domingo, junho 30, 2013

O Cinema dos Anos 2000: Spartan — O Rapto, de David Mamet




A velha máxima "nem tudo é o que parece" foi obviamente inventada para descrever o cinema de David Mamet. Na já extensa filmografia do dramaturgo norte-americano é fácil encontrar um tema recorrente: o bluff. Ao contrário do MacGuffin, um acessório narrativo para Alfred Hitchcock (talvez um pouco mais do que isso, o que não interessa discutir agora), o bluff é essencial para perceber a obra de Mamet, desde a estreia com JOGO FATAL (1987), que metia póquer, enganos e reviravoltas (a principal vítima dos truques de Mamet é o espectador), até às várias desconstruções de diferentes géneros cinematográficos: o filme de gangsters — AS COISAS MUDAM (1988); o policial — BRIGADA DE HOMICÍDIOS (1991); o heist movieO GOLPE (2001); o filme de artes marciais — REDBELT — CÓDIGO DE HONRA (2008). E este SPARTAN — O RAPTO, um estranhíssimo filme de acção (Mamet haveria de voltar à "acção" na série de televisão UNIDADE ESPECIAL).

SPARTAN — O RAPTO aparenta ser sobre a operação de resgate da filha do Presidente dos Estados Unidos, e esse é o motor da acção, mas o que realmente interessa a Mamet é a encenação que encontra em qualquer universo (aqui, o político e o militar), a encenação que o própria monta (não há cinema mais artificial). O protagonista (o inteligentíssimo Val Kilmer, um grande actor que se perdeu na década de 2000 em filmes cada vez menores e engordou numa inversa proporcionalidade, e é um match perfeito para o mametiano William H. Macy; melhor, que, neste filme, se descobre como um actor mametiano) é, quase ao mesmo tempo, criador e alvo do logro. O engano atinge sobretudo o espectador, que apenas numa sequência está a par da encenação, mas ao vislumbrar os seus mecanismos intui que por trás de tudo o que lhe é dado a ver estarão outros. Por isso, o final — o salvamento improvável — parece ainda mais risível. Um pouco como todos os finais na obra de David Mamet, este põe em causa o próprio filme, até porque para o espectador "acreditar" nele tem de fechar os olhos (suspender a descrença) a incongruências espectaculares (no sentido, de serem espectáculo em si mesmas).

Mas não há sinceridade em qualquer gesto de Mamet, a começar nos diálogos sincopados e repetitivos (o "Mamet speak"), passando pelas interpretações cabotinas (perfeitamente intencionais) e a acabar nas histórias rocambolescas e inverosímeis. Apenas a crença no cinema como jogo de espelhos, jogo de enganos, jogo puro.

por João Lameira (À Pala de Walsh e O Alvo Sentado).

Elenco
. Val Kilmer ("Bobby Scott"), Derek Luke (Curtis), Tia Texada (Sargento Jackie Black), Kristen Bell (Laura Newton), Johnny Messner (Grace), Ed O'Neill (Robert Burch), William H. Macy (Stoddard), Clark Gregg (Miller)


Sobre David Mamet

Dramaturgo e ensaísta, foi capaz de transportar para a Sétima Arte todo o estilo cáustico, pessimista e eloquente dos textos que produziu para os palcos. Autor dos argumentos de OS INTOCÁVEIS (1987, Brian De Palma), SUCESSO A QUALQUER PREÇO (1992, James Foley) e HOFFA — O PREÇO DO PODER (1992, Danny DeVito), foi capaz de variar nos géneros que abordou em Cinema — JOGO FATAL (1987), BRIGADA DE HOMICÍDIOS (1991), STATE AND MAIN (2001) e O GOLPE (2001) — mantendo sempre a mesma eficácia dramática.



sábado, junho 29, 2013

O Cinema dos Anos 2000: Dogville, de Lars von Trier




Depois de ONDAS DE PAIXÃO (1996) e DANCER IN THE DARK (2000), eis que o génio de Lars von Trier surge em alta mais uma vez em DOGVILLE. Ancorado por mais uma magnífica interpretação de Nicole Kidman na sua fase mais áurea — tendo mesmo viajado para a Dinamarca no dia seguinte a receber o Óscar — DOGVILLE rouba inspiração a Brecht e a Wilder para criar uma fábula contra a americanização e, mais que isso, uma alegoria interessante sobre a crueldade e egoísmo da condição humana.

