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quinta-feira, fevereiro 28, 2013

A "Polémica" do Mês #20

Como a blogosfera cinéfila nacional divergiu, este mês, sobre LINCOLN, de Steven Spielberg.





«LINCOLN, à imagem da personagem epónima, não surge livre de falhas e defeitos; antes, sabe jogar com elas e contorná-las, evidenciando o que tem de melhor.»
António Tavares de Figueiredo, Matinée-Portuense.



«É pena que viva de cenas, de momentos. Se todo o filme fosse composto com mais cuidado, melhor editado - e sim até o argumento merecia um polimento - teria saído bem melhor.»
Jorge Rodrigues, Dial P For Popcorn.



«Esse idealismo romântico e em vários momentos ingénuo, esbarra, no entanto, na dura realidade do pragmatismo do verdadeiro jogo político, mesmo que se admita que os políticos da altura, ao contrário dos de hoje, ainda fossem portadores de algo chamado "ideologia".»
Roni Nunes, C7nema.

quinta-feira, janeiro 31, 2013

A "Polémica" do Mês #19

Como a blogosfera cinéfila nacional divergiu, este mês, sobre DJANGO LIBERTADO, de Quentin Tarantino.





«É o exemplo paradigmático do génio de Quentin Tarantino, um filme soberbo, cheio de falas afiadas, violência, humor negro, acção, boas interpretações e muita genialidade. Assim vale a pena ir ao cinema.»
Aníbal Santiago, Rick's Cinema.



«Por um lado, não reconheço o génio neste filme como reconheci em filmes anteriores; por outro lado, creio que ainda assim consegue incutir frescura estética a um género difícil de inovar mas sem arrojo e entusiasmo desmesurados.»
Victor Afonso, O Homem Que Sabia Demasiado.



«A arrastar-se em vez de empolgar, esta frouxa pileca é manta de retalhos onde nunca caiu mancha tão grande, leia-se a carreira do seu realizador e argumentista.»
Ricardo Lopes Moura, axasteoquê?!.

segunda-feira, janeiro 07, 2013

Por uma definição justa de pirataria

A pirataria é um mal que paira sobre a Humanidade. Todas as semanas, navios de praticamente todas as nacionalidades correm grandes riscos de serem abordados por piratas somalis nos Mares Arábico e Índico. Enquanto isso é um atentado à integridade física de pessoas e um roubo de produtos físicos — e a também antiga contrafacção de artigos coloca em risco a vida ou a saúde das pessoas — os governos e entidades mais ou menos oficiais preocupam-se principalmente com um tipo de pirataria bem mais ofensivo ou perigoso: a democratização do conhecimento cultural, através da partilha de conteúdos digitais.

Os conteúdos digitais foram uma invenção da indústria. Dando variedade de formatos e portabilidade, tencionavam vender mais, mais depressa e com maior lucro. E tal como no tempo dos gravadores de VHS, os consumidores contornaram as regras. Se há vinte anos as revistas apoiavam o consumidor fornecendo capas e códigos para gravar à hora certa, agora são os próprios fornecedores de serviços televisivos a permitir a gravação e visionamento posterior com um mínimo de esforço. E isso é legal porque, apesar de os fabricantes de conteúdo não gostarem, como são empresas que o fazem pagam impostos, continua a ser negócio. Os consumidores agradecem o serviço prestado.

Vender DVD contrafeitos é ilegal. Porque nesse cenário não ganha quem faz o conteúdo, nem quem o vende paga impostos sobre o seu trabalho. O consumidor agradece pagar menos do que por um bilhete de cinema ou uma cópia oficial e, como os tempos estão difíceis, já sente que é justo cortar numa despesa "supérflua" como é o entretenimento. Disponibilizar conteúdos online equivale ao anterior porque, atingindo determinada escala, começa a arrecadar quantias consideráveis de dinheiro com a publicidade.

E se quem os coloca online não estiver a ter lucro, nem a roubar a ninguém? Esse era o caso do blog My One Thousand Movies.



Os três mil filmes que tinha eram clássicos que não se encontram à venda nem passam na televisão. Pretendiam dar a conhecer o património cinematográfico da humanidade. Serviam para descobrir cineastas esquecidos e obras de culto, mas com pouca resolução para que ninguém se sentisse tentado a ficar com essa versão em vez de se dedicar a procurar no mercado convencional de importação uma versão melhor. Outra vantagem é que no My One Thousand Movies todos os filmes tinham legendas em português ou numa língua mais ou menos compreensível. Na importação não.

Dia 16 foi fechado pela Google sem qualquer aviso por incentivo à pirataria. Estamos a falar de filmes quase impossíveis de encontrar no mercado, que em nada rivalizavam com a versão comprada, se existisse uma, e que tinham no máximo uma centena de downloads provenientes de todo o mundo, não apenas de Portugal.

O que o My One Thousand Movies fazia era complementar (ou substituir) a missão da deficiente televisão pública de educar cinéfilos. Muitos bloggers recorreram a este repositório para rever um título acarinhado, ou, a partir do filme e da pequena resenha que o acompanhava, fazerem publicações com as quais muitas outras centenas de pessoas ficaram com vontade de descobrir um cinema marginal e esquecido.
Isto não é pirataria, é serviço público, e é preciso (re)definir o enquadramento legal adequado.

Se alguém errou no meio disto tudo foram as distribuidoras que não viram interesse em comercializar os filmes. Ninguém o pode ver porque não compensa comprar os direitos e fabricar para pouca gente? Sugeríamos que houvesse um videoclube online no qual, por um valor simbólico, se pudesse ver o filme contribuindo para a distribuidora.

