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quinta-feira, outubro 20, 2011

Filhos de Um Deus Maior #67



Mourir Aupres de Toi, terna e surpreendente curta-metragem de animação sobre como o amor vence todas as adversidades, é o resultado de uma colaboração entre Spike Jonze, o animador francês Simon Cahn e a estilista Olympia Le Tan.

Seis minutos que falam por si:



[Fonte: Nowness]

quinta-feira, abril 28, 2011

#7



... segundo a opinião e discurso directo do Edgar Ascensão a.k.a. brain-mixer, do blog Brain-Mixer:

Qual Top mais ou Top Gun, este é o meu TOP

Já não é vergonha nenhuma um cinéfilo assumir o seu gosto por blockbusters. A predilecção pode passar por todos os géneros e estilos cinematográficos. A minha, essa, infelizmente não passa dos anos 80 para lá... Tendo nascido no início dessa década, cresci a ver os mesmos, as obras que se foram tornando cultura pop, de divindade audiovisual, de "nerdice" juvenil. Hoje, olho para trás e reparo que a bagagem que me acompanhou é pesada. Com qualidade. Incontornáveis.

Para mim (e todos os que concordarem), os melhores filmes que se podem eleger são aqueles que podemos ver e rever vezes sem conta, apesar de se lhe conhecer os diálogos, as surpresas, as acções de cor e salteado. Daqueles filmes que são tão conhecidos que ninguém tem a coragem de os atirar para o ar. Poderia banalizar a coisa e referir Citizen Kane ou algum filme de Truffaut. Não, isso não é carga para a minha bagagem... São sim, belezas como OS SALTEADORES DA ARCA PERDIDA, ASSALTO AO ARRANHA-CÉUS ou ROBOCOP — O POLÍCIA DO FUTURO. Estão em mim no antro dos intocáveis. As três dos '
eighties', os tais 80's. Antes disso? Retenho O BOM, O MAU E O VILÃO como o fenómeno que hoje perdura na minha neura.


(1981, Raiders of the Lost Ark, Steven Spielberg)


(1988, Die Hard, John McTierman)


(1987, Robocop, Paul Verhoeven)


(1966, Il buono, il brutto, il cattivo, Sergio Leone)

Viremos a página do calendário, EXTERMINADOR IMPLACÁVEL 2: O DIA DO JULGAMENTO e LÉON, O PROFISSIONAL são coisas cinemáticas assombrosas dos anos 90. Quem desmentir, que levante o dedo.


(1991, Terminator 2: Judgment Day, James Cameron)


(1994, Léon, Luc Besson)

Mais tarde concentro-me em algo mais complexo como CONTACTO e ESTRADA PERDIDA: Era um caminho que tomaria na minha vida, a das coisas intricadas.


(1997, Contact, Robert Zemeckis)


(1997, Lost Highway, David Lynch)

São os Brain-movies de gema, os quebra-cabeças que tanto refiro pela blogosfera fora. Na "nova" década surgem-me em catadupa. E QUERES SER JOHN MALKOVICH? sobrepõe-se a tantas obras-primas. Mas é com THE FOUNTAIN — O ÚLTIMO CAPÍTULO que percebo a essência da arte, da intimidade que o som pode ter com a imagem, e a narrativa me conseguir converter numa besta bipolar. Amo o filme.


(1999, Being John Malkovich, Spike Jonze)


(2006, The Fountain, Darren Aronofsky)

Mas não renego a minha "escola": Sim, os filmes podem ser arte, podem ser de autor, podem ser de culto. Mas sim, também podemos ter o prazer de nos deleitar com um riquíssimo blockbuster de vez em quando. Para isso, que nos prezem, façam-mos bons!

