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sexta-feira, dezembro 16, 2011

Hollywood Buzz #150

O que se diz lá fora sobre SHERLOCK HOLMES: A GAME OF SHADOWS, de Guy Ritchie:



«Set aside your memories of the Conan Doyle stories, save them to savor on a night this winter and enjoy this movie as a high-caliber entertainment.»
Roger Ebert, Chicago Sun-Times.

«There is a plot, but no real intrigue, mystery or suspense, and no inkling of anything at stake beyond a childish and belligerent idea of fun.»
A.O. Scott, The New York Times.

«After quite a few tedious detours and distractions, when the film finally gets down to the business of a climax at a gathering of elite European diplomats in a precariously perched Swiss mountain castle, it becomes not half-bad.»
Todd McCarthy, The Hollywood Reporter.

«Yet here, as before, part of the movie's perversely cheeky design is that it throws away its own cleverness.»
Owen Gleiberman, Entertainment Weekly.

«Through it all, SHERLOCK HOLMES never slows down. In a season loaded with portentous awards-bait, it is a joyful and sparkling escape.»
Caryn James, indieWIRE.

terça-feira, janeiro 12, 2010

SHERLOCK HOLMES (2009), de Guy Ritchie



Em duas sequências particularmente dinâmicas, SHERLOCK HOLMES introduz as capacidades de dedução e raciocínio do protagonista duma forma nunca sonhada por Arthur Conan Doyle. Num curioso exercício de antecipação cinematográfica, é-nos dado a assistir, em cristalino slow-motion, como Holmes pretende surpreender, desarmar e reduzir a "polpa" os seus oponentes, para logo a seguir vermos exactamente a mesma acção em todo o seu esplendoroso cinetismo e alarido.

Elementar, caro leitor! Este é um filme de Guy Ritchie, o realizador britânico mais virtuoso da actualidade que continua, nessa matéria, a bater Danny Boyle (TRAINSPOTTING, QUEM QUER SER BILIONÁRIO?) aos pontos. Por isso, não é de admirar que este carácter mais belicoso seja a principal novidade da mais recente versão do icónico detective de Baker Street. E Robert Downey Jr. personifica-o como um indivíduo desleixado, mulherengo e de fracas aptidões sociais — mas sempre adepto do cachimbo e de um ou outro dedilhar no violino. Independentemente dos gostos, é uma diferença a assinalar.



Para além da irrepreensibilidade de Downey Jr., Jude Law obtém aqui um dos melhores registos da sua carreira, ao interpretar o Dr. Watson mais desprendido e matreiro de que há memória — e o bigode até assenta bem na sua apreciada figura. O duo apresenta-se mais perspicaz do que o filme merece, mas a "inteligência" nunca figurou entre os principais interesses de Guy Ritchie enquanto cineasta.

Este comentário depreciativo advém da constatação de que o argumento nunca consegue estar acima dos leads masculinos nem da atmosfera concebida: a "tarefa" de Holmes e Watson passa por travar os planos de domínio mundial engendrados por Lord Blackwood (interpretado com a habitual segurança de Mark Strong), o qual recorre a uma sociedade maçónica que orgulharia Dan Brown e alguma magia negra. Como em qualquer bom filme de mistério, o vilão deve sempre sobressair e, por Mark Strong cumprir bem essa regra, não se entende o parco tempo de ecrã a que é relegado.



Mas essa não é a única "ponta solta" de SHERLOCK HOLMES. Quanto às falhas do argumento, estas poderão ser resolvidas na sequela descaradamente anunciada no epílogo do filme. Causa mais surpresa a inocuidade do elemento que dá pelo nome de Irene Adler (Rachel McAdams), apresentada na história envergando um flamejante vestido vermelho e indecisa sobre qual dos lados em confronto deverá apoiar. Constantemente deslocada, parece ter sido incluída mais por razões comerciais (numa tentativa "hollywoodiana" de agradar o público feminino que não resiste à visão de uma "mulher de garras afiadas") em detrimento da sua relevância narrativa. Para quê tanto, se Jude Law consta do elenco?

Destaque final para a composição visual do filme, sobretudo a amálgama de uma Londres tipicamente Vitoriana com modernismo acrónico (mérito para Philippe Rousselot e Sarah Greenwood, respectivamente, os directores de fotografia e direcção artística), constituindo um dos pontos altos da experiência semi-satisfatória que é SHERLOCK HOLMES.

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