realizador se sente como peixe na água. E o melhor toque de classe do filme são as personagens que dão nome ao título. Os irmãos Will (Matt Damon) e Jake (Heath Ledger) Grimm, figuras sobejamente conhecidas em todo o mundo ocidental pela sua recolha e divulgação de contos infantis, revelam-se aqui como um duo de charlatões, obtendo o seu ganha-pão explorando os medos e a ignorância de aldeões, onde se fazem passar por "caçadores de bruxas e de todo o genéro de feitiços malévolos" — o único senão é que esses feitiços foram criados por eles mesmos...

No entanto, e numa Alemanha ocupada pelo exército de Napoleão, este modo de vida idílico encontrará o seu fim quando, na tentativa de apaziguar os receios das populações, o invasor contrata à força os dois irmãos para desmascarar um suposto grupo de falsos caçadores de magia negra na vila de Marbaden, onde 11 crianças desapareceram no bosque amaldiçoado da localidade. Contudo, os encantamentos são bem reais e a origem dos mesmos provêm, aparentemente, do desejo de beleza eterna da Rainha Má (Monica Bellucci), figura copiada do conto da Branca de Neve — sim, ela também recita «Espelho meu, espelho meu, há rainha mais bela do que eu?»



Apesar da vertente mais comercial da presente obra, Terry Gilliam não desperdiça o material que tem em mãos, conseguindo "injectar-lhe" todos os condimentos conhecidos da sua carreira. Por vezes soturno, por outras jocoso, mas sempre plenamente imbuído do elemento fantástico, ficamos com a sensação de que o realizador pretendeu, acima de tudo, divertir-se (e esta teoria ganha maior consenso se nos lembrarmos das tormentas por que tem passado nos anos mais recentes).

No entanto, existe um factor que Gilliam nunca descura: os protagonistas. Matt Damon e Heath Ledger estão perfeitos na construção das suas personagens, cujo teor dramático-cómico assenta, que nem uma luva, no ambiente do filme, contribuíndo para tal o trabalho de caracterização — o qual, supostamente, terá sido causa de quezílias entre realizador e produtores. Peter Stormare é um "gozo" enquanto Cavaldi, bizarro torturador italiano ao serviço de França, capaz de roubar todas as cenas em que intervém (para quando um spin-off da sua personagem?). Monica Bellucci, infelizmente, continua a ser considerada pelos produtores americanos como um "bombom visual", restringida a frases soltas e decotes generosos, sendo-lhe negada a oportunidade de demonstrar as capacidades artísticas de que a Europa é testemunha.



Concluindo, Gilliam sempre foi um realizador de imaginários. Filmes como OS LADRÕES DO TEMPO (1981), BRASIL - O OUTRO LADO DO SONHO (1985) e 12 MACACOS (1995) são templos de alucinação e de riqueza no detalhe. Todavia, considero este OS IRMÃOS GRIMM como uma obra transitória: uma forma de relançar a sua carreira, capaz de cativar público e box-office, mas nunca a nossa imaginação. Esperemos pelo regresso em força de Terry Gilliam, ele está bem próximo.

sábado, novembro 12, 2005

ESTREIA

Para que nenhum aspecto, relacionado com Cinema, fique descurado da minha parte, apresento à blogosfera um novo blog, da minha autoria: Cine Portfolio, dedicado à memória visual da Sétima Arte.

Por outras palavras, é um local onde realçarei toda a memorablia mais interessante criada para promover um filme, actor/actriz ou acontecimento cinematográfico.

Deixo aqui o meu expresso desejo que o apreciem tanto como é um prazer construi-lo.

sexta-feira, novembro 11, 2005

TWIN PEAKS - DVD Box Set



Quem matou Laura Palmer? Durante muitos anos, foi esta a questão que mais ocupou a mente e o espírito dos àvidos e fiéis fãs da série TWIN PEAKS (1989), criada por David Lynch e Mark Frost.

Considerada como a série de televisão que assinalou a maturidade da indústria, TWIN PEAKS, felizmente, conheceu uma edição em DVD igual, em peso e medida, à qualidade do argumento e profundidade das personagens que pululam nesta fictícia cidade do norte do Estado de Washington. Durante o desenrolar da história, estão patentes todas as marcas autorais de Lynch: o mistério envolto num véu de bons costumes, a fascinação pelas pequenas e isoladas cidades dos EUA, o humor absurdo e a afirmação de que o amor é a irrefutável condição para a felicidade humana.

A edição especial que agora realço, uma caixa composta de 4 discos — estão presentes todos os episódios da primeira temporada da série, cada uma acompanhada por comentários áudio de intervenientes na produção da saga e respectiva introdução da autoria da misteriosa Senhora do Tronco —, é uma autêntica jóia, um item indispensável na prateleira de qualquer coleccionador de DVD.

Esta é a hipótese para (re)ver um marco histórico de televisão, a série que conheceu uma legião de produções com imagética semelhante a TWIN PEAKS. Falo, por exemplo, de PUSH, NEVADA ou WILD PALMS.

sábado, novembro 05, 2005

ISABELLE ADJANI



Ao olharmos para esta senhora, cuja idade não vou dizer porque a de uma senhora nunca deve ser revelada, duas questões assaltam-me o espírito:

Quando conseguirá ela, graças ao seu imenso talento, a consagração mundial junto dos seus pares, dos críticos de cinema e do público em geral?

E onde terá esta mulher bebido o elixir da eterna juventude?

Mais uma vez, dedico este espaço a algumas das minhas actrizes favoritas. E Adjani encontra-se num lugar bem cimeiro...

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