Von Trier reinvigora as suas temáticas habituais de opressão e realismo com uma radical abordagem à história, inventando um cenário despido, com as paredes das casas da pequena aldeia onde a narrativa decorre simplesmente desenhadas a giz. Este efeito de alienação, foi amplamente discutido e aplicado por Brecht no seu teatro por obrigar o espectador a focar-se nos temas e ideias em discussão ao invés dos cenários ou do ambiente. A crítica está lá, como sempre, acutilante, agressiva e ousada, bem ao estilo do provocateur dinamarquês. John Hurt, que narra o conto, apresenta-nos Grace (Kidman) que ao fugir das autoridades dá de caras com a pequena aldeia de Dogville, nas Rocky Mountains, nos anos 30. Quando os cidadãos da isolada e retrógada pequena comunidade não a recebem da forma mais calorosa, Tom (Bettany), filósofo e filho do médico da aldeia, vê-se obrigado a interceder por ela, pedindo que lhe seja dado abrigo e uma oportunidade. Grace, buscando ardentemente a aprovação dos seus pares, sujeita-se ao seu escárnio, discriminação e escravidão, ganhando esforçadamente o afecto e admiração de todos ao longo do tempo perdendo a sua identidade e personalidade até se tornar definitivamente um deles. Mal sabia ela que quando dados do seu passado se revelassem a tortura e opressão aumentaria e aquela pequena e dócil comunidade revelaria a sua real personalidade. Desde o mais mesquinho ao idealista Tom, cada um assume as suas cores verdadeiras e todos, da sua forma, condescendem e maltratam Grace.

DOGVILLE nem sempre consegue executar as ideias e ambições a que von Trier se propõe. Nem sempre o seu conceito resulta na prática e partes do filme parecem esforçar-se para encaixar e muito depende da capacidade que o espectador tenha para analisar criticamente e absorver o que está a ser exposto em ecrã. Não deixa nunca de ser uma obra viva, elegante, experimental e incrivelmente original. A exposição do dinamarquês sobre a injustiça que reina na sociedade contemporânea, violenta, desumana, fechada e antipática, em que muitas vezes julgamos os outros pela sua aparência e não damos oportunidade a quem é diferente de nós, é pertinente, actual e justificada. O seu voraz apetite para introduzir missivas contra os americanos, apesar de desnecessário, não retira valor ao resultado final do filme. Desafiador e profundo, DOGVILLE deve ser comemorado, porque além de uma obra-prima singular, de cunho indelével do cineasta dinamarquês, procura algo mais: fazer o espectador pensar criticamente, para variar.

por Jorge Rodrigues (Dial P For Popcorn).

Elenco
. Nicole Kidman (Grace Margaret Mulligan), Paul Bettany (Tom Edison, Jr.), John Hurt (Narrador), Lauren Bacall (Ma Ginger), Chloë Sevigny (Liz Henson), Stellan Skarsgård (Chuck), Udo Kier (Homem de casaco), Ben Gazzara (Jack McCay), James Caan (The Big Man), Patricia Clarkson (Vera)


Palmarés
. Prémios da Academia Europeia: Melhor Realizador (Lars von Trier), Melhor Fotografia (Anthony Dod Mantle)


Sobre Lars von Trier

Depressivo, controverso e literalmente considerado como persona non grata pelo Festival de Cannes, é conhecido como um dos principais impulsionadores do Dogma 95 — colectivo avant-garde de realizadores baseado em valores narrativos, representativos e temáticos tradicionais — e a sua obra está preenchida por uma abordagem variada e iconoclasta a ambientes opressivos e pessimistas, onde a Humanidade é, invariavelmente, a causa de todos os males. Da sua filmografia, realce para O ELEMENTO DO CRIME (1984), EUROPA (1991), ONDAS DE PAIXÃO (1996), DANCER IN THE DARK (2000, Palma de Ouro em Cannes) e ANTICRISTO (2009).



