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quarta-feira, março 20, 2013

O Cinema dos Anos 2000: O Barbeiro, de Joel Coen




Os argumentos intricados dos irmãos Coen, repletos de ironia e acrimonia, sempre deveram muito aos film-noir dos anos 40, mas essa influência nunca foi assumida com tanta desfaçatez como em O BARBEIRO. Pegando em elementos característicos como infidelidade, chantagem e assassinato, esta história de um barbeiro com um plano para extorquir dinheiro e montar um negócio de limpeza a seco desenvolve-se com um sentido de timing perfeito e é filmado num preto-e-branco com grandes contrastes e profundidade de campo.

Billy Bob Thornton traz à personagem principal as quantidades certas de laconismo, perfídia e existencialismo, sendo facilmente reconhecível o silencioso sofrimento de alguém que se sente preso a uma vida de que não gosta e cuja necessidade de mudar apenas é condenável por resvalar para o crime. Frances McDormand e James Gandolfini aparecem em grande forma em papéis mais secundários.

Apesar de estar rodeado por pessoas com menos qualidades que ele (Ed Crane ainda tenta, por exemplo, ajudar a filha adolescente de um vizinho a ser pianista, levando-a a um professor que não lhe reconhece grande talento) o mundo dos irmãos Coen é implacável e o pessimismo da dupla revela-se nas constantes curvas e contra-curvas que as situações tomam, acabando por não oferecer saídas a ninguém. O rigor da escrita e visual fazem de O BARBEIRO um clássico em potência, que se alimenta de clássicos de outras épocas.

por David Lourenço (O Narrador Subjectivo).

Elenco
. Billy Bob Thornton (Ed Crane), Frances McDormand (Doris Crane), Michael Badalucco (Frank Raffo), Richard Jenkins (Walter Abundas), Scarlett Johansson (Birdy Abundas), Adam Alexi-Malle (Jacques Carcanogues), Jon Polito (Creighton Tolliver), Tony Shalhoub (Freddy Riedenschneider), James Gandolfini (Big Dave Brewster)


Palmarés
. Festival de Cannes: Melhor Realizador (Joel Coen)
. BAFTA: Melhor Fotografia (Roger Deakins)
. Satellite Awards: Melhor Fotografia (Roger Deakins)
. National Board of Review: Melhor Actor (Billy Bob Thornton)


Sobre Ethan e Joel Coen

Combinando excentricidade, humor subversivo, ironia mordaz e muita violência, os irmãos Coen são dos autores mais idiossincráticos da actualidade. Da sua filmografia, repleta de originalidade e de um constante tributo ao cinema clássico norte-americano, destacam-se SANGUE POR SANGUE (1984), BARTON FINK (1991), FARGO (1996), O GRANDE LEBOWSKI (1998) e ESTE PAÍS NÃO É PARA VELHOS (2007).



quinta-feira, junho 02, 2011

Curiosidade da Semana



Harry Hanrahan, um nome célebre entre cinéfilos pela sua famosa colectânea dos 100 Melhores Insultos em Cinema, volta "à carga" com mais uma montagem de situações antológicas de profanação: as 100 Melhores Ameaças em Cinema.

Seguem-se onze minutos de linguagem e atitudes menos "civilizadas":



A minha favorita? Indubitavelmente a de O GRANDE LEBOWSKI: «Let me tell you something, pendejo. You pull any of your crazy shit with us, you flash a piece out on the lanes, I'll take it away from you, stick it up your ass and pull the fucking trigger 'til it goes "click."»

[Fonte: Entertainment Weekly]

sexta-feira, abril 01, 2011

Curiosidade da Semana



Quentin vs. Coens é o título de uma exposição, patente na Bold Hype Gallery em Nova Iorque, onde cerca de 100 artistas plásticos mostrarão as suas reinterpretações das filmografias daqueles cineastas.

Conferindo um novo olhar sobre filmes que, alguns de nós, vimos dezenas de vezes e, simultaneamente, proporcionando experiências únicas para cinéfilos inveterados, o destaque do Keyzer Soze's Place vai para os trabalhos de Tim Doyle dedicados a todos os filmes de Quentin Tarantino. Doyle elege como seu favorito o de JACKIE BROWN. Eu não escondo a minha predilecção pela homenagem a KILL BILL: VOL. 1. E o vosso?


CÃES DANADOS


PULP FICTION


JACKIE BROWN


KILL BILL: VOL. 1


KILL BILL: VOL. 2


À PROVA DE MORTE


SACANAS SEM LEI

[Via /Film e Comics Alliance, cujas visitas recomendo para a consulta dos motivos que inspiraram Doyle a conceber estas imagens.]

domingo, janeiro 16, 2011

Críticas da Semana

Breve resumo dos filmes visualizados esta semana.

