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sábado, fevereiro 23, 2013

Em contagem decrescente para os Oscars...



...a um dia da cerimónia e antes das apostas finais, é altura de invocar os filmes e os nomes que (na opinião do Keyzer Soze) a Academia "esqueceu" nas nomeações da sua 85ª edição.

Eis mais um ano com muitas e notáveis omissões para a cerimónia do próximo Domingo. Portanto, não custa muito listar os especiais casos de:

O MENTOR, para Melhor Filme



Profunda e desencantada metáfora à História dos Estados Unidos, O MENTOR é, igualmente, uma das obras esteticamente mais interessantes das últimas décadas à qual a Academia não foi capaz de proporcionar atenção pública com, no mínimo, uma nomeação para o Oscar mais sonante da próxima noite dos Oscars. Rodado em fulgurante 70mm, desenvolvendo o seu argumento e temática através da imagem, banda sonora e atmosfera, o facto de Paul Thomas Anderson (Melhor Realizador), Mihai Malaimare, Jr. (Melhor Fotografia) e Jonny Greenwood (Melhor Banda Sonora) não estarem nomeados constitui um irónico decréscimo à qualidade do lote de candidatos a um Oscar este ano.



Quentin Tarantino, por DJANGO LIBERTADO, para Melhor Realizador



A narrativa de DJANGO LIBERTADO é como Quentin Tarantino: respira Cinema em cada centímetro de película. Homenagem a diversos géneros secundários (o Western Spaghetti, o blaxpoitation, o Hollywood Classical Style, etc.) da Sétima Arte, revela-se entretenimento e polémico em doses generosas e susceptível de múltiplas análises morais que, talvez, nunca foram pretendidas pelo cineasta. A Academia não se "seduziu" pelo virtuosismo de Tarantino.

Kathryn Bigelow, por 00:30 A HORA NEGRA, para Melhor Realizador



A estética do cinema de acção em função da vincada postura autoral de Kathryn Bigelow já não surpreende quem acompanha a sua carreira. A narrativa, emocionalmente seca e moralmente ambígua, converteu 00:30 A HORA NEGRA num dos filmes do ano, ornada por uma meia hora final de intensa proficiência técnica. Contudo, nenhum desses atributos convenceu os votantes da Academia, impedindo Bigelow de repetir o sucesso de 2009 (por ESTADO DE GUERRA).

John Hawkes, por SEIS SESSÕES, para Melhor Actor Principal



Não é surpresa que os Oscars têm demonstrado, em anos recentes, uma progressiva alteração de tendências e gostos. A prová-lo, temos a ausência de John Hawkes e a sua interpretação de um ser humano extremamente limitado fisicamente — ou o género de papéis que, noutros tempos, figurava quase obrigatoriamente entre os nomeados e (basta recordar o exemplo de Daniel Day-Lewis por O MEU PÉ ESQUERDO) vencedores. Neste caso, o cumprimento dessa "quota" justificava-se inteiramente, ainda para mais quando comparadas com a mediania nomeada de Denzel Washington (FLIGHT — DECISÃO DE RISCO) e Bradley Cooper (GUIA PARA UM FINAL FELIZ).



Jean-Louis Trintignant, por AMOR, para Melhor Actor Principal



O "renascido" Jean-Louis Trintignant demonstrou, no filme de Michael Haneke, argumentos de peso para que registássemos a sua presença na cerimónia do próximo Domingo. Repentino e enigmático retrato, quase extremo, de dedicação matrimonial, bateu forças com uma das interpretações femininas mais arrebatadoras de 2012 (Emmanuelle Riva, uma das favoritas ao Oscar de Melhor Actriz) e desempenhou alguns dos momentos humanos (ou humanistas, dependendo da perspectiva) mais inesquecíveis do Cinema Europeu recente.



Samuel L. Jackson, por DJANGO LIBERTADO, para Melhor Actor Secundário



Enquanto Stephen, o «negro mais racista da História do Cinema» (as palavras são do próprio Jackson), o actor quase desaparece nas nuances psicológicas — definitivamente, um dos principais pontos de discórdia no frenesim mediático em torno da suposta imoralidade racial do filme —, transformação física e frases icónicas do personagem. Depois de lhe ter negado o Oscar por PULP FICTION, a Academia volta a impedir a consagração de Samuel L. Jackson.



