domingo, setembro 26, 2010

Cineclubismo

A segunda incursão do Ciclo Artes Plásticas, no 9500 Cineclube, continua com ÂNGELO DE SOUSA — TUDO O QUE SOU CAPAZ, de Jorge Silva Melo.



Um filme ao sabor de encontros espaçados no tempo (2007, 2008 e 2009), aproveitando apresentações públicas de obras, em que pretendemos captar a permanente fixação de um artista que insistiu na elementaridade dos meios, no abandono dos materiais nobres e dos processos complexos de criação.

E, tal como a cor, que, a partir dos anos 60, Ângelo vai trabalhando em fatias, camadas como que geológicas, socalcos e contornos, em função de campos e de horizontes, em diferentes graus de fusão e separação, o propósito deste filme será a permanente sobreposição de tempos, gestos, palavras, uma justaposição de momentos e declarações, um riscar cerrado, “curvando e abrindo os espaços de cor, criando cortinas e torrentes vigorosas, o estabelecimento de esquinas pela cor, para a criação de ambiguidades entre o plano e o volume.” (na feliz expressão de Leonor Nazaré).
Da mesma maneira que Ângelo pintou, nos anos 70, um “catálogo de algumas formas ao alcance de todas as mãos” (obra-manifesto que se encontra na colecção Manuel de Brito em Algés), este filme organiza-se como um catálogo de todas as formas ao alcance de Angelo: como se fosse a colagem de 10 curtas-metragens (que poderiam ser vistas separadamente, em ordem inversa…ou na que propusermos, sendo um filme “mobile”…), nunca a apresentação de uma biografia ou mesmo o comentário da obra.

Um filme sem fim nem princípio — como o trabalho singular de Ângelo de Sousa.
Jorge Silva Melo.


Amanhã, pelas 21h30, no Cine Solmar.

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