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quarta-feira, fevereiro 29, 2012

A "Polémica" do Mês #9

Como a blogosfera cinéfila nacional divergiu, este mês, sobre O ARTISTA, de Michel Hazanavicius.





«THE ARTIST é uma visão luminosa, entusiasmante e positiva sobre a evolução no cinema, na arte, na vida.»
Jorge Rodrigues, Dial P For Popcorn.



«É galante, divertido e temperado com uma boa dose de comicidade visual: a receita ideal para deleitar uma audiência não muito acostumada a qualquer tipo de rasgo de originalidade ou inovação.»
Marcelo Pereira, Aros de Cebola.



«Achar que se preza o cinema mudo por tirar o som das bocas de personagens de um filme a cinzento (esqueçam o preto-e-branco), realizado hoje, no retrato de um actor que perde a sua glória com a chegada das palavras ao cinema, é mera desonestidade perante os que sofreram perante a opção que a indústria tomou.»
Francisco Valente, Da Casa Amarela.

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Óscares 2012: o comentário final



Este foi mesmo o "ano da nostalgia". E não só pelo facto de O ARTISTA e A INVENÇÃO DE HUGO, duas obras imbuídas de um profundo espírito consagratório aos primeiros anos da Sétima Arte, terem arrecadado dez estatuetas, cinco para cada um.

A ausência de um sentimento de novidade (nem se fez sentir o "apelo" a uma franja mais jovem da audiência, não obstante Justin Bieber surgir a certa altura...) na cerimónia da 84ª entrega dos Óscares da Academia começou logo na prestação de Billy Crystal como anfitrião — pela nona vez, tal como o próprio fez questão de frisar assim que pisou o palco —, a repetir a sua habitual e já saudosa routine mas sem a "chama" nem a vitalidade de outros tempos. Talvez Jack Nicholson devesse mesmo ter comparecido à cerimónia...





E por falar em repetição, o mesmo substantivo pode ser aplicado aos resultados finais deste ano. Os vencedores foram todos os esperados e nem mesmo nas denominadas categorias técnicas se pode falar em surpresas. Assim, os principais vencedores foram:

. Melhor Filme: O ARTISTA



. Melhor Realizador: Michel Hazanavicius, por O ARTISTA



. Melhor Actor Principal: Jean Dujardin, por O ARTISTA



. Melhor Actriz Principal: Meryl Streep, por A DAMA DE FERRO



. Melhor Actor Secundário: Christopher Plummer, por ASSIM É O AMOR



. Melhor Actriz Secundária: Octavia Spencer, por AS SERVIÇAIS



. Melhor Filme Estrangeiro: UMA SEPARAÇÃO (Irão)



. Melhor Filme de Animação: RANGO



A lista detalhada dos vencedores pode ser consultada neste endereço.

domingo, janeiro 29, 2012

Críticas da Semana

Breve resumo dos principais filmes visualizados esta semana:

. ZEITGEIST: MOVING FORWARD
. O ARTISTA
. MILLENNIUM 1 — OS HOMENS QUE ODEIAM AS MULHERES

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. ZEITGEIST: MOVING FORWARD (2011), de Peter Joseph



Criando um modelo de compreensão do actual paradigma social e do motivo pelo qual é fundamental sair do mesmo — juntamente com uma nova abordagem social, que apesar de radical, é ainda assim, prática —, procura-se encontrar uma resolução dos actuais problemas sociais que afligem o mundo.



Se tiverem duas horas e quarenta minutos da vossa vida para dispensar a este documentário, serão capazes de entender que esse tempo não só passará num ápice, como também proporcionará uma experiência elucidativa acerca das causas que forjaram o espectro da crise financeira mundial que todos os dias nos entra pela casa, culminando numa enumeração de "soluções" mais utópicas do que propriamente reformadoras.

Sem a visceralidade de Michael Moore nem a ironia de Errol Morris, ZEITGEIST: MOVING FORWARD aposta numa irreverência quase juvenil para atacar os "vícios" do sistema, recorrendo a diferentes estilos de animação para esquematizar a informação e valores transmitidos e — na que será a principal novidade deste género de documentário — uma abordagem a vicissitudes biológicas e antropológicas explicativas do actual estado da Humanidade. Não estamos perante algo que ficará rotulado como revolucionário, mas a sua qualidade de eye-opening converte-o em algo de visualização urgente.

. O ARTISTA (2011), de Michel Hazanavicius



Hollywood, 1927. George Valentin (Jean Dujardin) é uma das maiores estrelas do cinema mudo. Certo dia, conhece Peppy Miller (Bérénice Bejo), uma jovem e ambiciosa figurante, por quem fica fascinado. Mas a chegada dos filmes sonoros marca o fim da carreira de George, e torna Peppy na nova grande estrela da indústria.