--//--

Obrigado, Edgar, pela tua participação!

domingo, dezembro 26, 2010

2010: Os Melhores

E chegamos à inevitável (e muito tramada!) época de balanço do ano que agora termina. Como já é tradição, deixo-vos com o Top 10 dos melhores filmes estreados em Portugal durante 2010, de acordo com o Keyzer Soze:

10º ex-aequo
UM HOMEM SINGULAR



A primeira experiência de Tom Ford como realizador é uma obra cinematográfica por excelência. A elaborada direcção artística funciona em prol do argumento, abundam os qualitativos pormenores de fotografia, montagem, guarda-roupa e maquilhagem a espelharem os estados de espírito das personagens e um Colin Firth assombroso na pele da personagem mais pesarosa que preencheu um grande ecrã este ano.



FANTASIA LUSITANA



Documentário que na análise da propaganda salazarista durante os anos da Segunda Guerra Mundial, mostrando a neutralidade de Portugal como um paraíso de paz no seio de uma Europa em devastador conflito, procura referências de comparação com o actual estado da Nação. No seu minimalismo de imagens e sons (o filme não tem narrador), João Canijo impele o espectador a tirar as suas próprias conclusões.



9º
ANTICRISTO



A controvérsia gerada em Cannes — onde lhe foi atribuído um "anti-prémio" — era suficiente para se perceber que Lars von Trier não iria abandonar a sua infâmia muito própria. E, na verdade, o dinamarquês realizou um dos títulos mais poderosos do ano, uma obra-prima de grotesco cinematográfico. Willem Defoe e Charlotte Gainsbourg, sem medo da exposição ou do rídiculo gratuitos, mantêm o argumento (e o interesse de quem assiste) coeso de uma ponta à outra do filme.



8º
O SÍTIO DAS COISAS SELVAGENS



O filme fantástico para todas as idades do ano — que me perdoem os fãs da ALICE de Tim Burton —, Spike Jonze desenvolve o conto infantil de Maurice Sendak e dá vida à sagaz imaginação de um rapaz de oito anos que se torna rei de uma ilha povoada por criaturas peludas (magníficas e realistas composições digitais) que demonstram idiossincrasias próprias dos adultos.



7º
THIRST — ESTE É O MEU SANGUE...



Chan-wook Park prossegue a sua corajosa e original carreira com uma fresca abordagem ao (sempre em voga) mito do vampiro, mas sem abdicar dos motivos próprios do género, usando o tema — e um padre católico como protagonista — para dissertar acerca do que nos torna humanos. Capaz de se mostrar surreal, espirituoso, visceral e sensual numa única cena, foi dos filmes mais pujantes do ano.



6º
TOY STORY 3



Não há uma única emoção que tenha ficado esquecida: da genuína alegria à honesta comoção e capaz de nos encantar pelo seu deslumbramento visual, nenhum espírito é suficientemente empedernido para deixar de se convencer da maturidade artística alcançada pela dupla Disney/Pixar. A trilogia que definiu a animação concebida por computador encerra com genial chave de ouro.



5º
LÍBANO



Desde O RESGATE DO SOLDADO RYAN que nenhum filme colocava o espectador tão intimamente na linha de fogo dum conflito armado. Totalmente situado no interior de um blindado que acompanha quatro soldados israelitas durante a Guerra do Líbano, em 1982, esta é uma obra de criativa audácia, rigorosa seriedade moral e, acima de tudo, uma experiência cinematográfica inesquecível. Ou tudo aquilo que um war movie deve ser.



4º
A ORIGEM



O padrão de como um blockbuster deve apresentar-se: visualmente atraente, narrativamente inteligente, profundamente envolvente e totalmente satisfatório. Na verdade, existem poucos adjectivos para louvar a dimensão aplicada a um argumento que assume diversos riscos — quer na sua coerência como na capacidade de gerar receitas de bilheteira — do princípio ao fim das suas duas horas e meia de duração.



3º
UM HOMEM SÉRIO



Novo e curioso estudo dos irmãos Coen sobre o absurdo da condição humana, o seu sereno formalismo para explorar uma narrativa freneticamente surrealista torna-o numa das obras mais originais do ano. Impecavelmente filmado, arranca um fabuloso registo de contenção e desespero latente de Michael Stuhlbarg e o seu final ambíguo é susceptível de mais prazer que frustração cinéfila.



