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sábado, abril 06, 2013

O Cinema dos Anos 2000: Elogio do Amor, de Jean-Luc Godard




É preciso cautela quando hoje, em 2013, se fala de Jean-Luc Godard — entre amigos cinéfilos, entre colegas de faculdade, com professores, por exemplo. Como se o medo se instalasse e um enorme buraco de tensão se abrisse no chão: "gostas / não gostas de Godard? O que te leva a dizer isso?..." Quando pensei no texto que ia escrever para esta iniciativa (o cinema dos 2000) sobre o ELOGIO DO AMOR lembrei-me de tudo isso: muito mais do que Spielberg, no conservatório de cinema, hoje, falar de Godard significa carregar atrás das costas um espectro da história do cinema amarrado na explosão da Nouvelle Vague até... hoje. O que significa esse hoje? Para começar: um desafio constante, e por isso também muito moderno e experimental, das narratividades cinematográficas — da percepção e da linguagem, se quisermos abstratizar mais. Não é "contra" o cinema que Godard filma — é por um cinema mais jovem, mais próximo da sua génese radical. E por isso, também, mais primitivo.

FILME SOCIALISMO, sobre o qual aqui não escreverei, e que há uns tempos a RTP2 exibiu, motivou um breve comentário de um professor do conservatório ligado à área de argumento que, com dose generosa de propriedade, o apontou praticamente como uma bosta "mal filmada" (o que é um filme "mal" filmado?) — o resto da retórica será facilmente imaginável, é um discurso com que, mal ou bem, temos de aprender a conviver. Conviver mas resistir. Uma das mais belas e importantes frases que ouvi num filme chegou-me deste ELOGIO: "não pode haver resistência sem memória ou universalidade." E é em virtude disso que me é cada vez mais difícil ignorar a insensibilidade violenta e cruel que domina importantes espaços de troca de ideias de cinema (como a escola de cinema aqui em Portugal; como o espaço da crítica; etc., etc.) Quero com isto dizer que devemos todos de gostar (ou não gostar) de Godard? Eis algo que está muito distante da minha vontade. Uma das minhas batalhas: discutir cinema com alguém que ainda quer ver cinema (e não a concretização daquilo que podemos achar que está "certo" fazer em cinema, ou a execução de um "bom arco do herói", ou, ou, ou...). Com alguém que ainda o quer redescobrir. E que ainda se quer redescobrir.

O meu desabafo é motivado também por alguns textos e discussões com os quais me cruzei na Internet e que resultavam precisamente da (não tão) simples existência deste filme: ELOGIO DO AMOR. Uma das maiores "queixas" residiam no seguinte, pasmemo-nos: que não se percebe "a história", que é um filme para "pseudointelectuais". Filme portanto gélido, próximo de um formalismo dedicado àqueles que não têm emoções — ou que nunca saberiam o que é isso do "amor". Hoje, quando revi o ELOGIO, percebi todo o sentimento que está depositado em cada imagem: o amor em mutação, a ser procurado e a escapar como água entre os dedos.

Apresentado no Festival de Cannes em 2001, esta é uma obra que representa um regresso de Godard ao cinema (o último?) — um regresso que dividiu mas que já era esperado como quem espera um inédito de Picasso. Desenhado em torno de uma demanda muito particular de um realizador: quer encontrar a atriz para o seu filme sobre o amor. Essa procura motiva a outra procura (a de Godard), mais importante e que é um dos pontos nevrálgicos deste filme: caminhar entre os quatro estados do amor ("encontro, paixão física, separação e reconciliação") e tentar perceber como a vida não passa de um livro em branco (um pouco como a imagem muito sugestiva do caderno vazio no espantoso J.L.G POR J.L.G, 1994), pronto a ser terminado com as dores do crescimento. Ou, dito de outro modo, da nossa eterna procura em sermos "adultos" (outro tema importante que aqui Godard nos reserva — a idade adulta como uma ponte entre a evidência da infância e da velhice). Sobre essa busca algo de muito sugestivo se murmura no filme: a questão não "é se o homem vai continuar mas se tem esse direito."