Como é possível gostar-se de um pastiche? Até que ponto pode o artificialismo do Cinema se tornar no seu principal inimigo? E qual o propósito da integração do «Love Theme» de A MULHER QUE VIVEU DUAS VEZES (obra sonora e a cores) no acompanhamento musical de um filme mudo e a preto e branco? Estas e outras questões ressalvam a constatação de que O ARTISTA é uma homenagem intrincada ao cinema mudo americano, que almeja ignorar tudo o que de fascinante e memorável existia naquela era, focando-se numa miscelânea de cultura geral cinematográfica e melodrama previsível convenientemente reunidos para o converter num produto de imediato apelo popular e (como se verificou, esta semana, pelo anúncio das suas dez nomeações) muito oscarizável.

Ironia das ironias, e não obstante a sua "tríade" de inegáveis qualidades — a interpretação e charme de Jean Dujardin, que emula o poder de sedução de Rudolph Valentino com o percurso biográfico de John Gilbert; a competente realização de Hazanavicius; e o expressivo companheiro canino do protagonista —, faz-nos constatar que o encanto inerente ao filme mudo residia, precisamente, naquele seu "défice tecnológico". E não há apostas vanguardistas baseadas em métodos obsoletos capazes de anular o sentimento de embuste que se detecta no cerne de O ARTISTA. Para verificar homenagens contemporâneas, e mais bem conseguidas, ao Cinema dos anos 20, continuo a preferir Guy Maddin. O qual também assina, de vez em quando, uma ou outra comédia musical...

. MILLENNIUM 1 — OS HOMENS QUE ODEIAM AS MULHERES (2011), de David Fincher



Mikael Blomkvist (Daniel Craig), jornalista recentemente caído em desgraça mediática, aceita o trabalho de desvendar o desaparecimento da sobrinha de Henrik Vanger (Christopher Plummer), o patriarca de uma poderosa família empresarial sueca. Com a ajuda de Lisbeth Salander (Rooney Mara), hacker de alto nível com problemas de comportamento social, irão desvendar muitos segredos da família de Henrik, até então escondidos na penumbra.



A minha admitida desconfiança relativamente a remakes não é segredo para quem acompanha este espaço com regularidade. E enquanto admirador da primeira transposição ao Cinema dos livros de Stieg Larsson, a exigência em torno desta abordagem norte-americana à história era redobrada... e não saiu defraudada. Retomando temas e ambiências que preenchem a sua filmografia (crime e castigo, o sereno e o furioso, a amizade e a hostilidade) e demarcando-o de qualquer comparação com o filme sueco através da sua reconhecível mise-en-scène, Fincher forja um produto inteiramente seu e, a espaços, mais próximo que a referida primeira adaptação das intenções da fonte literária — a qual é excelente, logo não havia como falhar.

Posto isto, é necessário e inevitável reservar a nossa atenção para a encarnação de Rooney Mara em Lisbeth Salander, uma das mais complexas personagens de ficção femininas do nosso tempo. Numa visível entrega de corpo e alma pela jovem actriz ao desafio colocado, faz-nos esquecer a (quase icónica) prestação de Noomi Rapace, através de certeiras nuances do argumento que potenciam a androginia psicológica e antecipam, na sua caracterização, o passado conturbado de Lisbeth. O mundo ganha dois óptimos "descendentes cinematográficos" de uma saga literária de sucesso mas, tal como sucedia na adaptação europeia, ainda não foi desta que se transpôs para o grande ecrã as ansiedades sócio-políticas que selaram os últimos dias de Stieg Larsson — a primazia continua a ser dada ao thriller, mas um pouco mais de ambição não seria, por estes lados, mal recebida.

domingo, maio 22, 2011

Festival de Cannes 2011 — Os Prémios



Robert De Niro e restantes membros do Júri do 64º Festival de Cannes anunciaram, há poucas horas e durante a Cerimónia de Encerramento, os galardoados nas diversas categorias em Competição.



Confirmando a notoriedade que lhe foi granjeada antes e durante o Festival, a atribuição da Palma de Ouro a THE TREE OF LIFE permite que o nome de Terrence Malick fique indelevelmente marcado à edição deste ano.

O palmarés da edição de 2011 ficou assim estabelecido:

  • EM COMPETIÇÃO — LONGA-METRAGEM


Palma de Ouro
THE TREE OF LIFE (EUA), de Terrence Malick.

Bill Pohlad e Dede Gardner, ao lado de Jane Fonda, aceitaram a Palma de Ouro em nome do ausente Terrence Malick.

Grande Prémio do Júri
ONCE UPON A TIME IN ANATOLIA (Bósnia-Herzegovina / Turquia), de Nuri Bilge Ceylan.



ex-aequo

LE GAMIN AU VÉLO (Bélgica / França / Itália), de Jean-Pierre e Luc Dardenne.



