domingo, julho 24, 2011

Críticas da Semana

Breve resumo dos principais filmes visualizados esta semana.

MIDLOTHIA (2007), de Bill Sebastian



No seu último dia enquanto residente da pequena cidade de Midlothia, Fred (Bill Sebastian) e os seus melhores amigos descobrirão segredos que ameaçarão as fundações daquela amizade.

O realizador/actor Bill Sebastian concebe uma história de rednecks capaz de fugir à típica caracterização inerente a este tipo de personagens, no entanto permanece a sensação de ser uma amálgama de filmes independentes norte-americanos: o ritmo é decalcado de HARD EIGHT (1996), o cenário recorda OS RAPAZES NÃO CHORAM (1999) e o QI das personagens directamente saído de NAPOLEON DYNAMITE (2004). Felizmente, o argumento (de extrema simplicidade) ainda consegue proporcionar humor, imprevisibilidade e profundidade psicológica para tornar a visualização de MIDLOTHIA minimamente sofrível.

SOUTHLAND TALES (2006), de Richard Kelly



Numa Los Angeles alternativa, à beira do colapso social, económico e ambiental, Boxer Santoros (Dwayne Johnson) é uma estrela de cinema acossado por uma inexplicável amnésia. Enquanto luta para recuperar a memória, o seu percurso cruza com os de Krysta Now (Sarah Michelle Gellar), uma actriz pornográfica com o seu próprio reality show, e de Roland Taverner (Seann William Scott), um polícia cuja identidade dividiu-se em duas.

Há filmes estranhos e filmes estranhos. E depois há SOUTHLAND TALES, uma das experiências cinematográficas vindas de Hollywood mais enigmáticas e, simultaneamente, irresistíveis com que já me deparei. Autêntico magnum opus de excesso surrealista, quase impossível de catalogar (ficção científica? drama apocalíptico? thriller?) , tanto pode ser o resultado de uma concessão total de liberdade criativa como de constrangimentos de produção que lhe furtou a lógica e estabilidade narrativa. Mas com aquele improvável elenco, original conceito visual e despreocupada ausência dos supostos "limites" de coerência cinematográfica, é impossível não gostar disto. E de não o querer rever em breve.

PREZÍT SVUJ ZIVOT (SURVIVING LIFE) (2010), de Jan Svankmajer



Evzen (Vaclav Helsus) sonha constantemente acerca de uma jovem mulher (Klara Issova) e, quando acorda, apenas deseja reentrar naquele sonho. A conselho do seu médico de família, Evzen consulta uma psicanalista. Durante a terapia, Evzen recorda eventos traumáticos da sua infância e o seu sonho recorrente transformar-se-à em pesadelo.

Este «imperfeito substituto para um filme de imagem real» (tal como o narrador afirma no início) é mais uma loucura visual de Svankmajer, que exibe tudo o que é esperado do cineasta checo, juntamente com o profundamente inusitado, ou seja, uma obra sua que quase pode ser considerada comercial. Os seus "recortes" continuam a ser grotescos, provocadores e surreais no tom, mas o espírito desses adjectivos estão longe do que representaram em NECO Z ALENKY (ALICE) (1988) ou SILENÍ (LUNACY) (2005). Saúda-se a vontade de um contínuo ensaio em torno do surrealismo filmado — estética que parece estar cada vez mais ausente do cinema moderno — e um sentido de humor irrepreensível. Muito recomendado.

2 comentários:

Álvaro Martins disse...

Ainda nunca vi nada do Svankmajer, é uma falha a colmatar em breve ;)

Sam disse...

Álvaro, julgo ser um dos autores europeus mais originais da actualidade. Vale muito a pena conhecer!