A distribuidora não teria encargos com a manufactura de cópias físicas que ficariam a ocupar espaço em armazém. Os consumidores exigentes encontrariam o que queriam imediatamente sem remexer em caixotes de promoções nas superfícies comerciais. Os retalhistas não estão interessados em ter uma cópia única de milhares de filmes que poderão nunca vir a comercializar, mas estariam interessados em vender cartões pré-pagos de acesso a esse serviço, como fazem para as consolas.

Se o preço fosse suficientemente baixo toda a gente poderia espreitar e talvez descobrir algo único.

Enquanto este tipo de serviço não existir, estaremos sempre dependentes da boa vontade, dedicação e cultura de pessoas como o autor do My One Thousand Movies. Mesmo que achem que isso vai contra a lei. De todos nós, obrigado.

Signatários:
Ana Sofia Santos Cine31 / Girl on Film
André Marques Blockusters
António Tavares de Figueiredo Matinée Portuense
David Martins Cine31
Francisco Rocha My Two Thousand Movies
Gabriel Martins Alternative Prison
Inês Moreira Santos Hoje Vi(vi) um filme / Espalha-Factos
Jorge Rodrigues Dial P for Popcorn
Jorge Teixeira Caminho Largo
Luís Mendonça CINEdrio
Manuel Reis Cenas Aleatórias / TV Dependente
Miguel Reis Cinema Notebook
Nuno Reis Antestreia
Pedro Afonso Laxante Cultural
Rita Santos Not a Film Critic
Samuel Andrade Keyzer Soze's Place / O Síndroma do Vinagre
Victor Afonso O Homem que Sabia Demasiado

sexta-feira, janeiro 04, 2013

A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty: Quartos-de-Final



O sorteio foi realizado e os desafios que compõem os quartos-de-final do torneio A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty já são conhecidos.

Assim, coube ao Keyzer Soze ter como "adversário" a equipa delineada pelo Jorge Rodrigues, do blog Dial P For Popcorn.

As equipas entrarão em "campo" com os seguintes alinhamentos:

Keyzer Soze's Place (a azul) vs. Dial P For Popcorn (a preto)



Se acreditam que Jafar Panahi é guarda-redes para deter qualquer tentativa de golo por parte de Todd Haynes e que o samba impetuoso de José Padilha fará o cinismo defensivo de Michael Haneke claudicar, então coloquem o vosso voto, até ao próximo dia 11 de Janeiro, no onze do Keyzer Soze aqui.

Boa sorte para todos as equipas cinéfilas em competição!

quinta-feira, janeiro 03, 2013

A "Polémica" do Mês #18

Como a blogosfera cinéfila nacional divergiu, este mês, sobre HOLY MOTORS, de Leos Carax.





«Singela e pura paixão que nos traça algo nunca visto e rico.»
Hugo Gomes, Cinematograficamente Falando.



«No fundo, todo este aparato extremamente bem produzido, com uma direção de arte e fotografia luminosa e realizado com uma eficácia ímpar, não oferece grandes meios-termos: amor ou ódio, ambos profundos...»
Roni Nunes, C7nema.



«Acabado o filme, não existe uma ideia concreta sobre o que acabámos de ver, sem ler sobre o mesmo, sem ler qualquer entrevista o filme desfaz-se, porque nada o sustenta.»
Nelson Zagalo, Virtual Illusion.

segunda-feira, dezembro 31, 2012

A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty: 2.ª Edição



Está de volta o grande evento cinéfilo-desportivo da blogosfera internacional: o torneio interblogs A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty.

Organizado pelo blog CINEdrio, esta segunda edição apresenta oito equipas em busca da vitória, a qual é decidida pelo voto do público. [NB: para a compreensão integral das regras deste torneio, consultar a informação constante neste link.]

O Keyzer Soze apresenta o seu plantel e estratégia para a "nova temporada" — um onze geográfica, demográfica e esteticamente variado, tal como a postura deste blog para com o cinema contemporâneo:



Guarda-Redes – Jafar Panahi: discreto mas sempre preparado para (se) defender, a sua perícia em contrariar os ataques mais complexos e inexplicáveis fazem dele um guarda-redes cuja qualidade merece sempre confiança.

Defesa direito – Jeff Nichols: a principal esperança deste onze, demonstra potencial para a polivalência.

Defesa esquerdo – Errol Morris: com a sobriedade de um documentarista e a criatividade de um contador de histórias, é um elemento que ajudará a equipa nos piores momentos do jogo.

Defesas centrais – Alain Resnais e Martin Scorsese: a experiência e maturidade destes dois nomes aliam-se à ausência de receio em arriscar e demonstrar espontaneidade no ataque perante colectivos mais jovens.

Médio centro defensivo – Gaspar Noé: duro, implacável e determinante, nenhum adversário (leia-se, espectador) ficará igual depois de enfrentar a sua técnica, que tanto pode ser defensiva como atacante. Em alguns casos, não hesitará em abusar do “físico”.

Médio direito – Chan Wook Park: irreverente, metódico e inesperado, é um garante de assistências para colegas (ou filmografias) mais adiantados.

Médio esquerdo – Oliver Stone: por vezes individualista, as suas decisões podem ser mais prejudiciais do que úteis, contudo será sempre um dos mais inconformados em campo. Mas quando o remate se revela inspirado, é golo certo.

Médio centro ofensivo – William Friedkin: parece que não damos pela sua presença em campo, mas está sempre à procura de inverter o terreno de jogo, de desafiar tanto a táctica da sua equipa como a do adversário e surpreende em cada movimento decisivo que opera.