2º
CANINO



Este foi, definitivamente, o principal "OVNI" cinematográfico a estrear no nosso país. Reconstituindo temas clássicos que vão desde a história de Adão e Eva até à Alegoria da Caverna (e estas são algumas das interpretações possíveis), a sua peculiar apresentação de condicionamento e livre arbítrio humano tanto pode ser visto como terror absurdo ou comédia atroz. Certo é ser dos filmes mais originais e exigentes do ano.



1º
O ESCRITOR FANTASMA



Um thriller como já não se produz nos dias que correm, Roman Polanski colmata a ausência de explosões ou sustos construindo a sua ameaçante imagem de marca, apostando na contenção de personagens (um elenco formidável), ambiências hostis (nem a Natureza é apaziguadora) e uma economia narrativa (veja-se como um GPS "ajuda" ao desenrolar dos acontecimentos) que poucos alcançam. O cinema clássico puro está vivo!



Concordam? Discordam? Façam-se ouvir!

sábado, outubro 17, 2009

Hollywood Buzz #60

O que se diz lá fora sobre WHERE THE WILD THINGS ARE, de Spike Jonze:



«The plot is simple stuff, spread fairly thin in terms of events but portentous in terms of meaning. It comes down to: What is right? -- a question that children often seek answers to.»
Roger Ebert, Chicago Sun-Times.

«Director Spike Jonze's sharp instincts and vibrant visual style can't quite compensate for the lack of narrative eventfulness that increasingly bogs down this bright-minded picture.»
Todd McCarthy, Variety.

«WHERE THE WILD THINGS ARE is an alternately perfect and imperfect if always beautiful adaptation of the Maurice Sendak children’s book.»
Manohla Dargis, New York Times.

«Jonze's ideas, visual and otherwise, spill out in a faux-philosophical ramble that isn't nearly as deep as he thinks it is; at best, it's a scrambled tone poem. Even the look of the picture becomes tiresome after a while.»
Stephanie Zacharek, Salon.com.

«For all the money spent, the film's success is best measured by its simplicity and the purity of its innovation. Jonze has filmed a fantasy as if it were absolutely real, allowing us to see the world as Max sees it, full of beauty and terror.»
Peter Travers, Rolling Stone.

segunda-feira, setembro 21, 2009

Cinema de Pós-Verão

Como já é habitual nesta data, o Keyzer Soze's Place observa o futuro e adianta 20 filmes relevantes que irão estrear nos próximos meses.

Dos títulos que irão disputar Óscares, Globos de Ouro e variados prémios de associações de crítica até às grandes produções que passarão pelas salas de cinema, não faltam sugestões para todos os gostos.

( As datas de estreia nacional apresentadas estão sujeitas a alteração pelas produtoras).

1) BAKJWI/THIRST



O argumento: Sang-hyun (Song Kang-ho), estimado e devoto padre católico, oferece-se como cobaia para testar uma vacina destinada a erradicar um vírus mortal. A intervenção cirúrgica corre mal e a transfusão sanguínea que lhe é administrada transforma-o num vampiro. A partir deste momento, o padre afunda-se em desespero e perversidade mas sempre na busca de alguma réstia de humanidade.
Focos de interesse: Realizado por Chan-wook Park (OLDBOY — VELHO AMIGO) e com Song Kang-ho (THE HOST — A CRIATURA) a protagonizar, BAKJWI/THIRST foi laureado com o Grande Prémio do Júri no último Festival de Cannes. É considerado, por muitos, como o refresh mais interessante no género vampiresco da presente década.
Estreia em Portugal: 15 de Outubro (*)

2) THE INFORMANT!



