quarta-feira, maio 10, 2006

HOSTEL (2006), de Eli Roth



É sem dúvida um dos filmes mais perturbadores do ano e, de certa forma, um dos mais originais no que toca à delineação da sua principal ideia. Perturbador por dissecar, sem pudores nem preconceitos, os perfis mais obscuros e perversos da mente humana, pertencendo aquele conjunto restrito de obras (a par das obras mais extremas de David Cronenberg, mas sem o primor pela tecnologia) com o rótulo de ou se ama ou se odeia. Original por incluir no imaginário cinematográfico uma lenda urbana, de contornos estílisticos bem definidos mas sempre enigmática na origem, apoiando-se numa já rotineira eficaz estratégia de marketing, ou seja, "Baseado em factos reais".

HOSTEL gira em torno de três estudantes (dois americanos e um islandês) que chegam a Amsterdão com o propósito de experienciar uma das mais prolíferas indústrias de sexo da Europa. Lá, conhecem um jovem que lhes indica a morada de uma pensão (ou o hostel do título), na Eslováquia, onde as mulheres locais estão dispostas a terem sexo com estrangeiros por pouco dinheiro. No entanto, uma perspectiva tão "cor-de-rosa" nunca se apresentou tão negra. Rapidamente, os três amigos tornam-se em vítimas de um submundo onde se paga para torturar, abusar e matar estrangeiros pelo preço certo...



Após algumas críticas negativas, HOSTEL, na minha opinião, até nem é um flop cinematográfico. Encontramos aqui os ingredientes necessários para o eficaz filme gore: sangue, sexo, suor e, acima de tudo, respira-se sofrimento tanto nas personagens como no espectador. Só falha num pormenor (que por pouco não arruina toda a produção), isto é, a realização. E não me refiro apenas a clichés em direcção de fotografia — que por acaso abundam em HOSTEL. Nota-se uma certa ingenuidade, à falta de melhor expressão, na concepção das sequências, sejam elas de calma aparente ou de profundo terror. E quando um filme de horror não consegue prender, visualmente falando, quem o assiste, então algo de grave se passa.

Por outras palavras, não é possível vislumbrar em HOSTEL uma única amostra criativa de realização. E é aqui que o filme começa a roçar o paradoxo. Se foi grande o investimento no campo dos efeitos de make-up, porque não utilizá-lo com mais "estilo"? A opção pela abordagem "pura e dura" à violência é aceitável, mas sempre apoio quando alguém nos "assalta" os sentidos com alguma supresa visual inovadora.



Eli Roth, apesar de tudo, triunfou no argumento — se procurarmos um sentido metafórico para HOSTEL, este poderá encontrar a sua alma gémea enquanto peça de cariz anti-americana (e Roth admitiu-o numa entrevista). O filme é perturbador e original, as infames sequências de tortura são mesmo repulsivas e inesquecíveis e, por isso, recomendo a espreitadela. É um daqueles filmes que, numa escala de 0 a 10, concedo um 5.

5 comentários:

Knoxville disse...

A premissa é boa, o gore excelente, mas tudo o resto é mal pensado e aproveitado à brava. Uma enorme desilusão. Poderia ter dado para muito mais.

Cumprimentos.

Hugo Alves disse...

Fiquei com uma dúvida: porque é que o Tarantino produziu "isto"...? Ao pé de Mestres como Dario Argento, este "Hostel" chega a ser risível...

Sam disse...

Caro Hugo,

o Tarantino, pelo que pude ler, não produziu o filme, apenas emprestou o nome para o tornar mais "comercial".

Cumprimentos.

Mário Lopes disse...

Boa análise. Só uma pequena correcção: Tarantino além de "dar" o nome, também produziu este "Hostel".

Cumprimentos

Anónimo disse...

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