Pontas-de-lança – Nicolas Winding Refn e José Padilha: frieza nórdica e imprevisibilidade sul-americana para um ataque capaz de resistir às mais diversas defesas cinematográficas.

domingo, dezembro 16, 2012

TCN Blog Awards 2012 — A Cerimónia



Melhor Crítica de Televisão
"House - episódio Everybody Lies", por Mafalda Neto, do blogue TV Dependente.

Melhor Crítica de Cinema
"O Cavalo de Turim", por Tiago Ramos do blogue Split-Screen.

Melhor Entrevista
"Entrevista a Jonathan Rosenbaum", por Miguel Domingues, do blogue À Pala de Walsh.

Melhor Site/Portal de Cinema/Televisão
Magazine HD.

Melhor Artigo de Televisão
"RTP 2 - Sentimento de Revolta", por Rui Alves de Sousa, do blogue Companhia das Amêndoas.

Melhor Artigo de Cinema
"Ninho de Cucos (IV)", por Gustavo Santos, no blogue Dial P for Popcorn.

Melhor Novo Blogue
Hoje vi(vi) um filme.

Melhor Iniciativa
Ficheiros Secretos - 10 anos, do blog Imagens Projectadas.

Melhor Blogue Individual
Close-Up.

Melhor Blogue Colectivo
TV Dependente.

Blogger do Ano
Nuno Reis.









[Vídeos: canal do YouTube do blog Antestreia.]

sábado, dezembro 08, 2012

Em resposta ao artigo escrito por Mourinha "às criancinhas"

Saiu no suplemento Ípsilon, do jornal Público de 30 de Novembro passado, um texto que não pode deixar de suscitar uma reacção. Com o título "A evolução da alternativa ao academismo contada às criancinhas", esse artigo de opinião versa, em tom de escárnio, sobre a situação presente da revista francesa Cahiers du Cinéma, contraposta aos anos históricos da sua afirmação no mundo. O seu redactor, o crítico de cinema Jorge Mourinha, "conta às criancinhas" a história da revista e o seu impacto nos modos de ver, dar a ver e fazer Cinema. Diz, a certa altura, que a política de autores tem vindo a "impor globalmente" uma "oposição comummente aceite entre 'cinema comercial' e 'cinema de arte' ou 'cinema de autor'". Percebemos que Mourinha sabe que os Cahiers procuraram precisamente “confundir” essas etiquetas redutoras entre o que é comercial e o que é arte; que viram arte no comercial (caso de Hitchcock) e comercial na arte (caso dos autores "burgueses" da Tradição da Qualidade, que Truffaut denunciou como a tendência mais funesta do cinema francês). Contudo, não entendemos onde está a lógica em afirmar que o que corresponderia hoje a defender, como o fizeram na altura os críticos dos Cahiers, realizadores como Hawks e Hitchcock, seria "erguer a 'autor'" um cineasta como Christopher Nolan, "coisa que aos Cahiers hoje, entrincheirados no academismo que eles próprios criaram, nunca passaria pela cabeça."

De repente, Mourinha sonega toda a história que se segue à formulação da "política de autores": nada mais que a emancipação do Cinema a nível mundial. O que Mourinha propõe é olharmos para o cinema comercial como os críticos dos Cahiers souberam olhar no seu tempo, mas como se a dimensão autoral fosse indissociável da natureza comercial ou não do filme em análise. Os Cahiers não estabeleceram que TODO o cinema de autor tem de ser cinema comercial; disseram que o cinema de autor pode nascer de uma conjuntura económica e política adversa à liberdade artística do criador. Entre o "pode" e o "tem" cabe o mundo — claro que para Mourinha, como a última produção de Nolan é cinema de autor, coisa que este arruma só pelo facto de "dizer que assim é", então Nolan é o novo Hawks ou o novo Hitchcock e... Mourinha o novo Truffaut?

O que os críticos dos Cahiers fizeram foi — e voltamos a usar o termo "vitimizante" de Jorge Mourinha — "impor" a liberdade de se ver cinema muito para lá dos sistemas de gosto instalados — esses sim, foram as vítimas da sua crítica. Os Cahiers propuseram um "novo olhar" livre de preconceitos tal como não foi de modo algum imposto um novo preconceito que dita que todo o cinema comercial americano está destituído de dimensão autoral, ou então Spielberg não teria visto o seu "War of the Worlds" ser considerado pela revista "só" o oitavo melhor filme da primeira década do novo milénio... Ou M. Night Shyamalan não teria merecido a consagração que nunca teve — e algum dia terá? — no seu próprio país.

Mais à frente, o crítico do Público diz: "Muitos dos nomes que os Cahiers defendem na sua lista como cineastas livres fazem parte do academismo do cânone 'autorista', ao qual pertencem em alguns casos mais pela sua postura perante o cinema do que pelos filmes em si." Como pode a "postura sobre o cinema" não estar nos "filmes em si", ou melhor, onde foram os críticos dos Cahiers buscar essa postura que não nos filmes? Parece-nos evidente que Mourinha, por não tolerar, por exemplo, o cinema de Ferrara, sente-se no direito de tomar toda a linha editorial dos Cahiers por ortodoxa ou académica ou, no limite, "conformada" — um de nós também detestou o último Coppola, o outro não considera “Holy Motors” como merecedor de inclusão em Tops dos melhores do ano, mas vê-los na lista da Cahiers lembra-nos como é sempre possível um olhar diferente sobre o mesmo objecto...