127 HOURS (2010), de Danny Boyle



Em 2003, Aron Ralston aventurou-se, sozinho, pelos canyons do deserto Moab para uma excursão de fim-de-semana. Subitamente, enfrenta o maior desafio da sua vida, quando fica preso por uma rocha que lhe esmaga o braço direito numa ravina localizada a muitos quilómetros de qualquer ajuda. Durante as horas seguintes, Ralston recorda amigos, amantes, família e as duas caminhantes que conheceu antes do acidente, até encontrar uma solução verdadeiramamente radical para a sua contrariedade.

Não sendo do melhor que Danny Boyle já apresentou, 127 HOURS oferece-nos, contudo, uma história de sobrevivência extrema sem dramatismos sofríveis nem lamentações previsíveis. Uma mise-en-scène cinética, que se desenrola em função do argumento, e um James Franco acima do razoável transformam este filme numa experiência cinematográfica eficaz e com capacidade de perdurar na memória do espectador durante dias.

BAL (2010), de Semih Kaplanoğlu



O pequeno e introvertido Yusuf é incapaz de ler em voz alta na sala de aula, os incentivos da mãe são respondidos apenas com olhares e só consegue conversar com o pai sussurrando. Esta vivência de silêncio — que o filme não decifra nem resolve — é contraposta aos perigos da profissão do pai, um apicultor que, para aumentar os seus rendimentos, viaja para uma localidade vizinha e não deixa rasto do seu paradeiro.

Vencedor do Urso de Ouro no último Festival de Berlim, trata-se de uma excelente amostra do cinema turco contemporâneo. À realista captação dos hábitos e tradições da Turquia adjacente ao Mar Negro, Kaplanoğlu injecta BAL com o onirismo do jovem protagonista, cujos sonhos e ansiedades tornam-se, aparentemente, quase proféticos. A sua fotografia ofegante e montagem de som assombrosa provam como a palavra, em Cinema, pode mesmo ser acessória.

TRUE GRIT (2010), de Joel e Ethan Coen



Mattie Ross, uma adolescente de catorze anos mas com afoiteza de quarenta, está disposta a tudo para vingar o homicídio do pai às mãos de Tom Chaney, até mesmo a contratar o Marshall Rooster Cogburn, veterano da Guerra Civil Americana e com o pior registo, nas redondezas, de vítimas mortais para um funcionário da lei. Juntamente com o Ranger LaBoeuf, que busca Chaney em proveito próprio, os três embrenham-se no deserto do Novo México e verão o seu carácter resiliente testado.

As paisagens do Texas vibram com este típico filme dos Coen inserido num Western com sabor clássico, devido às electrizantes performances de Jeff Bridges e, sobretudo, de uma revelação chamada Hailee Steinfeld, digna sucessora para Holly Hunter e Frances McDormand (duas habituées dos Coen) com futuro bastante promissor. Ostenta impecáveis registos técnicos, com destaque para a direcção de fotografia de Roger Deakins (será desta que recebe o Óscar?) e a épica banda sonora de Carter Burwell.

THE MOST DANGEROUS MAN IN AMERICA: DANIEL ELLSBERG AND THE PENTAGON PAPERS (2009), de Judith Ehrlich e Rick Goldsmith



Daniel Ellsberg foi, durante anos, um dos mais fiéis e dedicados colaboradores norte-americanos na tarefa de "travar a ameaça comunista de alastrar pelo mundo". Isto até ao dia em que testemunhou, pessoalmente, o desenrolar e consequências da Guerra do Vietname. Movido por um activismo que lhe era desconhecido, decide fornecer à imprensa um delicado estudo da CIA que denunciava as mentiras e decepções dos vários presidentes (Truman, Kennedy e Johnson) envolvidos naquele conflito do sueste asiático.

Numa época em que a actividade de Julian Assange e do Wikileaks está na ordem do dia, os factos aqui expostos revelam-se muito actuais. Com a única diferença de que a "fuga" partiu de um homem (o próprio narrador, tornando o filme ainda mais íntimo) que conheceu, e bem de perto, o sistema que denunciou. O fenomenal recurso a imagens e sons de arquivo atestam a defesa da parte que sai "lesada" neste documentário importante para compreender aquele (e o nosso?) tempo.

EXAM (2009), de Stuart Hazeldine



Oito talentosos candidatos chegam à etapa final do processo de recrutamento para uma poderosa e misteriosa empresa. Colocados numa sala sem janelas, o Vigilante informa-lhes que possuem oitenta minutos para enunciarem a resposta de uma simples questão. Enquanto o relógio entra em contagem decrescente, os candidatos descobrem os vários passados e motivos dos que foram ali reunidos, enquanto a tensão sobe na descoberta do que cada um é capaz para conquistar um "emprego de sonho".

Com uma premissa interessante e original — e inesperada metáfora sobre a actual crise de emprego —, EXAM demonstra argumentos cabais para nos manter entretidos e expectantes acerca do seu desenlace (a escolha de actores virtualmente desconhecidos contribui para essa sensação). Infelizmente, não consegue um final — o twist é muito rebuscado — à altura das altas expectativas que gera.

