sábado, outubro 06, 2012

MOONRISE KINGDOM (2012), de Wes Anderson



Numa ilha ao largo da costa da Nova Inglaterra nos anos 60, um rapaz e uma rapariga apaixonam-se e fogem de casa. Várias facções da cidade mobilizam-se para os procurar, e a própria cidade vira-se do avesso — o que pode não ser assim tão mau. — MUBI.com



Grandioso elogio ao sépia e ao poder da direcção artística — dêem-lhe quantos prémios entenderem que daqui não surgirá oposição — enquanto departamento, nesta indústria, essencial para a adequada criação de atmosfera: e estamos conversados no que diz respeito aos méritos de MOONRISE KINGDOM.

Obra menor de Wes Anderson, impingindo a sua marca autoral em cada sequência, em cada enquadramento, em cada fotograma, em cada milésimo de segundo do filme, MOONRISE KINGDOM esbanja um elenco de garantido talento (o caso de Tilda Swinton demonstra-se, nesse sentido, pragmático), é narrativamente cabotino, tematicamente desprovido de originalidade e esteticamente cansativo, não obstante conseguir destacar-se de outros títulos neste último aspecto.

E a amálgama de referências cinematográficas que exibe está longe de se assumir como qualidade intrínseca ao filme. Se, em muitos dos seus preceitos, esta história excêntrica de amor infantil invoca Stanley Kubrick nos seus zooms e movimentos de câmara, Jacques Tati no seu cenário de comicidade rural, ou René Clément nos seus jovens-adultos protagonistas, fica aqui o repto: a antecipada e plena admiração dos autores supra-citados rapidamente devolverá a MOONRISE KINGDOM uma mediania que nunca deveria ter sido empolgada.

Tal como se dizia nos meus tempos de ensino preparatório, "é um 3 muito perto da negativa"...

5 comentários:

Inês Moreira Santos disse...

Como sabes, concordo em pleno com tudo o que aqui escreves. Visualmente muito interessante, mas de resto tudo muito mediano e um argumento "aborrecido".

Excelente texto, como sempre, Sam.
Cumprimentos cinéfilos :*

Sam disse...

Até ver, já encontrei o filme mais sobrevalorizado de 2012 :)

Obrigado pelas tuas palavras, ainda bem que gostaste :*

Cumps cinéfilos :*

Andreia Mandim disse...

Concordo completamente. Aliás foi exactamente isso que disse no grupo. Acho que o público o elevou demais, talvez para se enganar a si mesmo...

"Grandioso elogio ao sépia e ao poder da direcção artística — dêem-lhe quantos prémios entenderem que daqui não surgirá oposição — enquanto departamento, nesta indústria, essencial para a adequada criação de atmosfera: e estamos conversados no que diz respeito aos méritos de MOONRISE KINGDOM."

Isto descreve na prefeição o que acho de bom do filme, a estética, o visual, o Wes tá lá em cima no que toca a isso...mas muito cá em baixo e comodista no que respeito ao argumento, desta vez.

cumprimentos,
cinemaschallenge.com

Jorge Teixeira disse...

Bom já o expressei no grupo facebookinao aqui do lado, mas digo-o novamente: Tenho uma opinião mais favorável do filme, bem mais aliás - toda a ambiência, o estilo, a filmagem fazem com que o filme atinga momentos e sequências geniais. Destas sensações visuais, cromáticas ou apenas e só pessoais tem o cinema muito pouco (referindo-me à actualidade), daí que elogie muito o seu autor. Ou seja, embora compreenda quem não goste tanto do filme, devido à sua escassa e fraca (comparativamente a outros do realizador) capacidade narrativa, não concordo, uma vez que descredibilizo esse aspecto em detrimento de um outro, bem mais "visível" e fracturante, que ofusca tudo e todos (literamente), e que possui aqui o cerne da questão. Isto na minha opinião claro, tão válida como esta aqui exposta (bem escrita a propósito, de resto como é habitual).

Cumprimentos,
Jorge Teixeira
Caminho Largo

Nuno M. disse...

Concordo em absoluto. De longe, o filme mais sobrevalorizado de 2012. E «cabotino» não chega sequer perto daquilo que senti ao vê-lo.

(O meu primeiro comentário aqui, mas de um leitor atento.)