O argumento: Mark Whitacre (Matt Damon) é um importante executivo na Archer Daniels Midland (ADM), líder de mercado na comercialização de produtos alimentícios, que para além de diagnosticado com desordem bipolar, decide confessar — e face a todos os riscos possíveis e imagináveis — ao FBI o esquema de viciação de preços praticado pela empresa onde trabalha.
Focos de interesse: Baseado num caso verídico que, em meados dos anos 90, culminou na maior multa alguma vez paga por uma empresa privada nos EUA por corrupção activa. A transformação física empreendida por Matt Damon, com 13kg a mais, um estranho bigode e óculos com "aros de tartaruga".
Estreia em Portugal: 29 de Outubro (*)

3) 9



O argumento: Quando 9 (Elijah Wood), criatura semelhante a uma boneca de trapos, acorda pela primeira vez, depara-se com um mundo pós-apocalíptico, onde todos os seres humanos desapareceram. Por acaso, encontra uma pequena comunidade composta por seus semelhantes, aterrorizada pelas temíveis máquinas que vagueiam pela Terra. Apesar de ser o mais novo, 9 convence os outros de que o ataque é a melhor defesa.
Focos de interesse: Produzido por Tim Burton e Timur Bekmambetov (realizador de PROCURADO), é considerado como revolucionário no campo da animação digital. O "elenco vocal" de primeira linha, com Elijah Wood, Christopher Plummer, Martin Landau, Jennifer Connelly e John C. Reilly.
Estreia em Portugal: 29 de Outubro (*)

4) JENNIFER'S BODY



O argumento: Jennifer (Megan Fox), a rapariga mais popular do liceu, transforma-se num monstro faminto e sanguinário após um (mau) encontro com uma banda de rock satânica. A sua melhor amiga, Needy (Amanda Seyfried), é a única a compreender a natureza sinistra da transformação de Jennifer e decide enfrentar o problema por sua conta e risco.
Focos de interesse: Para o público masculino: Megan Fox. Para o público feminino: o implícito (e original) girl power da história. Para o público em geral: o argumento é da autoria de Diablo Cody, oscarizada por JUNO.
Estreia em Portugal: 29 de Outubro (*)

5) A SERIOUS MAN



O argumento: Larry Gopnik (Michael Stuhlbarg), professor de Física numa pequena universidade, sente-se estagnado. "Eu quero ser um homem sério", afirma ele. Contudo, sofre golpes constantes, figurativa e literalmente, da esposa, dos filhos, do irmão, dos colegas universitários, até mesmo do seu próprio rabi. Haverá alguma "alma caridosa" que consiga ajudar Larry a atingir este desígnio existencial?
Focos de interesse: Descobrir o absoluto elenco de semi-desconhecidos. O regresso dos irmãos Coen ao terreno das comédias negras, género que os celebrizou com SANGUE POR SANGUE e FARGO.
Estreia em Portugal: 05 de Novembro (*)

6) THE FANTASTIC MR. FOX



O argumento: O Sr. e a Sra. Fox (George Clooney e Meryl Streep) vivem numa casa idílica, juntamente com o filho Ash (Jason Schwartzman). No entanto, após 12 anos desta bucólica existência, os instintos selvagens do Sr. Fox ganham a melhor: retoma o seu antigo hábito de assaltar galinheiros, pondo em risco não só a sua família, como toda a comunidade animal em seu redor.
Focos de interesse: Adaptação de um dos livros mais conhecidos de Roald Dahl, marca a estreia de Wes Anderson (OS TENENBAUMS – UMA COMÉDIA GENIAL, THE DARJEELING LIMITED) ao leme de um filme animado — e em stop-motion. Em vez do habitual trabalho de estúdio, a gravação dos diálogos foi produzida em locais naturais, de modo a favorecer a espontaneidade dos actores.
Estreia em Portugal: 05 de Novembro (*)

7) A CHRISTMAS CAROL



O argumento: Ebenezer Scrooge (Jim Carrey) encara o início das celebrações natalícias com o seu habitual desprezo, maltratando o fiel empregado (Gary Oldman) e ignorando o alegre sobrinho (Colin Firth). Mas quando os Fantasmas do Natal Passado, Presente e Futuro transportam-no numa viagem reveladora, Scrooge terá de limpar o seu coração, antes que seja tarde demais.
Focos de interesse: Robert Zemeckis comprovou as potencialidades narrativas da tecnologia motion-capture em BEOWULF, e as primeiras imagens revelam um filme que não "desonrará" o clássico livro de Charles Dickens.
Estreia em Portugal: 19 de Novembro (*)