CATFISH (2010), de Henry Joost e Ariel Schulman



Nev, um jovem fotógrafo nova-iorquino, inicia uma estranha mas animada série de contactos on-line com Abby, uma menina de oito anos com talento precoce para a pintura. Através de e-mails, Facebook, telemóveis e demais meios virtuais, o protagonista conhece a mãe e, especialmente, a irmã mais velha de Abby, com quem inicia uma relação amorosa "à distância". Quando surgem os primeiros indícios de que nem tudo o que os monitores de computador mostram será realidade, os cineastas viverão o mês mais inesperado das suas vidas.

Contar mais é estragar o prazer de ser surpreendido por CATFISH, o melhor documentário (falso ou não, o debate prossegue...) sobre as aparências e sentimentos da nossa relação quotidiana com os veículos de relacionamento pela Internet, e o filme produzido em 2010 que realmente soube olhar para o socialnetworking e de lá extrair uma mensagem genuína sobre os tempos modernos (sim, David Fincher, esta é para ti!). Muito recomendado.

quarta-feira, dezembro 29, 2010

"What are your Oscar chances?" #10

TRUE GRIT



Os irmãos Coen já estão familiarizados com o sucesso em cerimónias de Óscares: ambos possuem quatro estatuetas. Contudo, procuram mais glória com TRUE GRIT, remake de VELHA RAPOSA, pelo qual John Wayne foi considerado Melhor Actor em 1969.

Existem, no entanto, dois pormenores que se podem afigurar como obstáculo a TRUE GRIT: o positivo historial dos Coen nos Óscares (a Academia não procura agraciar sempre os mesmos) e a longa batalha dos westerns enquanto género habitualmente premiado.

Análise factual:

Desempenho de bilheteira: Prestes a cumprir a primeira semana de exibição comercial, TRUE GRIT já superou o seu orçamento (38 milhões) ultrapassando, no mercado norte-americano, a barreira dos 40 milhões de dólares(1).

Recepção crítica: Muito positiva, sendo de registar um rating de 94% pelo Rotten Tomatoes(2). Salientam-se os diversos elogios ao elenco (sobretudo, Jeff Bridges e a estreante Hailee Steinfeld) e a noção de que este «é um filme que resistirá ao teste do tempo».

(3)

Avaliação de cenários:

Cenário provável: A sua inclusão entre os dez nomeados para Melhor Filme não surpreenderá ninguém, assim como a indicação de Jeff Bridges (actual "detentor" da estatueta) a Melhor Actor. Nomeações para Argumento Adaptado e categorias técnicas (nomeadamente, Fotografia) são bem prováveis.

Cenário de sonho: Se uma nomeação para a jovem Hailee Steinfeld vier a confirmar-se, será um grande reconhecimento para a direcção de actores dos irmãos Coen. Embora esteja a ser discreto na sua auto-promoção, TRUE GRIT registará uma cerimónia positiva se arrecadar, pelo menos, um Oscar técnico.

Cenário a evitar: Ser ignorado, total ou parcialmente, nas nomeações.

--//--

O excelente percurso dos Coen na Academia terá continuidade? Ou teremos aqui o "esquecimento" surpresa? Partilhem a vossa opinião.

domingo, dezembro 26, 2010

2010: Os Melhores

E chegamos à inevitável (e muito tramada!) época de balanço do ano que agora termina. Como já é tradição, deixo-vos com o Top 10 dos melhores filmes estreados em Portugal durante 2010, de acordo com o Keyzer Soze:

10º ex-aequo
UM HOMEM SINGULAR



A primeira experiência de Tom Ford como realizador é uma obra cinematográfica por excelência. A elaborada direcção artística funciona em prol do argumento, abundam os qualitativos pormenores de fotografia, montagem, guarda-roupa e maquilhagem a espelharem os estados de espírito das personagens e um Colin Firth assombroso na pele da personagem mais pesarosa que preencheu um grande ecrã este ano.



FANTASIA LUSITANA



Documentário que na análise da propaganda salazarista durante os anos da Segunda Guerra Mundial, mostrando a neutralidade de Portugal como um paraíso de paz no seio de uma Europa em devastador conflito, procura referências de comparação com o actual estado da Nação. No seu minimalismo de imagens e sons (o filme não tem narrador), João Canijo impele o espectador a tirar as suas próprias conclusões.



9º
ANTICRISTO



A controvérsia gerada em Cannes — onde lhe foi atribuído um "anti-prémio" — era suficiente para se perceber que Lars von Trier não iria abandonar a sua infâmia muito própria. E, na verdade, o dinamarquês realizou um dos títulos mais poderosos do ano, uma obra-prima de grotesco cinematográfico. Willem Defoe e Charlotte Gainsbourg, sem medo da exposição ou do rídiculo gratuitos, mantêm o argumento (e o interesse de quem assiste) coeso de uma ponta à outra do filme.



8º
O SÍTIO DAS COISAS SELVAGENS



O filme fantástico para todas as idades do ano — que me perdoem os fãs da ALICE de Tim Burton —, Spike Jonze desenvolve o conto infantil de Maurice Sendak e dá vida à sagaz imaginação de um rapaz de oito anos que se torna rei de uma ilha povoada por criaturas peludas (magníficas e realistas composições digitais) que demonstram idiossincrasias próprias dos adultos.