Mourinha cita Bazin para dizer que "tudo é relativo", algo que o crítico do Público não põe em prática quando se mostra incapaz de: aceitar a diversidade de proveniências do Cinema, reconhecer o lugar que os Cahiers ocuparam e ainda procuram ocupar no desafio aos unanimismos e aos "gostos maioritários" e — detenhamo-nos, por fim, neste ponto — respeitar a diversidade de visões sobre um filme provenientes de fontes como os, segundo Mourinha, "blogues que multiplicam opiniões".

Recordamos que a presente indignação ao artigo publicado pelo suplemento Ípsilon nasce na própria comunidade blogger cinéfila portuguesa, uma comunidade liberta de linhas editoriais que não a instituída pelo próprio blogger em prol de uma reflexão cinematográfica anti-consensual, inclusive geradora de alguns futuros profissionais do cinema português e que, em toda a sua natureza, pluralidade, virtudes e defeitos, revela-se um dos espaços mais férteis e inconformados no que toca ao debate sobre o passado, presente e futuro da Sétima Arte.

Signatários:

André Marques
Aníbal Santiago
Hugo Gomes
Inês Moreira Santos
Jorge Rodrigues e João Samuel Neves
Jorge Teixeira e Pedro Teixeira
Luís Mendonça
Miguel Reis
Nuno Reis
Samuel Andrade

quarta-feira, dezembro 05, 2012

A "Polémica" do Mês #17

Como a blogosfera cinéfila nacional divergiu, este mês, sobre ARGO, de Ben Affleck.





«Num drama em que a intensidade de cada momento prende o espectador ao ecrã, nada parece seguro, nada é garantido. E até ao último segundo do filme existe uma acção, intrínseca a cada personagem, intrínseca a cada cena, que não deixam o espectador relaxar.»
João Samuel Neves, Dial P For Popcorn.



«É um thriller dramático com momentos intensos, mas repleto de uma espécie de americanização que não cai bem. A história é verídica mas contada por americanos, para ser vista e adorada, principalmente, por eles mesmos.»
Inês Moreira Santos, Espalha-Factos.



«Argo revela uma vez mais que não há arte tão mentirosa quanto o cinema, mesmo quando resolve contar a verdade. Ou que não há arte tão verdadeira quanto o cinema, mesmo quando deturpa e inventa. É um bom filme? Bastariam estas tangentes para fazer dele um objecto interessante.»
João Lameira, À Pala de Walsh.

sábado, novembro 03, 2012

Só para recordar...

... e agora com os logos oficiais do evento, que o Keyzer Soze's Place está nomeado em três categorias dos TCN Blog Awards 2012: Melhor Artigo de Cinema ("O Fim da Película: O Fim da Cinefilia?"), Melhor Blogue Individual e Blogger do Ano.




Para votarem, basta irem ao Cinema Notebook e "depositarem" o vosso voto na barra lateral direita da página.

Votem, e votem bem! :)

sexta-feira, novembro 02, 2012

A "Polémica" do Mês #16

Como a blogosfera cinéfila nacional divergiu, este mês, sobre LOOPER — REFLEXO ASSASSINO, de Rian Johnson.





«Um óptimo e inteligente filme de acção, o que se usa chamar um blockbuster de autor (embora não seja exactamente um blockbuster).»
João Lameira, À Pala de Walsh.



«No final do dia, não passa de uma boa produção sem nenhum grau de espetacularidade.»
João Pinto, Portal Cinema.



«Não se trata de previsibilidade. Trata-se, acima de tudo, de um sem número de clichés cinematográficos, momentos pré-fabricados, ideias repetidas, que fazem perder o brilho a um filme carregado de potencial. A originalidade do argumento dilui-se na falta de originalidade da sua equipa de produção.»
João Samuel Neves, Dial P for Popcorn.

sexta-feira, outubro 26, 2012

TCN Blog Awards 2012



Já está em marcha a edição 2012 dos TCN Blog Awards, iniciativa promovida pelo Miguel Reis do Cinema Notebook.

À semelhança do ano passado, o Keyzer Soze foi novamente honrado com três nomeações. E são elas:

. Melhor Artigo de Cinema: O Fim da Película: O Fim da Cinefilia?;

. Melhor Blogue Individual Cinema/TV;

. Blogger do Ano.

De realçar que o Keyzer Soze está também representado, por três vezes mas de forma "externa", na categoria de Melhor Iniciativa, pelas suas colaborações no Círculo de Críticos Online Portugueses (CCOP); na rubrica Filmes que toda a gente gosta, mas eu não (do blog Cine31); e em The X-Files - 10 Anos, a "elegia" do Imagens Projectadas a uma década sem a série Ficheiros Secretos.

Se consideram o Keyzer Soze's Place meritório de arrecadar alguma "estatueta", num evento que decorrerá em data e local ainda por determinar, podem deixar o vosso voto aqui nas categorias em que o blog está nomeado.

Desde já, o meu agradecimento aos membros da ACADEMIA TCN que colocaram o Keyzer Soze's Place neste privilegiado lote, numa iniciativa onde interessa, apenas e acima de qualquer competitividade, a celebração da blogosfera de Cinema e TV portuguesa.

P.S: não deixem de visitar o Cinema Notebook e consultar todos os nomeados.

quinta-feira, agosto 30, 2012

A "Polémica" do Mês #15

Como a blogosfera cinéfila nacional divergiu, este mês, sobre O CAVALEIRO DAS TREVAS RENASCE, de Christopher Nolan.