8) JULIE & JULIA



O argumento: Julia Child (Meryl Streep) é uma das mais famosas autoras de livros de culinária, tendo escrito o best-seller "Mastering the Art of French Cooking". Julie Powell (Amy Adams) decide recriar todas as 524 receitas daquele livro no espaço de um ano, narrando as suas experiências e resultados num blogue que rapidamente transforma-se em caso de sucesso incomparável.
Focos de interesse: Baseado em factos verídicos, trata-se do "primeiro filme inspirado num blogue" (o qual pode ser visitado aqui). Assistir à repetição da (excelente) química entre Meryl Streep e Amy Adams depois de, no ano passado, se terem "gladiado" em DÚVIDA. O desempenho de Meryl Streep, que volta a ser mencionada para mais uma nomeação ao Óscar.
Estreia em Portugal: 19 de Novembro (*)

9) THE TWILIGHT SAGA: NEW MOON



O argumento: Bella Swan (Kristen Stewart) fica devastada pela abrupta partida do seu amante vampiro, Edward Cullen (Robert Pattinson), mas o seu espírito é reconfortado pela crescente amizade que forma com Jacob Black (Taylor Lautner). Subitamente, Bella trava conhecimento com o submundo dos lobisomens, eternos inimigos dos vampiros, testando a sua lealdade para com Edward.
Focos de interesse: Com o êxito imparável da sua fonte literária e embalado pelo sucesso do primeiro filme, CRESPÚSCULO, encontra-se na linha da frente para ser um dos blockbusters deste ano. Perceber se o realizador Chris Weitz (ERA UMA VEZ UM RAPAZ, A BÚSSOLA DOURADA) tem espaço para incutir algum do seu humor corrosivo num produto com normas restritas para agradar o maior número de espectadores possível.
Estreia em Portugal: 23 de Novembro (*)

10) WHERE THE WILD THINGS ARE



O argumento: Max (Max Records), um rebelde e sensível rapaz, foge de casa para uma ilha habitada por estranhas criaturas, cujas emoções são tão bravias e imprevisíveis quanto as suas acções. Coroado rei d'O Sítio das Coisas Selvagens, Max cedo encontra dificuldades na gestão do seu reino e aprende que a natureza dos sentimentos é mais complexa do que imaginava.
Focos de interesse: Até à data, Spike Jonze (QUERES SER JOHN MALKOVICH?, INADAPTADO) nunca fez um mau filme, e o famoso conto infantil do escritor norte-americano Maurice Sendak não poderia ter encontrado melhor "responsável" da sua adaptação cinematográfica. O interessante elenco (Mark Ruffalo, James Gandolfini, Forest Whitaker) que empresta a voz aos fantásticos seres da história.
Estreia em Portugal: 23 de Novembro (*)

11) CAPITALISM: A LOVE STORY



O argumento: Michael Moore explora a questão tabu: que preço deve a América pagar pelo seu amor ao capitalismo? Há alguns anos, esse amor parecia tão inocente — o capitalismo era sinónimo de produtividade e segurança. Hoje, as grandes instituições financeiras vivem em permanente estado de sítio e com as famílias a perderem as suas fontes de rendimento, o sonho americano cada vez mais se assemelha a um terrível pesadelo.
Focos de interesse: O estilo de Moore é garantia de um documentário empolgante, revelador, mas nem sempre imparcial. Segundo o documentarista, o filme «tem tudo: luxúria, paixão, romance e 14 000 postos de trabalhos eliminados todos os dias». Foi bem recebido pelo público e crítica aquando da sua recente passagem no Festival de Veneza.
Estreia em Portugal: 26 de Novembro (*)