7º
THIRST — ESTE É O MEU SANGUE...



Chan-wook Park prossegue a sua corajosa e original carreira com uma fresca abordagem ao (sempre em voga) mito do vampiro, mas sem abdicar dos motivos próprios do género, usando o tema — e um padre católico como protagonista — para dissertar acerca do que nos torna humanos. Capaz de se mostrar surreal, espirituoso, visceral e sensual numa única cena, foi dos filmes mais pujantes do ano.



6º
TOY STORY 3



Não há uma única emoção que tenha ficado esquecida: da genuína alegria à honesta comoção e capaz de nos encantar pelo seu deslumbramento visual, nenhum espírito é suficientemente empedernido para deixar de se convencer da maturidade artística alcançada pela dupla Disney/Pixar. A trilogia que definiu a animação concebida por computador encerra com genial chave de ouro.



5º
LÍBANO



Desde O RESGATE DO SOLDADO RYAN que nenhum filme colocava o espectador tão intimamente na linha de fogo dum conflito armado. Totalmente situado no interior de um blindado que acompanha quatro soldados israelitas durante a Guerra do Líbano, em 1982, esta é uma obra de criativa audácia, rigorosa seriedade moral e, acima de tudo, uma experiência cinematográfica inesquecível. Ou tudo aquilo que um war movie deve ser.



4º
A ORIGEM



O padrão de como um blockbuster deve apresentar-se: visualmente atraente, narrativamente inteligente, profundamente envolvente e totalmente satisfatório. Na verdade, existem poucos adjectivos para louvar a dimensão aplicada a um argumento que assume diversos riscos — quer na sua coerência como na capacidade de gerar receitas de bilheteira — do princípio ao fim das suas duas horas e meia de duração.



3º
UM HOMEM SÉRIO



Novo e curioso estudo dos irmãos Coen sobre o absurdo da condição humana, o seu sereno formalismo para explorar uma narrativa freneticamente surrealista torna-o numa das obras mais originais do ano. Impecavelmente filmado, arranca um fabuloso registo de contenção e desespero latente de Michael Stuhlbarg e o seu final ambíguo é susceptível de mais prazer que frustração cinéfila.



2º
CANINO



Este foi, definitivamente, o principal "OVNI" cinematográfico a estrear no nosso país. Reconstituindo temas clássicos que vão desde a história de Adão e Eva até à Alegoria da Caverna (e estas são algumas das interpretações possíveis), a sua peculiar apresentação de condicionamento e livre arbítrio humano tanto pode ser visto como terror absurdo ou comédia atroz. Certo é ser dos filmes mais originais e exigentes do ano.



1º
O ESCRITOR FANTASMA



Um thriller como já não se produz nos dias que correm, Roman Polanski colmata a ausência de explosões ou sustos construindo a sua ameaçante imagem de marca, apostando na contenção de personagens (um elenco formidável), ambiências hostis (nem a Natureza é apaziguadora) e uma economia narrativa (veja-se como um GPS "ajuda" ao desenrolar dos acontecimentos) que poucos alcançam. O cinema clássico puro está vivo!



Concordam? Discordam? Façam-se ouvir!

terça-feira, fevereiro 16, 2010

UM HOMEM SÉRIO (2009), de Joel e Ethan Coen



Recordam-se da história de Job, homem correcto e trabalhador que, por um "desacato" entre Deus e Satanás, é submetido a todo o infortúnio possível e imaginário sem nunca perder a fé nem a perseverança? É a partir deste episódio do Velho Testamento, reformulado e transposto para os subúrbios do Minnesota nos anos 60 em que os adolescentes iniciavam as suas experiências com a marijuana e os Jefferson Airplane tocavam nas rádios, que Joel e Ethan Coen retomam os seus curiosos estudos sobre o absurdo da condição humana.

Depois dos "explosivos" ESTE PAÍS NÃO É PARA VELHOS (2007) e DESTRUIR DEPOIS DE LER (2008), UM HOMEM SÉRIO destaca-se pelo seu sereno formalismo e narrativa surrealista num contexto de precisão histórica. Não sendo uma total novidade na filmografia dos Coen — BARTON FINK (1991) e O BARBEIRO (2001) já abraçavam essas temáticas —, há algo de muito fresco e, simultaneamente, coenesco nesta descrição da autêntica série de "desgraças" que se abate sobre o quotidiano de um único indivíduo. Desde a fotografia de Roger Deakins (cujo trabalho não me canso de elogiar) à minimalista e sinistra banda sonora de Carter Burwell, imperam os momentos em que mais parece estarmos a ver um filme de terror psicológico do que um drama sobre a infelicidade humana.



