domingo, junho 17, 2012

Sessão de Curtas #1

STANDISH LAWDER



Professor universitário de História de Arte e Estudos Fílmicos e fotógrafo profissional, Standish Lawder desenvolveu, nos inícios da década de 70, uma curta mas interessante incursão pelo cinema experimental, assinando três curtas-metragens que vão do puramente lúdico até à mais incisiva observação filosófica do quotidiano.

Em comum, somos testemunhas de uma total entrega ao experimentalismo único e versátil que só a Sétima Arte consegue proporcionar.

. CORRIDOR (1970)



Filmado ao longo de dois anos, Lawder apresenta aqui todo o seu fascínio pelas diversas possibilidades técnicas da câmara de filmar. A repetição espacial de CORRIDOR é esbatida pelo incansável experimentalismo da múltipla exposição, da superimposição de imagens, da alternância entre imagem revelada e o seu negativo, da abundância de técnicas de distorção...

Observa-se, portanto, ao "confronto" do permanente sentimento de tensão no espectador com a experiência visual vibrante da sua hipnótica mise-en-scène.



. NECROLOGY (ROLL CALL OF THE DEAD) (1971)



Nas palavras do próprio Standish Lawder, «NECROLOGY is characteristic of my work in the heuristic process of it's making. I don't work from film scripts, I never know where a film idea is going. Tipically, I start with a visual idea, shoot the film and examine the result. And I leave the results suggests where to go next. What is interesting about this piece of film is "how do I make it more interesting?' (...) I wanted an endless flow of humanity (...) and looking for a device or situation that generate this illusion of endless people, I hit upon the idea of filming a crowded escalator (...). It didn't take me long to realize that the mother of all escalators was in New York city, in Grand Central Station (...). I first view the fottage in my basement screening room, in New Haven. (...) I wanted to see it again but, rather than rewind the projector, I simply flipped the switch on the reverse and the projector ran backwards. Suddenly, the downward movement of the people was reversed, the image became wonderfully, miraculously, poetic, taking a totally new dimension and new meaning. They are being lifted, heavenward, silently ascending, and the image was unboud with a mysterious and poetic levitation.»

O resultado é este absorvente plano-sequência, propenso às mais variadas e legítimas interpretações sobre a condição humana dos nossos tempos.



. COLOR FILM (1971)



Produzido numa altura em que pretendia fazer um filme minimalista, Lawder colou uma série de pedaços de película multicolor (branco, amarelo, azul, vermelho, verde, etc.). Quando passou o filme pelo projector, os resultados foram, para ele, absolutamente entediantes. No entanto, Lawder reparou no aspecto curioso que as várias colorações provocavam enquanto a fita percorria os diversos mecanismos do projector. Decidiu, então, virar a câmara para o próprio projector...

Minimalista e peculiar.



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