A CASA NA FLORESTA, para Melhor Argumento Original



As hipóteses de nomeação do argumento assinado por Joss Whedon e Drew Goddard seriam, indiscutivelmente, um "tiro no escuro". No entanto, há que realçar o poder de subversão para o género do cinema de terror (cada vez mais previsível e a atravessar um longo período de défice qualitativo) de A CASA NA FLORESTA, representando um excelente motivo para a Academia reconhecê-lo como um dos filmes mais criativos, delirantes e "metaficcionais" de 2012.



SAMSARA, para Melhor Fotografia



Raramente um documentário conseguiu obter indicação para Melhor Fotografia (NAVAJO, o último filme documental a ser nomeado nesta categoria, data de 1952). Contudo, a profundidade e dimensão da realidade captada (em 70mm) pelas objectivas de SAMSARA tornam-no num dos grandes feitos visuais do ano transacto e inteiramente merecedor de concorrer à estatueta.



THE IMPOSTER, para Melhor Documentário



Dizer "a realidade é mais estranha do que a ficção" parece adequar-se perfeitamente a THE IMPOSTER. Substancialmente mais sinistro e intrigante que muito do cinema de suspense produzido anualmente, a sua nomeação contribuiria para a acepção do Oscar para Melhor Documentário enquanto prémio realmente determinado em assumir, cinematograficamente, a diversidade e surrealismo existentes no mundo em que vivemos. Uma ausência tão surpreendente quanto os factos apresentados pelo filme.



PIETÀ, para Melhor Filme Estrangeiro



O vencedor do Leão de Ouro no último Festival de Veneza é, igualmente, a obra mais comercial de toda a filmografia do sul-coreano Kim Ki-duk e que, na sua estrutura narrativa básica (história de um reencontro mãe-filho, com o protagonista a encontrar uma espécie de redenção pessoal no fim), poderia ajudar PIETÀ a arrecadar votos suficientes para uma nomeação. Sonegado pela Academia, é uma lembrança da total ausência, este ano, do cinema asiático no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.



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E as vossas opiniões? São, como sempre, muito bem-vindas.

quinta-feira, janeiro 31, 2013

A "Polémica" do Mês #19

Como a blogosfera cinéfila nacional divergiu, este mês, sobre DJANGO LIBERTADO, de Quentin Tarantino.





«É o exemplo paradigmático do génio de Quentin Tarantino, um filme soberbo, cheio de falas afiadas, violência, humor negro, acção, boas interpretações e muita genialidade. Assim vale a pena ir ao cinema.»
Aníbal Santiago, Rick's Cinema.



«Por um lado, não reconheço o génio neste filme como reconheci em filmes anteriores; por outro lado, creio que ainda assim consegue incutir frescura estética a um género difícil de inovar mas sem arrojo e entusiasmo desmesurados.»
Victor Afonso, O Homem Que Sabia Demasiado.



«A arrastar-se em vez de empolgar, esta frouxa pileca é manta de retalhos onde nunca caiu mancha tão grande, leia-se a carreira do seu realizador e argumentista.»
Ricardo Lopes Moura, axasteoquê?!.

quarta-feira, janeiro 23, 2013

DJANGO LIBERTADO (2012), de Quentin Tarantino



No Sul dos Estados Unidos da América, dois anos antes da Guerra Civil, Django (Jamie Foxx) é um escravo com um passado de violência às mãos dos seus proprietários. O Dr. King Schultz (Cristoph Waltz), um caçador de prémios de origem alemã precisa da ajuda de Django para capturar os perigosos irmãos Brittle e compra-o com a promessa de o libertar assim que receber o dinheiro pela captura dos criminosos. No entanto, após o sucesso da missão, os dois decidem não se separar. Schultz torna-se mentor de Django e os dois percorrem o Sul perseguindo os fora da lei. Mas Django só tem um objetivo em mente: salvar a sua mulher, Broomhilda (Kerry Washington). — filmSPOT.



O "d" no nome do protagonista até pode ser silencioso, mas Quentin Tarantino ensaia em DJANGO LIBERTADO um sonante e explosivo espectáculo cinematográfico, onde as habituais referências invocadas pelo cineasta — que, cada vez mais, tanto se assemelham a descaradas imitações como a algo de inteiramente inaudito — são um prazer no interior dos inúmeros prazeres de uma obra simultaneamente superficial e complexa.