O Job moderno de UM HOMEM SÉRIO assume o nome de Larry Gopnik, professor universitário de Física, imensamente respeitado tanto pela sua dedicação à religião judaica como pelo seu currículo profissional. No entanto, imperceptivelmente, as "nuvens escuras" da catástrofe pairam sobre ele: a esposa pede-lhe o súbito divórcio, pronta a casar-se com o melhor amigo do protagonista; a filha planeia, secretamente, uma operação plástica ao nariz para ficar com aparência menos judia; e o irmão Arthur muda-se para aquele lar conturbado, trazendo consigo a sua instabilidade física e mental. Paralelamente, na universidade, alguém está a enviar para a reitoria cartas anónimas e difamatórias da imagem de Larry que poderão arruinar uma desejada promoção, e um aluno de origem asiática tenta suborná-lo para que lhe seja atribuída nota de bom aproveitamento.

Perante este rol interminável de situações adversas, Larry desespera («Eu tento ser um homem sério! Tento ser um membro exemplar da comunidade!», exclama ele a certa altura), procurando conselho nas palavras de sábios rabinos, mas Deus apenas lhe responde através de sound bites incompreensíveis e difusos que só amplificam a sua consternação. E o final, abrupto e à mercê de várias interpretações, também não confere todas as explicações que Larry (e, por consequência, os espectadores) ofegantemente busca.



Humor e simbolismo nos filmes de Joel e Ethan Coen ganham, definitivamente, melhores contornos sempre que resvalam para o seu lado mais negro. UM HOMEM SÉRIO prova-o com o seu curioso prólogo, situado algures nos inícios do Século XX, onde um casal de judeus eslavos recebe a visita de um forasteiro que a mulher jura, a pés juntos, já ter falecido. Aterrorizada, tenta provar ao marido, literalmente à facada, que o convidado não passa duma aparição (um "dybbuk", de acordo com o folclore judeu), mas com resultados, no mínimo, ambíguos.

Aparentemente desconexa de tudo o que se segue, essa introdução — acompanhada da citação «Recebe com simplicidade tudo o que te acontecer» — apresenta-se como mote para a hipotética questão primordial do filme: será Larry o derradeiro arquétipo das adversidades que foram predestinadas à nossa espécie por entidades superiores, as quais pretendem receber passividade e fé incondicional (ao contrário da mulher, no prólogo, que expulsa irascivelmente o "Mal" que lhe entra em casa) como caminho para a redenção? Ou UM HOMEM SÉRIO não passará do mero ensaio sobre o sempre imprevisível destino humano?



Teologias à parte, UM HOMEM SÉRIO poderá bem ser o filme mais original — certo é tratar-se de um dos melhores títulos de 2009 — engendrado pelos Coen, os quais já detêm uma das carreiras mais diversas e singulares da actualidade. Encontramos aqui todos os elementos que caracterizam o seu percurso desde SANGUE POR SANGUE (1984), com a ligeira diferença de a tortura ser mais de foro espiritual que corporal. E para não destoar, conseguem arrancar o melhor dos seus actores, nomeadamente de Michael Stuhlbarg num fantástico desempenho de contenção e desespero latente. A injusta escassez de maior reconhecimento pelo seu trabalho neste filme só pode tratar-se de alguma brincadeira divina de mau gosto, concebida para testar as convicções do cinéfilo adepto de interpretações perfeitas...

segunda-feira, setembro 21, 2009

Cinema de Pós-Verão

Como já é habitual nesta data, o Keyzer Soze's Place observa o futuro e adianta 20 filmes relevantes que irão estrear nos próximos meses.

Dos títulos que irão disputar Óscares, Globos de Ouro e variados prémios de associações de crítica até às grandes produções que passarão pelas salas de cinema, não faltam sugestões para todos os gostos.

( As datas de estreia nacional apresentadas estão sujeitas a alteração pelas produtoras).

1) BAKJWI/THIRST



O argumento: Sang-hyun (Song Kang-ho), estimado e devoto padre católico, oferece-se como cobaia para testar uma vacina destinada a erradicar um vírus mortal. A intervenção cirúrgica corre mal e a transfusão sanguínea que lhe é administrada transforma-o num vampiro. A partir deste momento, o padre afunda-se em desespero e perversidade mas sempre na busca de alguma réstia de humanidade.
Focos de interesse: Realizado por Chan-wook Park (OLDBOY — VELHO AMIGO) e com Song Kang-ho (THE HOST — A CRIATURA) a protagonizar, BAKJWI/THIRST foi laureado com o Grande Prémio do Júri no último Festival de Cannes. É considerado, por muitos, como o refresh mais interessante no género vampiresco da presente década.
Estreia em Portugal: 15 de Outubro (*)

2) THE INFORMANT!