É também uma das obras mais potentes desta última fase de JLG — cada imagem chega com o peso de uma memória e, por isso, de uma melancolia inabalável. A primeira parte de Elogio é filmada a preto-e-branco — os vultos e os jogos de luzes aproximam-nos de uma solidão inesgotável e da sensação impossível de que estamos a tocar na beleza absoluta. (Importa relembrar que João Lopes apontou ELOGIO DO AMOR como "o mais belo filme do mundo"). A segunda parte, filmada em vídeo e cores vivíssimas e hipersaturadas, completam outra sensação fundamental que traspassa na obra: a de que as coisas perecem e que, quando são vistas e sentidas, não voltam... Sinto-me comovido quando penso, por exemplo, nos planos dos rostos femininos no início do filme (como se o "elogio da mulher" nunca se completasse com Godard), ou então na esmagadora força dos travellings neste filme, muitas vezes acompanhados por um acompanhamento musical que sublinha apenas este sentimento, próximo da nostalgia, de perda do amor — o mesmo acontece na recta final, quando Godard filma a força das ondas do mar; o helicóptero a abandonar a terra e a desaparecer nas nuvens; as suas personagens, muitas vezes de costas, a partir do enquadramento, ou então num triste ralenti (como quem não quer perder a vida).

Confesso, ao mesmo tempo, as minhas reservas quanto ao discurso (também conhecido de Godard) produzido em torno dos "norte-americanos", insultados como o povo de "nenhures" que procura, através do cinema de Hollywood (representado aqui pela figura de Spielberg), as histórias dos "outros" para poder sobreviver. Eis um desenvolvimento curioso mas do qual se deve retirar uma lição fundamental dada neste ELOGIO: que as imagens "não" falam e que devem ser vistas, como a certo momento se diz, como um "olhar do vazio sobre nós." Ou então: como um "spiegel im spiegel" – espelho no espelho. O que descobrimos nesse interior? Todo o poder, tão absorvente e impenetrável, tão luminoso e obscuro, da dimensão profundamente humana que compõe este elogio. E isso, que me perdoe o professor de argumento, é coisa que não se ensina.

por Flávio Gonçalves (O Sétimo Continente).

Elenco
. Bruno Putzulu (Edgar), Cecile Camp (Elle), Jean Davy (Avô), Françoise Verny (Avó), Audrey Klebaner (Eglantine), Jérémie Lippmann (Perceval), Claude Baignières (Mr. Rosenthal)


Palmarés
. Festival Internacional de Valladolid: Prémio Especial do Júri (Jean-Luc Godard)


Sobre Jean-Luc Godard

Um dos fundadores da Nouvelle Vague, notabilizou-se pelo seu cinema polémico e de vanguarda, abordando, de forma ágil e original, os dilemas e perplexidades do Século XX, assumindo também um olhar crítico e enciclopédico em torno da Sétima Arte. Do seminal O ACOSSADO (1960), passando pelo corrosivo FIM-DE-SEMANA (1967) até ao confronto com a Igreja Católica em EU VOS SAÚDO MARIA (1985), nada nem ninguém lhe fica indiferente.



sexta-feira, março 01, 2013

domingo, março 13, 2011

Críticas da Semana

Breve resumo dos filmes visualizados esta semana.

BIBLIOTHÈQUE PASCAL (2010), de Szabolcs Hajdu



Para recuperar a custódia da filha, Mona (Orsolya Török-Illyés) conta a sua história de vida a um assistente social. Segue-se uma furiosa e surreal descrição de eventos, desde pessoas capazes de projectar e aceder a sonhos até à viagem pelos meandros de um bordel londrino que satisfaz fantasias sexuais recriando episódios de clássicos literários (Lolita, Joana d'Arc, Desdémona, ...).