domingo, junho 23, 2013

O Cinema dos Anos 2000: Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera, de Kim Ki-Duk




Ninguém fica imune ao poder das estações e ao seu ciclo anual de nascimento, crescimento e envelhecimento. Nem mesmo dois monges, como os presentes em PRIMAVERA, VERÃO, OUTONO, INVERNO... E PRIMAVERA, que partilham um remoto mosteiro flutuante, num lago rodeado pelas montanhas. À medida que as estações se sucedem, todos os aspectos das suas vidas são preenchidos com uma intensidade que os conduz a uma enorme espiritualidade — e à tragédia. Porque também eles não conseguem resistir à escalada da vida, aos anseios, sofrimentos e às paixões que nos arrebatam a todos.

O filme narra a jornada de um jovem monge de 10 anos, cujo nome permanecerá incógnito, desde a sua infância até à maturidade. Sob o olhar atento do Velho Monge, o jovem experimenta a perda da inocência por intermédio de um encadeado de acontecimentos dispostos da mesma forma episódica como a divisão temporal do título: brincadeiras que se transformam em crueldade; o despertar do amor quando uma mulher entra neste mundo fechado; o poder assassino do ciúme e da obsessão; o preço da redenção; e a iluminação da experiência. Assim como as estações continuam a alternar até ao final dos tempos, também este mosteiro permanecerá como a morada do espírito do protagonista, suspenso entre o agora e o eterno.

O cinema de Kim-Ki Duk notabilizou-se pela natureza visceral, chocante e agitada de obras como O BORDEL DO LAGO (2000) e HWAL (2005). Pelo contrário, PRIMAVERA, VERÃO, OUTONO, INVERNO... E PRIMAVERA afirma a vertente delicada e "mundana" do seu realizador, que aqui utiliza a mudança das estações como uma metáfora para a vida. E se essa não se revela como uma abordagem original, a concretização é de uma beleza particularmente invulgar, destinada a amplificar emocionalmente a história e respectiva profundidade espiritual.

Num filme que levanta questões sobre a forma como vivemos, e como as nossas acções e as da natureza podem ter consequências inesperadas anos mais tarde, PRIMAVERA, VERÃO, OUTONO, INVERNO... E PRIMAVERA restaura a esperança de que o mundo possa enfrentar os seus problemas e retirar ilações para o futuro.

por Samuel Andrade.

Elenco
. Su Oh-yeong (Velho monge), Kim Ki-duk (Monge adulto), Kim Young-min (Monge jovem adulto), Seo Jae-kyeong (Monge jovem), Ha Yeo-jin (Rapariga), Kim Jong-ho (Monge em criança)


Palmarés
. Festival Internacional de Locarno: Prémio do Júri da Juventude (Kim Ki-Duk), Prémio C.I.C.A.E. (Kim Ki-Duk), Prémio Don Quixote (Kim Ki-Duk), Prémio Netpac (Kim Ki-Duk)
. Festival Internacional de San Sebastián: Prémio do Público (Kim Ki-Duk)


Sobre Kim Ki-Duk

Cineasta orgulhoso do seu estatuto, a nível mundial, de autor outsider, tal condição tem-lhe permitido explanar, idiossincraticamente, a sua visão pessimista, brutal e confrangedora da Humanidade. Da sua filmografia, destacam-se O BORDEL DO LAGO (2000), BAD GUY (2001), SAMARITANA (2004), FERRO 3 (2004) e PIETA (2012, Leão de Ouro no Festival de Veneza).



quarta-feira, junho 12, 2013

Jukebox #37

(«Jukebox»: boa música e os videoclips mais criativos do ponto de vista cinematográfico).

. David Lynch & Lykke Li, «I'm Waiting Here»



David Lynch "regressa" a ESTRADA PERDIDA por intermédio do primeiro single para 'The Big Dream', o seu novo álbum a solo.