12) NINE



O argumento: Guido Contini (Daniel Day-Lewis) é um realizador de meia-idade que tenta completar o seu mais recente filme. Contudo, a verve criativa do cineasta mostra-se comprometida pelas inúmeras mulheres que povoam a sua vida: a esposa Luisa (Marion Cotillard), a sensual amante Carla (Penélope Cruz) e a musa inspiradora Claudia (Nicole Kidman).
Focos de interesse: Daniel Day-Lewis, sempre irrepreensível em todos os projectos que abraça. Um elenco feminino internacional de alto calibre, incluindo o regresso de Sophia Loren. Realizado por Rob Marshall (CHICAGO) e tendo em conta o actual renascimento do género musical, é um dos principais favoritos ao Óscar de Melhor Filme.
Estreia em Portugal: 03 de Dezembro (*)

13) THE BOX



O argumento: E se alguém lhe oferecesse uma caixa com um botão que, quando pressionado, permitiria-lhe ganhar um milhão de dólares... em troca da morte de alguém que não conhece? O casal Arthur e Norma Lewis (James Marsden e Cameron Diaz) recebe esta aterradora proposta de um misterioso homem com o rosto terrivelmente desfigurado (Frank Langella), concedendo apenas 24 horas para o casal tomar uma decisão.
Focos de interesse: Richard Kelly procura reencontrar-se com o sucesso depois do quase longínquo DONNIE DARKO, esboçando uma história de mistério e terror. Abundam rumores de que o vilão de Frank Langella, totalmente "reabilitado" após a sua participação em FROST/NIXON, constitui uma das principais razões para ver este filme.
Estreia em Portugal: 03 de Dezembro (*)

14) AVATAR



O argumento: Jake Sully (Sam Worthington), um ex-fuzileiro agora paraplégico, voluntaria-se para o programa Avatar, que lhe devolverá mobilidade corporal através da mistura do seu ADN com o dos Na'vi, habitantes da lua Pandora. Aparentemente primitivos, os Na'vi patentearão argumentos para defender, a todo o custo, os recursos da sua terra face à indomável vontade humana em explorar os recursos naturais deste exótico local.
Focos de interesse: O regresso de James Cameron ao activo, doze anos depois do retumbante sucesso internacional de TITANIC. O projecto foi adiado sucessivamente pelo realizador até a tecnologia alcançar patamares que permitissem fabricar, com exactidão, a forma como idealizou a história. Está a ser promovido, a nível de efeitos visuais, como o filme mais revolucionário da presente década.
Estreia em Portugal: 17 de Dezembro (*)

15) SHERLOCK HOLMES



O argumento: O detective Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.), juntamente com o seu leal parceiro Watson (Jude Law), envolve-se numa batalha de inteligência e músculo contra Lord Blackwood (Mark Strong), que planeia destruir a estabilidade de toda a Inglaterra.
Focos de interesse: Observar a dinâmica habitual de Guy Ritchie (UM MAL NUNCA VEM SÓ, SNATCH — PORCOS E DIAMANTES) ao adaptar a mais famosa personagem de Arthur Conan Doyle. A mesma expectativa adequa-se ao que Robert Downey Jr., actor com estilo sui generis, produzirá encarnando Sherlock Holmes.
Estreia em Portugal: 31 de Dezembro (*)

16) THE LOVELY BONES



O argumento: A jovem Susie Salmon (Saoirse Ronan) é assassinada e observa os pais (Mark Wahlberg e Rachel Weisz) — assim como o seu homicida — a partir do céu. Neste contexto, terá de balançar o seu desejo de vingança com a vontade da sua família em recuperar do desgosto que atravessa.
Focos de interesse: Peter Jackson já demonstrou eficácia no tratamento de material sério com elementos fantásticos — veja-se AMIZADE SEM LIMITES — e, assim, o best-seller de Alice Sebold encontra-se em boas mãos. Um dos melhores elencos do ano, onde também figuram Susan Sarandon, Stanley Tucci e Michael Imperioli. É outro grande candidato aos Óscares.
Estreia em Portugal: 28 de Janeiro 2010 (*).