O argumento: Mark Whitacre (Matt Damon) é um importante executivo na Archer Daniels Midland (ADM), líder de mercado na comercialização de produtos alimentícios, que para além de diagnosticado com desordem bipolar, decide confessar — e face a todos os riscos possíveis e imagináveis — ao FBI o esquema de viciação de preços praticado pela empresa onde trabalha.
Focos de interesse: Baseado num caso verídico que, em meados dos anos 90, culminou na maior multa alguma vez paga por uma empresa privada nos EUA por corrupção activa. A transformação física empreendida por Matt Damon, com 13kg a mais, um estranho bigode e óculos com "aros de tartaruga".
Estreia em Portugal: 29 de Outubro (*)

3) 9



O argumento: Quando 9 (Elijah Wood), criatura semelhante a uma boneca de trapos, acorda pela primeira vez, depara-se com um mundo pós-apocalíptico, onde todos os seres humanos desapareceram. Por acaso, encontra uma pequena comunidade composta por seus semelhantes, aterrorizada pelas temíveis máquinas que vagueiam pela Terra. Apesar de ser o mais novo, 9 convence os outros de que o ataque é a melhor defesa.
Focos de interesse: Produzido por Tim Burton e Timur Bekmambetov (realizador de PROCURADO), é considerado como revolucionário no campo da animação digital. O "elenco vocal" de primeira linha, com Elijah Wood, Christopher Plummer, Martin Landau, Jennifer Connelly e John C. Reilly.
Estreia em Portugal: 29 de Outubro (*)

4) JENNIFER'S BODY



O argumento: Jennifer (Megan Fox), a rapariga mais popular do liceu, transforma-se num monstro faminto e sanguinário após um (mau) encontro com uma banda de rock satânica. A sua melhor amiga, Needy (Amanda Seyfried), é a única a compreender a natureza sinistra da transformação de Jennifer e decide enfrentar o problema por sua conta e risco.
Focos de interesse: Para o público masculino: Megan Fox. Para o público feminino: o implícito (e original) girl power da história. Para o público em geral: o argumento é da autoria de Diablo Cody, oscarizada por JUNO.
Estreia em Portugal: 29 de Outubro (*)

5) A SERIOUS MAN



O argumento: Larry Gopnik (Michael Stuhlbarg), professor de Física numa pequena universidade, sente-se estagnado. "Eu quero ser um homem sério", afirma ele. Contudo, sofre golpes constantes, figurativa e literalmente, da esposa, dos filhos, do irmão, dos colegas universitários, até mesmo do seu próprio rabi. Haverá alguma "alma caridosa" que consiga ajudar Larry a atingir este desígnio existencial?
Focos de interesse: Descobrir o absoluto elenco de semi-desconhecidos. O regresso dos irmãos Coen ao terreno das comédias negras, género que os celebrizou com SANGUE POR SANGUE e FARGO.
Estreia em Portugal: 05 de Novembro (*)

6) THE FANTASTIC MR. FOX



O argumento: O Sr. e a Sra. Fox (George Clooney e Meryl Streep) vivem numa casa idílica, juntamente com o filho Ash (Jason Schwartzman). No entanto, após 12 anos desta bucólica existência, os instintos selvagens do Sr. Fox ganham a melhor: retoma o seu antigo hábito de assaltar galinheiros, pondo em risco não só a sua família, como toda a comunidade animal em seu redor.
Focos de interesse: Adaptação de um dos livros mais conhecidos de Roald Dahl, marca a estreia de Wes Anderson (OS TENENBAUMS – UMA COMÉDIA GENIAL, THE DARJEELING LIMITED) ao leme de um filme animado — e em stop-motion. Em vez do habitual trabalho de estúdio, a gravação dos diálogos foi produzida em locais naturais, de modo a favorecer a espontaneidade dos actores.
Estreia em Portugal: 05 de Novembro (*)

7) A CHRISTMAS CAROL



O argumento: Ebenezer Scrooge (Jim Carrey) encara o início das celebrações natalícias com o seu habitual desprezo, maltratando o fiel empregado (Gary Oldman) e ignorando o alegre sobrinho (Colin Firth). Mas quando os Fantasmas do Natal Passado, Presente e Futuro transportam-no numa viagem reveladora, Scrooge terá de limpar o seu coração, antes que seja tarde demais.
Focos de interesse: Robert Zemeckis comprovou as potencialidades narrativas da tecnologia motion-capture em BEOWULF, e as primeiras imagens revelam um filme que não "desonrará" o clássico livro de Charles Dickens.
Estreia em Portugal: 19 de Novembro (*)

8) JULIE & JULIA



O argumento: Julia Child (Meryl Streep) é uma das mais famosas autoras de livros de culinária, tendo escrito o best-seller "Mastering the Art of French Cooking". Julie Powell (Amy Adams) decide recriar todas as 524 receitas daquele livro no espaço de um ano, narrando as suas experiências e resultados num blogue que rapidamente transforma-se em caso de sucesso incomparável.
Focos de interesse: Baseado em factos verídicos, trata-se do "primeiro filme inspirado num blogue" (o qual pode ser visitado aqui). Assistir à repetição da (excelente) química entre Meryl Streep e Amy Adams depois de, no ano passado, se terem "gladiado" em DÚVIDA. O desempenho de Meryl Streep, que volta a ser mencionada para mais uma nomeação ao Óscar.
Estreia em Portugal: 19 de Novembro (*)