Concebido pela própria Lykke Li e Daniel Erasure, «I'm Waiting Here» não esconde a inspiração que bebe às ambiências noir de David Lynch, e o universo melancólico da vocalista sueca parece ter encontrado um perfeito complemento visual:



terça-feira, junho 11, 2013

O Cinema dos Anos 2000: Elefante, de Gus Van Sant




Dia mais infame e justiceiro nunca vi, rumoreja o rapaz, para si mesmo ou, hipótese que nos parecerá mais certeira, para o mundo. Encontramo-nos num belo e outonal dia de escola, que não se poderia assemelhar mais a todos os outros, mas que, por motivos cuja razão ainda nos é transcendente, terminará de uma forma particularmente diferente.

Van Sant consolidou, com esta película aplaudida e premiada por Cannes com a cobiçada Palma de Ouro e o prémio de melhor realizador, o seu estilo de filmagem único e memorável. Apesar de serem enormes as comparações que podemos estabelecer com a curta-metragem homónima de Alan Clarke em 1989 (cuja aconselhável visualização pode ser feita nas opções especiais do DVD), existem alguns elementos próprios de Gus, dos quais passo a nomear quatro. O primeiro, que é o mais saliente, é, claramente, a sua capacidade excepcional de encontrar beleza, estudar e "espiar" as suas personagens pelas costas, como se não as conhecesse, como se os nossos olhos estivessem realmente naquele estabelecimento público e assumissem a visão de um aluno que deambulava, vagarosa mas intensamente, pelos seus incontáveis corredores. Mas que mais poderá sugerir esta decisão de vermos, por detrás, estes humanos que nos são sempre desconhecidos? Talvez nos sirva de uma metáfora visual, que aponta o dedo para a terrível conformidade, indisciplina e revolta de que vivem os alunos (ainda que pensem estar em plena personalidade, se quisermos usar o termo específico da filosofia que Kant nos deixou), ou para a sua desconsideração dos olhares que lhes são alheios (os nossos, portanto) ou, ainda, para a sua procura infinita da sua verdadeira e escondida identidade (referência possível a René Magritte?). A segunda "marca de autor" que é amplamente visível é o gosto pelos longos takes que tem o cineasta, assim como a preocupação de não contar a história com um tempo linear, percorrendo assim, de forma um tanto surreal, a escola com uma poética e impressionista steadycam que nos permite ter uma visão integral do mundo onde as formigas vivem, sem notarem a nossa presença. Em terceiro lugar temos, também característico do estilo van santiano, a filmagem notória do realizador em 180º, cujo possível significado alegórico já foi, por mim, pressuposto na crítica que escrevi de MILK. E, por último, mas certamente não menos curioso, é a forma como o realizador decide fazer dos actores elementos estruturais do processo criativo de como é avançada a obra, pela improvisação de falas e acções, através de um subtexto previamente fornecido.

O realizador dá, então, um significado diferente ao termo "narrativa" e, ainda assim, consegue, ao debruçar-se sobre temas tão banais como a sexualidade, o bullying, o preconceito, as minorias sociais e as desordens alimentares na juventude, construir um universo onde o absurdo é engrandecido para que, ao vermos as coisas num plano externo e superficial, nos apercebamos da incoerência própria da nossa sociedade. E, apesar deste inegável realismo de que é característica a fita, podemos encontrar indícios simbólicos e trágicos ao longo da “história” que nos é contada — nos planos do céu em fast forward, no uso dos sons da natureza como eufemismo directo da realidade, ou das próprias Für Elise e Moonlight Sonata de Beethoven (ligação directa a LARANJA MECÂNICA, de Kubrick, realizador preferido de Van Sant?). O som e a fotografia, são, portanto, dois factores cinematográficos enaltecidos para a modelação do universo "elephantiano". Ao vaguearmos atrás daqueles humanos sentimos que tudo parece difundir-se no ar em redor deles — os sons nítidos e típicos de um ambiente escolar (risos, conversas e afins) sofrem uma metamorfose quase alienígena e convertem-se em ruídos imperceptíveis à nossa inteligência, tal como conseguimos ver que, progressivamente, o mundo físico começa a perder cor e a sofrer um grandioso desfoque à medida que as personagens se iam perdendo nos seus pensamentos. Destaca-se, dessa forma, o magnífico esforço tido pelo cinematógrafo Harris Savides.

