Mostrar mensagens com a etiqueta Michael Douglas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Michael Douglas. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, fevereiro 28, 2012

Filhos de Um Deus Maior #72



"Redefinição de ironia". Bem que poderia ser o sub-título deste public service announcement promovido pelo FBI a apelar ao combate a práticas de insider trading no seio de Wall Street e protagonizado por Michael Douglas... actor que deu vida a Gordon Gekko, em WALL STREET (1987, Oliver Stone), uma das figuras mais icónicas e sinistras sempre que se relaciona Cinema e mercado bolsista.

Num discurso que contraria, em absoluto, o famoso monólogo do "Greed is good" daquele filme, Douglas alerta para as consequências perniciosas da corrupção e fraude nos mercados financeiros e exorta à denúncia desses actos:



[Fonte: New York Times.]

segunda-feira, outubro 18, 2010

WALL STREET: O DINHEIRO NUNCA DORME (2010), de Oliver Stone



Num filme em que as teses de dinheiro ganho, dinheiro a ganhar e (muito) dinheiro a perder representam pontos de partida, é de estranhar que WALL STREET: O DINHEIRO NUNCA DORME se centre mais na "ganância" pelo reatamento de relações familiares e amorosas do que com os jogos de poder e fortuna que transformaram WALL STREET (1987) numa obra tremendamente interessante sobre um assunto tão técnico como é o do mercado bolsista.

Afinal de contas, a actualidade noticiosa parece resumir-se ao conturbado ambiente financeiro provocado pelos "seres" que povoavam esse primeiro filme, agora venerado pelo seu estatuto de saga moral e relato nostálgico de uma época em que o capitalismo parecia ser o caminho para a remissão dessa «empresa disfuncional chamada Estados Unidos da América», do que pelos seus méritos fílmicos. Quando a produção desta muito esperada sequela foi anunciada, não era complicado prever que a crise do sub-prime de 2008, e que ainda hoje patenteia toda a sua pujança, dominasse o argumento e aprofundasse os avisos que Oliver Stone enunciou em 1987. Para surpresa geral (incluindo a minha), é-nos apresentado um melodrama morno e por vezes pouco envolvente, onde abunda a quebra e reconciliação afectiva em detrimento do detalhado apontar de dedos a quem criou, exacerbou e revelou o terramoto financeiro contemporâneo.



Após cumprir longa pena de prisão por insider trading e fraude de investimentos, Gordon Gekko (Michael Douglas) regressa a Nova Iorque, demonstrando aura de pecador redimido e autor de um livro — «A Ganância Será Boa?» — que destaca a especulação desregulada como a razão fulcral para o fracasso do neo-liberalismo dos anos 80. No meio deste regresso à "arena" mediática, encontra Jacob (Shia LaBeouf), um jovem ambicioso e idealista que procura erguer-se da bancarrota do banco onde trabalha — assim como do suicídio do seu mentor e presidente daquela instituição (Frank Langella, numa pequena mas cativante participação) — e, coincidentemente, noivo da filha de Gekko, Winnie (Carey Mulligan), que rompeu o contacto com o pai após a sua condenação.

Para Jacob, a aproximação a Gekko representa uma oportunidade para aprender mais acerca das regras do "jogo" e, assim, ripostar contra o responsável pela sua ruína financeiro-pessoal; para Gordon, trata-se de um privilegiado caminho para se reaproximar da filha. No meio deste cenário, surge Bretton James (Josh Brolin), um CEO bancário de viperino requinte que enriqueceu à custa da aquisição de empresas em processo de insolvência. Através da mercadoria mais preciosa no mundo da alta finança, ou seja, a manipulação de informação, Gekko e Jacob concluem que Bretton é o alvo a abater...



É impossível não descrever WALL STREET: O DINHEIRO NUNCA DORME como um drama quase inteiramente centrado em relações de índole emocional, já que estas ocupam mais tempo de ecrã do que vislumbres da azáfama comum no New York Stock Exchange, revelando um Oliver Stone "macio" — a confrangedora sequência que acompanha os créditos finais são disso sintoma. Conhecendo o seu percurso, filmar a crise financeira mundial seria um pretexto impecável para o cineasta regressar ao estilo frenético que saiu da sala de montagem de títulos como JFK (1991), NIXON (1995) ou até o curioso W (2008), ziguezagueando entre a abordagem documental e o reinventar de factos históricos. Caro Oliver, nem sequer o ensaio de uma "teoriazinha" de conspiração?