9) THE TWILIGHT SAGA: NEW MOON



O argumento: Bella Swan (Kristen Stewart) fica devastada pela abrupta partida do seu amante vampiro, Edward Cullen (Robert Pattinson), mas o seu espírito é reconfortado pela crescente amizade que forma com Jacob Black (Taylor Lautner). Subitamente, Bella trava conhecimento com o submundo dos lobisomens, eternos inimigos dos vampiros, testando a sua lealdade para com Edward.
Focos de interesse: Com o êxito imparável da sua fonte literária e embalado pelo sucesso do primeiro filme, CRESPÚSCULO, encontra-se na linha da frente para ser um dos blockbusters deste ano. Perceber se o realizador Chris Weitz (ERA UMA VEZ UM RAPAZ, A BÚSSOLA DOURADA) tem espaço para incutir algum do seu humor corrosivo num produto com normas restritas para agradar o maior número de espectadores possível.
Estreia em Portugal: 23 de Novembro (*)

10) WHERE THE WILD THINGS ARE



O argumento: Max (Max Records), um rebelde e sensível rapaz, foge de casa para uma ilha habitada por estranhas criaturas, cujas emoções são tão bravias e imprevisíveis quanto as suas acções. Coroado rei d'O Sítio das Coisas Selvagens, Max cedo encontra dificuldades na gestão do seu reino e aprende que a natureza dos sentimentos é mais complexa do que imaginava.
Focos de interesse: Até à data, Spike Jonze (QUERES SER JOHN MALKOVICH?, INADAPTADO) nunca fez um mau filme, e o famoso conto infantil do escritor norte-americano Maurice Sendak não poderia ter encontrado melhor "responsável" da sua adaptação cinematográfica. O interessante elenco (Mark Ruffalo, James Gandolfini, Forest Whitaker) que empresta a voz aos fantásticos seres da história.
Estreia em Portugal: 23 de Novembro (*)

11) CAPITALISM: A LOVE STORY



O argumento: Michael Moore explora a questão tabu: que preço deve a América pagar pelo seu amor ao capitalismo? Há alguns anos, esse amor parecia tão inocente — o capitalismo era sinónimo de produtividade e segurança. Hoje, as grandes instituições financeiras vivem em permanente estado de sítio e com as famílias a perderem as suas fontes de rendimento, o sonho americano cada vez mais se assemelha a um terrível pesadelo.
Focos de interesse: O estilo de Moore é garantia de um documentário empolgante, revelador, mas nem sempre imparcial. Segundo o documentarista, o filme «tem tudo: luxúria, paixão, romance e 14 000 postos de trabalhos eliminados todos os dias». Foi bem recebido pelo público e crítica aquando da sua recente passagem no Festival de Veneza.
Estreia em Portugal: 26 de Novembro (*)

12) NINE



O argumento: Guido Contini (Daniel Day-Lewis) é um realizador de meia-idade que tenta completar o seu mais recente filme. Contudo, a verve criativa do cineasta mostra-se comprometida pelas inúmeras mulheres que povoam a sua vida: a esposa Luisa (Marion Cotillard), a sensual amante Carla (Penélope Cruz) e a musa inspiradora Claudia (Nicole Kidman).
Focos de interesse: Daniel Day-Lewis, sempre irrepreensível em todos os projectos que abraça. Um elenco feminino internacional de alto calibre, incluindo o regresso de Sophia Loren. Realizado por Rob Marshall (CHICAGO) e tendo em conta o actual renascimento do género musical, é um dos principais favoritos ao Óscar de Melhor Filme.
Estreia em Portugal: 03 de Dezembro (*)

13) THE BOX



O argumento: E se alguém lhe oferecesse uma caixa com um botão que, quando pressionado, permitiria-lhe ganhar um milhão de dólares... em troca da morte de alguém que não conhece? O casal Arthur e Norma Lewis (James Marsden e Cameron Diaz) recebe esta aterradora proposta de um misterioso homem com o rosto terrivelmente desfigurado (Frank Langella), concedendo apenas 24 horas para o casal tomar uma decisão.
Focos de interesse: Richard Kelly procura reencontrar-se com o sucesso depois do quase longínquo DONNIE DARKO, esboçando uma história de mistério e terror. Abundam rumores de que o vilão de Frank Langella, totalmente "reabilitado" após a sua participação em FROST/NIXON, constitui uma das principais razões para ver este filme.
Estreia em Portugal: 03 de Dezembro (*)

14) AVATAR



O argumento: Jake Sully (Sam Worthington), um ex-fuzileiro agora paraplégico, voluntaria-se para o programa Avatar, que lhe devolverá mobilidade corporal através da mistura do seu ADN com o dos Na'vi, habitantes da lua Pandora. Aparentemente primitivos, os Na'vi patentearão argumentos para defender, a todo o custo, os recursos da sua terra face à indomável vontade humana em explorar os recursos naturais deste exótico local.
Focos de interesse: O regresso de James Cameron ao activo, doze anos depois do retumbante sucesso internacional de TITANIC. O projecto foi adiado sucessivamente pelo realizador até a tecnologia alcançar patamares que permitissem fabricar, com exactidão, a forma como idealizou a história. Está a ser promovido, a nível de efeitos visuais, como o filme mais revolucionário da presente década.
Estreia em Portugal: 17 de Dezembro (*)