Na segunda metade do pequeno filme entramos na mais sufocante e brutal fase — a do massacre. A cada disparo que ouvimos dentro daqueles sombrios corredores, somos atingidos com a terrível apreensão da singularidade de uma só vida, algo que constante e diariamente é desvalorizado pela sua infinda banalização feita pela comunicação social, pelos videojogos, pela literatura, música ou, como não podia também deixar de ser, pelo próprio cinema. Em jeito de breve referência, o massacre ocorrido recentemente numa escola secundária na Alemanha gerou um grande debate relacionado com a adolescência e o respectivo papel da escola. Ainda assim, onde se homenageavam as vítimas chegavam-se a ver escritas questões simples como "warum?". Porquê? Por que desceu alguém tão baixo ao ponto de, a sangue frio e aleatoriamente, retirar as vidas que pulsavam em distintos anónimos? ELEFANTE, simplesmente, pretende manter-se na sua suposta ignorância e não responder, pelo menos de forma directa, a esta questão, nem a qualquer de outro tipo que interroguem, por exemplo, as motivações do massacre de Columbine em 1999. Contudo, várias são as cenas em que podemos lançar especulações que expliquem os comportamentos dos dois assassinos: lembremo-nos, por exemplo, de uma cena belíssima onde Alex se encontra na cantina escolar, de cabeça escondida e mãos postas na nuca, rodeado por centenas de alunos a almoçar, apavorado pela imensidão daquele som abafador que nos é progressivamente aumentado, sugerindo-nos, talvez, o completo delírio mental por que passava a personagem ou, possibilidade merecedora de reflexão pessoal, a sua completa lucidez...

Por outro lado, o filme não é niilista e não se limita a oferecer um morticínio gratuito — muito pelo contrário. Escondido na aparente barbaridade e crueza com que os assassinatos nos são sequencialmente exibidos está uma sensibilidade única que só Van Sant e poucos demais conseguiriam atingir. Mais explícita está ela quando começamos a estudar as emoções dos personagens nestes casos limite: enfrentando o medo, quebram-se as fronteiras invisíveis que nos separam, e a máscara das aparências que nos esconde é retirada. Sobe-se, verdadeiramente, à condição de humano. E a questão orgânica é inevitável: será que é necessário chegar-se a este ponto para que mudemos de mentalidades, acções, e políticas? É por trazer ao sol tantas questões que o final da película é quase perfeito. Quem ditará o seu verdadeiro fim: o último tiro? Ou a mudança social que, embora possível, não se fez até o momento?

ELEFANTE é uma sublime e inesquecível obra-prima dos tempos modernos, e que é, mais do que uma chamada de atenção para o estado preocupante da nossa educação, um refulgente e melancólico ensaio sobre a vida e a morte, sobre a violência e sobre a puberdade, espelhada tão magnificamente numa escola de qualquer género, de que a sociedade contemporânea insiste em não sair.

por Flávio Gonçalves (O Sétimo Continentetexto originalmente publicado a 04 de Agosto de 2009, revisto a 18 de Abril de 2010).

Elenco
. Alex Frost (Alex), Eric Deulen (Eric), John Robinson (John McFarland), Timothy Bottoms (Mr. McFarland), Matt Malloy (Mr. Luce), Elias McConnell (Elias), Nathan Tyson (Nathan), Carrie Finklea (Carrie), Kristen Hicks (Michelle)


Palmarés
. Festival de Cannes: Palma de Ouro, Melhor Realizador (Gus Van Sant), Prémio do Ministério da Educação de França (Gus Van Sant)
. Círculo de Crítica de Nova Iorque: Melhor Fotografia (Harris Savides)


Sobre Gus Van Sant

Num dos processos de constante reinvenção artística mais interessantes da actualidade, Van Sant tem explorado temas como marginalidade sócio-cultural e ambiguidade sexual através de outsiders como protagonistas e uma carreira que oscila entre cinema independente e o filme comercial. A CAMINHO DE IDAHO (1991), TO DIE FOR — DISPOSTA A TUDO (1995), O BOM REBELDE (1997), PARANOID PARK (2007) e MILK (2008) são as obras mais marcantes da sua filmografia.



segunda-feira, junho 10, 2013

O Cinema dos Anos 2000: O Grande Peixe, de Tim Burton




É delicioso quando a fantasia ganha uma subtileza que nos faz acreditar nela como uma realidade possível. O GRANDE PEIXE — baseado na obra Big Fish: A Novel of Mythic Proportions, de Daniel Wallace, o próprio com uma pequena participação no filme — deixa-nos com esta sensação, e faz-nos ir muito mais além, sem questionar nada do que nos é contado, num dos títulos menos góticos ou extravagantes de Tim Burton, mas, ainda assim, recheado da sua personalidade enquanto realizador.