É impossível — para Spike Lee, foi irresistível — não tentar dissecar as implicações morais de um filme que escolhe os violentos tempos da escravatura nos EUA como cenário para o seu argumento. Mas o tom 'pulp fiction' em que DJANGO LIBERTADO se inebria cedo nos indica que, aqui, não existem pretensões de emitir juízos de valor nem quaisquer observações de justiça histórica.

Da mesma forma, esta é uma obra que não se cinge apenas ao Western Spaghetti, apesar de ser o género, visual e referencialmente falando, predominante — não falta, sequer, um cameo por Franco Nero, o DJANGO original. Homenageia-se, também, o blaxploitation, o grande cinema clássico de Hollywood (há deliciosas alusões a O NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO e E TUDO O VENTO LEVOU), o universo do obscuro cinema de série B e Z, a filmografia do próprio Tarantino e, inclusive, narrativas Wagnerianas.







Esta miscelânea de menções cinematográficas poderá ser considerada desviante, espirituosa, vertiginosa e profana na sua aparente aleatoriedade, com harmoniosa sede pelo anacronismo (assim se explica a presença na banda sonora de nomes como Anthony Hamilton, James Brown ou John Legend, ao lado das óbvias selecções de temas por Ennio Morricone e Luis Bacalov) e possuidora de um feroz poder de entretenimento como tem sido raro avistar, nos últimos tempos, no cinema norte-americano de grande orçamento. Mas, ao mesmo tempo, Tarantino consegue produzir — e reitera-se a muito provável inexistência dessa "consciência" — uma observação mordaz e original sobre a memória de um país em constante gládio com os seus fantasmas, sejam eles "bons, maus e vilões".

Num ano em que Hollywood encontrou inspiração acima da média na História do seu país (de LINCOLN a de THE MASTER, de ARGO até 00:30 A HORA NEGRA), DJANGO LIBERTADO é o ponto alto desse tendência. Brindada por uma fabulosa direcção de fotografia (e em película) de Robert Richardson e, como já é apanágio com Tarantino, memoráveis desempenhos secundários de Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio e Samuel L. Jackson, eis um dos grandes filmes de 2012.

sexta-feira, janeiro 04, 2013

Curiosidade da Semana



Vinte anos da carreira de Quentin Tarantino, repleta em referências culturais, compilados em seis minutos.



Por motivos óbvios, estão ausentes as homenagens de DJANGO LIBERTADO, mas a curiosidade desta semana não esquece o anacronismo de SACANAS SEM LEI (situado nos anos da Segunda Guerra Mundial) em relação a PARIS WHEN IT SIZZLES, um filme produzido e estreado em... 1964.

[Fonte: /Film.]

sexta-feira, dezembro 28, 2012

Hollywood Buzz #192

O que se diz lá fora sobre DJANGO UNCHAINED, de Quentin Tarantino:



«Like INGLOURIOUS BASTERDS, DJANGO UNCHAINED is crazily entertaining, brazenly irresponsible and also ethically serious in a way that is entirely consistent with its playfulness.»
A.O. Scott, The New York Times.

«An immensely satisfying taste of antebellum empowerment packaged as spaghetti-Western homage... A bloody hilarious (and hilariously bloody) Christmas counter-programmer.»
Peter Debruge, Variety.

«Only Tarantino could come up with such a wild cross-cultural mash, a smorgasbord of ingredients stemming from spaghetti Westerns, German legend, historical slavery, modern rap music, proto-Ku Klux Klan fashion, an assembly of '60s and '70s character actors and a leading couple meant to be the distant forebears of blaxploitation hero John Shaft and make it not only digestible but actually pretty delicious.»
Todd McCarthy, The Hollywood Reporter.

«At times more in line with BLAZING SADDLES than the grimly bawdy qualities that define many bonafide oaters, DJANGO UNCHAINED erupts with a conceptual brilliance from the outset that never fully meshes with its clumsy storyline. Nevertheless, it's a giddy ride.»
Eric Kohn, indieWIRE.

«I can only say DJANGO delivers, wholesale, that particular narcotic and delirious pleasure that Tarantino still knows how to confect in the cinema, something to do with the manipulation of surfaces. It's as unwholesome, deplorable and delicious as a forbidden cigarette.»
Peter Bradshaw, The Guardian.

quinta-feira, junho 28, 2012

A Estocada Final?



