quarta-feira, março 25, 2009

WONDERFUL DAYS (2003), de Moon-saeng Kim



Em alguns posters de promoção internacional, aquando da sua distribuição internacional, referia-se que GHOST IN THE SHELL (1995) era o filme que James Cameron realizaria se a Disney o permitisse. Numa linha semelhante de comparação, afirmo que WONDERFUL DAYS seria o filme que Ridley Scott assinaria se o Estúdio Ghibli o financiasse. O que o cineasta alcançou em BLADE RUNNER - PERIGO IMINENTE (1982) está devidamente homenageado nesta obra: 90% de esforço na criação de ambiências e restante percentagem dedicada à coerência da narrativa.

Um facto não se pode negar: WONDERFUL DAYS é, até ao momento, o exemplo mais nobre de animação produzida na Coreia do Sul, cuja excelência gráfica ainda não foi ultrapassada e plenamente capaz de rivalizar com a qualidade dos melhores anime concebidos na Terra do Sol Nascente.



No ano de 2142, uma catástrofe de origem humana tornou a Terra quase inabitável. Neste panorama, dois grupos coexistem: a elite burguesa da cidade Ecoban que vive protegida da poluição constante do planeta e um grupo social denominado de Marr, que superam em número a população de Ecoban mas totalmente expostos à toxicidade e vivendo nas ruínas de antigas metrópoles. Para Ecoban sobreviver, é necessária a deliberada criação de poluição - e a aniquilação ambiental dos locais onde os Marr habitam é unanimemente decidida pelos líderes da cidade.

A resistência dos Marr é liderada por Shua, um jovem de passado enigmático que reencontra, fortuitamente, a sua melhor amiga de infância, Jay, agora uma reputada oficial da guarda de segurança de Ecoban e encarregada de oprimir qualquer espécie de indisciplina social. A partir daquele momento, o conflito passa de físico e ideológico para um remoinho emocional com consequências trágicas.



Padecendo de um evidente défice na profundidade psicológica das personagens, a que se junta a ausência de conteúdos filosóficos próprios do género cyberpunk (mas com uma vincada mensagem ecológica e alusão à luta de classes sociais), a beleza visual define WONDERFUL DAYS enquanto objecto cinematográfico. Raramente a utilização de efeitos visuais foto-realistas obteve tão bons resultados - há ocasiões em que nos esquecemos estarmos perante um filme animado.

No cômputo geral, Moon-saeng Kim cria a obra ideal para iniciados neste universo tão particular do panorama da animação mundial e fãs acérrimos de anime. Se nos coibirmos de prestar demasiada atenção às várias histórias de WONDERFUL DAYS, a apreciação de uma fábula distópica com elementos quase kitsch (note-se, numa sequência perto do final, o lirismo da visão de gotas de sangue flutuando em ambiente de gravidade zero ao som de Wagner) transforma-se numa experiência deveras recompensadora.

1 comentário:

Anónimo disse...

Excelente matéria, mas quando fala da qualidade gráfica. Vocês conhecem appleseed e APPLESSED EX-MACHINA, aí vcs vão ver qualidade gráfica, o último dirigido por john woo.