quarta-feira, março 29, 2006

O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN (2005), de Ang Lee



Graças ao atraso da sua data de estreia nas salas de cinema açoreanas, só agora é que tive a oportunidade de observar este filme em todo o seu esplendor, e no grande ecrã. Na verdade, pouco mais há a acrescentar a um título que foi, durante os vários meses dedicados à entrega de prémios e publicação de pareceres críticos, plenamente avaliado pelas elites, comunidades e população em geral cinematográficas.



Não irei elaborar uma apreciação muito alargada sobre O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN, sobretudo por muita gente, em teoria, já conhecer o enredo e respectivos contornos temáticos. Contudo, deixo apenas três tópicos para discussão, que me ocorreram durante o visionamento do filme, e que pouco ou nada têm sido realçados (inevitavelmente, as alíneas abaixo poderão conter spoilers):

  1. apelidado de «aquele filme dos cowboys-gay», é curioso reparar que os protagonistas de O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN dedicam-se à pastagem de ovelhas, o que faz deles, no mínimo,... pastores-gay!;

  2. é de notar também que, durante o desenrolar da história, surge mais sexo heterossexual que homossexual; os encontros carnais entre os personagens masculinos são mais implícitos que evidenciados, ao contrário do que acontece nas cenas de intimidade entre marido(s) e mulher(es). Decisão artística ou imperativo de censura?;

  3. por fim, tenho de mencionar Anne Hathaway. Falou-se da sua débil presença no ecrã, que ainda grita "filme para adolescentes", mas confesso-vos que não desgostei de a ver neste filme, bastante eficiente no papel da mulher de um dos protagonistas, talvez ciente da homossexualidade do esposo mas nada desconcertada pelo facto, situação resultante do seu status na sociedade em que está inserida.




Basicamente, estes tópicos não passam de meros subplots, que em nada conseguem desviar a nossa atenção da complexidade temática da história, das emoções das personagens e da beleza rochosa da Brokeback, filmada com fulgor por Rodrigo Pietro. Por outras palavras, ainda não me "safei" do travo azedo que foi a vitória de COLISÃO nos Óscares...

1 comentário:

brain-mixer disse...

Foi "um travo azedo"?? Olha, por mim não, foi muito doce: O bombom da noite ;)