sábado, dezembro 01, 2012

RAPT (1934), de Dimitri Kirsanoff



Duas aldeias, separadas por uma montanha. Por lhe terem matado o cão de estimação, assim como pelo desejo que nutre por Elsi (Dita Parlo), Firmin (Geymond Vital) comete o impensável: rapta-a e instala em sua casa uma mulher da "outra" aldeia. — IMDb



Exemplo perfeito da transição do mudo para o sonoro de Dimitri Kirsanoff (que, em 1926, assinou o frenético MÉNILMONTANT, modelo exímio de cinema poético, onde as imagens ecoam muito mais alto que as palavras), RAPT é indissociável da análise do seu apurado trabalho de câmara.

Expressivos close-ups; a "paixão" da câmara pelos rostos (tão contrastantes quanto as diferenças entre as duas aldeias do filme) de Dita Parlo e Nadia Sibirskaïa; a diluída imagética sociológica sublinhando disparidades entre estratos sociais divergentes mas geograficamente próximos; o óbvio e certeiro aproveitamento etnográfico que só um local como os Alpes Suíços proporcionam; um clímax marcado pelo fatalismo atenuadamente anunciado mas que surge com a força literal de um trovão e pautado por um dos travellings (abaixo representado) mais aflitivos da História do Cinema... RAPT é obra para se avaliar pelas suas imagens.



























O estado de conservação de RAPT, apesar dos esforços da Cinemateca Suíça, denota o esquecimento que lhe foi votado. Por isso, exorta-se ao seu visionamento com cariz de quase obrigatoriedade e posterior culto imediato.

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