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segunda-feira, janeiro 18, 2010

Globos de Ouro 2009: vencedores e conclusões

Olhando para os principais vencedores, nas categorias relativas a Cinema, da 67ª edição dos Globos de Ouro, apetece exclamar: a revolta manifestada pela ausência, no ano passado, de THE DARK KNIGHT — O CAVALEIRO DAS TREVAS, o filme mais rentável de 2008 e imensamente aclamado pela crítica mundial, nas cerimónias dos principais prémios cinematográficos abalou estruturas aparentemente inabaláveis e abriu caminho ao reconhecimento de todo o mainstream possível.

Esta será, provavelmente, a justificação mais plausível para as vitórias de AVATAR (Drama) e A RESSACA (Comédia ou Musical), anunciadas esta madrugada no Beverly Hilton, em Los Angeles.



James Cameron, que também arrecadou o Globo de Melhor Realizador, deixou (permitam-me a ironia fácil) "azul" toda a falange de crentes num triunfo dos desafiadores THE HURT LOCKER — ESTADO DE GUERRA, UP IN THE AIR — NAS NUVENS ou, até, de SACANAS SEM LEI. Contudo, é possível aceitar, com resignação, a inovação tecnológica de AVATAR como principal responsável pela sua vitória sobre os títulos supracitados. Mas será mesmo o melhor que se fez em Drama durante 2009?

Quanto à categoria de Comédia ou Musical, e apesar do ténue calibre dos nomeados, a consagração de A RESSACA (em minha opinião, filme realmente divertido mas dificilmente meritório de prémios) constituiu a maior surpresa da noite. Confesso: JULIE & JULIA ou NOVE (que ainda não vi) pareciam melhor posicionados à conquista do Globo de Ouro.



No entanto, a "noitada" tornou-se mais satisfatória com os prémios de interpretação. Jeff Bridges, por CRAZY HEART, e Sandra Bullock, com THE BLIND SIDE, foram consagrados como Melhor Actor e Melhor Actriz Drama. Como estes títulos ainda aguardam estreia no nosso país, não poderei argumentar condignamente. Mas nutro uma certa satisfação por o talento de Bridges ser reconhecido em eventos desta natureza.





Em Comédia ou Musical, os Globos foram atribuídos ao «totalmente-reabilitado-e-em-estado-de-graça-juntos-dos-seus-pares» Robert Downey Jr., por SHERLOCK HOLMES, e a Meryl Streep pela sua interpretação em JULIE & JULIA. Destaque para Streep, que continua a acumular prémios e a agradecer cada um como se fosse o primeiro da sua carreira.





A "justiça" pairou mais nas categorias dos Actores Secundários, onde os galardões atribuídos a Christoph Waltz, pelo seu temível Coronel Hans Landa de SACANAS SEM LEI, e Mo'Nique, por PRECIOUS: BASED ON THE NOVEL 'PUSH' BY SAPPHIRE, prenunciam as irredutíveis certezas para a cerimónia dos Óscares.





Ricky Gervais, enquanto anfitrião, cumpriu a sua parte. Num registo situado entre o bazófio e o cauteloso, ficou sempre a sensação de que poderia ter ido mais longe no monólogo inicial. Contudo, esteve no seu melhor assim que lhe deram um copo de cerveja para a mão...



A lista completa dos vencedores pode ser consultada aqui.

terça-feira, janeiro 12, 2010

SHERLOCK HOLMES (2009), de Guy Ritchie



Em duas sequências particularmente dinâmicas, SHERLOCK HOLMES introduz as capacidades de dedução e raciocínio do protagonista duma forma nunca sonhada por Arthur Conan Doyle. Num curioso exercício de antecipação cinematográfica, é-nos dado a assistir, em cristalino slow-motion, como Holmes pretende surpreender, desarmar e reduzir a "polpa" os seus oponentes, para logo a seguir vermos exactamente a mesma acção em todo o seu esplendoroso cinetismo e alarido.

Elementar, caro leitor! Este é um filme de Guy Ritchie, o realizador britânico mais virtuoso da actualidade que continua, nessa matéria, a bater Danny Boyle (TRAINSPOTTING, QUEM QUER SER BILIONÁRIO?) aos pontos. Por isso, não é de admirar que este carácter mais belicoso seja a principal novidade da mais recente versão do icónico detective de Baker Street. E Robert Downey Jr. personifica-o como um indivíduo desleixado, mulherengo e de fracas aptidões sociais — mas sempre adepto do cachimbo e de um ou outro dedilhar no violino. Independentemente dos gostos, é uma diferença a assinalar.



Para além da irrepreensibilidade de Downey Jr., Jude Law obtém aqui um dos melhores registos da sua carreira, ao interpretar o Dr. Watson mais desprendido e matreiro de que há memória — e o bigode até assenta bem na sua apreciada figura. O duo apresenta-se mais perspicaz do que o filme merece, mas a "inteligência" nunca figurou entre os principais interesses de Guy Ritchie enquanto cineasta.

Este comentário depreciativo advém da constatação de que o argumento nunca consegue estar acima dos leads masculinos nem da atmosfera concebida: a "tarefa" de Holmes e Watson passa por travar os planos de domínio mundial engendrados por Lord Blackwood (interpretado com a habitual segurança de Mark Strong), o qual recorre a uma sociedade maçónica que orgulharia Dan Brown e alguma magia negra. Como em qualquer bom filme de mistério, o vilão deve sempre sobressair e, por Mark Strong cumprir bem essa regra, não se entende o parco tempo de ecrã a que é relegado.



Mas essa não é a única "ponta solta" de SHERLOCK HOLMES. Quanto às falhas do argumento, estas poderão ser resolvidas na sequela descaradamente anunciada no epílogo do filme. Causa mais surpresa a inocuidade do elemento que dá pelo nome de Irene Adler (Rachel McAdams), apresentada na história envergando um flamejante vestido vermelho e indecisa sobre qual dos lados em confronto deverá apoiar. Constantemente deslocada, parece ter sido incluída mais por razões comerciais (numa tentativa "hollywoodiana" de agradar o público feminino que não resiste à visão de uma "mulher de garras afiadas") em detrimento da sua relevância narrativa. Para quê tanto, se Jude Law consta do elenco?

Destaque final para a composição visual do filme, sobretudo a amálgama de uma Londres tipicamente Vitoriana com modernismo acrónico (mérito para Philippe Rousselot e Sarah Greenwood, respectivamente, os directores de fotografia e direcção artística), constituindo um dos pontos altos da experiência semi-satisfatória que é SHERLOCK HOLMES.

sexta-feira, abril 24, 2009

Hollywood Buzz #44

O que se diz lá fora acerca de THE SOLOIST:



«THE SOLOIST has all the elements of an uplifting drama, except for the uplift. The story is compelling, the actors are in place, but I was never sure what the filmmakers wanted me to feel about it.»
Roger Ebert, Chicago Sun-Times.

«Neither rarefied art film nor widely accessible inspirational drama, THE SOLOIST falls between the cracks both creatively and commercially.»
Todd McCarthy, Variety.

«Some of the lost souls in THE SOLOIST, a big studio movie about a one-man rescue mission, look as thin as the crack pipes clamped between their lips.»
Manohla Dargis, New York Times.

«It's all a bit shapeless, yet made with sincerity and taste, and the two actors seize your sympathy.»
Owen Gleiberman, Entertainment Weekly.

«This film version takes a somewhat romanticized view of both journalism and skid row yet is nevertheless a compassionate and compelling look at mental illness.»
Kirk Honeycutt, Hollywood Reporter.

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