quinta-feira, julho 26, 2007

Um Trunfo na Manga (2007), de Joe Carnahan



Aguardado com grande antecipação, este UM TRUNFO NA MANGA acaba por se revelar uma semi-desilusão. Após a revelação de Carnahan em NARC (2002), um pequeno filme pleno de signigicado e integridade, o realizador norte-americano teve aqui a oportunidade de fixar definitivamente o seu talento no panorama cinematográfico. De facto, essa pretensão está bem explícita em toda a duração de UM TRUNFO NA MANGA, no qual se procurou fazer mais, melhor e de modo estrondoso. No final, apenas se poderá equacionar o "mais" e o "estrondoso".

Quando Buddy 'Aces' Israel (Jeremy Piven), ilusionista e gangster de Las Vegas, decide denunciar, ao FBI, toda a organização criminosa em que se encontrava envolvido, a Mafia não hesita muito na oferta de uma recompensa, no valor de um milhão de dólares, pelo coração (sim, é este o termo certo) do delator. Rapidamente, uma "convenção" de criminosos e mercenários dirigem-se para o esconderijo de Israel (uma penthouse localizada num hotel em Tahoe), instigando uma autêntica corrida, por parte da polícia, em defender a preciosa testemunha. O banho de sangue torna-se, assim, inevitável...



A principal sensação com que se fica, após visualizar UM TRUNFO NA MANGA, é de que as várias sequências de acção, embora bem concebidas, nunca conseguem transmitir à película o conceito de unidade. Por vezes, sugere-se que cada cena foi pensada individualmente antes de se ter composto o guião.

Por isso, a alternância estética entre longas exposições de diálogo vs. acção vertiginosa e imprevísivel, já experimentada e com bons resultados, não representa um fio condutor eficaz para UM TRUNFO NA MANGA. Para além disso, temos ainda o inúmero rol de personagens que desaparecem — ou seja, morrem — sem que se tenha compreendido totalmente qual a sua função e/ou pertinência na história (o exemplo de Ben Affleck é sintomático desta constatação) e o desfecho ambíguo, "desesperado" por conseguir atar todas as pontas soltas, revela-se tudo menos satisfatório.



No entanto, é possível observar Jeremy Piven numa over-the-top performance, bem longe da personagem-tipo a que nos habituou; notar que Ryan Reynolds até tem alguma presença enquanto protagonista de um filme de acção; ou, ainda, constatar que Alicia Keys não só tem talento como também é senhora de uma sexualidade que muito andava resguardada.

O pior de tudo? Apesar de ficarmos com incertezas relativas a um ou outro pormenor, o filme não nos suscita, no fim, o desejo de revê-lo...

1 comentário:

brain-mixer disse...

"o filme não nos suscita, no fim, o desejo de revê-lo..." É bem verdade. Ao contrário de Snatch por exemplo, que acho cada vez mais piada.