Em última análise, e no que será o primeiro drama inteiramente focado na actual crise económica, o filme revela-se como entretenimento ligeiro, mas onde é possível observar momentos de acutilante simbolismo (vejam-se as mordazes comparações do mercado bolsista à solidez de uma bolha de sabão), a magnífica direcção de fotografia (assinada por Rodrigo Prieto) que nos mostra uma Nova Iorque ironicamente resplandecente e lampejos de fulgor interpretativo dos actores mais velhos (o já referido Langella e Eli Wallach, no papel de um sinistro patriarca de Wall Street). Douglas não vacila na reencarnação da sua figura mais icónica e está bem acompanhado pelos jovens protagonistas, Shia LaBeouf e, sobretudo, Carey Mulligan, a exceder-se na pele de uma personagem unidimensional. O seu impacto não perdurará muito tempo na nossa memória futura mas, inevitavelmente, até os realizadores mais criativos atravessam períodos de crise...

P.S.: O que não parece mesmo atravessar tempos conturbados é esse "monumento" ao capitalismo do fast-food que dá pelo nome de pipocas. A minha paciência e ouvidos foram severamente testados, durante todo o filme e como há muito não me sucedia, pelo ruminar de milho estourado do casal que se encontrava sentado ao meu lado. Quando é que o equivalente à CMVM das salas de cinema portuguesas cria "mecanismos legais" para minimizar este fenómeno?

sábado, maio 15, 2010

Festival de Cannes 2010 — Dia 3



O grande destaque deste terceiro dia de Festival vai para a ante-estreia mundial de WALL STREET: MONEY NEVER SLEEPS, ou o regresso do apologista da ganância Gordon Gekko (Michael Douglas) ao mundo da alta finança e do puro insider trading:



Na conferência de imprensa, Oliver Stone confessou ter-se apercebido da coincidência entre a estreia do filme e o incremento da convulsão económica europeia das últimas horas, ao mesmo tempo que partilhou a sua visão acerca do capitalismo. «Não sei se funciona. Em 1987, quando fiz o primeiro WALL STREET, pensei que as coisas iriam melhorar, mas vinte anos depois provou-se o contrário. Hoje, os únicos que realmente enriquecem são os directores das grandes empresas».

Michael Douglas/Gordon Gekko saúda os fotógrafos

Oliver Stone durante a conferência de imprensa

Mas a jornada ficou, indelevelmente, marcada pelo cinema asiático: em competição pela Palma de Ouro, Im Sangsoo apresentou THE HOUSEMAID, conto moral sobre o eterno choque de gerações e uma obra dedicada à análise da sociedade sul-coreana dos últimos cinquenta anos.



Hideo Nakata, nome proeminente da nova geração de cineastas nipónicos, prossegue a sua experimentação do terror enquanto género com CHATROOM (presente na secção «Un Certain Regard»); uma história sobre cinco adolescentes que conhecem o lado negro da Internet do modo mais impressionante. Por causa desta tecnologia, sentimos «ansiedade, medo, desejo, ódio e raiva. Algumas pessoas até são compelidas a cometer suicídio ou a assassinar inocentes», conforme partilhou o realizador durante a conferência de imprensa.

O jovem (e ocidental) elenco de CHATROOM acenam aos fotógrafos

O realce final de hoje vai para a nova obra do romeno Cristi Puiu. AURORA (secção «Un Certain Regard»), a semi-sequela de A MORTE DO SR. LAZARESCU (premiado no Festival de Cannes de 2005) num conjunto de filmes que o cineasta denomina como «uma ambiciosa saga dedicada a Bucareste».



sexta-feira, abril 11, 2008

Movie Moments #8

WALL STREET (1987)

"The point is, ladies and gentleman, that greed, for lack of a better word, is good. Greed is right, greed works. Greed clarifies, cuts through, and captures the essence of the evolutionary spirit. Greed, in all of its forms; greed for life, for money, for love, knowledge has marked the upward surge of mankind."



O electrizante discurso de Michael Douglas sobre ambição e capitalismo — sem dúvida, o momento alto deste filme de Oliver Stone e a sequência que valeu a Douglas o Óscar de Melhor Actor.

Creative Commons License
Keyzer Soze's Place by Sam is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at sozekeyser.blogspot.com.