quarta-feira, agosto 04, 2010

WHEN YOU'RE STRANGE (2009), de Tom DiCillo



Quinze anos depois do quase emblemático THE DOORS — O MITO DE UMA GERAÇÃO, assinado por Oliver Stone, os The Doors são novamente motivo para um filme exibido em grande ecrã. Desta vez, na forma de um documentário que vive inteiramente de imagens de arquivo e da narração de Johnny Depp para analisar o impacto cultural, então e agora, da banda californiana liderada por Jim Morrison.

Figuras indissociáveis dos anos 60, os Doors foram um reflexo da inquietude social que os EUA atravessaram durante aquela era, da qual a Guerra do Vietname, segregação racial, assassinatos (Martin Luther King, Robert Kennedy, Sharon Tate...) e uma constante juventude em luta foram os principais estandartes. Todos estes aspectos vivem, lado a lado, com o descritivo da ascensão e queda dos The Doors e, sobretudo, de Jim Morrison.



Que sem Jim Morrison não existiriam The Doors, eis um facto inegável, por demais conhecido, e este documentário é exaustivo nessa matéria. Mas é na abordagem ao papel e influência dos restantes membros (o teclista Ray Manzarek, o guitarrista Robby Krieger e o baterista John Densmore) para o sucesso da banda que WHEN YOU'RE STRANGE se distingue de anteriores produtos sobre o tema.

Produzido com o total apoio dos músicos acima referidos e respectivas famílias, ansiosos por rebater a imagem de Morrison que o filme de Oliver Stone imprimiu no imaginário recente — a de um arruaceiro insensível que passou pelo mundo em constante auto-destruição por via alcoólico-toxicodependente —, foi possível construir uma viagem ao passado formada exclusivamente por filmes e fotografias domésticas, imagens de ensaios e concertos, transmissões televisivas, a curta-metragem que Morrison filmou aquando da sua breve passagem pela UCLA e (no maior "doce" para fãs acérrimos do cantor) excertos de HWY: AN AMERICAN PASTORAL, uma obra cinematográfica produzida e interpretada por Jim Morrison em 1969 que raramente tem sido exibida.

Mas tal como os espectadores que, nos anos 60, iam aos concertos dos The Doors mais pelo comportamento errático do seu vocalista do que pela música, também WHEN YOU'RE STRANGE apaixona-se pela figura de Jim Morrison. A sua infância e adolescência, assim como a formação da banda, são rapidamente abordados. Tom DiCillo optou, talvez sensatamente, por concentrar o documentário de 1966 até à morte de Morrison no Verão de 1971, e a montagem das imagens de arquivo foi claramente tendenciosa em apresentá-lo em diversas circunstâncias de euforia, surrealismo e moderação.



Há que louvar, no entanto, o desafio a que Tom DiCillo se auto-propôs de colocar os quatro membros num mesmo plano. No final, WHEN YOU'RE STRANGE traz pouco de novo a quem já viu ou leu algo sobre a carreira dos The Doors. Propicia êxtase, nostalgia e a observação das referidas imagens e fotos inusitadas. Mas quem for confrontado, pela primeira vez, com «The End» ou «Light My Fire», será brindado com um documentário muito competente, ainda para mais narrado pela segura e qualitativa voz de Johnny Depp.

Talvez nunca compreenderemos totalmente quem era Jim Morrison. Do ponto de vista cinéfilo, WHEN YOU'RE STRANGE é o perfeito complemento ao filme de Oliver Stone. Aliás, ver os dois num curto espaço de tempo até poderá revelar-se interessante...

7 comentários:

Maninha disse...

Alguém não se apaixonar por Jim é uma impossibilidade :)) Estou mortinha para ver este doc. Bjins

Sam disse...

Cara Maninha,

o DVD está arrumado numa prateleira perto de mim, a tua visualização pode concretizar-se. É só combinar a "entrega"! :)

Dora disse...

Arranjei isto ontem mas ainda não vi.

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