Prémio de Realização
Nicolas Winding Refn, por DRIVE (EUA).

Nicolas Winding Refn e o seu prémio

Prémio do Júri
POLISSE (França), de Maïwenn.

A realizadora Maïwenn agradece o Prémio do Júri

Prémio de Interpretação Masculina
Jean Dujardin, por THE ARTIST (França), de Michel Hazanavicius.

Dujardin posa junto de Catherine Deneuve

Prémio de Interpretação Feminina
Kirsten Dunst, por MELANCHOLIA, (Alemanha / Dinamarca / França / Suécia) de Lars von Trier.

Kirsten Dunst, pouco depois de ser galardoada Melhor Actriz

Prémio de Argumento
Joseph Cedar, por HEARAT SHULAYIM (Israel).

Palma de Ouro - Curta Metragem
CROSS-COUNTRY, (França / Ucrânia), de Maryna Vroda.



Caméra d'Or
LAS ACACIAS (Argentina / Espanha), de Pablo Giorgelli.



Prémio FIPRESCI (Federação Internacional de Críticos de Cinema)
LE HAVRE (Alemanha / Finlândia / França), de Aki Kaurismäki.

Prémio Ecuménico do Júri
THIS MUST BE THE PLACE (França / Irlanda / Itália), de Paolo Sorrentino.

  • UN CERTAIN REGARD


Prémio Un Certain Regard
ARIRANG (Coreia do Sul), de Kim Ki-duk.

ex-aequo

HALT AUF FREIER STRECKE (Alemanha), de Andreas Dresen.



Prémio do Júri
ELENA (Rússia), de Andrey Zvyagintsev.

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A lista completa dos laureados pode ser consultada aqui.

[Crédito de imagens: Site Oficial do Festival e Associated Press.]

domingo, maio 15, 2011

Festival de Cannes 2011 — Dia 5



Quinto dia recheado de sorrisos, beijos, nostalgia e imprensa "saciada" — atmosfera tão positiva que nem um dos filmes mais polémicos do presente Festival conseguiu diminuir.

Jean-Pierre e Luc Dardenne (vencedores da Palma de Ouro em 1999 e 2005 por ROSETTA e L'ENFANT, respectivamente) regressam à competição com LE GAMIN AU VÉLO, drama interpretado por Cecile de France, sobre Cyril, menino de onze anos, que vive num orfanato e nutre o sonho de reencontrar o pai.

Cecile de France ladeada pelos irmãos Dardenne

Traçando comparações entre este argumento e o de L'ENFANT, a crítica acolheu-o favoravelmente, destacando a sua «simplicidade directa e explicativa», concebendo um «profundo exemplo de cinema humanista» e suscita a aposta de que o jovem protagonista Thomas Doret possa ser eleito Melhor Actor do Festival na próxima semana.

Cecile de France na conferência de imprensa

Também em competição, THE ARTIST, primeiro filme de Michel Hazanavicius, invoca a magia dos primórdios da Sétima Arte. Mudo (com excepção de duas memoráveis sequências) e a preto e branco, já é um dos principais crowd pleasers da presente edição.

Jean Dujardin e Berenice Bejo, os intérpretes de THE ARTIST

Considerado «divertido, astuto, tocante, nostálgico», mereceu longa ovação do público e, para alguns, «possui um efeito cinematográfico mais duradouro do que qualquer épico inchado em 3D». Interpretações à parte, certo é que Harvey Weinstein já adquiriu os direitos de THE ARTIST e especula-se sobre as suas hipóteses para os Óscares...

Na secção Un Certain Regarde, foi dia de conhecer MARTHA MARCY MAY MARLENE, do (mais um) estreante Sean Durkin, sobre uma jovem (Elisabeth Olsen) que após escapar ao controlo de uma seita pouco escrupulosa, não encontra conforto imediato no seu regresso à vida normal.

Elisabeth Olsen e Sean Durkin, no primeiro plano

Drama psicológico de enorme carga emocional a que ninguém ficará indiferente, ostenta «uma montagem inteligente» e «mise en scène apurada» para ilustrar a fragilidade da protagonista.

Em concurso na secção Quinzaine des Réalisateurs, CODE BLUE, da holandesa Urszula Antoniak, provocou hoje a debandada quase geral do público que assistia ao filme. Cannes não seria o mesmo sem estas "vicissitudes"...



Abordando temas como solidão, sexualidade e morte, a crítica não se deixou chocar e considera-o «absolutamente exemplar na sua construção formal». Aparentemente, um título a reter mas sempre susceptível de chocar audiências.

[Crédito de imagens: Site Oficial do Festival e AFP.]