17) THE ROAD



O argumento: Pai (Viggo Mortensen) e filho (Kodi Smit-McPhee) caminham sozinhos por uma América devastada, onde a paisagem é imóvel e o céu eternamente escuro. Sem muitos pertences, possuem apenas uma pistola para se defenderem das perigosas hordas de vadios esfomeados que vagueiam pelo país.
Focos de interesse: O sucessivo adiamento da sua estreia, desde 2008, só tem alimentado expectativa em redor desta adaptação do romance de Cormac McCarthy. Obteve excelentes críticas durante a sua projecção no último Festival de Veneza, e foi considerado pela revista Esquire como «o filme mais importante do ano».
Estreia em Portugal: ainda sem data anunciada.

18) AMELIA



O argumento: Alcançado o feito de ser a primeira mulher a voar sozinha sobre o Atlântico, Amelia Earhart (Hillary Swank) torna-se numa inspiração para todos os americanos, desde a Primeira Dama Eleanor Roosevelt até ao homem que conquistou o seu coração, George P. Putnam (Richard Gere). No Verão de 1937, Amelia tenta cumprir a sua desejada viagem aérea de circum-navegação, um dos voos mais misteriosos da História.
Focos de interesse: Trata-se do primeiro filme biográfico de grande dimensão sobre Amelia Earhart, pioneira da aviação e socialite norte-americana. Hillary Swank contempla a hipótese de arrecadar o terceiro Óscar de Melhor Actriz.
Estreia em Portugal: ainda sem data anunciada.

19) INVICTUS



O argumento: Nelson Mandela (Morgan Freeman) solicita a ajuda de Francois Pienaar (Matt Damon), capitão da selecção de râguebi da África do Sul, para angariar apoios que permitam a organização nacional do Campeonato do Mundo da modalidade de 1995, evento que o estadista encara como uma oportunidade de unir o país.
Focos de interesse: O primeiro filme realizado por Clint Eastwood após o anúncio da sua "reforma" enquanto actor. Filmado maioritariamente na África do Sul, é, em termos de grandeza e pelos nomes envolvidos, o maior filme alguma vez produzido naquele país. Outro título frequentemente citado como favorito ao Óscar de Melhor Filme.
Estreia em Portugal: ainda sem data anunciada.

20) UP IN THE AIR



O argumento: Ryan Bingham (George Clooney) trabalha na Integrated Strategic Management (ISM), uma empresa de consultadoria sedeada em Denver. O cargo: viajar pelo país em representação dos seus patrões para anunciar despedimentos e lay-offs, debitando emocionantes discursos nessas ocasiões. Contudo, quando a ISM ameaça-o com a despromoção, Ryan enfrentará os seus maiores desafios pessoais.
Focos de interesse: Apesar dos excelentes OBRIGADO POR FUMAR e JUNO, o realizador Jason Reitman já afirmou que este é o melhor e mais pessoal filme da sua breve carreira. Possui, desde já, a melhor média de críticas (100%, de acordo com o Rotten Tomatoes) entre as ante-estreias de 2009, fruto da sua recente projecção no Festival Internacional de Toronto, prometendo uma boa performance a todos os níveis.
Estreia em Portugal: ainda sem data anunciada.

terça-feira, agosto 25, 2009

Filhos de Um Deus Maior #42

Spot televisivo, realizado por Spike Jonze (autor de QUERES SER JOHN MALKOVICH? e INADAPTADO), para a operadora de comunicações móveis japonesa SoftBank.



Uma empresa para qualquer serviço e um Brad Pitt para qualquer tarefa...

sexta-feira, abril 17, 2009

5 Momentos Memoráveis

#4: "IT'S ALL IN YOUR HEAD..."

Representar onirismo num filme será, para muitos realizadores, uma tentação irresistível. É um desafio, uma tarefa exigente do ponto de vista técnico e plenamente satisfatória (para criadores e espectadores) quando o produto final salda-se numa sublime experiência cinematográfica.

Aqui ficam cinco sequências, acompanhas de uma merecida citação honrosa, que exploram os estados mais surrealistas da nossa mente. Umas mais perturbadoras, outras jocosas, todas inesquecíveis.