‎'Surreal Social': assim se poderia intitular este filme. Vagueando, por vezes desequilibradamente, entre géneros cinematográficos e citando filmografias alheias (Kusturica, Dardenne, Almodóvar...), Hajdu oferece uma abordagem fresca sobre as diferenças culturais e económicas de uma Europa supostamente unida. Uma curiosidade de primeiro grau a todos níveis e indício de que o cinema surrealista está vivo e recomenda-se.

FILME SOCIALISMO (2010), de Jean-Luc Godard



Um ensaio sobre a Europa e o mundo, dividido em três momentos: num cruzeiro onde se fundem e entrelaçam várias histórias de viajantes de todas as partes do mundo; o retrato de um conflito familiar onde os progenitores são postos à prova; e o momento em que o realizador expõe as suas ideias sobre a Europa e o mundo contemporâneo.

Para além da sua óbvia capacidade de suscitar debate, pode-se deitar um olhar subjectivo sobre o filme e dele nada retirar. Do ponto de vista técnico, não estamos perante nada de revolucionário: já Michael Haneke fez este tipo de experiência audiovisual nos anos 90 (O SÉTIMO CONTINENTE ou 71 FRAGMENTOS DE UMA CRONOLOGIA DO ACASO, só para citar dois exemplos flagrantes) com maior sucesso. A "narrativa", dividida entre a denúncia aos comportamentos de consumo da nossa era e a reflexão sobre o Século XX Europeu, pouco transmite. Em suma, uma longa dissertação de um indivíduo cada vez mais determinado em não comunicar com a sua plateia. Godard rende-se à indulgência reservada a autores do seu estatuto...

ENTRELAÇADOS (2010), de Nathan Greno e Byron Howard



Por causa das propriedades mágicas (sobretudo, a da eterna juventude) dos seus cabelos, Rapunzel foi raptada e aprisionada numa torre pela maléfica Mother Gothel. Com o passar dos anos, a curiosidade da protagonista em conhecer o mundo exterior cresce, mas sempre contrariada. A súbita presença do charmoso mas desastrado Flynn Rider, o mais notório criminoso do reino, abre-lhe inesperadas perspectivas de liberdade.

Ninguém acerta melhor com timings de comédia e emoção como a Disney. ENTRELAÇADOS é o mais recente exemplar dessa tradição: em toda a sua simplicidade narrativa e sem desejos de quebrar barreiras no que ao cinema de animação diz respeito, reinventa o eterno conto dos Irmãos Grimm com estilo e sagacidade. Que fique registado: Max, o cavalo, acaba de entrar para o "panteão" dos meus personagens favoritos da Disney.

INSIDE JOB — A VERDADE DA CRISE (2010), de Charles Ferguson



Documentário, narrado por Matt Damon, sobre os motivos que levou o planeta à crise económica e financeira actual.

Para quem (como eu) pouco compreendia acerca dos mecanismos inerentes ao "mercado dos derivativos" e como funciona o "controlo de riscos sistémicos", INSIDE JOB constitui fonte de informação bem documentada e exposta. A elevada possibilidade de suscitar sentimentos menos positivos no espectador, observador passivo de uma história de crime sem castigo, demonstra o seu poder enquanto peça de cinema não ficcional. Embora nutrisse predilecção pelo filme realizado por Banksy, INSIDE JOB mereceu o Óscar de Melhor Documentário recentemente arrecadado.

WASTE LAND (2010), de Lucy Walker



Vik Muniz, no auge de fortuna e popularidade internacionais enquanto artista plástico, decide conhecer em primeira mão o Jardim Gramacho, um dos maiores aterros sanitários do mundo, localizado no Rio de Janeiro. Durante dois anos, trava conhecimento com sete "catadores" de material reciclável e inspira-se nas suas vidas para uma exposição fotográfica solidária.

