sexta-feira, junho 29, 2012

TWIXT (2011), de Francis Ford Coppola



Hall Baltimore (Val Kilmer), escritor de histórias de fantasmas em crise financeira e criativa, viaja até a uma pequena cidade para uma sessão de autógrafos. Durante a sua estadia, trava conhecimento com a investigação do homicídio de uma jovem rapariga e, num sonho, é abordado por uma jovial fantasma chamada V (Elle Fanning), a qual pode ter alguma ligação ao crime.



Antes de Coppola ser sinónimo de O PADRINHO (1972), O VIGILANTE (1974) ou APOCALYPSE NOW (1979), o realizador assinara, em 1963, uma curiosa peça de terror chamada DEMENTIA 13, produzida por Roger Corman (o "rei do B movie") e cujo argumento, confuso e imperfeito, estava pejado de melodrama gótico e imaginativas sequências de horror.

Tal facto é mais do que um simples pormenor. Nesta sua nova etapa artística, onde o cineasta procura executar apenas projectos intrinsecamente pessoais e com total liberdade criativa, TWIXT pode ser quase compreendido como um requintado e íntimo regresso às origens e, pessoalmente, já é dos principais guilty pleasures a que pude assistir este ano.

O argumento é desequilibrado, os efeitos visuais capitalizam mais o 3D do que a atmosfera e as personagens vão do inconstante ao cabotino. Contudo, TWIXT possui uma quantidade de texturas sub-repticiamente escondidas na aparente "manta de retalhos" que tece ao espectador. Para além de apresentar um realizador sem medos de acirrar o seu estatuto perante crítica e audiência, envereda pelo terror que deve mais à série THE TWILIGHT ZONE do que a Stephen King — a quem o filme parece homenagear e parodiar —, brinca com todo o romance "delicodoce" que domina a ficção vampiresca moderna, permite a onírica aparição de Edgar Allan Poe (Ben Chaplin, exemplar no seu scene-stealing) e o "fantasma" principal do argumento (em óbvia referência à morte trágica do seu filho Gian-Carlo) representa um dos toques mais pessoais da carreira de Coppola.

TWIXT está longe de alcançar o "desfecho infalível" que o protagonista procura para o seu novo romance, mas demonstra um Francis Ford Coppola juvenil, quiçá a exorcizar alguns demónios, e pronto para qualquer futuro desafio cinematográfico.

1 comentário:

O Provedor disse...

Esta nova fase de Coppola não me tem entusiasmado muito. Mas o regresso de Coppola ao terror talvez seja um bom motivo para ver este Twixt.

Cumps

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