Menção Honrosa: QUERES SER JOHN MALKOVICH? (1999), de Spike Jonze



Para além da sua fabulosa originalidade, este filme destaca-se pela coragem de John Malkovich, um dos meus actores favoritos e possuidor de versatilidade parcamente vista nos dias que correm, em alinhar nesta auto-paródia da sua figura pessoal e profissional.
O momento em que Malkovich apercebe-se da existência de um "portal" que dá acesso à sua própria mente, proporciona um momento bizarro e prodigioso como poucas vezes o Cinema nos permitiu conhecer.



5. REPULSA (1965), de Roman Polanski



Uma alegoria de horror sobre os medos da sociedade e repressão sexual, Polanski recorreu, nesta obra, a uma miríade de técnicas em que sonhos, imaginação e realidade quotidiana surgem na mesma "dimensão".
Aqui, observamos a vertiginosa ruína psicológica de Carol (Catherine Deneuve), onde tudo e todos são vistos como ameaça. Até as paredes do seu apartamento conseguem ganhar vida...



4. JULIETA DOS ESPÍRITOS (1965), de Federico Fellini



Também recorrendo a um tema mundano - neste caso, a frustração matrimonial - para um eficaz "show" de alucinações em grande ecrã, Fellini utiliza a cor (JULIETA DOS ESPÍRITOS assinala a primeira experiência do cineasta com o Technicolor) e uma extravagante banda sonora de Nino Rota, para compor as visões da protagonista em luta com a sua educação religiosa opressiva e a liberdade que tanto busca.
Fellini admitiu, anos mais tarde, o consumo de LSD durante a preparação das cenas abaixo reproduzidas. Ou a prova de que, por vezes, o brilhantismo surge pelos caminhos mais "suspeitos"...







3. VIAGENS ALUCINANTES (1980), de Ken Russell



As drogas são mesmo uma coisa tramada. E William Hurt, no primeiro filme da sua carreira, sentiu na pele (e, claro, na consciência) os efeitos de uma "trip" mal digerida.
Ken Russell sempre foi um realizador interessado na exploração de estados mentais fora do comum (THE DEVILS ou TOMMY atestam-no), mas em VIAGENS ALUCINANTES essa preferência foi levada ao máximo numa sequência de (permitam-me um apropriado adjectivo relativo a estupefacientes) viciante observação.



2. A QUIMERA DO OURO (1925), de Charles Chaplin



Poucos foram os cineastas, em 100 anos de Cinema, que almejaram bom gosto na concepção de humor acerca dos dramas humanos. Charles Chaplin demonstrou a total posse desta capacidade neste filme, ao "satirizar", sem ofender, as precárias condições de muitos prospectores durante a corrida ao ouro do Alasca, em 1898. A fome (e, no seu panorama mais extremo, o canibalismo) foi um dos aspectos mais dramáticos daquela era.
Quando o Vagabundo é obrigado a partilhar uma cabana, isolada pela neve, com o possante e ameaçador prospector Big Jim, e sem uma grama de comida à vista, tudo pode acontecer: desde o singelo "banquete" de uma bota até às mais estranhas visões de "animais" comestíveis nas montanhas rochosas do Alasca...



1. O FESTIM NU (1991), de David Cronenberg



O complexo livro de William S. Burroughs é, sem dúvida, material feito à medida da visão iconoclasta do mundo de David Cronenberg. Esta união, apelidada por muitos como «made in heaven», saldou-se num filme fascinante, repugnante q.b. e totalmente alucinante.
A Interzone, para onde William Lee (um alter ego do próprio Burroughs) é enviado com a tarefa de compor "relatórios", é um local onde pulula todo o género de criaturas - até uma peculiar máquina de escrever dita as frases mais apropriadas para o trabalho do protagonista. Esta será, provavelmente, a cena mais perturbante entre as que destaco, mas não é um facto que Cronenberg nunca foi um realizador de filmes "confortáveis"?



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