quarta-feira, fevereiro 29, 2012

A "Polémica" do Mês #9

Como a blogosfera cinéfila nacional divergiu, este mês, sobre O ARTISTA, de Michel Hazanavicius.





«THE ARTIST é uma visão luminosa, entusiasmante e positiva sobre a evolução no cinema, na arte, na vida.»
Jorge Rodrigues, Dial P For Popcorn.



«É galante, divertido e temperado com uma boa dose de comicidade visual: a receita ideal para deleitar uma audiência não muito acostumada a qualquer tipo de rasgo de originalidade ou inovação.»
Marcelo Pereira, Aros de Cebola.



«Achar que se preza o cinema mudo por tirar o som das bocas de personagens de um filme a cinzento (esqueçam o preto-e-branco), realizado hoje, no retrato de um actor que perde a sua glória com a chegada das palavras ao cinema, é mera desonestidade perante os que sofreram perante a opção que a indústria tomou.»
Francisco Valente, Da Casa Amarela.

3 comentários:

Inês Moreira Santos disse...

Eu acho que me encaixo no misto, com tendência, cada vez mais, para descer...

ArmPauloFer disse...

Tenho uma visão e opinião extremamente positiva sobre este "The Artist". Para mim foi classificado imediatamente por 9/10 (e não sou muito amigo de dar tão altas classificações a um filme acabado de ver)
Desta vez até achei que a Academia foi certeira a premiar por Melhor Filme (o de Melhor Actor era já inquestionável).

O cinema hoje em dia usa de tudo para chamar público a cada um dos seus filmes. The Artist ao fazer precisamente o inverso, conseguiu, criar mais... com menos!
Considero que o filme, usa uma forma de fazer cinema mas desta vez como uma técnica (totalmente em desuso sim). Da mesmo forma que hoje em dia se usa o 3D, imenso CGI, explosões constantes, a nudez, até mesmo o preto-e-branco e não só, etc... tudo isto são artifícios. The Artist serve-se do conceito do cinema mudo não só como "novo" artificio mas também para "reconquistar" processos de execução cinéfila antiga submetidos a uma nova utilização.
Ai e tal é um filme mudo a querer ser dos anos 1920 e nem respeita como era a época.
O filme primeiro não é na verdade um real filme mudo e nem tão pouco procura ser um facsimile desse tempo. o filme tem sim é uma história no seu argumento que nos leva para esse tempo entre a passagem do mudo para o som (vozes) e com a escolha desta técnica consegue sim reforçar ainda mais o que quer contar.

O que "The Artist" prova é que, seja qual for o artificio, o mais importante é que nada disso deve ultrapassar a substância: que é saber contar uma boa história.
Neste caso ela surge de forma ainda mais melodramática, com imenso romantismo e plena de emoções. Tudo isto sem ninguém falar... mas tudo sendo entregue em doses puras mesmo na nossa cara (percepção) ao privilegiar a comunicação pela "quase" extinta arte de representar em cinema só por expressão corporal.

E digo que olhar para o filme como sendo feito igual aos anos 20 e somente como filme mudo, é estar a reduzi-lo a algo que ele nem sequer é. O que o filme francês ainda consegue, e isto ironicamente para Hollywood, é ter mais alma americana e espirito de espectáculo (cruzando culturas, homenageando o passado, entregando doses de nostalgia a novos públicos que nunca se atreverão a descobrir que o cinema já foi assim).
E depois há que enaltecer a soberba representação dos dois actores principais (sem esquecer do cão), de grande empatia juntos, que nos devolveram charmosamente... magia!
Foi tudo isto que me arrebatou. The Artist é um filme grandioso!!!
Mas isto sou eu a dizer...

Marcelo Pereira disse...

Muito obrigado pelo destaque!