«Esta é a saga de Nolan, a interpretação do cineasta ao personagem, e, no terceiro filme, o realizador mostra-se fiel a si próprio, procurando respeitar alguns dos elementos da banda-desenhada, mas sempre tendo em vista encerrar esta sua interpretação do personagem.»
Aníbal Santiago, Rick's Cinema.



«RISES continua, como é devido, na linha dos seus anteriores, e nesse sentido dificilmente seria um marco, até porque tudo que traz, já o seu predecessor tinha feito e, na minha opinião, até melhor.»
Loot, Altenative Prison.



«O que dizer do "grande realizador do momento" quando este falha algumas regras básicas (essenciais) da feitura de um filme? Nolan e o seu irmão Jonathan confundem complicação e a demanda pelo efeito com complexidade e inteligência.»
João Lameira, À Pala de Walsh.

domingo, julho 29, 2012

A "Polémica" do Mês #14

Como a blogosfera cinéfila nacional divergiu, este mês, sobre MOONRISE KINGDOM, de Wes Anderson.





«Isto é o mundo de Wes Anderson. MOONRISE KINGDOM deve ser visto pelos olhos de uma criança. Como uma banda desenhada que merece ser vista pela primeira vez. Gostei muito, para ver e rever.»
João Gonçalves, Modern Times.



«(...) ainda há mudanças despropositadas de tom (a sequência com Jason Schwartzman ou a cena do raio, por exemplo, só estão aqui para reforçar o obrigatório travo offbeat) e o virtuosismo formal, que torna o filme numa elaborada peça de relojoaria, trava alguma força emocional. Mas desta vez, a qualidade sai quase sempre a ganhar ao defeito.»
Gonçalo Sá, gonn1000.



«MOONRISE KINGDOM, que prometia seguir as dores do crescimento da infância, acaba por confinar o (seu) mundo a tiras de caricaturas absurdas e sem alma. Aqui o amor não é um lugar estranho — simplesmente não existe.»
Flávio Gonçalves, O Sétimo Continente.

terça-feira, julho 24, 2012

Iniciativas Conjuntas #12

Sem hesitação nem pretensiosismo, afirmo que a comunidade blogger cinéfila é uma das mais dinâmicas em Portugal. Segue um exemplo.

A convite do blog Not A Film Critic, fui desafiado a escrever, "sem medos ou censura", sobre o meu guilty pleasure de eleição. Como resposta, ficou esta reflexão:

--//--

Dos títulos cujos percursos ficaram imediatamente afectados pelos atentados do 11 de Setembro de 2001, OPERAÇÃO SWORDFISH foi o que mais "danos colaterais" registou. A seu favor, tinha produção de Joel Silver, "mago" das super-produções de Hollywood, um elenco de alto calibre (John Travolta, Hugh Jackman, Don Cheadle e, sobretudo, Halle Berry a ocupar a vaga de femme fatale com pouca ou nenhuma roupa), diálogos que podiam muito bem ter sido dactilografados por Quentin Tarantino e sequências de acção quase "orgiásticas" nos seus índices de devastação urbana.

Com todos estes ingredientes, o que poderia falhar? Obviamente, o contexto político-temporal da sua estreia não foi o mais favorável à sugestão de planos ultra-secretos para derrubar estados que acolhem terroristas como refugiados políticos ou visões de prédios a explodir com contornos demasiado semelhantes aos observados nas Torres Gémeas em 2001 — como resultado, OPERAÇÃO SWORDFISH "desapareceu" rapidamente de circulação.

Deste modo, privou-se uma franja considerável de espectadores de um dos actioners que mais empreendeu na difícil tarefa de aliar um argumento coerente com a pura adrenalina ilógica das suas sequências de acção.

Mas o rotundo falhanço desse esforço consciente de seriedade, no seio de uma produção desta natureza, preenche o filme de uma constante atmosfera de exagero e peculiar "supra-realismo" aliada a uma fabulosa auto-paródia ao próprio cinema em que OPERAÇÃO SWORDFISH se insere.

Os contornos deste curioso monológo da personagem de John Travolta, logo nos minutos iniciais e a queixar-se da ausência de realismo que caracteriza a maioria do mainstream norte-americano, só são devidamente apreendidos no final do filme — pois assiste-se, ipsis verbis durante o seu visionamento, a tudo aquilo que aqui é criticado:



OPERAÇÃO SWORDFISH torna-se ainda mais "delicioso" pela análise individual das sequências do que através da soma das suas partes.

Há uma década, sem YouTube nem massificação de torrents e afins, um momento como este apresentava-se genuinamente emocionante:



E depois há a averiguação de competências informáticas com sexo oral à mistura, reviravoltas atrás de reviravoltas atrás de reviravoltas que submete qualquer espectador a rever o filme, teorias de conspiração capazes de deixar Oliver Stone verde de raiva e um terceiro acto que oblitera, por completo, a definição de realismo que podemos encontrar no dicionário.

«Realism; not a pervasive element in today's modern American cinematic vision», como afirma Gabriel (Travolta) no segmento introdutório do filme acima mencionado. Realmente, ele não exubera também OPERAÇÃO SWORDFISH, que caiu — de forma extremamente célere — em esquecimento. Contudo, alimento a secreta teoria de que fez "escola" no cinema de acção moderno: há muito do filme de Dominic Sena nos "preceitos" dos recentes Transformers, Vingadores ou Batalhas Navais.

Só não restou a ironia e a auto-paródia de OPERAÇÃO SWORDFISH, o guilty pleasure da minha vida e com o qual aceitei o convite, do Not a Film Critic, para esta rubrica.