A luta entre os cineastas que privilegiam as características artísticas da película (Christopher Nolan, Quentin Tarantino) perante o cada vez maior domínio e respectiva adopção por nomes sonantes da indústria (David Fincher, James Cameron, Steven Soderbergh) do digital acaba de perder mais um round. E este é daqueles que podem indiciar o knockout...

Martin Scorsese abandona a película em favor do digital para o seu próximo filme, THE WOLF OF WALL STREET.

Pouco resta a acrescentar...

quinta-feira, junho 07, 2012

Curiosidade da Semana



"Eu decifrei o código que o Tarantino criou". É a partir desta enigmática premissa que os 300ml, duo de realizadores brasileiros, criam esta contagiosa curta-metragem intitulada TARANTINO'S MIND.

Selton Mello e Seu Jorge exploram, durante uma conversa de café, os temas, personagens e referências comuns na filmografia de Quentin Tarantino, num exercício fílmico peculiarmente experimental, irreverente, jocoso e pedagógico.

Ver TARANTINO'S MIND converter-se-à em quinze minutos de vida cinéfila muito frutífera.



[Fonte: Miramax.]

terça-feira, dezembro 27, 2011

#34



... segundo as palavras do derradeiro participante desta iniciativa — a saber, o ArmPauloFer, do blog Ecos Imprevistos:

Fazer uma escolha dos 10 filmes da minha vida não é uma tarefa assim tão simples quanto parecia. Perante tal dilema, decidi que os 10 filmes teriam de representar a evolução de quem sou e com isso serem escolhas irrevogáveis. Escolhas que, apesar de subjectivas, não mudem nem hoje nem daqui a 40 anos e por isso intensamente profundas para mim.

. SUPER-HOMEM
(1978, Superman, Richard Donner)



Ser criança, ler comics, ter o Super no top dos preferidos, tentar fazer desenhos dele... e um dia ver em imagem real que este homem realmente voa, segura um helicóptero com uma mão e faz de linha férrea para impedir o descarrilar dum comboio (e muito mais no mesmo decorrer de filme), com tudo tão bem feito, com uma icónica banda-sonora tão imponente que ainda hoje me arrepia (verídico)... foi memorável até hoje. Exibido numa Quarta-feira, na "Lotação Esgotada" da RTP1, fez com que na primária não se falasse de mais nada nos dias seguintes (o mesmo sucedeu com o Rambo...).

Em casa, andei muitas vezes com uma toalha pelas costas a fazer de capa, a desenhar montes de Superman e especialmente o "S" com obsessão. Ainda hoje o faço...
O verdadeiro primeiro filme da minha vida, pelo impacto que teve (as repercussões chegam até à minha profissão — artes gráficas) e um que relembro constantemente ao longo dos anos.

Ao lado deste e com igual impacto, o primeiro BATMAN de Tim Burton... ambos são inabaláveis.


. REGRESSO AO FUTURO
(1985, Back to the Future, Robert Zemeckis)



Este filme representa a primeira vez que fui ao cinema e a sair da sala totalmente maravilhado. Já tinha ido antes mas eu queria era mais maravilhamento, coisa que o MÚSICA NO CORAÇÃO não foi suficiente.

O Michael J.Fox no skate, a canção do Huey Lewis, as portas do carro que abriam para cima, que na verdade é uma máquina do tempo que deixa trilhos de fogo quando parte, um cientista maluco espectacular, paradoxos temporais e existenciais, diversas linhas temporais, uma grande aventura... isto era magia pura!!!

Era um puto de 10 anos em êxtase e o título do filme até serviu de razão para o professor de inglês, na preparatória, evidenciar as diferenças do inglês americano para o de Londres. A utilidade pedagógica do cinema...


. A LISTA DE SCHINDLER
(1993, Schindler's List, Steven Spielberg)



Com este filme Spielberg reúne tudo o que de melhor sabe e para mim ergue talvez mesmo a sua obra-prima de sempre. Não só é um belíssimo tributo a Schindler e ao legado deixado, como serve de visao personalizada da guerra, do holocausto nazi, da recessão, da fome, etc... como também por nos colocar junto das vitimas desafortunadas e sobretudo da tremenda luta que Schindler travou pelos "seus" judeus.