Abordando vários aspectos — do processo criativo de Muniz até à franca descrição da (inexistente?) condição social do "catador" — Lucy Walker não se concentra exclusivamente em nenhum deles mas logra expor, com sucesso, a essência de cada um. Assim, temos um documentário estética e visualmente impressionante (destaque para algumas imagens recolhidas no Jardim Gramacho), infundido da imortal mensagem «o teu destino é por ti escrito», mas que não evita situações de dramatismo fácil.

terça-feira, maio 18, 2010

Festival de Cannes 2010 — Dia 6



Foi um fantástico dia para os apreciadores do denominado Cinema de Autor. Três filmes concebidos por três eclécticos e díspares cineastas marcaram presença na Croisette.

Na "corrida" pela Palma de Ouro, foi exibido BIUTIFUL, de Alejandro Gonzalez Iñárritu, centrado na figura de Uxbal (Javier Bardem), dividido entre o futuro dos seus filhos e a sobrevivência no gueto em que está inserido:



Construindo, pela primeira vez na sua carreira, uma história linear, mas sem deixar de analisar os efeitos da globalização junto dos que vivem no limiar da miséria, BIUTIFUL não foi, contudo, recebido unanimemente pela crítica especializada, dividida entre os que o consideram como «um eminente candidato à Palma de Ouro» ou, do outro lado da "barricada", descrito como «um filme de fugir» no sentido literal da expressão. Opiniões à parte, Iñarritu enunciou, durante a conferência de imprensa, a mensagem que o motivou nesta obra: «Embora as trevas pareçam estar em todo o lado, BIUTIFUL oferece imensas perspectivas de esperança. Atrevo-me a dizer que este é o meu filme mais optimista». Argumentos ao critério do júri presidido por Tim Burton...

Javier Bardem e Alejandro Gonzalez Iñarritu

Maricel Alvarez observa Iñarritu durante a conferência de imprensa

Também em Competição, foi exibida a nova obra de Takeshi Kitano dedicada à Yakuza, OUTRAGE:



Dez anos depois de BROTHER, o regresso de Kitano ao crime organizado nipónico caracteriza-se pela predominância da violência verbal e psicológica, relegando os tiroteios e derramamento de sangue para segundo plano. «Se repetisse os mesmos métodos, seria monótono. Quis demonstrar algo evoluído. Por isso, incluí mais sequências de diálogos».

Takeshi Kitano a almejar uma futura carreira como fotógrafo?

Jean-Luc Godard, um dos "pais" da Nouvelle Vague, está de regresso e apresentou, na secção «Un Certain Regard», a sua mais recente "experiência cinematográfica", FILM SOCIALISME:



O filme — 100 minutos de imagética caleidoscópica acompanhada por textos em estilo SMS — esteve presente, mas o cineasta não. Godard cancelou a sua agendada conferência de imprensa por "problemas de foro Grego": a verdadeira "essência" desta justificação ainda está por explicar. Quanto a FILM SOCIALISME, foi recebido com calorosos aplausos da crítica, embora tenha encontrado maior frieza por parte do público.

quinta-feira, abril 29, 2010

#5 — No Dia Internacional da Dança...



... um olhar europeu sobre a forma como estas duas artes se fundem na perfeição. BANDO À PARTE atesta-o bem, nesta sequência que não só assinala um dos movimentos mais marcantes da História do Cinema como está imbuída da determinação e carácter das novas mentalidades dos sixties:



quinta-feira, abril 15, 2010

Festival de Cannes 2010



Foram apresentados hoje de manhã, em conferência de imprensa, os títulos que marcarão a 63ª edição do Festival de Cannes.

O Keyzer Soze's Place partilha a sua selecção (numa programação ainda incompleta) dos filmes mais sonantes. Primeira nota: num ano em que, muito provavelmente, apenas um filme norte-americano concorrerá à Palma de Ouro, é grande a expectativa quanto à revelação dos vencedores, que decorrerá no dia 23 de Maio. Até lá, temos a certeza de que qualidade não estará ausente do certame.