--//--

Obrigado, FilmPuff, pelo convite!

sábado, junho 30, 2012

A "Polémica" do Mês #13

Como a blogosfera cinéfila nacional divergiu, este mês, sobre COSMOPOLIS, de David Cronenberg.





«(...) atinge um nível cinematográfico notável, no prosseguimento de uma obra em que a violência da sociedade, nomeadamente da sociedade contemporânea, tem sido perseguida sem esmorecimento até ao aparente absurdo que humanamente a pode ainda justificar.»
Carlos Melo Ferreira, Some Like It Cool.



«Não é uma obra-prima do realizador, mas não deixa de extasiar, de chocar ou mesmo de apaixonar.»
Inês Moreira Santos, Espalha-Factos.



«Mesmo que algo me diga que a minha opinião sobre COSMOPOLIS poderá ser mais favorável quando o revir, parece-me, por enquanto, o pior filme de Cronenberg.»
João Lameira, Numa Paragem do 28.

terça-feira, junho 19, 2012

Iniciativas Conjuntas #11

Sem hesitação nem pretensiosismo, afirmo que a comunidade blogger cinéfila é uma das mais dinâmicas em Portugal. Segue um exemplo.

A convite do Cine31, fui desafiado a elaborar uma lista de "ódios de estimação" muito especial, realçando filmes comummente considerados como bons mas que eu não aprecio. Como resposta, ficou esta reflexão:

--//--

. CASABLANCA (1942, Michael Curtiz)

Fama: rating de 8.7 no IMDB; 97% de apreciação crítica no Rotten Tomatoes; três Óscares da Academia (incluíndo Melhor Filme); considerado como obra de relevância cultural e histórica; detentor de um fascínio cinéfilo indescritível, infinito e intergeracional.

Ódio: gerado por três aspectos que, normalmente, estão associados a filmes rotulados de menores: pejado de artificialidade emocional, a rigidez unidimensional das personagens (autênticos arquétipos, para não dizer estereótipos, de previsibilidade) e não é mais do que um esforçado apelo propagandístico à intervenção dos EUA na II Guerra Mundial.

. O NOVO MUNDO (2005, Terrence Malick)

Fama: rating de 6.8 no IMDB; 61% de apreciação crítica no Rotten Tomatoes; pertence à curta mas qualitativamente robusta carreira de um dos cineastas a quem o adjectivo "visionário" parece assentar que nem uma luva; galardoado por diversas associações de críticos norte-americanos.

Ódio: a direcção de fotografia é, de facto, muito bonita, mas assistimos ao típico exemplo de "feitiço virado contra o feiticeiro": a habitual poesia narrativa de Malick nunca consegue despontar, afigurando-se sempre mecânica e desordenada; com a excepção de Christian Bale num papel secundário, o filme é um caso sério de miscastings.

. MÚSICA NO CORAÇÃO (1965, Robert Wise)

Fama: rating de 7.9 no IMDB; 84% de apreciação crítica no Rotten Tomatoes; quatro Óscares da Academia (incluíndo Melhor Filme); omnipresente nas listas, efectuadas por diversas publicações, de melhores filmes de todos os tempos, sobretudo no género dos musicais; todos sabem traulitar, no mínimo, o refrão do seu tema principal.

Ódio: não há, para mim, pior decisão artística do que impor ao espectador, e ao pormenor, quando este deve rir, chorar e enternecer-se, ou qual o destino de férias que terá de escolher para as próximas férias de Natal (o filme fez maravilhas pelo turismo da Áustria...); o pormenor da paixão entre uma jovem religiosa e um capitão da marinha nazi daria, só por si, pano para mangas junto de quem aprecia o politicamente correcto...

. O NOME DA ROSA (1986, Jean-Jacques Annaud)

Fama: rating de 7.8 no IMDB; 76% de apreciação crítica no Rotten Tomatoes; alguns prémios europeus, nomeadamente um BAFTA de Melhor Actor para Sean Connery; impulsionado pelo romance de Umberto Eco em que se inspira, a impressão geral é de que se trata de "um bom filme".

Ódio: ao "despir" o argumento dos elementos narrativos do romance para apostar na história de mistério num convento medieval, acaba por ser uma manta de retalhos cinematográfica de personagens mal definidas, suspeitas que nunca chegam ao estatuto de red herrings e acontecimentos mal sugeridos e/ou resolvidos; Umberto Eco não é "infilmável", apenas requereria mais "tacto" na sua adaptação.

. MOULIN ROUGE (2001, Baz Luhrmann)

Fama: rating de 7.6 no IMDB; 76% de apreciação crítica no Rotten Tomatoes; vencedor de três Globos de Ouro (incluíndo Melhor Filme — Musical ou Comédia) e dois Óscares da Academia; desde a sua estreia, é presença assídua nas listas de melhores musicais de todos os tempos.

Ódio: muito movimento, muita cor, muito efeito sonoro mas nenhuma alma; o frenesim, criado sobretudo na sala de montagem, tenta compensar a total ausência de originalidade do filme: a banda sonora é uma colectânea de covers, a temática romântica plagia descaradamente Shakespeare e as interpretações não merecem sequer o adjectivo overacting (Nicole Kidman incluída); tudo isto e ainda a dor de cabeça, proveniente dos cortes incessantes entre planos de meio segundo, que a sua visualização me proporciona.

--//--

Obrigado, David, Sofia e Bruno pelo convite!

terça-feira, junho 12, 2012

Iniciativas Conjuntas #10

Sem hesitação nem pretensiosismo, afirmo que a comunidade blogger cinéfila é uma das mais dinâmicas em Portugal. Segue um exemplo.