A "magia" visual de Spielberg também foi aplicada nesta obra ao preto-e-branco, pois o quanto nos marca e intriga os vislumbres da criança a cores...

Avassalador!


. PULP FICTION
(1994, Pulp Fiction, Quentin Tarantino)



Tinha ficado impressionado com o CÃES DANADOS numa exibição no Fantasporto e lá fui ver este, que até despertava curiosidade em ver como se safava a portuguesa Maria de Medeiros num filme americano. Quando saí da sala de cinema (o extinto Lumiere -Porto), estava de sorriso largo. Encheu-me as medidas este tremendo filme puzzle sem perder de vista a "pop culture" e mais que isso, que inesquecível banda-sonora!

Não foi à toa que foi o primeiro CD de uma OST que adquiri e também o meu primeiro DVD (nem leitor tinha sequer).

É para mim a obra-prima absoluta de Quentin Tarantino. Incontornável!


. TOY STORY: OS RIVAIS
(1995, Toy Story, John Lasseter)



Quando saiu fui ver e... naquele momento percebi claramente que esta animação era especial sob qualquer perspectiva. Um filme singular e sem igual, acima de tudo pela novidade de ser gerado inteiramente por computador e, apesar de todo o artificio técnico, sabia contar uma história com sub-textos de interpretação e sem esquecer o encantamento duma boa fantasia muito bem pensada. Revolucionário inquestionável!

Depois deste filme o nome Pixar ficou logo assimilado.


. ADEUS, PAI
(1996, Adeus, Pai, Luís Filipe Rocha)



Não foi o primeiro filme português que me levou ao cinema mas foi aquele que mais me impressionou e marcou. Um filme onde o termo "E se?" perdurou sempre na minha mente. No fundo, é uma criança que quer mais do seu pai... e o seu pai o atende mas tem um "adeus" no horizonte. Enternecedor, muito bom o exercício, magico e marcante. E surpreende com um final onde é o espectador que leva consigo a missão de aprender algo com esta história. Grande cinema moderno português!

. A MULHER QUE VIVEU DUAS VEZES
(1958, Vertigo, Alfred Hitchcock)



A semente cinéfila desenvolveu-se imenso nesta fase, desde as conversas com outros estudantes. Foi sobretudo, quando o grande cinefilo-critico Bénard da Costa, conduzia os seus programas cinéfilos na RTP2, gradualmente apresentando obras para a descoberta acontecer no espectador com entusiasmo.

Naquela altura, aqueles programas foram autênticas aulas de cinema, funcionavam por ciclos semanais e passando por diversos nomes importantes por semana, do Orson Welles a todos os outros, mas o desfile Hitchcock foi tão forte que parava ali quieto para nada perder, sendo o culminar a forma apaixonada como Bénard da Costa apresentou VERTIGO, onde primeiro contextualizou o que iríamos ver e depois de exibido regressaria para o debater, dando ênfase aos pontos chaves desta magnifico filme de Hitchcock. Gigantes: filme, realizador e o critico-didáctico.


. O QUARTO MANDAMENTO
(1942, The Magnificent Ambersons, Orson Welles)



nesquecível. Este é o filme de Welles que mais me impressionou, especialmente pela narrativa. Tenho a impressão que ficou sempre na sombra do CITIZEN KANE mas deixou-me encantado totalmente. Welles trata esta obra sobre a ascensão e queda de uma família, como um verdadeiro épico, que atravessa os tempos pontuado pela voz-off do realizador. Considero-o uma obra-prima!

. MATRIX
(1999, The Matrix, Andy e Larry Wachowski)



"What is the matrix?" era esta a pergunta que nos entregava o marketing, que de uma assentada só colocava o cerne da intriga na mente do ansioso espectador. E eu era um desses ansiosos em 1999. Digo, da minha apreciação que me significou imenso, maravilhou-me a todos os níveis a pontos de ser um pessoal standard cinéfilo de entretenimento de acção que atravessa tantos outros géneros com brilhantismo, tudo isto numa narrativa muito elaborada e com imensos sub-textos dignos de reflexão.