Ed Bloom (Ewan McGregor/Albert Finney) é um homem de imaginação delirante, um contador de histórias incapaz de as distinguir da realidade. A relação com o seu filho Will, de quem vive afastado há vários anos, não é a melhor. Quando a saúde de Ed fica debilitada, Will é aconselhado pela mãe tentar reaproximar-se do pai, e aí vai experimentar a necessidade de identificar, nas histórias que ouve, a distância entre o que foi realmente a sua vida e o que lhe acrescenta a sua imaginação.

As emocionantes interpretação de Ewan McGregor — o jovem Ed — e de Albert Finney — o Ed idoso — fazem-nos mergulhar na imaginação, e mostram-nos como é fundamental acreditar nela, para que a realidade possa ser menos dura.

À cor, fantasia e paixão, juntam-se um simpático gigante, um circo, uma floresta obscura e cheia de segredos, um poeta muito peculiar, duas irmãs gémeas, e muitas histórias para contar. Resta-nos deixar que Ed nos guie pelas suas aventuras, e cabe-nos a nós, no fim, construir a sua verdadeira história — ou, por que não, aceitarmos a vida que Ed criou. E é essa a lição que ele nos ensina (à plateia e ao seu próprio filho): o destino, seja qual for, é decido por nós.

por Inês Moreira Santos (Hoje Vi(vi) Um Filme, editora de cinema do Espalha-Factos).

Elenco
. Albert Finney (Edward Bloom idoso), Ewan McGregor (Edward jovem), Jessica Lange (Sandra K. Bloom idosa), Alison Lohman (Sandra jovem), Billy Crudup (William 'Will' Bloom), Marion Cotillard (Joséphine Bloom), Helena Bonham Carter (Jennifer Hill / Bruxa), Robert Guillaume (Dr. Bennett), Matthew McGrory (Karl, o Gigante), Danny DeVito (Amos Calloway)


Sobre Tim Burton

Célebre por uma abordagem, simultaneamente mainstream e autoral, de cariz sombrio, gótico, macabro e enternecedor aos géneros do terror e fantasia, é um dos realizadores mais imaginativos e peculiares a trabalhar actualmente em Hollywood. Da sua filmografia, destacam-se FRANKENWEENIE (1984), BATMAN (1989), EDUARDO MÃOS-DE-TESOURA (1990), ED WOOD (1994), A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA (1999) e SWEENEY TODD — O TERRÍVEL BARBEIRO DE FLEET STREET (2007).



domingo, junho 09, 2013

Hollywood Buzz #206

O que se diz lá fora sobre MUCH ADO ABOUT NOTHING, de Joss Whedon:



«From its very first scenes, Mr. Whedon’s film crackles with a busy, slightly wayward energy that recalls the classic romantic sparring of the studio era.»
A.O. Scott, The New York Times.

«More than most adaptations, this is a film true to Shakespeare's practice of employing all means at hand to keep the crowd entertained.»
John DeFore, The Hollywood Reporter.

«The film isn't as fast and funny as it could be, although Nathan Fillion's easily offended constable injects some sorely needed comic relief.»
Chris Nashawaty, Entertainment Weekly.

«Call it a Shakespearean catharsis or just call it a lark - either way, the movie represents Whedon's least essential work, regardless of the material's inherent comedic inspiration.»
Eric Kohn, indieWIRE.

«Homemade as it clearly is, and first-drafty as it often feels, Whedon’s MUCH ADO will reward repeat viewings, for the adroitly paced dialogue, the debauched humor of the extended party scenes and the offbeat visual jokes.»
Andrew O'Hehir, Salon.com.

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