  • Em Competição


  • . HORS LA LOI, de Rachid Bouchareb



    Sequela "não-oficial" de INDIGÈNES (2006), também assinado por Bouchareb, é uma retrospectiva sobre a luta pela independência da Argélia durante os anos 40 e 50, vista pelos olhos de três irmãos que participam na revolta contra o exército do colonizador francês. Destaque para o protagonismo de Jamel Debbouze (O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE e ANGEL-A).

    . BIUTIFUL, de Alejandro González Iñarritu



    Um homem (Javier Bardem), envolvido no transporte ilegal de emigrantes, é perseguido pelo seu melhor amigo de infância, que agora é agente da polícia. Co-produzido por Guillermo del Toro e Alfonso Cuaron, e ostentando uma equipa técnica de luxo (Rodrigo Prieto na direcção de fotografia, Stephen Mirrione na montagem e banda sonora composta pelo oscarizado Gustavo Santaolalla), assinala o regresso de Iñarritu a um filme totalmente falado em espanhol desde a sua estreia em AMOR CÃO (2000).

    . COPIE CONFORME, de Abbas Kiarostami



    Durante uma viagem a Itália para promover o seu último romance, um escritor inglês de meia-idade trava conhecimento com uma negociante de arte francesa, a qual propõe-lhe um estranho divertimento: fingir que é o marido dela. Um jogo onde realidade e fantasia misturam-se de forma perigosa. O novo filme do cineasta iraniano mais aclamado da actualidade, protagonizado por Juliette Binoche (a "cara" do 63º Festival de Cannes).

    . AUTOREIJI / OUTRAGE, de Takeshi Kitano



    Tóquio está em chamas devido a uma luta mortal entre gangs Yakuza rivais, na qual se distingue Otomo, um operacional a quem é pedido que faça a maior parte do trabalho sujo nesta guerra urbana. O regresso do "multitasked" Takeshi Kitano às narrativas centradas na máfia japonesa desde o aclamado BROTHER (2000).

    . ANOTHER YEAR, de Mike Leigh



    Não obstante a pouca informação existente sobre este projecto, é garantido que se assistirá ao estilo de improvisação e realismo social que bem caracteriza a filmografia de Leigh, tal como ficou provado em NU (1993), SEGREDOS E MENTIRAS (1996, Palma de Ouro no Festival daquele ano) e VERA DRAKE (2004).

    . FAIR GAME, de Doug Liman



    A única presença norte-americana entre os filmes elegíveis à Palma de Ouro, debruça-se sobre a ex-agente da CIA Valerie Plame, cuja actividade no seio dos Serviços de Inteligência norte-americanos foi publicamente revelada em consequência de um crítico artigo no New York Times, sobre as opções políticas de George W. Bush no Iraque, publicado pelo seu próprio marido. O elenco é liderado por Naomi Watts e Sean Penn, naquele que será o título de teor mais mainstream em "concurso".

    . UTOMLYONNYE SOLNTSEM 2, de Nikita Mikhalkov



    Dezasseis anos após o sucesso de O SOL ENGANADOR, Mikhalkov reencarna a personagem Sergei Kotov, desta vez a liderar o seu exército na frente russa durante a Segunda Guerra Mundial. De assinalar o radical afastamento do drama íntimo patenteado no primeiro filme, visto trata-se de um épico bélico avaliado em 55 milhões de dólares — o mais caro de sempre na história do cinema russo.

    . LA PRINCESSE DE MONTPENSIER, de Bertrand Tavernier



    Depois da "aventura" americana que IN THE ELECTRIC MIST representou, Tavernier regressa ao seu país natal para filmar o conto publicado em 1662 por Madame de La Fayette, sobre o romance entre o Duque de Guise e a Mademoiselle Mézières, forçada a um casamento de conveniência com o Príncipe de Montpensier. Destaque para o elenco, onde figuram Mélanie Thierry, Gaspard Ulliel e Lambert Wilson.