. DISPONÍVEL PARA AMAR
(2000, Fa yeung nin wa, Wong Kar Wai)



Tenho um fascínio tremendo por esta obra. A dolência da imagem, o apuro visual, a precisão da banda-sonora, o design de produção, o vestuário e toda a classe que emana num historia marcante onde a honra e princípios sociais retiram o poder de entrega física a duas pessoas que sabem terem sido traídas pelos cônjuges e acabam ambos descobrindo um verdadeiro amor mútuo... mas impedem-se de consumar tão forte amor. Magnífico!

--//--

Obrigado, Armindo, pela tua participação!

segunda-feira, dezembro 05, 2011

#32



... segundo as palavras da Inês Moreira Santos, colaboradora do Espalha-Factos:

Aqui ficam os 10 filmes da minha vida, sem qualquer ordem de preferência. A estes poderiam juntar-se tantos outros, mas tendo eu que (hoje) escolher apenas 10, são estas as minhas escolhas.

. ANNIE HALL
(1977, Annie Hall, Woody Allen)



Woody Allen no seu melhor. ANNIE HALL não podia deixar de entrar na minha lista por tudo o que é. Um dos meus filmes favoritos.

. O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE
(2001, Le fabuleux destin d'Amélie Poulain, Jean-Pierre Jeunet)



Há tanto para dizer sobre este filme, mas "mágico" assenta-lhe bem e já diz muito. A vida da Amélie faz-nos sonhar.

. CINEMA PARAÍSO
(1988, Nuovo Cinema Paradiso, Giuseppe Tornatore)



O retrato do amor pelo cinema (e não só). É daquelas escolhas onde não tive qualquer dúvida.

. O GABINETE DO DR. CALIGARI
(1920, Das Cabinet des Dr. Caligari, Robert Wiene)



O início do cinema de horror, o Expressionismo Alemão, um marco na história do cinema. Até de inspiração para Tim Burton criar EDWARD SCISSORHANDS ele serviu. Tudo boas razões para gostar tanto deste excelente filme mudo.

. PULP FICTION
(1994, Pulp Fiction, Quentin Tarantino)



Tudo neste filme é genial, as histórias, toda a linha que as liga, o elenco, o humor negro que caracteriza o realizador... Provavelmente o melhor filme de Tarantino.

. BLUE VALENTINE — SÓ TU E EU
(2010, Blue Valentine, Derek Cianfrance)



Pode ser uma das escolhas mais controversas desta lista, mas este é, definitivamente, um dos filmes da minha vida. Tão real e, por vezes, duro. Gosto mais dele a cada visualização, por muito blue que possa ser.

. JANELA INDISCRETA
(1954, Rear Window, Alfred Hitchcock)



Aqui poderia estar qualquer outro filme de Hitchcock. Escolhi este em especial por ter sido o primeiro que vi do mestre.

. LARANJA MECÂNICA
(1971, A Clockwork Orange, Stanley Kubrick)



Como estou sempre a dizer que gosto de loucos, nunca poderia de deixar de adorar este filme. E como também gosto de génios, Kubrick não poderia deixar de figurar aqui. Um dos meus favoritos de sempre.

. OS DIAS DA RÁDIO
(1987, Radio Days, Woody Allen)



E Woody Allen, mais uma vez. Recorrendo a MIDNIGHT IN PARIS, gostava de passar uns dias na era da rádio que sempre me fascinou. E RADIO DAYS transporta-nos tão bem para essa realidade.

. O GRANDE PEIXE
(2003, Big Fish, Tim Burton)



Mais uma vez a fantasia marca presença na minha lista. BIG FISH está cheio de beleza e magia, e é inevitável que nos deixemos encantar pelas histórias do protagonista.

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Obrigado, Inês, pela tua participação!

quinta-feira, dezembro 01, 2011

#31



... segundo as palavras do Pedro Afonso, do blog Laxante Cultural:

Uma pequena introdução para explicar o critério de selecção destes filmes. Para mim, a criação de uma lista deste tipo serve apenas para definir o autor da escolha. Não são necessariamente os melhores filmes que eu já vi, mas são aqueles que mais me marcaram, por uma razão ou outra, no meu crescimento enquanto amante de cinema e posteriormente cinéfilo. Provavelmente estão aqui estes apenas porque os vi na altura certa, mas isso não invalida o facto de ser uma lista que acaba por definir a minha identidade enquanto cinéfilo, e, porque não, enquanto ser humano. Todos (excepto o último, já vão perceber porquê) são filmes a que volto de vez em quando, quanto mais não seja para reviver os momentos de descoberta de aspectos do cinema que todos eles me proporcionaram. Eis a lista...

