segunda-feira, agosto 20, 2007

À Prova de Morte (2007), de Quentin Tarantino



Assistir À PROVA DE MORTE em versão extendida, planeada exclusivamente para exibição na Europa (plena no desfile de personagens sui generis e de planos-sequência repletos da habitual verborreia de Tarantino), faz-nos esquecer que este filme é parte integrante do projecto chamado GRINDHOUSE, uma homenagem a um certo tipo de cinema dos anos 70, que abusava do sexo e da violência como motor do argumento, projectados em salas criadas especificamente criadas para o género (as tais "grindhouses") e, normalmente, em sessões duplas nocturnas. Assim, para além deste À PROVA DE MORTE, ainda se poderia visualizar PLANET TERROR, um delírio zombie de Robert Rodriguez — contudo, os dois filmes não passam em conjunto no nosso continente.

Não escondo que andava a ansiar pela estreia de GRINDHOUSE em Portugal; todavia e por enquanto, só nos é dado a ver o segmento à responsabilidade de Tarantino. E esta primeira espreitadela a GRINDHOUSE é, por si só, uma das principais regalias cinematográficas de 2007 e o evento de maior destaque na presente "silly season".



A história de um temível duplo de cinema reformado, munido de um automóvel «à prova de morte» e com uma propensão pouco saudável para perseguir jovens mulheres em viagem pela América profunda, e impulsionado por um inexplicável desejo de as assassinar da forma mais grotesca possível, não augura momentos descontraídos de Cinema. Mas, para além da nostalgia patenteada em toda a duração do filme, o divertimento é garantido...

Ver Kurt Russell no regresso aos papéis radicais e duros, que o actor celebrizou com a sua criação de Snake Plissken [de FUGA EM NOVA IORQUE (1981)], é apenas um dos prazeres desta delirante comédia de suspense. A somar este facto, encontramos uma das melhores bandas sonoras do ano (ex-libris do cineasta), um excelente grupo de oito sexy actrizes, as incontornáveis referências à história do Cinema (e da própria filmografia de Tarantino) e, para terminar, aquela magnífica perseguição automóvel que encerra À PROVA DE MORTE, tão fenomenal que o seu desenlace tem o poder de subverter toda e qualquer convicção que podíamos ter acerca das personagens. Atrever-me-ei a dizer que está encontrado o melhor «The End» de um filme estreado em 2007? Explicar mais seria estragar o final arrebatador e hilariante que À PROVA DE MORTE proporciona.



Conforme referido anteriormente, a versão do filme que foi exibida entre nós possui mais material que a projectada nos EUA (aliás, foi a que passou no último Festival de Cannes), uma medida que acaba por se revelar feliz - vista a polémica que se criou por GRINDHOUSE, no seu conceito original, não conhecer estreia europeia — como também permite avaliar a fluidez dos mecanismos narrativos de Quentin Tarantino, cineasta com acentuado cunho de autor, capaz de formular uma obra a abarrotar de "piscadelas de olho" a outros géneros e torná-la em algo totalmente original.

Por fim, só resta aguardar pela estreia de PLANET TERROR, e alimentar a esperança que a mesma será feita nos moldes da versão que assisti de À PROVA DE MORTE e, claro está, à provável edição especial em DVD de GRINDHOUSE... na íntegra.

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