A convite do Nuno Reis, pelo Antestreia, e a propósito do recente anúncio governamental de se implementar um Plano Nacional de Cinema nas escolas portuguesas, fui desafiado a apresentar uma lista daqueles filmes que todos deviam ver ao longo do seu percurso educacional. As regras eram simples: considerar a idade das crianças e, de preferência, que pudessem ser enquadradas no currículo disciplinar. Como resposta, sugeri estas propostas:

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Para quem não está habituado a encarar um filme de acordo com as suas qualidades pedagógicas, elaborar um conjunto de obras, com o intuito de serem exibidas em contexto escolar, não se afigurou tarefa fácil.

Contudo, abracei o desafio tendo em conta, para além da sua óbvia classificação etária, cinco critérios para a escolha dos títulos a figurarem no anunciado Plano Nacional de Cinema, como também para a definição do enquandramento, aos estudantes, da iniciativa:

. filmes com duração até 90 minutos, para a sua visualização, na íntegra, em apenas um bloco horário;
. relevância histórica e/ou estética;
. intemporalidade em termos de linguagem cinematográfica e/ou temáticas abordadas;
. potenciadores de cativação para a forma artística;
. e, sobretudo, esclarecedores do poder do Cinema enquanto veículo e forma artística privilegiada de aprendizagem, consciencialização e inspiração.

Por ordem cronológica:

MENORES de 10 anos
Primórdios técnicos, emocionais e narrativos do Cinema, das formas elementares até às mais originais; protagonistas de imediata e espontânea empatia; exposição singular, mas formalmente adequada a esta faixa etária, da realidade.

. VIAGEM À LUA (Le voyage dans la lune, 1902, Georges Méliès)
. ONE WEEK (One Week, 1920, Edward F. Cline e Buster Keaton)
. O GAROTO DE CHARLOT (The Kid, 1921, Charles Chaplin)
. O HOMEM DA CÂMARA DE FILMAR (Man with a Movie Camera, 1929, Dziga Vertov)
. SILLY SYMPHONIES: FLOWERS AND TREES (Silly Symphonies: Flowers and Trees, 1932, Burt Gillett)
. ANIKI-BÓBÓ (Aniki-Bóbó, 1942, Manoel de Oliveira)
. BAMBI (Bambi, 1942, David Hand)
. O BALÃO VERMELHO (Le ballon rouge, 1956, Albert Lamorisse)
. CHRONOS (Chronos, 1985, Ron Fricke)
. MICROCOSMOS: O POVO DA ERVA (Microcosmos, 1996, Claude Nuridsany e Marie Pérennou)

MENORES de 15 anos
Percepção de temáticas e simbolismo em Cinema, através da compreensão de regras estéticas e, quando aplicável, da sua própria subversão; a abordagem cinematográfica a eventos históricos como forma de observar o presente.

. O GABINETE DO DR. CALIGARI (Das Cabinet des Dr. Caligari, 1920, Robert Wiene)
. NANUK, O ESQUIMÓ (Nanook of the North, 1922, Robert J. Flaherty)
. O COURAÇADO POTEMKINE (Bronenosets Potyomkin, 1925, Serguei Eisenstein)
. PAMPLINAS MAQUINISTA (The General, 1926, Clyde Bruckman)
. A PAIXÃO DE JOANA D'ARC (La passion de Jeanne d’Arc, 1928, Carl Theodor Dreyer)
. TEMPOS MODERNOS (Modern Times, 1936, Charles Chaplin)
. O CARTEIRISTA (Pickpocket, 1959, Robert Bresson)
. AS ARMAS E O POVO (As Armas e o Povo, 1975, Colectivo de Trabalhadores da Actividade Cinematográfica)
. COMBOIO DE SOMBRAS (Tren de Sombras, 1997, José Luis Guerin)
. O GIGANTE DE FERRO (The Iron Giant, 1999, Brad Bird)

MENORES de 18 anos
Exposição de conflitos morais, sociais, filosóficos e/ou humanos para a compreensão das sociedades contemporâneas, com o propósito de incutir e debater valores éticos (o bem e o mal, liberdade e tolerância, paz e guerra); observação de opções estéticas singulares, desde a origem da Sétima Arte até ao Cinema mais recente.

. FINIS TERRAE (Finis Terræ, 1929, Jean Epstein)
. L'ÂGE D'OR (L’âge d’or, 1930, Luis Buñuel)
. RASHOMON — ÀS PORTAS DO INFERNO (Rashômon, 1950, Akira Kurosawa)
. NUIT ET BROUILLARD (Nuit et Brouillard, 1955, Alain Resnais)
. HORIZONTES DE GLÓRIA (Paths of Glory, 1957, Stanley Kubrick)
. MORANGOS SILVESTRES (Smultronstället, 1957, Ingmar Bergman)
. O ACOSSADO (À bout de souffle, 1960, Jean-Luc Godard)
. UMA ABELHA NA CHUVA (Uma Abelha na Chuva, 1971, Fernando Lopes)
. OS TEMPOS DE HARVEY MILK (The Times of Harvey Milk, 1984, Rob Epstein)
. BLACKBOARDS (Takhté siah, 2000, Samira Makhmalbaf)

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Obrigado, Nuno, pelo convite!

quinta-feira, maio 31, 2012

A "Polémica" do Mês #12

Como a blogosfera cinéfila nacional divergiu, este mês, sobre TEMOS DE FALAR SOBRE KEVIN, de Lynne Ramsay.