    . UNCLE BOONMEE WHO CAN RECALL HIS PAST LIVES, de Apichatpong Weerasethakul



    Nas suas últimas horas de vida, Boonmee recebe a visita dos fantasmas de parentes há muito desaparecidos, que o obrigam a revisitar os episódios mais marcantes da sua juventude. Uma original abordagem às temáticas da efemeridade humana, o cineasta tailandês mais conceituado internacionalmente regressa a Cannes, após ter arrecadado o Grande Prémio do Júri, em 2004, com TROPICAL MALADY.

  • Un Certain Regard


  • . O ESTRANHO CASO DE ANGÉLICA, de Manoel de Oliveira



    Situado nos anos 50, narra a história de um fotógrafo hospedado num pequeno hotel e que é subitamente acordado durante a noite pelos proprietários, para que vá tirar uma foto à filha acabada de falecer. Aos 101 anos, Manoel de Oliveira estreia novo filme em Cannes, que há muito se rendeu ao mais decano dos cineastas internacionais.

    . FILM SOCIALISME, de Jean-Luc Godard



    Um cruzeiro atravessa o Mediterrâneo. A bordo, seguem um criminoso de guerra com a sua neta, um francês, um oficial russo, a embaixadora da Palestina, Alain Badiou e Patti Smith. A interacção entre estes "personagens" originará uma série de diálogos em diferentes idiomas e sobre diferentes temas. Assinado por vários cineastas, sob a supervisão de Godard, é um dos projectos cinematográficos mais aguardados de 2010.

    . CHATROOM, de Hideo Nakata



    Quando quatro adolescentes conhecem William numa sala de chat, são imediatamente atraídos pelo seu "cibernético carisma". Mas William não é o que aparenta: manipulador e calculista, enceta um aterrorizante jogo de perseguição que, em breve, sairá do mundo virtual para se converter numa ameaça bem real. Nakata, um dos "fundadores" do J-Horror, investe novamente no terror a partir de tecnologia quotidiana.

    . AURORA, de Cristi Puiu



    Um dos principais nomes da "nova vaga" de cineastas romenos regressa a Cannes depois de A MORTE DO SR. LAZARESCU (2005) ter arrecadado o prémio da Secção Un Certain Regard. O próprio Puiu protagoniza este drama sobre um homem com dois filhos, divorciado e que se demite do emprego para embarcar na mais radical mudança de vida.

  • Fora de Competição


  • . ROBIN HOOD, de Ridley Scott



    Nova incursão cinematográfica dedicada ao lendário herói das florestas de Nottingham, protagonizado por Russell Crowe e Cate Blanchett, tem honras de abertura do 63º Festival de Cannes.

    . YOU WILL MEET A TALL DARK STRANGER, de Woody Allen



    Romance, sexo, traição e também algumas gargalhadas. As vidas de um grupo de pessoas cujas paixões, ambições e ansiedades forçam-nas a enfrentar todo o género de problemas, que vão do burlesco ao ameaçador. A sinopse não engana: estamos perante puro Woody Allen...

    . TAMARA DREWE, de Stephen Frears



    Drewe é uma jovem e sexy jornalista que retorna à sua terra natal para impedir a venda da casa onde nasceu. Entre os locais, a sua chegada incitará novas e velhas paixões duvidosas. Adaptado da excêntrica banda desenhada de Posy Simmonds, a expectativa em torno deste filme tem sido enorme, sobretudo por ser realizado pelo veterano Frears (LIGAÇÕES PERIGOSAS, A RAINHA) e protagonizado por Gemma Arterton, a nova sex-symbol britânica.

    . WALL STREET — MONEY NEVER SLEEPS, de Oliver Stone



    Enquanto a economia mundial está à beira do abismo, um jovem corretor de Wall Street (Shia LaBeouf) une-se com o "ressuscitado" Gordon Gekko (Michael Douglas) para uma dupla missão: descobrir quem assassinou o mentor do jovem executivo e possibilitar que Gekko reconquiste a confiança da sua filha (Carey Mulligan). Oliver Stone volta a explorar os meandros do insider trading, numa obra que não poderia ser mais actual.

    N.B.: A lista detalhada dos filmes a exibir em Cannes pode ser consultada aqui.

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