1. REBECCA
(1940, Rebecca, Alfred Hitchcock)



Este filme (a par com CASSANDRA CROSSING de George P. Cosmatos, 1976) é a memória mais antiga que eu tenho de um momento em que um filme foi para mim a coisa mais importante do mundo. Saber como acabava, era tão urgente para mim como o ar que respirava, devorando cada cena do filme como uma pista, sentado na ponta da cadeira e deixando-me aprisionar pelo suspense. Deveria ter entre os 7 e os 9 anos quando os vi, nas sessões de cinema da RTP Açores, e nunca mais me esqueci das sensações que me despertaram. Está aqui este, porque dos dois é aquele que revi muitas vezes ao longo dos anos, descobrindo sempre novos pormenores que fundamentavam aquelas sensações. Quanto ao outro, hei-de voltar a ele um dia.

2. VEIO DO OUTRO MUNDO
(1982, The Thing, John Carpenter)



Foi o filme que (a par com AN AMERICAN WEREWOLF IN LONDON de John Landis, 1981) complementou aquelas sensações com outra ainda mais profunda: o medo. Foram ambos vistos poucos anos mais tarde nas mesmas circunstâncias, mas recordo como se fosse hoje o desafio de não querer perder nenhum segundo, lutando contra mim próprio para não desviar os olhos da televisão. Esse desafio, de me testar a ver cinema, é uma das bases da minha paixão por esta arte. Com o passar dos anos, o filme do Carpenter foi ganhando mais importância (principalmente com o aparecimento da versão de coleccionador em DVD, cujo making of é um dos melhores de sempre) por me aprofundar o interesse pelos aspectos técnicos por trás de um filme.

3. CASABLANCA
(1942, Casablanca, Michael Curtiz)



Não me lembro exactamente de quando o vi, mas este é um filme a que volto inúmeras vezes e que não perdeu a frescura da primeira. É um dos filmes que me definiu como um romântico, e cujo desfecho me despertou para o sacrifício que o amor implica. Além disso, é um filme perfeito em todos os aspectos, o que me dá um prazer enorme quando a ele volto.

4. A MOSCA
(1986, The Fly, David Cronenberg)



Foi o filme que me abriu os olhos para o conceito de autor. Vi-o no cinema com 13 ou 14 anos (nesta altura os filmes demoravam algum tempo a chegar a Angra do Heroísmo), e fez-me muita confusão ver um filme de terror que, mais do que me assustar, me inquietou. Querer perceber porque é que este era um filme de terror diferente de todos os que já tinha visto, foi o ponto de partida para uma viagem de descoberta que só acabará quando morrer. Além disso é uma estória de amor bizarra, em que o amor dá lugar à loucura. É sem dúvida o mais importante dos filmes desta lista para mim, e constará certamente de todas as listas que eu possa vir a fazer.

5. ASSALTO AO ARRANHA-CÉUS
(1988, Die Hard, John McTierman)



Só quem viu este filme no cinema, na altura da sua estreia, pode perceber a sua importância. Sendo um profundo conhecedor do cinema de acção da altura (de todos os Rambos e Comandos e afins), não estava preparado para a pedrada no charco que foi o ASSALTO AO ARRANHA-CÉUS. A cena da morte do Takagi abalou todos aqueles que procuravam divertimento num filme de acção e fez com que, no género, deixasse de haver personagens a salvo. Mais do que isso, este filme é perfeito em todos os aspectos, do argumento à realização, passando pelas interpretações ou pelos efeitos especiais. É um prazer absoluto e é um dos poucos filmes que comprei em todos os formatos (Vhs, DVD e Blu-ray) de cinema em casa por que já passou a minha vida de cinéfilo.

6. PSICO
(1960, Psycho, Alfred Hitchcock)



Outro filme que tenho em todos os formatos (em Vhs cheguei a comprar três edições diferentes). É, para mim, o mais perfeito dos filmes. Desde a concepção e as histórias de bastidores, às opções tomadas por Hitchcock no sentido de provocar reacções no espectador e que, passados mais 50 anos, continuam a resultar em cheio. É o poder da manipulação através da arte no seu estado mais puro, sem facilitismos e com enorme personalidade. Tudo no filme resulta e é brilhantemente executado, desde os facilmente reconhecíveis acordes musicais às imagens icónicas inesquecíveis.