15) SHERLOCK HOLMES



O argumento: O detective Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.), juntamente com o seu leal parceiro Watson (Jude Law), envolve-se numa batalha de inteligência e músculo contra Lord Blackwood (Mark Strong), que planeia destruir a estabilidade de toda a Inglaterra.
Focos de interesse: Observar a dinâmica habitual de Guy Ritchie (UM MAL NUNCA VEM SÓ, SNATCH — PORCOS E DIAMANTES) ao adaptar a mais famosa personagem de Arthur Conan Doyle. A mesma expectativa adequa-se ao que Robert Downey Jr., actor com estilo sui generis, produzirá encarnando Sherlock Holmes.
Estreia em Portugal: 31 de Dezembro (*)

16) THE LOVELY BONES



O argumento: A jovem Susie Salmon (Saoirse Ronan) é assassinada e observa os pais (Mark Wahlberg e Rachel Weisz) — assim como o seu homicida — a partir do céu. Neste contexto, terá de balançar o seu desejo de vingança com a vontade da sua família em recuperar do desgosto que atravessa.
Focos de interesse: Peter Jackson já demonstrou eficácia no tratamento de material sério com elementos fantásticos — veja-se AMIZADE SEM LIMITES — e, assim, o best-seller de Alice Sebold encontra-se em boas mãos. Um dos melhores elencos do ano, onde também figuram Susan Sarandon, Stanley Tucci e Michael Imperioli. É outro grande candidato aos Óscares.
Estreia em Portugal: 28 de Janeiro 2010 (*).

17) THE ROAD



O argumento: Pai (Viggo Mortensen) e filho (Kodi Smit-McPhee) caminham sozinhos por uma América devastada, onde a paisagem é imóvel e o céu eternamente escuro. Sem muitos pertences, possuem apenas uma pistola para se defenderem das perigosas hordas de vadios esfomeados que vagueiam pelo país.
Focos de interesse: O sucessivo adiamento da sua estreia, desde 2008, só tem alimentado expectativa em redor desta adaptação do romance de Cormac McCarthy. Obteve excelentes críticas durante a sua projecção no último Festival de Veneza, e foi considerado pela revista Esquire como «o filme mais importante do ano».
Estreia em Portugal: ainda sem data anunciada.

18) AMELIA



O argumento: Alcançado o feito de ser a primeira mulher a voar sozinha sobre o Atlântico, Amelia Earhart (Hillary Swank) torna-se numa inspiração para todos os americanos, desde a Primeira Dama Eleanor Roosevelt até ao homem que conquistou o seu coração, George P. Putnam (Richard Gere). No Verão de 1937, Amelia tenta cumprir a sua desejada viagem aérea de circum-navegação, um dos voos mais misteriosos da História.
Focos de interesse: Trata-se do primeiro filme biográfico de grande dimensão sobre Amelia Earhart, pioneira da aviação e socialite norte-americana. Hillary Swank contempla a hipótese de arrecadar o terceiro Óscar de Melhor Actriz.
Estreia em Portugal: ainda sem data anunciada.

19) INVICTUS



O argumento: Nelson Mandela (Morgan Freeman) solicita a ajuda de Francois Pienaar (Matt Damon), capitão da selecção de râguebi da África do Sul, para angariar apoios que permitam a organização nacional do Campeonato do Mundo da modalidade de 1995, evento que o estadista encara como uma oportunidade de unir o país.
Focos de interesse: O primeiro filme realizado por Clint Eastwood após o anúncio da sua "reforma" enquanto actor. Filmado maioritariamente na África do Sul, é, em termos de grandeza e pelos nomes envolvidos, o maior filme alguma vez produzido naquele país. Outro título frequentemente citado como favorito ao Óscar de Melhor Filme.
Estreia em Portugal: ainda sem data anunciada.

20) UP IN THE AIR



O argumento: Ryan Bingham (George Clooney) trabalha na Integrated Strategic Management (ISM), uma empresa de consultadoria sedeada em Denver. O cargo: viajar pelo país em representação dos seus patrões para anunciar despedimentos e lay-offs, debitando emocionantes discursos nessas ocasiões. Contudo, quando a ISM ameaça-o com a despromoção, Ryan enfrentará os seus maiores desafios pessoais.
Focos de interesse: Apesar dos excelentes OBRIGADO POR FUMAR e JUNO, o realizador Jason Reitman já afirmou que este é o melhor e mais pessoal filme da sua breve carreira. Possui, desde já, a melhor média de críticas (100%, de acordo com o Rotten Tomatoes) entre as ante-estreias de 2009, fruto da sua recente projecção no Festival Internacional de Toronto, prometendo uma boa performance a todos os níveis.
Estreia em Portugal: ainda sem data anunciada.

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