quarta-feira, dezembro 24, 2008

2008: As Decepções

Depois da anterior publicação dos melhores filmes de 2008, de acordo com o Keyzer Soze's Place, é chegado o momento de dar "espaço" aos títulos que constituíram o menos positivo do ano.

Uma ou outra escolha poderá ser, aos vossos olhos, polémica, mas estou sempre disponível para acolher opiniões.


SPEED RACER


Quatro filmes depois (BOUND - SEM LIMITES e a trilogia MATRIX) e com a decente produção de V DE VINGANÇA, é (ainda?) impossível definir o calibre dos irmãos Wachowski enquanto cineastas. SPEED RACER contribui, decisivamente, para esta dúvida. Argumento sem rumo, personagens unidimensionais e cores berrantes a explodir no ecrã não são sinónimo de cinema de entretenimento - e nem o claro desejo de o promover junto de públicos mais jovens salva este "desastre digital".


JUMPER


Apesar da sua auspiciosa premissa, JUMPER torna-se rapidamente numa obra cansativa. O «efeito-fascínio» com que nos é apresentada a capacidade do protagonista em mudar, espacial e temporalmente, a sua localização dura pouco menos de meia hora, e recordo-me perfeitamente de desejar que o filme "saltasse" para os créditos finais com a mesma rapidez. O meu desabafo não fica por aqui: Hayden Christensen prova que tem muito a melhorar enquanto aspirante a protagonista de actioners e Samuel L. Jackson necessita de maior ponderação nas suas escolhas.


PONTO DE MIRA


Promovido com a chancela de conceber o Efeito Rashomon mais radical e excitante do ano, PONTO DE MIRA sofre, infelizmente, de um argumento pouco inspirado, inverosímil e com imensos buracos "por tapar". O seu talentoso elenco é esforçado na tentativa de imprimir alguma coerência, mas nem assim se consegue evitar a tragédia. E não me refiro à retratada na película, mas sim à do filme inteiro.


MICHAEL CLAYTON - UMA QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA


Exceptuando o fantástico desempenho de Tom Wilkinson (sobretudo o virtuosismo daquele seu monólogo no início do filme), este thriller corporativo nunca consegue atingir um patamar qualitativo idêntico, resvalando numa série de sequências pouco entusiasmantes e personagens sem carisma, tornando este MICHAEL CLAYTON num dos filmes mais sobrevalorizados do ano. Quanto ao Óscar atribuído a Tilda Swinton, ainda hoje cismo sobre como tal foi possível...


MY BLUEBERRY NIGHTS - O SABOR DO AMOR


Wong Kar-Wai (realizador dos fascinantes CHUNGKING EXPRESS e 2046) prova que nem sempre acerta. A sua estreia numa produção norte-americana não foi das melhores, e fico à espera da sua breve remissão. Desde os seus tremendos erros de casting, sendo o caso de Norah Jones o mais flagrante, até à indecisão do tom a dar ao filme, MY BLUEBERRY NIGHTS constitui uma experiência de imediato esquecimento.

2 comentários:

The movie_man disse...

Quanto a Speed Racer, pouco posso dizer, já que não vi o filme. O que posso afirmar, no entanto, é que quando vi o primeiro trailer, comecei a pensar que os Irmãos Wachowski iriam ter um belo dum fracasso nas mãos, em todos os níveis. Apesar de não ter visto o filme, os excertos e trailers (e material promocional) conseguiram afastar-me cada vez mais deste projecto, quando o objectivo é exactamente o oposto.

Jumper, esse sim, já vi, e tenho de concordar. Apesar da premissa promissora, Doug Liman meteu os pés pelas mãos e criou um filme sem inspiração. E Hayden Christensen não tem muita estaleta para protagonizar um filme assim.

Ponto de kira, não o colocaria nos piores do ano, mas é verdade que o filme acaba por ser fraco e irracional, apesar de tentar ser o oposto. É pena que um elenco destes tenha sido desperdiçado desta forma. Mesmo assim, ainda consegui apreciar um pouco o filme.

Quanto a Michael Clayton, é a minha discordância. É verdade, Tom Wilkinson tem um excelente desempenho e o seu monólogo inicial está fantástico. Quanto ao resto do filme, achei um excelente thriller, do género de thriller dos anos 70, como Os Homens do Presidente e Os Seis Dias do Condor. George Clooney tem uma excelente interpretação e Tony Gilroy desenvolveu um inteligente argumento. Enfim, o filme é isso mesmo: um filme de argumentista. Quanto ao Óscar atribuído a Tilda Swinton, apesar da excelente interpretação que teve, penso que houve quem merecia mais.

Já My Blueberry Nights, não me posso expressar pois não vi o filme. Ouvi realmente dizer que é uma obra bastante inferior de Wong Kar Way e que deixa muito a desejar.

Cumprimentos cinéfilos.

Anónimo disse...

Estamos de acordo em relação aos 3 primeiros. Mas em relação aos últimos dois, curiosamente, estão nos meus preferidos do ano...

Cumprimentos cinéfilos