7. MORRER EM LAS VEGAS
(1995, Leaving Las Vegas, Mike Figgis)



A par com LES NUITS FAUVRES (Cyril Collard, 1992), são histórias de amor reais e trágicas que têm como pano de fundo o desejo de auto destruição de uma das personagens principais. Mas se no filme de Collard esse desejo apenas precipitava uma inevitabilidade, no de Figgis nunca nos é dada uma razão válida que nos permita aceitá-lo. É a outra face da moeda para o sacrifício final de CASABLANCA, e um segundo despertar para a fatalidade que o amor encerra. Além disso, estes dois filmes são muito carnais e, talvez por isso, vertiginosos nas emoções.

8. SETE PECADOS MORTAIS
(1995, Se7en, David Fincher)



Um dos filmes mais maquiavélicos alguma vez escritos. O argumento de Andrew Kevin Walker, apesar de ser um dos mais inteligentes thrillers já filmados, não poupa ninguém. Todo o desenrolar da narrativa não nos prepara para um desfecho que, de tão horrendo, dificilmente esquecemos. O ritmo imposto por Fincher é milimetricamente perfeito (como sempre) e não há uma única falha a apontar na sua concepção e execução. É um daqueles filmes que me faz sentir muito pequenino enquanto artista em potência, e a que volto muitas vezes a ver se aprendo alguma coisa.

9. SACANAS SEM LEI
(2009, Inglorious Basterds, Quentin Tarantino)



Além de ser outro filme que eu considero perfeito, há um factor que faz com que apareça nesta lista: a irreverência e atrevimento com que, mesmo que apenas através da arte, seja colocada alguma justiça na história. Tarantino é provavelmente o meu realizador vivo predilecto, mas aqui excedeu todas as expectativas. Além do mais, apesar de ser um filme mosaico (muito ao seu estilo), no sentido de reunião de referências e de conciliação de diferentes estórias, nunca perde o seu objectivo e atrai-nos para um clímax que nunca suspeitámos ser possível. No fundo, naquele momento, numa sala de cinema, somos abruptamente atirados da realidade para a ficção enquanto Tarantino nos diz que quem manda aqui é ele. É preciso ter tomates.

10. CINEMA PARAÍSO
(1988, Nuovo Cinema Paradiso, Giuseppe Tornatore)



Este é um filme que entra na lista dos 10 filmes da minha vida de uma forma peculiar. Não é um dos filmes que mais gosto (pelo menos para estar nos 10 primeiros), nem um dos que me influenciou enquanto cinéfilo. NUOVO CINEMA PARADISO está aqui porque é esta a minha história, sem tirar nem pôr. Toda a minha infância, juventude e adolescência foi passada num cinema, o Fanfarra Operária Gago Coutinho e Sacadura Cabral em Angra do Heroísmo, que o meu pai geria. Foi ele o meu Alfredo e o grande responsável pela minha paixão pelo cinema. Conheci todos aqueles personagens, com outros nomes e rostos, mas com as mesmas atitudes e comportamentos. Também eu recolhia e guardava pedaços de película espalhados pelo chão da sala de montagem. Também eu fugia para a sala de projecção tentando perceber como toda aquela magia funcionava. A dada altura, até por lá passou um projeccionista chamado Salvador, como na fase adolescente do protagonista. E tal como no filme, tudo isto teve um final pouco feliz. Há pouco mais de um ano, também eu voltei a Angra para o funeral do meu Alfredo, e também fui espreitar a Fanfarra. Aquela sala, da qual guardo as mais gratas e inesquecíveis memórias, está hoje a céu aberto depois de um incêndio que a consumiu há alguns anos. Resta a parte da frente do edifício e a parte traseira, do palco. Aquela sala à moda antiga, com plateia e balcão e imenso ar para respirar, onde me formei como cinéfilo e ser humano, existe apenas nas minhas gratas memórias. A paixão, essa ficou. E já de cá não sai.

--//--

Obrigado, Pedro, pela tua participação!

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