domingo, fevereiro 05, 2006

UM LONGO DOMINGO DE NOIVADO (2004), de Jean-Pierre Jeunet



Jeunet consegue, mais uma vez, o prodígio de aliar virtuosismo com um argumento de qualidade — algo cada vez mais raro no panorama cinematográfico actual —, e UM LONGO DOMINGO DE NOIVADO tornou-se, para mim, num filme que merece novas visualizações e oferece a possibilidade de constantes descobertas.

Mathilde (Audrey Tautou, mais uma vez perfeita no papel da rapariga que demonstra persuasão onde menos se esperava) apaixona-se por Manech (Gaspard Ulliel), o qual tem de servir nas imundas e sangrentas trincheiras da Batalha do Somme, durante a Primeira Guerra Mundial. Acusado de auto-mutilação, juntamente com outros quatro soldados, é condenado à morte; contudo, o destino e a fraternidade do exército francês concedem-lhe a oportunidade de lutar pela sua sobrevivência, sendo deixado na terra de ninguém. Depois disso, nunca mais se soube nada dele. Quanto a Mathilde, ainda a viver os momentos idílicos que antecederam a partida de Manech, decide ir em busca do seu paradeiro, nem que para tal tenha de atravessar perigos e gastar toda a herança deixada pelos seus falecidos pais...



Ao ver UM LONGO DOMINGO DE NOIVADO, é impossível não esquecer O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE (2001); o realizador, equipa técnica e actriz protagonista são os mesmos, assim como é possivel detectar temas comuns entre os dois títulos (o amor, a busca da felicidade, as idiossincracias e manias que afligem o ser humano, etc.). No entanto, este filme distingue-se pelo sucesso de Jeunet em exibir tanta informação e, nem por uma única vez, causar aborrecimento no espectador. Devo confessar que, em um ou outro momento, fiquei na dúvida sobre quem era quem ou o que fizera, mas a fluidez da narrativa permite sempre o eficaz reencontro com a incessante investigação de Mathilde.

É de notar, igualmente, o interessante trabalho de fotografia, que nos transporta imediatamente para os anos 10 do século passado: uma constante impressão a sépia, presente na vida de Mathilde. O ambiente só se torna soturno (i.e., a presença dos azuis e verdes escuros) nas sequências do cenário de guerra; os significados das duas escolhas cromáticas são imediatamente compreensíveis.



Porém, volto a frisar a mestria de Jeunet na construção da história. Nenhuma ponta fica solta, e a própria conclusão do filme — inconclusiva para uns, ambígua para outros — não é mais do que o lógico corolário do que vimos antes. A mensagem do filme torna-se patente nessa sequência final e, por isso, mais perfeito não poderia ser.

2 comentários:

Tânia disse...

Já tivemos uma conversa parecida acerca de certos actores que por si só podem tornar um filme um sucesso. Pois, neste caso, Jean-Pierre Jeunet, insere-se na mesma categoria, mas neste caso, de realizadores.

É quase impossível um filme dele não ter a qualidade a que ele nos habituou.

O primeiro filme que vi dele, se não me engano, foi "O fabuloso destino de Amélie Poulain". Já vi também o "Delicatessen" que é mto maluco diga-se de passagem, mas neste momento está a fazer-me lembrar de um outro q tb se passa num talho, "Carne fresca procura-se", dinamarquês ou coisa do género. É uma moca. Era para ir ver o último na altura do Kusturica, mas ja estava esgotado e fui ver esse. Não me arrependi.

Mas, voltando ao assunto, vi também "The city of lost children" que curti mto. Acabei por ter o jogo tb... lol

O Alien: Resurrection aka Alien 4 foi, na realidade, o 1º filme da série Alien que vi. Adorei. Se havia coisa que adorava naqueles filmes eram os aliens em si, criaturas lindas. Então aquelas cenas de amor maternal entre Ripley e o filhote dela. Só tive pena dele arrancar a cabeça da "Raínha". Lol

Só ainda não vi este filme de que falas neste post, "Um Longo Domingo de Noivado". Mas, vou tratar disso. Já que voltamos àquele assunto, se está lá Audrey Tautou, o filme tem de ser fixe.

Pronto, aqui deixo o meu testamento.

Beijo grande

brain-mixer disse...

Eu gostei deste filme, é um bom filme. Mas o problema está no facto de ser o filme de Jeunet a seguir ao Amélie! É obrigatório qualquer pessoa fazer comparações qualitativas de um e outro filme... Talvez daqui aum bom par de anos se consiga separar devidamente cada um dos filmes deste genial realizador. Fica bem! ;)