quinta-feira, maio 02, 2013

O Cinema dos Anos 2000: A Arca Russa, de Alexander Sokurov




O Instituto de Cinematografia Gerasimov tem de ser considerado uma das maiores escolas do cinema mundial. De Sergei Eisenstein a Elem Klimov, poucos foram os grandes realizadores do leste que não passaram por lá, enquanto professores ou alunos. Alexander Sokurov aprendeu tudo aí e a influência do seu mentor, Andrei Tarkovsky, ainda hoje é sentida nos seus trabalhos. Se no início da carreira isso significava uma ausência de identidade própria e condenava tudo o que Sokurov fazia a serem cópias pouco cativantes e de baixa qualidade de ZERKALO, nos últimos anos já não se pode dizer o mesmo.

O díptico MÃE E FILHO (1997) / PAI E FILHO (2003) e a tetralogia sobre poder e corrupção confirmam que é um realizador virtuoso mas mostram também que é capaz de dar aos seus atores mais que monólogos pseudo-filosóficos e explorar, com distância suficiente para deixar no ar alguma ambiguidade, conflitos universais em família ou política.

Pelo meio, levou a cabo um dos maiores feitos do cinema moderno com A ARCA RUSSA, que consiste num plano-sequência único de 90 minutos pelo museu Hermitage. Recriando vários episódios da história russa e o ambiente das diferentes épocas em que se inserem, Sokurov consegue atingir aqui com mais convicção e segurança que nunca, um equilíbrio entre estilo e ideia, num dos mais hipnóticos e oníricos filmes que já tive oportunidade de ver e que culmina num longo baile, em que é dado uso à grande parte dos 2000 figurantes que participaram no filme.

por David Lourenço (O Narrador Subjectivo).

Elenco
. Alexander Sokurov (Narrador), Sergei Dreiden (Marquês de Custine), Mariya Kuznetsova (Catarina, a Grande), Marksim Sergeyev (Pedro, o Grande), Anna Aleksakhina (Alexandra Feodorovna), Vladimir Baranov (Nicolau II)


Palmarés
. Festival Internacional de Toronto: Prémio Especial — Visions Award (Alexander Sokurov)


Sobre Alexander Sokurov

Considerado por muitos como o herdeiro espiritual de Andrei Tarkovsky, a sua carreira é marcada por uma preocupação em redor das questões essenciais da existência humana, em filmes onde longos planos sequência, estilo naturalista de interpretação e o recurso quase surreal do som são presença constante. Da sua filmografia, destacam-se MÃE E FILHO (1997), MOLOCH (1999), PAI E FILHO (2003) e FAUSTO (2011, Leão de Ouro no Festival de Veneza).



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