«É um filme único, forte, um dos melhores do ano e que serve tão bem individualmente como obra cinematográfica, mas ainda mais em complemento com o livro que lhe deu origem.»
Tiago Ramos, Split Screen.



«(...) um filme perturbador, mas que poderia ter tido um maior potencial e um impacto emocional muito maior.»
Nuno Barroso, Delusion Over Addiction.



«É contudo curioso que um filme, que se esperava perturbante, o seja precisamente por razões que não eram pretendidas. Sustentado por um discurso pobre e maniqueísta, não parece que se tenha querido falar muito sobre Kevin.»
Flávio Gonçalves, O Sétimo Continente.

quarta-feira, maio 30, 2012

Iniciativas Conjuntas #9

Sem hesitação nem pretensiosismo, afirmo que a comunidade blogger cinéfila é uma das mais dinâmicas em Portugal. Segue um exemplo.

A convite do António Guerra, pelo Imagens Projectadas, e como perfazem dez anos desde o derradeiro episódio de FICHEIROS SECRETOS, fui desafiado a escrever não só sobre o impacto da série criada por Chris Carter, como também o que mudou na televisão durante esse período. Como resposta, ficou esta reflexão:

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Uma Mera Questão de Horário

Eu ainda sou do tempo em que as boas séries de televisão eram emitidas durante o horário nobre dos canais generalistas nacionais. Foi graças a essa "janela temporal" que travei conhecimento com pérolas incontornáveis do pequeno ecrã.

São exemplos TWIN PEAKS (1989-1990) — se bem que esta, pelo seu conteúdo capaz de deixar um puto de nove anos com os nervos em frenesim, só foi devidamente assimilada mais tarde e em DVD — ou FICHEIROS SECRETOS (1993-2002), o motivo que me levou a aceitar o agradável convite do Imagens Projectadas para reflectir sobre o panorama da ficção televisiva na última década e desde o término da melhor série alguma vez produzida em torno de teorias de conspiração e vida inteligente extraterrestre.

E, nessa reflexão, é-me impossível não realçar a questão dos horários de transmissão praticados em Portugal para séries de televisão — definitivamente, e para pior, uma das mudanças mais significativas ocorrida durante o consumar destes dez anos.

Sendo inegável que, no seio da criação televisiva, se assistiu ao feliz incremento de qualidade e quantidade (diversidade de géneros, aproximação a métodos de produção dignos de Hollywood, renovação de públicos, um impacto cada vez maior no imaginário da cultura popular), a forma de distribuição da mesma no nosso país é que já possui contornos de pouco recomendável.

O paradigma actual extravasa, até, a "velha polémica" da transmissão durante a semana e em horários menos próprios para consumo facultada pelos canais em sinal aberto, numa realidade completamente desfasada de qualquer e hipotética guerra de audiências (a única excepção a este cenário provém de um dos dois canais públicos que poderá conhecer cessação em breve).

Paradoxalmente, a multiplicação da oferta televisiva denominada por cabo — que deveria constituir-se como resposta à prosperidade criativa do meio acima referida —, a meu ver, também não parece contribuir para o usufruto ideal da produção televisiva norte-americana, seja ela contemporânea ou transacta. Observa-se aqui, igualmente, a disparidades de dias e horas de transmissão e ao desrespeito na continuidade e, por vezes, repetição de episódios.

Em suma, muitas e óptimas séries de TV para ver mas reduzida estratégia no modo como nos são apresentadas.

Num dos episódios de FICHEIROS SECRETOS, Dana Scully, a personagem interpretada por Gillian Anderson, afirma que «it seems to me that the best relationships, the ones that last, are frequently the ones that are rooted in friendship. You know, one day you look at the person and you see something more than you did the night before. Like a switch has been flicked somewhere». É uma frase profunda e pouco distante da realidade, proferida num momento de fortalecimento da sua relação pessoal e profissional com o caprichoso agente Fox Mulder (David Duchovny).

E por que razão esta frase ficou-me indelevelmente registada na memória? Pelo simples facto de que, há uns anos, tinha a certeza que, todas as (na altura) quartas-feiras e em horário nobre, era emitido novo episódio de FICHEIROS SECRETOS. Esta frase é uma forma quase "poética" de ilustrar como a fidelidade do público era potenciada por esta espécie de amizade de programação televisiva.

Hoje em dia, é-me virtualmente impossível fixar e/ou citar uma linha de diálogo de uma série de TV. Aparentemente, estão a escapar-me fantásticos produtos televisivos: são-me aconselhados, com frequência, DOWNTON ABBEY, HOMELAND, MODERN FAMILY, PARKS AND RECREATION ou THE GOOD WIFE, mas ainda mal as "espreitei". E já nem me esforço por saber o que e quando é transmitido algo em Portugal, recorrendo ao DVD ou à Internet para a visualização do reduzido número de propostas a que me cingo neste momento (a saber, MAD MEN, TRUE BLOOD, THE KILLING e BREAKING BAD).

Apetece mesmo recuar dez anos, colocar-me numa situação fantástica e digna de um episódio de FICHEIROS SECRETOS e desfrutar da relativamente acertada política de exibição daquela época. De quando as séries de TV eram encaradas como material de horário nobre. De como a amizade para com uma série — e FICHEIROS SECRETOS foi um óptimo modelo disso — advinha não só da sua qualidade intrínseca, mas também de como nos era garantida, por uma mera questão de hora certa, a possibilidade de a testemunhar.

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Obrigado, António, pelo convite!

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