sábado, março 07, 2009

WATCHMEN — OS GUARDIÕES (2008), de Zack Snyder



Por não conhecer profundamente o universo da graphic novel assinada por Alan Moore e Dave Gibbons — confesso que aprendi mais sobre ele nos últimos meses do que em toda a minha vida —, a minha visualização de WATCHMEN — OS GUARDIÕES teve de ficar condicionada, intrinsecamente, à sua qualidade cinematográfica. E não restem dúvidas que, não obstante a sua origem literária, o filme possui características únicas que o irão distinguir de todo o panorama recente, não só no âmbito das adaptações BD ao Cinema como da própria ficção-científica.

A principal conclusão é que, à semelhança da graphic novel, WATCHMEN — OS GUARDIÕES tem tudo para se tornar objecto de culto junto de quem é fã deste universo e respectivo conjunto de personagens. A descrição de um 1985 alternativo, no qual Richard Nixon ainda ocupa a Casa Branca, a guerra do Vietname foi ganha pelos norte-americanos e onde os super-heróis, apesar de "ilegalizados", são uma realidade, é transposta para o grande ecrã com uma fidelidade quase cerimoniosa à história original. Existem alturas em que os templates da graphic novel são inteiramente reproduzidos e o argumento é (quase) totalmente decalcado do texto de Alan Moore.



E é nesta percepção que encontramos o "erro" fundamental de WATCHMEN o filme: ao ser promovido como um blockbuster, irá deixar muitos espectadores desapontados ou, na pior das hipóteses, alienados ao desenrolar dos acontecimentos e à compreensão das motivações temáticas que levaram à concepção de WATCHMEN a graphic novel. Para além disso, Zack Snyder não resiste à tentação de aplicar o virtuosismo estético que já representa a sua «imagem de marca»: sequências — sobretudo, as de acção — apresentadas em slow motion. Enquanto que em 300, o seu filme anterior, tal opção não interferia negativamente e até "caía" bem naquele universo específico, em WATCHMEN — OS GUARDIÕES possui mais o condão de distracção. Note-se, por exemplo, uma das cenas finais, em que importantes revelações são pautadas por intermináveis confrontos físicos retratadas neste estilo.

Apesar destes "percalços", é um filme a não perder. De preferência, numa sala de projecção. A composição visual e edição sonora são de primeira linha, em que se destacam o genérico (ao som de The Times They Are A'Changin' por Bob Dylan) e a fantástica transposição de um sonho do personagem Dan Dreiberg/Nite Owl. Referência obrigatória para duas interpretações: Jackie Earle Haley (Walter Kovacs/Rorschach), o principal narrador de WATCHMEN — OS GUARDIÕES, e Jeffrey Dean Morgan, que como Edward Blake / The Comedian imprime uma marca indelével de cada vez que surge no ecrã.

4 comentários:

Simão disse...

Talvez o meu conhecimento da obra (ou falta dele, melhor dizendo) não me deixe compreender o filme na sua totalidade.

Mas quando falas das cenas em slow-motion, particularmente no final, a minha opinião é algo contrário à tua. Não me querendo alongar, penso que se enquadra bem naquilo que o filme tem sido até então. Talvez quebre um pouco do impacto do discurso mas cimenta as divergências entre os vários personagens, não só a nível físico mas também ideológico. São diferentes maneiras de olhar para o filme, obviamente.

Gostei do texto, no geral.

Abraço

Fifeco disse...

Creio que, sucintamente, estou de acordo com tudo o que escreves. A questão do slow não me incomodou assim tanto mas percebo que não se goste (a parte em que the comedian foi empurrado pela janela é muito boa). O filme apresenta momentos muito bons de facto e é uma das melhores adaptaçõe de BD que já vi. Queria ainda destacar a prestação de Billy Curdrup que apresenta um retrato muito fiel ao Doc da comic.

Abraço

Fifeco disse...

Creio que, sucintamente, estou de acordo com tudo o que escreves. A questão do slow não me incomodou assim tanto mas percebo que não se goste (a parte em que the comedian foi empurrado pela janela é muito boa). O filme apresenta momentos muito bons de facto e é uma das melhores adaptaçõe de BD que já vi. Queria ainda destacar a prestação de Billy Curdrup que apresenta um retrato muito fiel ao Doc da comic.

Abraço

Fernanda Davidoff disse...

Olá,Sam! Eu nunca li a história em quadrinhos, mas gostei muito do filme, não sei como é o final original, mas esse fez muito sentido pra mim.

Até fiz um post sobre Watchmen em meu blog enfocando mais o aspecto psicológico dos personagens, o que é mais a minha cara e ponto alto da história na minha opinião.

Parabéns pelo blog!

Abraço!